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3 An Algorithm for Solutions with Few Corners

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Ínumeras doenças crónicas não transmissíveis, como as doenças cardiovasculares (DCV), a Diabetes mellitus (DM) e o cancro, têm como etiologia comum fatores relacionados com os estilos de vida individuais e constituem a principal causa de morbilidade e mortalidade nos países desenvolvidos [42].

O consumo de tabaco, a vida sedentária, a alimentação descuidada e a má gestão do stress encontram-se no topo da lista de fatores de risco implicados na origem de grande parte destas doenças [42,43]. Tendo estes fatores um caráter modificável, a sua resolução contribui para a prevenção de doenças crónicas e para a manutenção de uma vida com maior qualidade. É nesta abordagem preventiva que o farmacêutico pode atuar, através da promoção de campanhas de sáude ou, simplesmente, pela indicação de hábitos saudáveis, durante o aconselhamento.

Atividade física

Os benefícios de um estilo de vida proativo traduzem-se no controlo do peso e da obesidade, na menor incidência de acidentes cardiovasculares, na manutenção de um perfil lipídico favorável, no bem-estar psicológico, no aumento da resistência às infeções e na diminuição do risco de certos tipos de cancro. Estes benefícios são justificados por um vasto leque de mecanismos: a atividade física melhora o metabolismo da glicose, ajuda na redução da gordura corporal e do controlo do peso, diminui a pressão arterial, acelera o trânsito intestinal, aumenta os níveis de antioxidantes e reduz os sintomas de depressão [44].

Segundo a Sociedade Portuguesa de Cardiologia, é recomendável a realização diária de atividade física, com uma duração de 30 minutos por sessão, que idealmente se deverá estender de forma gradual até à 1 hora. As atividades com benefício cardiovascular recomendadas englobam a marcha, a corrida, o ciclismo, a natação e a ginástica aeróbica [45].

32 Alimentação equilibrada

Uma alimentação equilibrada deve conter todos os ingredientes necessários para a atividade diária do organismo, em quantidade adequada. A alimentação deve ser adaptada às necessidades energéticas de cada indivíduo, que dependem não só do esforço físico, como também da idade, sexo e condição fisiológica. Por exemplo, nas grávidas e nas crianças, as necessidades energéticas incluem a energia associada à formação de tecidos.

Segundo a Associação Portuguesa dos Nutricionistas, a escolha dos ingredientes certos é um dos pontos críticos na confeção de refeições mais saudáveis [46]. A gordura de eleição na culinária deverá ser o azeite, devido aos seus benefícios cardiovasculares. O sal pode ser substituído por ervas aromáticas. Os produtos hortícolas, frutas e leguminosas são fontes por excelência de vitaminas, minerais, antioxidantes e fibras e a sua ingestão é altamente recomendável. Os alimentos ricos em fibras são importantes, pois reduzem a glicemia pós-prandial, reduzem os níveis plasmáticos de colesterol, aumentam a saciedade, ajudam a controlar o peso e controlar a motilidade intestinal. Diversos estudos revelaram que a ingestão de produtos ricos em antioxidantes apresenta vantagens na prevenção de doenças neurodegenerativas, de vários tipos de cancro e de DCV, como a aterosclerose [43,47,48]. São de evitar alimentos ricos em açúcar e com alto teor calórico, como o pão branco, as massas, o arroz, os refrigerantes e bebidas alcoólicas, os doces, chocolates e bolachas, os folhados e os salgados e as carnes vermelhas. A escolha dos alimentos corretos para uma alimentação equilibrada pode ser ajudada pela consulta da Roda dos Alimentos, onde estão indicadas as porções ideiais para cada grupo de nutrientes a incluir na nossa alimentação diária [49].

Além dos alimentos selecionados, o uso de determinados métodos culinários favorece a qualidade nutricional das refeições. Deve, por isso, optar-se por alimentos cozidos, cozidos a vapor, assados ou estufados/guisados, pois apresentam menor quantidade de gordura [46]. Outro fator essencial numa alimentação saudável e, talvez, o mais importante é a hidratação. Sendo o maior constituinte corporal, a água tem um papel predominante no desempenho diário, exercendo efeitos na manutenção do balanço mineral, nas funções gastrointestinais, na diurese e no controlo da temperatura corporal. É fundamental beber água em abundância, sendo aconselhável a ingestão de 1,5 a 3 litros, diariamente [49].

