Chapitre I. Contexte de l’étude et revue bibliographique
I. Aciers inoxydables ferritiques stabilisés
Nosso laboratório de prática foi desenvolvido em duas fases: a primeira, realizada entre os meses de setembro a dezembro de 2008 e, a segunda, entre março e julho de 2009 totalizando aproximadamente 90 horas de atividades. Antes disso, tivemos quatro encontros
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Esses materiais de caráter mais reflexivo serão explorados no próximo capítulo, quando apresentarmos os experimentos para uma vídeodança espontânea e comentarmos sobre a contribuição de Gelewski para a arte e a educação.
preparatórios para discussão do material selecionado e introdução à metodologia de Gelewski junto a Rosane Dutra56 – preparadora corporal da Casa Sri Aurobindo, entre maio e junho de 2008. Assim, iniciamos a organização desses materiais e planejamos sua execução, em dois encontros preliminares, ainda em Salvador, junto com a orientadora dessa atividade, a professora Ciane Fernandes. A partir daí, os demais encontros foram realizados em Florianópolis dentro de um convênio interinstitucional entre o PPGAC/UFBA e o Programa de Pós-Graduação em Teatro (PPGT) da UDESC - com a coorientação da professora Sandra Meyer.
Na primeira fase, foram trabalhadas duas apostilas de Gelewski para o ensino da dança: Estudo Básico de Formas e Orientação Básica no Espaço (esta iniciada na primeira fase e completada na segunda). Nossos encontros no laboratório eram realizados com a periodicidade de uma vez por semana, com duração de 3 horas por dia.
A exploração da primeira apostila foi realizada com a participação da dançarina e coreógrafa Diana Gilardenghi e, a partir da segunda fase, passamos a contar também com a participação da atriz e dançarina de butô Patrícia Araújo. Os encontros da primeira fase aconteceram na sala de Dança I do Centro de Artes da Universidade para o Desenvolvimento de Santa Catarina (UDESC), e na sala de dança do Centro Integrado de Cultura (CIC) em Florianópolis, e a partir da segunda fase apenas na UDESC.
Para exploração do Estudo Básico de Formas (1970, 1971) foram realizados oito encontros, objetivando o estudo das distinções indicadas pelo professor referentes a este tema, com exercícios correspondentes aos subtemas, respectivamente: contraído e dilatado;
simétrico e assimétrico; curvo e reto, conforme descritos e comentados na sequência deste
capítulo. Ao final de cada conjunto de exercícios propostos, realizávamos improvisações livres sobre cada subtema. No sétimo encontro, fizemos uma revisão da apostila e escolhemos alguns dos exercícios experimentados para um registro audiovisual, que aconteceu no oitavo encontro, com a participação do videomaker Gilson Ghiel. Neste dia, além dos exercícios configurados por Gelewski, incluímos algumas variações e criações surgidas em torno das propostas por ele indicadas.
56 A Casa Sri Aurobindo mantém ainda hoje uma sede no bairro de Brotas, em Salvador, com algumas das publicações e materiais artísticos e pedagógicos de Gelewski, local onde também acontecem reuniões quinzenais para estudo e prática sobre este acervo. Durante nossa permanência em Salvador, entre 2007 e 2009, participamos de algumas dessas reuniões e Rosane, gentilmente, se prontificou a aprofundar conosco o conhecimento sobre os materiais de nosso interesse. Com ela, discuti e pratiquei exercícios publicados em exemplares da Revista Ananda sob o título O trabalho em nosso corpo – editados em vários cadernos, pelo próprio Gelewski, e publicados em 1973, 1974, 1977 e 1982. Também praticamos exercícios de preparação corporal que Rosane lembrava de memória, conforme tinha aprendido com o professor, e uma “coreografia didática” ensinada por ele, sobre música de Bach, sem registro escrito ou visual.
Já para introduzir a exploração de Orientação Básica no Espaço (1961) - material posteriormente revisado, complementado e editado com o título Dimensões-Direções-
Caminhos (s/data) - realizamos um 9º encontro no final de novembro de 2008, já com a nova
integrante Patrícia, para troca de ideias baseadas nas reflexões do próprio Gelewski. Assim, iniciamos os exercícios relativos às Três Dimensões do Espaço; subdivididos em mais três subtemas, respectivamente: metades (direita/esquerda), zonas (posterior, média e anterior) e
regiões (de profundidade, média e alta). A partir dali verificamos a necessidade de
trabalharmos com um mínimo de três pessoas para a exploração dos subtemas propostos, que indicavam, em alguns casos, a ocupação de todo espaço da sala - pensada como espaço cênico neste estudo particular.
