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Agents, Sites and Systems

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5.4 Type System

6.1.2 Agents, Sites and Systems

Para se desenvolver uma educação para o desenvolvimento sustentável, é então necessário que os cidadãos sejam literatos, isto é possuam compreensão científica.

No passado o ensino das ciências preocupava-se em educar as crianças cientificamente com o objetivo de dar às mesmas a base de formação de futuros cientistas. Esta perspetiva de ensino das ciências dava destaque aos “factos, conceitos e teorias científicas, que eram ensinadas às crianças de forma descontextualizada e como se de verdades imutáveis se tratassem” (…) a ciência era ensinada tendo em conta “a existência de um método científico único pressupondo que a partir dos factos se podia indutivamente alcançar a compreensão científica” (Pereira, 2002, p.29).

Com a investigação educacional verificou-se que este não era o melhor método para o ensino das ciências e para os cidadãos desenvolverem cultura científica. Esta permitiu compreender ainda que o ensino das ciências tinha que ser repensado por forma a adaptar- se às características e exigências da sociedade atual (Pereira, 2002). Atualmente vivemos

numa sociedade cada vez mais dependente da ciência e da tecnologia, e por isso mesmo o ensino das ciências tinha que ir ao encontro destas características por forma a tornar as aprendizagens desenvolvidas pelos cidadãos mais completas e relevantes. Assim começaram a surgir diversos argumentos que dão conta da importância das atividades científicas e do ensino das mesmas desde os primeiros anos, para ser possível termos cidadãos cientificamente literatos, isto é uma educação em ciências numa perspetiva da literacia científica (Vieira, Tenreiro-Vieira & Martins, 2011).

Segundo Martins (2002) o conceito de literacia é “um conceito “móvel”, isto é, aquilo que é julgado suficiente para definir uma pessoa como alfabetizada depende da época e do contexto em que a pessoa vive” (p. 8). No seguimento desta ideia Pereira (2002) afirma que o conceito de literacia “evoluiu do saber minimamente ler, escrever, contar para perspetivas mais amplas” (p.32).

De acordo com o National Science Education Standards (1996, citado por Vieira, Tenroso-Vieira e Martins, 2011) a literacia científica “significa ser capaz de ler compreender um artigo sobre ciência, envolver-se em diálogos públicos sobre a validade das conclusões apresentadas no artigo e expressar posições que são científica e tecnologicamente informadas. Significa ser capaz de avaliar informação a partir da credibilidade das fontes usadas para gerir. Implica a capacidade de avaliar argumentos com base na evidência e, apropriadamente, aplicar conclusões a partir desses argumentos” (p. 10).

Na perspetiva de Gómez Crespo (2001, referenciado por Fontes & Silva, 2004) a literacia científica é “os níveis mínimos de conhecimentos científicos (conceitos, procedimentos e atitudes) para poder participar democraticamente na sociedade e exercer uma cidadania responsável” (p. 30).

É de máxima importância promover a literacia científica nas sociedades atuais, uma vez que num mundo como aquele em que vivemos, em que a ciência e a tecnologia estão em constante evolução é necessário que os cidadãos que fazem parte desta sociedade possuam um conhecimento científico que lhes permita participar e compreender as decisões que são tomadas nesta e que influenciam diretamente a sua vida (Fontes & Silva, 2004; Martins, 2002; Vieira, Tenreiro-Vieira & Martins, 2011). Como Nutbeam (2008 citado por Azevedo & Sardinha, 2009) afirma “só as pessoas literatas podem participar efetivamente na sociedade, quer económica quer socialmente, podendo compreender e gerir com elevado controlo as suas situações do quotidiano” (p. 12).

A literacia científica é considerada crucial não apenas ao nível individual mas também ao nível social (Azevedo & Sardinha, 2009). A nível social é importante uma vez que é uma condição necessária para o desenvolvimento económico do país, só possuindo uma sociedade literata é possível um país se desenvolver economicamente. É ainda importante para o apoio de políticas públicas de ciência, uma vez que só cidadãos literatos conseguirão compreender a importância destas politicas para a sociedade e a sua necessidade de implementá-las. Quanto mais literato for um cidadão maior será a compreensão que este terá dos objetivos e dos processos da ciência, com esta compreensão os indivíduos terão expetativas mais realistas relativamente ao mundo no qual vivem. Quando um cidadão possui um nível mais elevado de literacia científica este exerce o seu direito democrático nas relações relativas à ciência, o que leva a uma tomada de decisões mais democrática e eficaz (Azevedo & Sardinha, 2009; Pereira, 2002). A literacia científica tem ainda vantagens a nível individual sendo estas: um cidadão literato possui mais competência para tomar decisões relativas à sua própria vida. Outra vantagem é a empregabilidade, uma vez que na atual sociedade em que vivemos um cidadão que possua literacia científica, terá muito mais possibilidades de conseguir um emprego nestas áreas. Um indivíduo que seja cientificamente literato sentir-se-á intelectualmente como um cidadão do mundo capaz de promover a cultura científica. A literacia científica será importante também para as questões relacionadas com a ética, uma vez que os cidadãos com o conhecimento científico para além de se tornarem pessoas mais sábias tornar-se- ão pessoas melhores (Azevedo & Sardinha, 2009; Pereira, 2002).

Em Portugal a literacia científica tem evoluído ao longo dos anos como podemos comprovar através dos resultados dos testes PISA, uma vez que os resultados que Portugal tem obtido nestes testes ao longo dos anos apontam para um padrão de evolução, “o desempenho em ciências melhorou em Portugal” (Carvalho, Ávila, Nico & Pacheco, 2011, pág. 74). Contudo, Portugal ainda se encontra abaixo dos níveis de literacia científica comparativamente com outros países da OCDE.

É portanto crucial desenvolver a literacia científica nos cidadãos e esse desenvolvimento só é possível através do ensino das ciências desde os primeiros anos, uma vez que é desde a geração mais nova que se deve incutir a importância da ciência na vida dos cidadãos, para que estes consigam compreender a importância e as vantagens relativas à ciência na sua vida em sociedade. Assim sendo no próximo ponto será abordada a importância das ciências desde os primeiros anos.

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