33 Monitorização de parâmetros bioquímicos e fisiológicos

A determinação dos parâmetros bioquímicos e fisiológicos permite o diagnóstico, a monitorização e o despiste de doenças. De todos os parâmetros possíveis de determinar, os mais vulgarmente avaliados, nas farmácias comunitárias, são a glicemia, os lipídos plasmáticos, a pressão arterial (PA) e o índice de massa corporal (IMC). O farmacêutico, aquando da avaliação, deve ter em conta se o utente já apresenta sintomas, se já lhe foi diagnosticada alguma doença ou se está a fazer algum tratamento farmacológico. Quando encontra situações fora dos limites fisiológicos, deve aconselhar a repetição da avaliação dos parâmetros e a consulta médica.

O estudo da glicemia permite o despiste de DM, doença caracterizada por uma hiperglicemia persistente, que pode dever-se à inexistente produção de insulina ou à resistência à sua ação. Devido à elevada prevalência da DM a nível nacional, a Direção-Geral de Saúde implementou uma norma com vista a apoiar o diagnóstico desta doença. Segundo esta norma, o diagnóstico da DM é efetuado com base em vários critérios, entre eles a determinação da glicemia em jejum que deve ser igual ou superior a 126 mg/dl e a existência de sintomas clássicos com glicemia ocasional igual ou superior a 200 mg/dl [50]. Este diploma auxilia também o diagnóstico de hiperglicemia intermédia – situação de risco aumentado para a DM – e de Diabetes gestacional. No caso de hiperglicemia intermédia, existe uma anomalia da glicemia em jejum, que se encontra entre 110 mg/dl e 126 mg/dl [50]. O diagnóstico de Diabetes gestacional faz-se entre as 24 e as 28 semanas de gestação, através da prova de tolerância oral à glicose, mas só em situações em que a glicemia de jejum se encontra entre 92 mg/dl e 126 mg/dl, na 1ª consulta de gravidez [50].

A avaliação dos lípidos sanguíneos (triglicerídeos e colesterol) permite o diagnóstico de dislipidemias e a avaliação do risco de desenvolvimento de DCV. O diagnóstico de dislipidemias é feito através da avaliação, em jejum, dos níveis de colesterol total, colesterol HDL (c-HDL), colesterol LDL (c-LDL) e de triglicerídeos e deve ser confirmado com uma segunda avaliação laboratorial. A OMS distingue estes distúrbios em hipertrigliceridemias, hipercolesterolemias e hiperlipidemias mistas. As últimas duas são caracterizadas pela presença de concentrações de c-LDL superiores a 115 mg/dl, sendo consideradas fatores de risco de DCV [51].

A determinação da PA é o método de diagnóstico da hipertensão arterial, doença que está associada a acidentes cardiovasculares. A medição da PA é hoje efetuada preferencialmente no braço, com o recurso a esfigmomanómetros semiautomáticos, e

34 deve ser acompanhada pela medição da frequência cardíaca [52]. A PA é facilmente influenciada pelo local onde a sua medição ocorre, sendo mais fiável a medição em ambiente doméstico do que a medição em consultório médico. Antes da medição, deve-se permitir o repouso do paciente e garantir que a braçadeira se encontra ao nível do coração. É aconselhável a repetição da medição, com intervalos de 1 a 2 minutos.

A hipertensão é definida pelos valores de pressão arterial sistólica (PAS) superiores a 140mmHg e/ou de pressão arterial diastólica (PAD) superiores a 90 mmHg. A partir destes valores, é classificada em diferentes graus, Tabela 2 [52]. A prevenção e controlo da hipertensão passam pela restrição de sal, moderação do consumo de álcool, redução do peso, exercício físico regular e cessação do tabagismo.

TABELA 2: Definições e classificações dos níveis de pressão arterial no consultório (mmHg). Tabela adaptada de [52].

