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4.2.3.- Activitats extres de la unitat didàctica

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Em linhas gerais, Homi Bhabha (2003) aponta as principais implicações que o discurso colonial europeu incutiu sobre os povos colonizados – e que, em certa medida, repercutem até a contemporaneidade. Segundo o autor, sob o olhar dominante, era considerado que as populações americanas, africanas e asiáticas eram formadas, em sua maioria, por tipos degenerados, sexualizados, racializados, ignorantes e inferiorizados. Essa concepção ideológica buscava justificar a “conquista” do povo branco sobre os demais povos, garantindo o estabelecimento de sistemas de administração e instrução das colônias. Nesse processo de

15 Traçados os cinco domínios em que as ausências se constituem, Santos propõe a adoção de uma “sociologia das

emergências”, cujo objetivo “é revelar a diversidade e multiplicidade das práticas sociais e credibilizar esse conjunto por contraposição à credibilidade exclusivista das práticas hegemônicas” (SANTOS, 2002, p. 253).

legitimação, há um silenciamento das classes não-dominantes e, consequentemente, ocorre uma invisibilidade cultural, política e social, como indicado por Santos (2002, p. 248): “de acordo com esta lógica, a não-existência é produzida sob a forma de inferioridade insuperável porque natural”. A partir disso, a busca de alternativas à conformação profundamente excludente e desigual do mundo moderno exige um esforço de desconstrução do caráter universal e natural da sociedade capitalista-liberal, eurocêntrica e ocidental. Isso requer o questionamento das pretensões de objetividade e neutralidade dos principais instrumentos de naturalização e legitimação dessa ordem social.

Nesse contexto, abordando o bojo dos estudos pós-coloniais, pode-se tomar o jornalismo como um campo em que se torna possível estabelecer relações contra-hegemônicas, abrindo espaço para os subalternos e para práticas narrativas que superam as normatividades tradicionais. Na medida em que a prática jornalística se apropria de procedimentos semelhantes aos da ciência e aos da arte, ela assume a latência de catalisar mudanças “a partir de dentro” do sistema moderno – tanto no sentido de desconstruir, quanto no de desnaturalizar as diferenças perpetuadas pelo referencial hegemônico e colonial. A partir disso, pode-se relacionar a proposta de Genro Filho na qual o jornalismo deve perceber os fatos sociais desde uma visão histórica, capaz de apreender as contradições e o dinamismo da sociedade, “para situá-los numa conjuntura determinada e sem retirar deles sua marca estrutural” (GENRO FILHO, 2004, p. 166-167). De maneira semelhante, Medina (2008) sugere que a “arte de tecer o presente” faz referência para a múltipla capacidade de produzir significados, resgatando o protagonismo de sujeitos oprimidos, expandindo a contextualização sociocultural e pesquisando raízes históricas dos fatos narrados pelos jornalistas.

A partir daí, esse trabalho desconstrutivo no âmbito do discurso, buscando alternativas que possibilitem desnaturalizar hegemonias, só será possível se forem provocados, de fato, deslocamentos de fala, de linguagem, de estética, de tempo e de espaço.

Apesar disso, Daisi Vogel aponta que “a reflexão crítica sobre os modelos e as técnicas de redação de notícias tem demonstrado, contudo, que eles não podem ser simplesmente considerados óbvios, neutros e, muito menos, definitivos (VOGEL, 2005, p. 124). As construções narrativas do jornalismo, por serem desenvolvidas dentro de rotinas e lógicas de trabalho próprias do campo jornalístico, integram estruturas específicas de percepção e organização do mundo, ou seja, participam ativamente da produção e reprodução de padrões perceptivos e do espectro ideológico de uma época, seus costumes, projetos e propósitos. “Por isso, reforça-se a necessidade de problematizar a naturalização que tende a atravessar as práticas

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discursivas do jornalismo informativo, seus pressupostos e efeitos, com um olhar que ponha em questão inclusive o próprio lugar de onde se olha” (Idem, p. 124).

