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Algorithmique

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2.2 Propriétés

2.3.3 Algorithmique

Um modelo de prática profissional de enfermagem pode definir-se como um quadro concetual que tem como objetivo partilhar, com outros profissionais, a prática de cuidados de enfermagem seguros e de qualidade realizados, centrada na pessoa alvo dos cuidados (Slatyer et al., 2015). Num modelo de prática profissional de ER devem integrar-se as teorias conhecidas transpondo-as para a prática, ori- entando o enfermeiro na prestação de cuidados e no relacionamento entre este e a pessoa alvo dos cuidados (Ribeiro, Martins, Tronchin, 2016).

A proposta de modelo de prática profissional de ER exposta tem por base a teoria de enfermagem do défice do autocuidado de Orem (2001), a teoria de médio alcance de Lopes (2006) e o modelo de autocuidado de Fonseca e Lopes (2014), pretendendo demonstrar o trajeto realizado do diagnóstico das necessidades de intervenção da ER na pessoa em processo cirúrgico.

Assim, no sentido de identificar as necessidades da pessoa, como refere Lopes (2006), no processo de avaliação diagnóstica, pretende-se compreender o que a pessoa sabe, o que a preocupa e as capa- cidades que apresenta. Este processo de avaliação diagnóstica é realizado continuamente e/ou sempre que haja alterações significativas nas necessidades da pessoa, ao longo da execução do programa de ER, permitindo uma reavaliação constante das necessidades da pessoa e/ou cuidador. O processo de intervenção terapêutica, segundo o mesmo autor, diz respeito à execução dos cuidados de enferma- gem objetivados na avaliação diagnóstica, sendo dirigidos à pessoa e/ou cuidador, fazendo a ligação entre estes e a organização/comunidade (Lopes, 2006). Esta reavaliação permite também monitorizar os resultados obtidos com a intervenção realizada, tais como o índice de satisfação da pessoa e/ou família, ganhos em capacidade para executar autocuidados e ganhos em conhecimento sobre técnicas e utilização de produtos de apoio, garantido a qualidade da sua execução (OE, 2018a).

Fonseca e Lopes (2014) desenvolveram um modelo em que correspondem as necessidades de cui- dados de enfermagem, que podemos identificar no processo de avaliação diagnóstica, com os perfis

funcionais, nomeadamente, o autocuidado na atividade3 aos perfis funcionais não há problema(0-4%)

e problema ligeiro (5-24%), o défice de autocuidado terapêutico moderado4, ao perfil funcional pro-

blema moderado (25-49%) e o défice de autocuidado terapêutico grave ou completo5, aos perfis fun-

cionais problema grave (50-95%) e problema completo (96-100%).

Por fim, a teoria do défice do autocuidado de Orem (2001) permite perceber os fatores que influ- enciam a pessoa na satisfação das suas necessidades nos vários domínios e como a ER pode maximizar as capacidades desta/do cuidador, de forma a garantir a execução de um autocuidado efetivo.

Integrando os conhecimento anteriores podemos constatar que a definição dos cuidados da pessoa em processo cirúrgico exige um conhecimento sobre as suas necessidades, sejam necessidades uni- versais (como a garantia de uma alimentação e hidratação adequadas ou do desenvolvimento da pes- soa na sociedade), necessidades de desenvolvimento (como a garantia de um ambiente que proporci- one o desenvolvimento humano a nível da adaptação à nova condição) e/ou necessidades por desvio de saúde (como a garantia de que a pessoa percebe a importância de identificar carências a nível de saúde e/ou as suas incapacidades no sentido de as poder superar ou compensar) (Orem, 2001). Estes requisitos são transversais a todas as pessoas, ao longo do seu ciclo de vida e a todas as situações que dele decorrem, como situações de crise (processo cirúrgico) (Orem, 2001).

Após diagnosticar as necessidades de cuidados de ER da pessoa, com a própria e o cuidador (au- tocuidado na atividade ou défice de autocuidado terapêutico moderado ou grave/completo) é elabo- rado o programa de ER, determinando a intervenção terapêutica.

Assim, quando se determina que a pessoa apresenta autocuidado na atividade significa que, apesar de poder ser independente na execução e tomada de decisão da maioria dos autocuidados, poderá apresentar necessidades de apoio e educação em determinados requisitos de autocuidado (por exem- plo, na prevenção de acidentes que ponham em risco a sua integridade). Desta forma, pretende-se educar a pessoa, guiando-a e orientando-a consoante as suas necessidades, promovendo o seu desen- volvimento enquanto pessoa, com o intuito de adaptar-se a novas situações ou condições.

4 O défice de autocuidado terapêutico moderado é referente às situações em que as necessidades da pessoa superam as suas

capacidades, resultando em um défice no autocuidado onde a pessoa precisará de apoio para a execução dos seus autocui- dados (Orem, 2001).

5 O défice de autocuidado terapêutico grave ou completo é referente às situações em que as necessidades da pessoa superam

as suas capacidades, resultando em um défice no autocuidado onde a pessoa precisará de apoio muito elevado ou total para a execução dos seus autocuidados (Orem, 2001).

Se a pessoa apresenta défice de autocuidado terapêutico moderado, necessitará de apoio, pois as suas necessidades superam as capacidades. É, então, assegurado o autocuidado através de uma inter- venção terapêutica que promova o apoio físico e psicológico, por exemplo, através de aquisição de produtos de apoio que permitam compensar os défices sentidos e ensino, treino e instrução da utili- zação desses produtos, promovendo a participação do cuidador na assistência aos cuidados da pessoa garantindo, por um lado a continuação dos cuidados no domicilio e por outro o apoio psicológico da pessoa alvo dos cuidados.

Quando a pessoa apresenta défice de autocuidado grave ou completo poderá necessitar de com- pensação total na execução dos seus autocuidados e dos seus requisitos, podendo o enfermeiro de reabilitação ter que substituir a pessoa na aquisição ou manutenção da funcionalidade e na satisfação da maioria dos autocuidados ou na sua totalidade. Por exemplo, se a pessoa apresenta paraparesia dos membros inferiores poderá necessitar de apoio total na transferência.

O modelo proposto é dinâmico, pretendendo-se progredir nas intervenções terapêuticas no sen- tido de atingir o autocuidado na atividade e podendo integrar as várias intervenções nas diferentes necessidades de cuidados (autocuidado na atividade e défice de autocuidado terapêutico moderado e grave/completo), sendo multidirecional, consoante as necessidades avaliadas ou reavaliadas. Por exemplo, tendo em conta o exemplo anterior (pessoa paraparética), apesar de a pessoa necessitar de compensação total na transferência, poderão ser negociadas com ela a realização de intervenções te- rapêuticas que compensem este défice, tais como, aquisição de tábua de transferência e ensinos, treino e instrução sobre a sua utilização, podendo integrar o cuidador neste processo.

No sentido de promover a melhor visualização do modelo proposto, este encontra-se esquemati- zado na figura 2, uma vez que, a maioria dos modelos de prática profissional de enfermagem integram um modelo visual (Stallings-Welden e Shirey, 2015).

Figura nº 2. Proposta de um modelo de prática profissional de enfermagem de reabilitação.

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