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ASSESSMENT FRAMEWORK AND METHODOLOGY

D. ICTS IN THE WED

5. AEEess to marMets anF teEJnoNoIy

O terceiro traço diz respeito à atribuição de papel relacional pelo conector a seus relata. Segundo Castilho da Costa (2015, p. 63):

Quando dois objetos semânticos (sejam eles SN, sentenças ou sequências textuais como parágrafos, por exemplo) sofrem junção, um dos relata desempenhará o papel de objeto de referência, enquanto o outro funcionará como objeto relacionado/situado.

Essa diferenciação equivale ao conceito de figura e fundo de planos discursivos provenientes da psicologia gestaltista e adotada pela linguística funcional. Segundo Furtado da Cunha, Costa & Cezario (2015, p. 32):

Identificamos mais prontamente as entidades que se apresentam em primeiro plano, como figuras bem recortadas e focalizadas, em oposição a tudo o mais, que passa a ser percebido contrastivamente como em plano de fundo.

Ambas as definições atentam para a diferenciação entre informação principal (comunicação central) e descrições adicionais. No modelo teórico adotado nesta dissertação, os papéis relacionais são tratados como E (objeto situado) e R (objeto de referência). Vejamos um exemplo da aplicação:

(a) Celular (E) no bolso (R).

Nesse caso, a relação surge a partir da preposição ―em‖, que tem como complemento o sintagma nominal ―o bolso‖, funcionando como objeto de referência [R]. O sintagma nominal ―celular‖ atua, aqui, como objeto situado [E]. Conforme Blühdorn (2008, p. 25 apud Castilho da Costa, 2015, p. 64) esse traço nos permite identificar algumas grades relacionais de classes de conectores. Entre elas:

● Advérbios juntivos: R [Adv E]

● Conjunções coordenativas: R/E conj E/R

● Conjunções subordinativas/preposições [[Sub/Prep R] E]

Os advérbios juntivos estão sempre no relatum do objeto situado (relatum-E). As conjunções coordenativas podem aparecer tanto no relatum de referência (relatum- R), como no do objeto situado (relatum-E). Por outro lado, as conjunções subordinativas e as preposições ou grupos preposicionais estão sempre no relatum de referência e apresentam a mesma grade relacional.

Tais grades são fundamentais para nosso trabalho, pois nos permitem perceber duas coisas: a primeira é que as conjunções subordinativas e as preposições atribuem papel relacional [R], estando sempre no relatum de referência, adicionando informações especificatórias ao objeto semântico situado; a segunda é que outra característica marcante dos advérbios juntivos é sua localização sempre no relatum do objeto situado [E].

Blühdorn (2008, p. 25 apud CASTILHO DA COSTA, 2015, p. 65) ressalta que, no caso dos advérbios juntivos, o objeto de referência [R] é o próprio componente

pronominal que está contido na expressão juntiva e que concede o papel relacional de referência à oração que esse componente retoma, sendo, portanto, anafórico. Em outras palavras, os conectores adverbiais estabelecem relações semântico-referenciais e encontram-se sintaticamente integrados na oração conectada.

(6) Na estratégia definida pelo governo com aliados, o pedido de impedimento contra Dilma, que cita fatos de 2015, se baseia nos mesmos argumentos das contas da gestão dela no ano passado [R]. Por isso, uma aprovação rápida das contas da presidente daria aos parlamentares argumentos técnicos para que defendam, em voto aberto, a manutenção de seu mandato [E]. (Tribuna do Norte - 25/12/2015)

(7) O que está acontecendo no Brasil não é um golpe militar, mas parlamentar. Está afetando as instituições, as erodindo por dentro, as contaminando [R]. Então, eu acredito que essa luta requer uma arma [E]. (Novo - 28/07/2016)

No exemplo 6, ―por isso‖ encontra-se no relatum-E (―por isso, uma aprovação rápida das contas darias aos parlamentares argumentos técnicos (…)‖), uma conclusão que se baseia no relatum-R (―(...) o pedido de impedimento contra Dilma, que cita fatos de 2015, se baseia nos mesmos argumentos das contas da gestão dela no ano passado‖). No exemplo 7, ―então‖ encontra-se, também, no relatum-E, como já explicado anteriormente, recuperando [R]. Percebe-se que ―então, eu acredito que essa luta requer uma arma.‖ é uma conclusão à evidência (―O que está acontecendo no rasil não é um golpe militar, mas parlamentar‖). Portanto, pode se dizer que o advérbio juntivo recupera anaforicamente [R] e encontra-se sintaticamente integrado ao relatum-E, estabelecendo uma relação semântico-referencial. Isso é, o relatum-R está presente no relatum-E por meio do juntor. As conjunções subordinativas e as preposições, por sua vez, comportam-se de maneira oposta aos advérbios juntivos e estão sempre no relatum de referência.

