Raisonnements lors de la résolution de problèmes déconnectés : exemples prototypiques et analyse de productions d’élèves
3. Analyse a priori d’un problème de comparaison : des exemples prototypiques
Uma forma de monitorizar, detetar e reportar eventos adversos potencialmente evitáveis consiste em desenvolver métricas baseadas em dados administrativos recolhidos correntemente.
Os dados administrativos dos hospitais contêm informação importante sobre os serviços de saúde prestados e, embora a avaliação da qualidade feita com base em dados administrativos não seja definitiva, a partir destes dados é possível construir um retrato relevante do nível de qualidade e segurança dos cuidados prestados.
Foi neste contexto que a Agency for Healthcare Research and Quality (AHRQ) desenvolveu os seus indicadores de segurança do doente, e foi numa seleção dos indicadores dessa instituição que o SINAS@Hospitais baseou a sua avaliação da ocorrência de eventos adversos para a dimensão Segurança do Doente.
Os resultados da avaliação dos indicadores nesta área decorrem da análise e tratamento de dados fornecidos pela Administração Central dos Sistemas de Saúde – ACSS, constantes da Base de Dados de Grupos de Diagnóstico Homogéneo.
Embora o SINAS@Hospitais avalie oito indicadores de eventos adversos, para efeitos do presente estudo apenas o indicador Mortalidade em GDH`s de baixa mortalidade foi considerado.
3.3. Métodos
Para calcular a associação entre os prestadores que cumprem o indicador de procedimentos de segurança a ≥ 90% e < 90% e a consequente morte em GDH´s de baixa mortalidade, recorremos a um estimador denominado Odds Ratio (OR), utilizando a ferramenta MedCalc®. As especificações do indicador Mortalidade em GDH`S de baixa mortalidade utilizadas foram as seguintes:
Denominador - Foram considerados todos os episódios com alta administrativa durante o ano 2011, com códigos GDH com mortalidade inferior a 5% em doentes com idade igual ou superior a 18 anos. Foram excluídos os doentes com qualquer diagnóstico de traumatismo ou tumor e excluídos os doentes com qualquer diagnóstico ou procedimento de estado imunocomprometido.
Numerador - Foram considerados todos os episódios com alta administrativa durante o ano de 2011 cujo destino da alta foi “óbito”.
A população estudada incluiu todos os doentes com alta administrativa durante o ano de 2011, num total de 41821 episódios correspondente a um universo de 15 unidades hospitalares distribuídas por Portugal Continental com natureza pública e social que responderam ao questionário de Segurança do Doente – Procedimentos de Segurança do SINAS@Hospitais e que se dividiram nas seguintes subpopulações:
Subpopulação 1 - doentes internados em hospitais cujo rácio de cumprimento do indicador foi ≥ 90 % de conformidade no questionário de Segurança do Doente – Procedimentos de Segurança
Subpopulação 2 - doentes internados em hospitais cujo rácio de cumprimento do indicador foi <90 % de conformidade no questionário de Segurança do Doente – Procedimentos de Segurança
A informação sobre as características de cada subpopulação encontra-se sistematizada na Tabela 1.
Tabela 1 – Subpopulações Procedimentos de Segurança N.º de
Prestadores
Total episódios com GDH de baixa mortalidade
Cumprimento do indicador de estrutura ≥ 90% 5 14377
Cumprimento do indicador de estrutura <90% 10 27444
Total 15 41821
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Na subpopulação 1 foram contabilizados 14377 episódios, com código GDH e/ou GCD cuja taxa de mortalidade é inferior a 0,5%, dos quais 19 doentes tiveram como destino da alta “óbito”.
Na subpopulação 2 foram contabilizados 27444 episódios, com código GDH e/ou GCD cuja taxa de mortalidade é inferior a 0,5%, dos quais 59 doentes tiveram como destino da alta “óbito”.
Os dados relativos aos resultados em cada uma das subpopulações encontram-se sistematizados na Tabela 2.
Tabela 2 – Resultados obtidos
Subpopulação N.º de óbitos Total episódios OR IC (95%) p
Subpopulação 1 19 14377
0.61 0.3661-1.0305 0.0648
Subpopulação 2 59 27444
Total 78 41821
Procedeu-se ao cálculo do Odds Ratio, tendo sido obtidos os seguintes valores: OR (odds ratio): 0,61; 95% IC (intervalo de confiança): 0,3661 – 1,0305; p = 0,0648.
Verificou-se que nos hospitais cujo rácio de cumprimento do indicador de procedimentos de segurança foi ≥ 90% os doentes têm aproximadamente um risco 39% inferior (100%- 61%) de morte em GDH´s de baixa mortalidade do que nos hospitais cujo rácio de cumprimento do indicador de procedimentos de segurança foi <90%.
5. CONCLUSÕES
A mortalidade em doentes com código GDH de baixa mortalidade é frequentemente utilizada como indicador de resultado na avaliação do desempenho clínico. O presente estudo avaliou o impacto da observância de guidelines e da implementação e cumprimento de procedimentos de segurança a nível hospitalar nos resultados daquele indicador.
Foram comparadas as taxas de mortalidade em doentes com código GDH de baixa mortalidade em duas subpopulações: a das instituições com um grau de cumprimento dos procedimentos de segurança ≥ a 90% e a daquelas com um grau de cumprimento < a 90%.
Foi possível concluir que, apesar de não haver diferenças estatisticamente significativas entre o número de doentes com GDH´s de baixa mortalidade que morreu em cada uma das subpopulações, nos hospitais onde se verifica um grau de cumprimento dos procedimentos de
segurança ≥ a 90% existe um risco 39% menor de ocorrência de morte em GDH´s de baixa mortalidade.
6. REFERÊNCIAS
6. Hannan EL, Bernard HR, O’Donnell JF, Kilburn H. A methodology for targeting hospital cases for quality of care record reviews, American Journal of Public Health, 1989;79(4):430-436.
7. Direção Geral da Saúde. Manual de Implementação – Lista de Verificação de Segurança Cirúrgica da Organização Mundial da Saúde. 2009
8. Organização Mundial da Saúde. “WHO Patient Safety Research”, Geneva. 2009. 9. Agency for Heathcare Research and Quality. Patient Safety Indicators Technical
Specifications version 4.2 2010.
10. The Joint Commission. National Patient Safety Goals (NPSGs). 2002.
11. National Quality Forum (NQF). Safe Practices for Better Healthcare 2009. Update: A Consensus Report. Washington, DC: NQF; 2009.