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De acordo com o International Scientific Council For Island Development “as ilhas são o segundo maior destino turístico, depois da categoria das cidades históricas” (Insula, 1998 in Barros, 2007), ou seja pode-se dizer que Cabo Verde constitui por si só um atractivo turístico, pelo facto de ser constituído por dez ilhas e oito ilhéus, todas com características diferentes.

Pouco a pouco tem sido feito um levantamento de todos os recursos turísticos existentes em Cabo Verde, e classificá-los consoante o seu grau de atracção, formando assim produtos âncora/estratégicos, produtos complementares e apontando os produtos emergentes. Mas de uma

forma mais acabada, existe uma análise competitiva das ilhas na Proposta do Plano Estratégico de Desenvolvimento Turístico 2004-2015, documento que até a data de hoje não foi validado pelo Governo. Neste momento está-se a trabalhar numa versão mais actualizada da proposta do Plano Estratégico de Desenvolvimento Turístico do país, no qual deverá constar uma listagem de todos os atractivos existentes devidamente classificados.

Segundo a Proposta do Plano Estratégico de Desenvolvimento Turístico 2004-2015 (que é o documento mais elaborado que existe nesta matéria), estão identificados 93 espaços geográficos com interesse turístico, sendo que: 54 praias, 59% das quais de areia branca, se localizam principalmente nas ilhas de Boa Vista, Maio e Sal; 21 são áreas de interesse natural (algumas são áreas protegidas); e 18 são itinerários pitorescos com maior incisão nas ilhas do Fogo, Santo Antão, São Nicolau e Santiago. As ilhas podem ser divididas entre as de praia (Boa Vista, Maio e Sal), as de montanha (Santo Antão, Brava e Fogo) e as de montanha e praia (São Nicolau, São Vicente, Santiago e Santa Luzia).

Face a essas características, há já condições para a prática das seguintes actividades turísticas: Turismo de Sol e Praia, direccionado para o banho e propício também para prática do desporto náutico e de areia (mergulho, windsurf, kitesurf, futebol de praia, voleibol de praia, etc.);

Turismo de Natureza e Aventura podendo se desenvolver actividades relacionadas com a natureza, caminhadas, escaladas, passeios com cavalos, bicicletas, etc;

Turismo de circuitos, através de visita a diversos pontos de interesse;

Turismo histótrico-cultural, que visa conhecer a cultura e a história da população, participando em festas tradicionais, no Carnaval, nos festivais de música, provando a gastronomia e apreciando a literatura e o artesanato.

Turismo de Congressos e Incentivos – MICE (meetings, incentives, conventions and events), que tem dado os seus primeiros passos na criação de infra-estruturas e condições para o seu desenvolvimento, inclusive na captação de eventos.

Na análise competitiva de cada ilha foram apontados os principais atractivos turísticos, que são os que também costumam aparecer nas fontes de informação turística (folders, revistas, flyers, guias, etc.). Começando pelas ilhas de Sotavento:

Quadro 7: Listagem de atractivos turísticos referente a cada ilha (Proposta Plano Estratégico de Desenvolvimento Turístico 2004-2015)

Ilhas do Sotavento

Atractivos turísticos OBS

Maio . Extensas praias de areia branca

. Parques/Reservas naturais

. Gastronomia rica em pescado e marisco (lagosta)

. Recentemente foram feitos os primeiros investimentos turísticos que vão dar início à actividade turística na ilha

Santiago . Paisagem muito diversificada, tanto no aspecto natural como humano

. Grande leque de sítios e monumentos de interesse histórico: cidade da Ribeira Grande (antiga Cidade Velha, que foi a primeira cidade cabo-verdiana), o Forte da Cidade Velha, a cadeia de Tarrafal, etc.

. Parques/Reservas naturais

. Eventos culturais, científicos, de negócios, etc., que se realizam durante todo o ano

. É a maior ilha do país, onde se localiza a capital Praia

Fogo . Vulcão do Fogo

. Agro-turismo através do cultivo de e produção de vinho

. Património arquitectónico que é constituído por sobrados característicos da época colonial portuguesa

. Festa tradicional do “Nhô São Filipe” realizada anualmente

. Parques/Reservas naturais

. Foi a partir do vulcão do fogo que se formaram as outras ilhas de Cabo Verde . O vinho do Fogo é um produto conhecida internacionalmente

Brava . Caracterizada por “ilha das flores” . Verde e húmida durante quase todo o ano

. É a menor ilha habitada de Cabo Verde

Ilhas do Barlavento

Santo Antão

. Paisagem/Reserva natural

. Turismo de aventura (escalagem, cannoying, etc.) . Turismo rural

. Festa tradicional de São João (24 de Junho)

. É a Ilha mais montanhosa de Cabo Verde

São Vicente

. Turismo cultural (carnaval, festas do fim do ano, festival Baía das Gatas, etc.)

