ANNEXE 4 : LES PROCHES, LE BENEVOLAT D’ACCOMPAGNEMENT LE REPIT ET
1 UNE AFFIRMATION DEJA ANCIENNE DE L’ACCOMPAGNEMENT DES PROCHES DANS LE
Roland Barthes discute o papel do escritor e da escrita em dois textos: o livro O grau zero da escritura e o ensaio Escritor e Escrevente que compõe o livro Crítica e Verdade. O primeiro livro trata do surgimento de uma escrita literária peculiar, a qual ele denomina escritura, que seria o resultado do cruzamento equilibrado entre a língua e o estilo. Sem tender mais para um aspecto ou outro, essa escritura não ignoraria as tensões sociais do mundo real, e sua autenticidade estaria no fato de tentar representar a naturalidade das linguagens sociais como um gesto de humanidade. Barthes (1993) defende que a literatura moderna deveria reconciliar o verbo do escritor com o verbo dos homens, pois somente dessa forma o escritor poderia dizer-se engajado, quando sua liberdade poética se colocasse dentro de uma condição verbal cujos limites seriam os da sociedade, e não os de uma convenção ou de um público.
Ao defender uma escritura engajada com o verbo dos homens, Barthes (1993) refuta e critica a Literatura em maiúsculo que corresponde à escritura política que pelo excesso de seu caráter militante acaba tendendo mais para um ato revolucionário do que para a escritura
defendida pelo autor; à escritura do romance que busca atender aos interesses de uma classe social específica; à linguagem poética que se preocupa somente com o estilo, sem levar em conta os conflitos humanos.
Barthes (1993) se posiciona a favor de uma escritura que tenha uma função social, um caráter ideológico. Ele concebe a escritura em contraposição à língua e ao estilo:
Língua e estilo são forças cegas; a escritura é um ato de solidariedade histórica. Língua e estilo são objetos; a escritura é uma função: é a relação entre a criação e a sociedade, é a linguagem literária transformada por sua destinação social, é a forma apreendida na sua intenção humana e ligada assim às grandes crises da História (BARTHES, 1993, p.124).
Conhecer a concepção de Barthes (1993) a respeito do que é a escritura, como ela se caracteriza e se difere da Literatura em maiúsculo, ajudará a identificar quem produz cada uma dessas formas de escrita. É isso que será observado no ensaio Escritor e Escrevente (1970) em que Barthes estabelece uma distinção entre a entidade autoral. O próprio título do ensaio já nomeia essa distinção. Ao contrapor essas duas categorias de autoria, o autor mostra que embora o material que eles têm em comum seja o mesmo: a palavra, o propósito da escrita de cada um se distancia muito.
Barthes (1970) inicia o ensaio dizendo que a palavra é um poder. É através dela que o escritor representa o mundo ao seu redor e a sua própria subjetividade. Ter o domínio da linguagem é um pré-requisito para o fazer literário. “O que sabemos é que a palavra é um poder e que, entre a corporação e a classe social, um grupo de homens se define razoavelmente bem pelo seguinte: ele detém, em diversos graus, a linguagem da nação” (BARTHES, 1970, p.31). Esse grupo de homens que detém a linguagem da nação, a materializa discursivamente para influenciar o pensamento de outras pessoas. Ao contrapor o escritor e o escrevente, Barthes (1970) mostra que a diferença entre eles se configura não apenas no estilo da escrita, mas principalmente, no objetivo que cada um estabelece para o uso da palavra.
Barthes (1970) caracteriza o escritor como alguém que exerce uma função através da sua escrita. Ele seria aquele que trabalha sua palavra e se absorve funcionalmente nesse trabalho. “O escritor é o homem que absorve radicalmente o porquê do mundo num como escrever” (BARTHES, 1970, p.33). No entanto, o seu trabalho jamais alcança a plenitude, pois a literatura que para o escritor é um fim, o mundo a devolve como meio. Dessa forma, a literatura seria sempre uma pergunta a ser respondida, nunca uma resposta definitiva. Segundo Barthes (1970), o escritor deve ser um indutor de ambiguidade e não pode ter uma
consciência ingênua. A partir dessa ideia, pode-se concluir que a função do escritor seria a de transformar o pensamento, de despertar a consciência e de fazer o leitor questionar sobre o sentido das coisas.
Já o escrevente, para ele, seria aquele que realiza uma atividade através da escrita. Para o escrevente, a palavra seria apenas um meio ao qual ele colocaria um fim. A palavra suportaria um fazer, mas não o constituiria. Sua escrita não passa por nenhuma ação técnica essencial sobre a palavra. Não há um estilo próprio. É uma escrita comum a todos os escreventes. Ao contrário do escritor, o escrevente possui um projeto de comunicação ingênuo, pois acredita que pode sanar as ambiguidades do mundo apenas dizendo o que pensa.
Pois o que define o escrevente é que seu projeto de comunicação é ingênuo: ele não admite que sua mensagem se volte e se feche sobre si mesma, e que se possa ler nela, de um modo diacrítico, outra coisa além do que ela quer dizer: qual escrevente suportaria que se psicanalisasse sua escritura? (BARTHES, 1970, p.36).
O escrevente ainda não teria atingido a maturidade do escritor. Acreditar que ele possa ter uma resposta para as ambiguidades do mundo, oferecendo-lhe a sua verdade, demonstra a sua ingênua pretensão. O escritor já aprendeu que não encontrará respostas, e sim novas perguntas. As escritoras pesquisadas neste trabalho demonstram serenidade na sua escrita, pois elas não têm o objetivo de oferecer uma resposta às ambiguidades do mundo. Ao contrário, o trabalho delas convida o leitor a refletir e a buscar suas próprias respostas, ou a fazer novas perguntas. Elas cumprem o papel de escritoras engajadas, que segundo Barthes (1993) se efetuaria quando a liberdade poética do escritor se colocasse dentro de uma condição verbal cujos limites seriam os da sociedade, e não os de uma convenção ou de um público. Seria essa a função de um escritor? Na sequência, é apresentada a teoria de Foucault, que demonstra sua concepção sobre o que seria a função autor.