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1.6 Activité commerciale
As crianças são um grupo social, com um carácter permanente na sociedade, têm um espaço e um tempo e acima de tudo, a infância determina uma etapa de vida para qualquer indivíduo e a organização de qualquer sociedade. No entanto, muitas vezes ainda são colocadas na condição de “seres-objectos” por não serem reconhecidas frequentemente como “pessoas que organizam a sua recolha de informação, que agem, que comunicam, que aprendem, que pensam e criam segundo sua iniciativa e segundo os seus ritmos” (Montagner, 1993, p. 19). O autor refere ainda que as crianças são “confinadas às posições de espectadores ou de seguidores de modelos sociais cada vez mais complexos e difíceis de compreender” e deveriam ser consideradas, porque é o que elas são a partir dos primeiros dias de vida, como seres- sujeitos (Montagner, 1993, p. 20).
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De acordo com Montagner (1993), cada criança independentemente das suas particularidades genéticas, pode ser agente do seu próprio desenvolvimento. Para tal, o autor refere que é necessário ter à sua volta pessoas atentas e que considerem a criança como “ser- sujeito”.
A criança, por vezes, ainda é vista como um sujeito passivo, dependente pela sua aparência frágil e que tem o poder de causar no adulto um sentimento de protecção. Diversos estudos mostram-nos uma nova visão da criança que nos permite compreender o seu desenvolvimento cognitivo e a forma como ela constrói o seu conhecimento, entendendo-a como sujeito que, desde o nascimento, está inserida num contexto social e dele participa activamente.
Na Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança, artº 31, é referido que “Os Estados Partes reconhecem à criança o direito ao repouso e aos tempos livres, o direito de participar em jogos e actividades recreativas próprias da sua idade e de participar livremente na vida cultural e artística (…), encorajam a organização em seu benefício, de formas adequadas de tempos livres e de igualdades recreativas, artísticas e culturais em condições de igualdade”.
O brincar é, acima de tudo, um direito da criança.
Neste contexto, a educação infantil deve ser um ambiente especialmente criado para fazer desabrochar todas as potencialidades da criança, e neste âmbito, devem ser oferecidas à criança, no momento conveniente, oportunidades de ser estimulada e motivada, e ao mesmo tempo deve ser respeitado o tempo necessário para ela amadurecer.
Alguns teóricos têm estudado a importância e influência do brincar no desenvolvimento da criança e justificam que o brincar é fundamental para a formação do carácter e da personalidade da criança, principalmente para as crianças da faixa etária compreendida entre os 3 e os 6 anos, uma vez que é nesta etapa que esse processo opera.
Ao brincar a criança está a estimular a inteligência porque este acto faz com que ela liberte a sua imaginação e desenvolva a sua criatividade, bem como possibilita o exercício de concentração, atenção e engajamento para as diversas situações do seu quotidiano. O acto de brincar é um caminho para desenvolvimento da criança, no qual ela, segundo Teles (1997), ao brincar explora o mundo, constrói o seu saber, aprende a respeitar o outro, desenvolve o sentimento de grupo, activa a imaginação e auto-realiza-se. Por outro lado, de acordo com o autor, a criança que não brinca e que muito cedo já sente a noção do “peso da vida” não tem condições de se desenvolver de maneira sadia e esta lacuna pode-se manifestar na sua personalidade adulta.
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As situações de brincadeira, em todos os espaços físicos, permitem às crianças o encontro com os seus pares e fazem com que elas possam interagir socialmente. Assim, em grupo, as crianças descobrem que não são os únicos sujeitos da acção e que é necessário existir uma partilha de ideias para que o desenvolvimento da brincadeira ocorra e consigam atingir as suas finalidades. Bettelheim (1988), refere que os primeiros esforços da criança para se tornar um eu, ou seja, conquistar a sua identidade e demonstrar a si própria que com o seu esforço é capaz de fazer coisas e atingir os seus propósitos, se iniciam com o jogo de objectos/brinquedos no berço (in Teixeira, 2004).
Winnicott1, citado por Teixeira (2004), refere que é no brincar e apenas no brincar que a
criança pode ser criativa e ao ser criativa é que ela descobre o eu. Na brincadeira, a criança constrói um espaço de experimentação e de transição entre dois mundos: o interno e o externo.
De acordo com Santos (2000), partindo do princípio de que a criança é um ser social e que a apropriação do conhecimento se dá desde que ela nasce, ou seja, o seu desenvolvimento ocorre num espaço e tempo partilhado com outras pessoas, sendo a sua actividade mais completa o brincar, torna-se importante referir que o jogo pode contribuir de forma benéfica para o desenvolvimento infantil (in Costa e Bentes, 2001).
O brincar é um comportamento muito frequente nomeadamente em períodos de expansão intensa do conhecimento de si próprio, do mundo físico e social. Desta forma, a actividade lúdica está intimamente relacionada com as áreas de desenvolvimento. Esta actividade que reflecte com maior clareza o entusiasmo e a boa disposição da criança, tem por base o movimento, nomeadamente as corridas, os saltos, os pulos e até mesmo os risos que expressam bem-estar (Garvey, 1992).
Segundo Ferland (2006), a criança enquanto brinca está a progredir nas diferentes esferas do seu desenvolvimento. De criança para criança, existem, de acordo com o autor, grandes variações tanto nas brincadeiras como no desenvolvimento.
Durante o período pré-escolar, as competências das crianças nas diferentes esferas do desenvolvimento são estimuladas pela brincadeira. A criança entre os três e os cinco anos, apoia-se muito na imaginação para inventar uma brincadeira, ela imagina com prazer formas estranhas de brincar, ela inventa diversos cenários de brincadeiras (Ferland, 2006).
O brincar é um exercício natural e espontâneo. Ao brincar, a criança está a formar a sua personalidade e a aprender a lidar com o mundo. Também recria situações do quotidiano e
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experimenta sentimentos básicos como o amor e o medo. Ela aprende a manipular as suas fantasias, dá “asas à sua imaginação” e, além disso, tem oportunidade de vivenciar/reproduzir funções sociais. Assim, o desenvolvimento da criança está relacionado com o lúdico e ela precisa de brincar e jogar para crescer.
Em suma, o brincar está profundamente ligado à aprendizagem, principalmente nos primeiros anos, e é através dos brinquedos e das brincadeiras que a criança descobre o seu papel no mundo. A brincadeira traz vantagens sociais, afectivas e cognitivas para o desenvolvimento da criança.