. O facto de aí existir o maior e mais antigo porto de Cabo Verde, que constitui uma

. Excursionismo e Turismo de cruzeiros

. Património arquitectónico que é constituído por sobrados característicos da época colonial portuguesa e da arquitectura inglesa

verdadeira mais valia para o turismo

Santa Luzia

. Toda a ilha é uma reserva natural . É a única ilha desabitada de Cabo Verde

São Nicolau

. Paisagem/Reserva natural

. Gastronomia rica em peixes e mariscos . Festas tradicionais (Carnaval)

Sal . Extensas praias de areia branca

. Turismo desportivo (desporto náutico: wind surf, kite surf, modalidades de praia, etc.)

. Salinas de Pedra de Lume

. Reserva Natural Marinha (Baía da Murdeira)

. É a ilha mais turística de Cabo Verde . Anualmente realiza-se um dos circuitos do campeonato internacional de wind surf . É a única reserva natural marinha existente em Cabo Verde

Boa Vista . Extensas praias de areia branca . Dunas de areia

. Gastronomia rica em pescado e marisco (lagosta) Fonte: Elaboração própria

Pelo facto das ilhas do Sal e Boa Vista se localizarem no Barlavento, o turismo está mais concentrado nessa região do país.

A nível da oferta de serviços e infra-estruturas turísticas e de apoio ao turismo, só existe um levantamento sobre a capacidade hoteleira de cada ilha. Dificilmente consegue-se saber qual o peso das outras áreas que constituem a CST (Conta Satélite de Turismo): restauração e bebidas, transporte/rent-a-car, agências de viagem/operadora turísticas/guias turísticos, serviços culturais, recreação e lazer e outros, porque o peso do turismo é calculado somente a nível da oferta hoteleira e da procura turística. A nível das outras áreas que compõem a CST, é calculado o peso de cada uma delas na economia mas de uma forma global, não diferenciando o serviço oferecido para o mercado turístico do daquele dirigido à população local. Neste momento o INE – CV já começou a trabalhar na CST, a fim de fazer um levantamento de todas as áreas que trabalham com o turismo directamente.

Serão analisados dados referentes ao período de 1999 a 2007 do INE – CV (quadro 8). São 150 estabelecimentos hoteleiros10, que vêm aumentando ao longo dos tempos, nunca registando uma

baixa desde que o turismo despoletou nestas ilhas. Registaram-se dois períodos de maior crescimento, sendo que de 1999 para 2000 o número de estabelecimentos hoteleiros cresceu em 11,4% e de 2004 para 2005 em 22,2%. O aumento da quantidade de estabelecimentos hoteleiros fez aumentar consequentemente a capacidade de alojamento, também devido ao aumento de quartos e camas. São de destacar dois períodos de maior crescimento de 1999 para 2000, com 35,5%, e de 2004 para 2005, com 42,6%, respectivamente. Apesar de a tendência ser de aumentar, o mesmo não aconteceu com o pessoal contratado para trabalhar nos respectivos estabelecimentos hoteleiros, onde se verificaram dois períodos de crescimento negativo, de 2001 para 2002, com - 0,1% e 2003 para 2004, com -5,1%.

Quadro 8: Evolução do nº de Estabelecimentos, Capacidades e Pessoal ao Serviço

1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Estabelecimentos 79 88 88 93 105 108 132 142 150 Nº Quartos 1825 2391 2489 2820 3146 3150 4406 4836 5368 Nº Camas 3165 4475 4628 5195 5715 5804 8278 8828 9767 Capacidade Alojamento 3874 5249 5450 6062 6682 6749 10342 10450 11544 Pessoal ao Serviço 1561 1845 2046 2281 2281 2165 3199 3290 3450 Fonte: INE, 2008

Gráfico 1

Evolução da Capacidade de Alojame nto e do Pe ssoal ao Se rv iço, de 1999 a 2007 0 2.000 4.000 6.000 8.000 10.000 12.000 14.000 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Estabelecimento s Nº de Quarto s

Nº de Camas Capacidade de A lo jamento

P esso al ao Serviço

Fonte: INE, 2008

Ainda segundo o INE – CV, a Ilha do Sal continua a ser a mais turística de Cabo Verde, pelo facto de aí se concentrar a maior parte dos investimentos feitos, desde sempre. Em 2007, 23% dos estabelecimentos hoteleiros estavam na Ilha do Sal, seguido de Santiago. As ilhas de Maio e Brava foram as que registaram a taxa mais baixa com 3% respectivamente. Apesar da Ilha de Santiago ter mais estabelecimentos hoteleiros que a ilha da Boa Vista (9%), é nas ilhas do Sal e Boa Vista que se concentram a maior parte das camas e quartos, apresentando assim uma maior capacidade de alojamento a nível nacional (57% e 12% respectivamente). Também é na ilha do Sal que se encontra a maior parte da mão-de-obra que trabalha com o turismo, mais precisamente nos estabelecimentos hoteleiros com 59%.