A partir dessa perspectiva, pode-se associar a ideia de que a colonialidade do poder capitalista moderno e ocidental identifica diferença com desigualdade, bem como detém o privilégio de determinar quem é (ou pertence ao grupo) igual e quem é diferente. Sob esse aspecto, Santos propõe a interpretação dos fatos sociais a partir de uma sociologia das ausências. Esta, segundo o autor, confronta-se com a colonialidade, “procurando uma nova articulação entre o princípio da igualdade e o princípio da diferença e abrindo espaço para a possibilidade de diferenças iguais – uma ecologia de diferenças feita de reconhecimentos recíprocos” (SANTOS, 2002, p. 252). A sociologia das ausências sugere, assim, que seja alterada a ideia de falta da experiência social, transformando-a em desperdício das experiências sociais vividas pelos sujeitos subalternos.

Nesse sentido, valendo-se dos mecanismos que a argumentação discursiva opressora adota para ser bem-sucedida no âmbito do jornalismo, esta requer que os mecanismos que regulam sua eficiência permaneçam invisíveis. Tornam-se invisíveis, assim, os sujeitos marginalizados pela percepção hegemônica dos processos sociais. Vogel aponta que, no âmbito do jornalismo, pode-se perceber

como a eficácia da estrutura da notícia, enquanto ato de fala, pode sedimentar e naturalizar, pela própria invisibilidade de seus mecanismos e a “facilidade cognitiva” que se segue, lugares-comuns controversos, no que se refere ao trabalho de elaboração de conhecimento. Pode-se notar, também, que a regra redacional de que a notícia deve excluir, em sua retórica, conceitos que expressam subjetividade, [...] explicita uma estratégia de ocultação do argumento (Vogel, 2005, p. 125).

Tendo isso em vista, denota-se que apenas na medida em que se dominam as técnicas elementares de produção jornalística, mesmo construídas por uma tradição colonizadora, é que se pode propor rupturas, estabelecidas no confronto do ordenamento vigente com propostas de reconhecimento mútuo entre sujeitos “diferentes” – buscando a superação do reconhecimento ao alcançar o âmbito da coexistência e da copresença. No caso do jornalismo enquanto forma de apreensão da realidade, esse reconhecimento do Outro se dá através do reconhecimento do sujeito-objeto da investigação como ator social capaz de construir conhecimento e visão de mundo próprios. Nesse caso, Daisi Vogel adverte que:

O jornalismo não pode, por esse viés, abrir mão do texto bem escrito, das edições cuidadas e das apurações bem-feitas, qualidades que se colocam como fundamentais para a comunicação. Concomitantemente, a experiência de escrita precisa vir acompanhada pelo exercício de pensar sobre o escrever. Só assim é possível desconfiar das frases, palavras, expressões e soluções que se impõem com excesso de facilidade (Vogel, 2005,p. 129).

Nesse caso, ao buscar aprender a falar ao (em vez de ouvir ou falar em nome do) sujeito historicamente emudecido, Spivak (2010) propõe que o intelectual ou o jornalista engajados com as propostas pós-coloniais sistematicamente "desaprende" o privilégio do local de fala hegemonicamente naturalizado. Essa desaprendizagem sistemática envolve aprender a reformular o discurso estabelecido com ferramentas que não apenas substituem a figura perdida do sujeito colonizado, mas que busquem empoderá-lo oferecendo-lhe mecanismos emancipatórios críticos e engajados. O papel do jornalismo, nesse caso, garante aos sujeitos uma apreensão da realidade social que compõe o amplo espectro de conhecimentos disponíveis para sua formação ontológica humana e social.

A partir desses pressupostos, a próxima área de análise que apresentamos nesta monografia problematiza o campo de posicionamento dos sujeitos subalternizados e dos conhecimentos não-hegemônicos para além do âmbito discursivo, atingindo os da ação e da argumentação políticas frente às opressões.

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