(8) A deputada Zenaide Maia (PR) consta como a única que se posiciona contra o impeachment [E], embora ela não fale publicamente sobre a posição que adotará nessa votação [R]. (Tribuna do Norte - 12/04/2016)

(9) O grupo informou que o evento contará com estrutura de som e telão [E] para que seja possível acompanhar a votação do impedimento [R]. (Novo - 17/04/2016)

Nos exemplos 8 e 9 temos casos de conjunções subordinadas. Em 8, a informação situada é que a deputada é a única contra o impeachment. O fato de ela não falar publicamente sobre o assunto é uma informação acrescentada introduzida pelo juntor ―embora‖. Por sua vez, em 9, a ênfase é que o evento contará com estrutura de som e telão, enquanto a informação de referência é que isso possibilitará o acompanhamento da votação. Da mesma forma comportam-se as preposições:

(10) Sem citar nomes [R], Dilma diz que golpe contra seu mandato tem "chefe e vice- chefe‖ [E]. (Tribuna do Norte - 12/04/2016)

(11) Dilma diz que divulgará carta [E] com proposta de plebiscito [R] até semana que vem [R]. (Tribuna do Norte - 02/08/2016)

No exemplo 10, a preposição ―sem‖ acrescenta uma informação à fala de Dilma de que o golpe contra ela tem chefe e vice-chefe. Em 11, temos uma informação situada de que Dilma divulgará uma carta e dois objetos de referência iniciados pelas preposições ―com‖ e ―até‖. A primeira informa que a carta abordará uma proposta de plebiscito, ao ponto que a outra estipula o prazo de entrega da carta.

Os conectores coordenativos não têm um papel relacional fixo. Na maioria das vezes, podem aparecer tanto no relatum do objeto situado quanto no do objeto de referência (CASTILHO DA COSTA, 2015). Um exemplo clássico é o ―e‖:

(12) É uma completa inversão da vontade dos legisladores e da população brasileira (Agora RN - 31/08/2016)

(13) (...) com a votação do relatório do senador Antônio Anastasia (PSDB-MG), que defende o prosseguimento da acusação e o julgamento da presidenta afastada Dilma Rousseff por crime de responsabilidade. (Agora RN - 04/08/2016)

Nos exemplos 12 e 13 o conector ―e‖ serve de juntor a dois objetos que podem ter papel relacional invertido. Dessa forma, verifica-se a estrutura R/E conj. coord. E/R.

O ―mas‖, todavia, é uma exceção. Diferentemente dos juntores coordenativos ―e‖ e ―ou‖, o ―mas‖ não atingiu o estágio no qual os papeis relacionais (e temáticos) dos dois relata são iguais, possibilitando a inversão entre eles. Segundo Gutz Inglez (2007, p. 42) ―na maior parte dos usos, o mas possui um relatum que funciona como referência e outro que é situado‖, tendo uma estrutura relacional [R mas E], no qual ―o relatum-R

representa uma contracondição ou contracausa insuficiente e o relatum-E, uma consequência‖ (GUTZ INGLEZ, 2007, p. 42).

(14) Em mais uma semana de previsões de duas ―cabeças‖, o mercado reduz a estimativa de inflação em 2016, mas vê recuo maior do PIB (Produto Interno Bruto). (Tribuna do Norte - 12/04/2016)

Percebe-se que, em 14, os relata não podem ser invertidos sem alteração de sentido. De acordo com Gutz Inglez (2007), isso se deve à etimologia da palavra, a qual tem sua origem no advérbio utilizado para formar o comparativo de superioridade magis, e que com o processo de gramaticalização perdeu sua liberdade de posicionamento no interior do relatum-E, passando a ser considerado conjunção coordenativa. Além do mais, pragmaticamente, a inversão das orações alteraria o papel de objeto situação e de referência, atribuindo mais importância ao que vem após o juntor em questão.

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