VII. RAPPORT DE RESPONSABILITE SOCIETALE ET ENVIRONNEMENTALE
5. L' ENGAGEMENT SOCIETAL DE C REDIT A GRICOLE T OULOUSE 31
5.3. Autres actions engagées en faveur des droits de l’homme
O Brasil é um dos pioneiros no desenvolvimento de etanol derivado da cana-de-açúcar. Entre os diversos fatores envolvidos que possibilitaram o seu uso extensivo, a tradição histórica de produção de cana-de-açúcar foi um dos principais fatores (CORTEZ, 2016). Por possuir alto teor energético, a cana-de-açúcar demostrou forte potencial para uso como combustível.
Atualmente, o Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, com produção estimada de 646 milhões de toneladas, sendo 34% destinado à produção de etanol e 66% destinado a produção de açúcar (VERDÉLIO, 2017). Essa capacidade produtiva só foi possível com o desenvolvimento do programa do Proálcool que, em 1975, fixou-se como ponto de partida para a expansão da produtividade da cana-de-açúcar e do etanol (CORTEZ, 2010a).
Ao longo dos anos, os fortes investimentos em produtividade impulsionaram o atual uso da cana como matéria prima do etanol, cada vez mais presente no mercado internacional, deixando de atender apenas a indústria alimentícia, pela produção do açúcar, mas também ao setor energético, pela produção de biocombustível (CORTEZ, 2010a).
A crescente demanda dos mercados interno e externo do etanol ampliou as expectativas da superação da produtividade da cana como fonte de energia renovável em relação ao seu uso como fonte de alimento (CORTEZ, 2010a). A sua aplicação constitui, sem dúvida, no principal meio para a redução do uso da gasolina, tanto de forma integral quanto na forma de aditivo. Diversos países utilizam o ETBE (etil tércio butil éter), que é uma mistura de etanol com isobutano, dessa forma reduzindo em até 20% o uso de combustível fóssil no mundo (CORTEZ, 2010a).
Para atender à crescente demanda por energia, fortes investimentos no desenvolvimento genético abriram espaço não apenas para a produção de etanol, mas também como fonte de energia elétrica, com a queima do bagaço, considerado um resíduo do processo de produção tanto do etanol como do açúcar. Não foi por acaso, portanto, que o desenvolvimento tecnológico neste segmento possibilitou ampliar o aproveitamento da cana, com a capacidade de aumentar a produção de energia sem a necessidade da ampliação das áreas de cultivo. Além disso, a introdução do sistema de produção do etanol de segunda geração, baseado na hidrólise enzimática da celulose, antes considerada como material de descarte, abre uma segunda janela de oportunidade que resulta numa maior produção de etanol por área plantada (ANSANELLI et al., 2017; DIAS et al., 2014). Contudo, o processo de inovação dessa área, no Brasil, depende da continuidade do apoio ao sistema produtivo do bioetanol, com maior atenção por parte do governo aos cenários nacional e internacional, garantindo a sua oferta e expandindo a sua demanda frente aos combustíveis fósseis.
A Figura 19 ilustra a cadeia de produção sucroenergética, desde os melhoramentos genéticos até à logística de distribuição e uso dos derivados da cana de açúcar. O objetivo aqui é enfatizar os enormes ganhos de produtividade que se podem conseguir nos blocos individuais e, principalmente, no agregado completo da cadeia de produção. Nesse diagrama em blocos, cada elemento da cadeia representa o ganho de produtividade correspondente, dado por Gi = (1 + Pi/100), sendo Pi a percentagem obtida no bloco i ao final de um dado ano de observação. Por exemplo, um eventual melhoramento genético que leve a uma variedade de cana com ganho de produtividade de 20%, em um certo ano, será representado no bloco 1 por G1 = 1,2. Outro exemplo interessante e bem atual, é o recente lançamento no Brasil do primeiro veículo Híbrido Flex do mundo, o veículo Toyota Corolla 2020, fabricado em Indaiatuba, SP. Este veículo deve apresentar um consumo de etanol (em km/litro) de quase a metade do consumo de um veículo tradicional também movido a etanol, porém sem o sistema de propulsão híbrida. Neste caso, o ganho de produtividade G6 do bloco 6 (percentualmente igual a 100%) será de 2,0 entre os anos de 2019 e 2020. Ganhos de produtividade tão altos assim, como os já obtidos no
desenvolvimento da cana energia (de quase 200%), podem ser considerados como “quebras de paradigma”, pois revolucionam o respectivo setor produtivo e contribuem de forma significativa para o aumento dos ganhos econômicos e sociais. Ganhos não tão elevados como estes dois, nos diferentes blocos da cadeia, não devem ser considerados apenas como “ganhos incrementais” pois, como mostrado a seguir, eles contribuem para o ganho total da cadeia.
Adotando-se a formulação discutida acima, é fácil ver que o ganho total da cadeia produtiva será Gt = G1xG2xG3xG4xG5xG6. Em outras palavras, os ganhos individuais de cada segmento contribuem multiplicativamente para o ganho total de produtividade (ou de produção, se for o caso), mas desde que não haja saturação em cada bloco da cadeia. Daí a importância de se elaborar um planejamento inteligente e de longo prazo para este setor.
Deve-se atentar para o fato de que tanto as quebras de paradigma quanto os ganhos incrementais neste setor sucroenergético, já estão levando a um ganho total de produtividade sem precedentes em outros setores da economia brasileira. É importante enfatizar, entretanto, que a análise da cadeia produtiva discutida acima é útil para se quantificar a “expectativa de crescimento” neste setor sucroenergético. Uma análise dinâmica deve levar em conta o tempo que transcorre entre a introdução de uma nova tecnologia, quer seja revolucionária ou apenas incremental, e seu uso pleno em toda a cadeia. A elaboração de uma análise como esta, entretanto, vai depender de ferramentas computacionais elaboradas para planejamento estratégico.