Tendo o PENT definido 10 produtos turísticos estratégicos, em função dos quais devem assentar as políticas de desenvolvimento da oferta turística a nível regional e local, interrogamos os inquiridos sobre a sua atual importância para o desenvolvimento turístico dos municípios. Por outras palavras, intentamos averiguar quais os produtos turísticos que constituem aposta de intervenção por parte dos municípios que compõem esta amostra. Esta análise é motivada pela estratégia de desenvolvimento dos produtos turísticos definida no PENT para 2013-2015, aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 24/2013, de 16 de abril. Relembramos que esta estratégia tem como princípio fundamental a concentração de esforços, de modo a evitar a dispersão de ações, propondo assim a seguinte classificação: i) produto consolidado – oferta organizada, procura primária e objeto de promoção externa; ii) produto em desenvolvimento – oferta em estruturação, procura primária e objeto de promoção externa; iii) produto complementar – valoriza e enriquece a oferta e corresponde à satisfação de uma motivação secundária de viagem; e iv) produto emergente – requer estruturação para atuação no médio prazo. Nesse sentido, a figura 8.2 apresenta, para cada produto turístico, a respetiva importância, em termos relativos, considerando para o efeito uma escala de 5 pontos de importância. Por sua vez, a tabela 8.5 mostra as principais medidas de tendência central e de dispersão associadas a cada produto turístico.
Figura 8.2
Caracterização da Importância dos Produtos Turísticos Estratégicos
40% 25% 9% 10% 16% n = 214 sol e mar Nada Importante Pouco Importante Importante Muito Importante Totalmente Importante 27% 21% 20% 20% 12% n = 214 turismo náutico Nada Importante Pouco Importante Importante Muito Importante Totalmente Importante 8% 29% 33% 22% 7% n = 214 turismo de negócios Nada Importante Pouco Importante Importante Muito Importante Totalmente Importante 1% 1% 14% 38% 45% n = 214 gastronomia e vinhos Nada Importante Pouco Importante Importante Muito Importante Totalmente Importante 2% 3% 19% 32% 45% n = 214
circuitos turísticos religiosos e culturais
Nada Importante Pouco Importante Importante Muito Importante Totalmente Importante 1% 1% 13% 32% 52% n = 214 turismo de natureza Nada Importante Pouco Importante Importante Muito Importante Totalmente Importante 7% 27% 36% 22% 7% n = 214 turismo residencial Nada Importante Pouco Importante Importante Muito Importante Totalmente Importante 46% 33% 12% 6% 3% n = 214 golfe Nada Importante Pouco Importante Importante Muito Importante Totalmente Importante 18% 34% 25% 16% 7% n = 214 turismo de saúde Nada Importante Pouco Importante Importante Muito Importante Totalmente Importante 12% 15% 27% 26% 20% n = 214
estadias de curta duração em cidade
Nada Importante Pouco Importante Importante Muito Importante Totalmente Importante
Tabela 8.5
Análise Descritiva da Importância dos Produtos Turísticos Estratégicos Produtos Turísticos Média
[n=214] Desvio padrão Mínimo Máximo
Sol e mar 2.4 1.5 1 5
Turismo náutico 2.7 1.4 1 5
Turismo de negócios 2.9 1.1 1 5 Gastronomia e vinhos 4.2 0.8 1 5 Circuitos turísticos religiosos e culturais 4.1 0.9 1 5 Turismo de natureza 4.3 0.8 1 5 Turismo residencial 3.0 1.1 1 5
Golfe 1.9 1.1 1 5
Turismo de saúde 2.6 1.2 1 5
Estadias de curta duração em cidade 3.3 1.3 1 5
Os resultados expostos permitem verificar que os produtos turísticos “golfe”, “sol e mar” e “turismo de saúde” são os que apresentam menor importância atribuída pelos municípios. 46% e 33% dos municípios consideram o produto turístico “golfe” como nada importante e pouco importante, respetivamente, e 40% e 25% avaliam o produto turístico “sol e mar” como nada importante e pouco importante. Do mesmo modo, 18% e 34% reconhecem o produto turístico “turismo de saúde” como nada importante e pouco importante. Se observarmos as orientações do PENT, os resultados referentes aos produtos “golfe” e “sol e mar” não são de estranhar, uma vez que estes produtos apenas se encontram consolidados na região do Algarve. Noutras regiões estes produtos estão numa fase de desenvolvimento ou são considerados produtos complementares. Mais concretamente, o produto turístico “sol e mar” encontra-se em desenvolvimento na região da Madeira e ao mesmo tempo é um produto complementar nas regiões de Lisboa, Centro e Alentejo. Por outro lado, o produto turístico “golfe” é complementar para as regiões do Norte e Madeira e está em desenvolvimento na região de Lisboa. Em média, estes produtos turísticos possuem um reduzido grau de importância no contexto da atividade turística dos municípios (importância média de 1.9 e 2.4, respetivamente), embora o desvio padrão evidencie uma maior dispersão no produto turístico “sol e mar”, explicada pelo maior número de regiões em que o produto é tido como complementar ou em desenvolvimento.