Importante registrar que, no início de novembro de 2008, realizei pesquisa na sede de publicações da Casa Sri Aurobindo em Belo Horizonte57, onde participei de uma aula grupal de movimentação espontânea e mais uma aula particular sobre o método Estruturas Sonoras 1 de Gelewski – com o designer e focalizador de dança espontânea da Casa Sri Aurobindo, Ricardo Oliveira – que me introduziu ao método e me ofereceu materiais e „dicas‟ de como continuar a explorá-lo. Assim instrumentalizada, optei por introduzir no laboratório de prática alguns exercícios dos métodos Estruturas Sonoras 1 e 2 (1973, 1975) de maneira transversal aos outros estudos.
Após reunião com as participantes do laboratório, escolhemos inserir os exercícios de
Estruturas Sonoras 1 e 2 (1973, 1975) na segunda fase de nossa prática, considerando esses
métodos como propostas complementares aos estudos que estavam em andamento, com o objetivo de desenvolver concentração e interiorização a partir da movimentação reduzida do corpo.
A segunda fase de nosso laboratório consistiu de 14 encontros, 10 para explorarmos os
Estudos de Espaço – sendo o décimo para registro audiovisual deste tema; três para o método
de Improvisação estruturada e Improvisação livre – sendo o último encontro para registro audiovisual destes temas. Foi nesta fase que pesquisamos com maior profundidade os princípios de movimentos relacionados ao espaço (chamados por Gelewski de “distinções”), explorando uma amostra de exercícios deste método, além de tecermos comentários sobre esses princípios apresentados pelo professor-dançarino para a investigação do espaço-palco
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De 28 a 31 de outubro/2008 participei do Congresso da Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-Graduação em Artes Cênicas (ABRACE), em Belo Horizonte, onde apresentei uma comunicação sobre “O Corpo Poético de Rolf Gelewski”, e permaneci na cidade por mais uma semana para pesquisas de campo na atual sede de publicações da Casa Sri Aurobindo. Ali, realizei as atividades práticas acima referidas e tive acesso ao rico acervo de publicações da Casa, incluindo todo material elaborado por Gelewski: textos, fitas e fotografias, bem como às publicações originais de Sri Aurobindo e d‟A Mãe.
(segundo ele “de natureza material-existencial”), e a relação deste com o espaço da criação humana (“de natureza psíquico-espiritual”).
Seguimos nossa prática com a investigação dos exercícios de: Ver Ouvir Movimentar-
se: dois métodos de improvisação na Dança (1973), onde o professor-dançarino explicita as
diferenças e possibilidades de se realizar improvisações estruturadas e livres, até chegar a compor uma dança elaborada ou a ter a experiência de dançar espontaneamente. Foi na culminância desse trabalho que decidimos iniciar um processo criativo para a elaboração de uma vídeodança espontânea.
Para detalhar os princípios, métodos e técnicas da pedagogia de Rolf Gelewski selecionei 18 exercícios do laboratório de prática, como uma amostra representativa dos métodos experimentados: 4 de Formas, 10 de Espaço, 2 de Estruturas Sonoras e 2 de
Improvisação. Busquei incluir, nessa escrita vivencial, a descrição dos exercícios e sua execução – conforme as instruções deixadas pelo autor, e alguns comentários - conforme vivenciados e expressados pelas participantes do laboratório. Além disto, incluí algumas variações e as criações que surgiram ao longo da prática, como também as indicações de como esses exercícios podem ser utilizados para formação, aperfeiçoamento e processos de criação do ator/dançarino. Alguns desses exercícios foram gravados em vídeo e podem ser assistidos pelo material videográfico correspondente (ver vídeo Laboratório de Prática).
A seguir, passo a dialogar com os temas propostos por Gelewski, partindo da estrutura e organização de seus estudos para o relato da execução e comentários em torno dos exercícios vivenciados. Busquei uma formulação prática-reflexiva e criativa sobre a metodologia do professor-dançarino para o ensino da dança, indicando e ampliando as possibilidades de sua utilização nos processos de preparação corporal e de criação do artista cênico contemporâneo.