Categoria PAS (mmHg) PAD (mmHg) Ótima ˂120 e ˂80

Normal 120-129 e/ou 80-84

Normal alta 130-139 e/ou 85-89

Hipertensão de grau 1 140-159 e/ou 90-99

Hipertensão de grau 2 160-179 e/ou 100-109

Hipertensão de grau 3 ≥180 e/ou ≥110

Hipertensão sistólica isolada ≥140 e ˂90

O IMC permite, duma forma rápida e simples, avaliar se um indivíduo adulto tem baixo peso, peso normal ou excesso de peso [53]. Calcula-se através de uma fórmula que associa a altura e o peso e, segundo a OMS, existe excesso de peso quando o IMC é igual ou superior a 25 kg/m2 e obesidade quando o IMC é igual ou superior a 30 kg/m2. A obesidade, principalmente a abdominal, está associada a complicações metabólicas, como a diabetes tipo 2, as dislipidemias e a DCV. A Sociedade Portuguesa de Cardiologia acredita que homens com cintura superior a 94 cm e mulheres com cintura superior a 80 cm têm um risco acrescido de desenvolver DCV e acidentes varculares cerebrais (AVC), o que pode reduzir entre 4 a 8 anos o risco de ocorrência de um enfarte do miocárdio [54]. A perda de peso e adoção de hábitos alimentares saudáveis reduzem drasticamente os riscos associados à obesidade. A obesidade divide-se em três classes, Tabela 3.

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TABELA 3: Classificação da Obesidade. Adaptada de [53].

Classificação IMC (kg/m2) Classe I 30,0 – 34,9

Classe II 35,0 – 39,9

Classe III ≥ 40,0

Cessação tabágica

O tabagismo é hoje, a nível mundial, um problema com graves consequências para a saúde pública. Segundo OMS, apenas será possível diminuir o número de mortes associadas ao tabagismo nos próximos 30 a 50 anos, se todos os fumadores forem incentivados a deixar de fumar [55].

O tratamento da dependência tabágica envolve várias técnicas, incluindo a motivação, o aconselhamento, o apoio através de linhas telefónicas ou recurso a medicamentos apropriados [55,56]. Pode, então, ser dividido em tratamento comportamental e tratamento farmacológico e o seu sucesso depende do uso sinérgico destas intervenções numa complexa estratégia de controlo do consumo de tabaco.

O tratamento comportamental engloba quer as breves comunicações dos profissionais de saúde que estimulam a cessação, quer programas bem estruturados para tratar a dependência, lidar com os desejos e evitar recaídas no uso de tabaco. A simples recomendação do médico ou do farmacêutico pode aumentar significativamente a taxa de abstinência [55]. Estes profissionais, quando procurados por fumadores, devem informar sobre os tratamentos disponíveis e fornecer estratégias motivacionais, com implementação de metas específicas como a data de início da cessação e as terapias para a dependência de nicotina [55].

O tratamento farmacológico pode abranger a terapia de substituição e/ou outras terapias não associadas à nicotina, como o uso de antidepressivos para o alívio de sintomas depressivos relacionados com a supressão do hábito tabágico. A terapia de substituição, tal como o nome indica, implica o uso de substitutos de nicotina, que podem estar sob diversas formas farmacêuticas, sendo as mais comuns as gomas para mascar, os comprimidos sublinguais, as pastilhas de aplicação gengival e os sistemas transdérmicos, e estabelece-se de acordo com os níveis de consumo de tabaco e o grau de dependência de cada indivíduo [30].

36 Os benefícios da cessação tabágica são tanto maiores quanto mais cedo se verificar o abandono do consumo. As vantagens de deixar de fumar são percetíveis nas horas imediatamente a seguir, pela melhoria da capacidade pulmonar e da respiração. A médio e longo prazo, verifica-se a sensação de bem-estar geral e aumento da energia, a melhoria do aspecto da pele, com retardamento do aparecimento de rugas, a recuperação do olfato e do paladar e a diminuição dos riscos de ocorrência de cancro, doenças cardiovasculares e doenças respiratórias crónicas [56].

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