No caso do produto “turismo de saúde”, verificamos que estes resultados são ligeiramente incongruentes face à expressividade deste produto no contexto do PENT. Trata-se de um produto consolidado nas regiões do Norte e Centro, em desenvolvimento na região do Algarve e complementar nas regiões do Algarve, Lisboa e Madeira. Além disso, é o único produto turístico que se encontra nos diferentes estágios da classificação proposta, estando em desenvolvimento e estruturação várias vertentes deste produto nas diversas regiões, excetuando o Alentejo e os Açores, onde não tem qualquer expressão. Ainda assim, mais de metade dos
municípios (52%) consideraram este produto como pouco ou nada importante. Mais uma vez, em média, os municípios apontam para um reduzido grau de importância deste produto (importância média de 2.6), embora superior aos dois produtos anteriormente identificados. Um outro produto turístico a que, em média, os municípios atribuem um reduzido grau de importância é o produto do “turismo náutico” (importância média de 2.7). De acordo com as orientações do PENT, embora este produto não esteja consolidado em nenhuma região, é um produto em desenvolvimento nas regiões de Lisboa, Algarve, Alentejo, Açores e Madeira e é considerado um produto emergente nas regiões do Norte e Centro. Deste modo, e apesar de 48% dos municípios avaliarem este produto como pouco ou nada importante, também parece coerente que os restantes municípios o considerem importante para o desenvolvimento turístico, justificando assim uma importância média entre o pouco importante e o importante.
Os produtos turísticos “turismo de negócios”, “turismo residencial” e “estadias de curta duração em cidade” ocupam uma posição intermédia no grau de importância atribuído pelos municípios (33%, 36% e 27%, respetivamente). Observando novamente as orientações do PENT, verificamos que estes produtos não são relevantes para a estratégia de desenvolvimento de algumas regiões. De facto, estes três produtos não têm qualquer expressão em grande parte das regiões turísticas. Enquanto o produto turístico “turismo de negócios” constitui um produto consolidado apenas na região de Lisboa e em desenvolvimento nas regiões do Norte e Algarve, o produto “turismo residencial” está consolidado, obviamente, na região do Algarve, em desenvolvimento na região de Lisboa e é considerado um produto emergente nas regiões do Alentejo e Madeira. Além disso, as “estadias de curta duração em cidade” constituem um produto específico das regiões de Lisboa (consolidado) e Norte (em desenvolvimento). No entanto, verificamos que, em média, os municípios consideram estes produtos importantes para o desenvolvimento da atividade turística (importância média de 2.9, 3 e 3.3, respetivamente).
Por fim, os produtos “turismo de natureza”, “gastronomia e vinhos” e “circuitos turísticos religiosos e culturais”, constituem os produtos que os municípios assumem como os mais importantes para o desenvolvimento do turismo. Mais de 75% dos municípios que integram a amostra (85%, 83% e 77%, respetivamente) reconhecem estes produtos como muito ou totalmente importantes. Na tentativa de justificar estes resultados, seguindo as mesmas orientações do PENT, confirmamos que estes três produtos turísticos, ao contrário dos restantes, têm expressão em todas as regiões do Continente e das Ilhas. Enquanto o produto turístico “turismo de natureza” está perfeitamente consolidado nas regiões autónomas e é um produto em desenvolvimento nas demais regiões do Continente, o produto “circuitos turísticos religiosos e culturais”, é
um produto consolidado em quase todas as regiões, exceto Açores (em desenvolvimento) e Algarve (complementar). Do mesmo modo, o produto “gastronomia e vinhos” é um produto complementar em todas as regiões (Continente e Ilhas). Com efeito, a análise do valor da média parece corroborar esta importância (importância média de 4.3, 4.2 e 4.1, respetivamente), assumindo uma posição consensual entre os municípios (reduzido valor do desvio padrão).
Ainda neste contexto, indagamos os municípios sobre a eventual consideração de outros produtos turísticos para além dos que estão previstos na atual classificação do PENT. De acordo com a figura 8.3, apenas 16.8% dos municípios da amostra identificam outros produtos turísticos que não são tidos como produtos estratégicos, nomeadamente: turismo cinegético, turismo ativo, turismo aventura, turismo geológico-mineiro, turismo equestre, turismo desportivo, turismo industrial, turismo científico, turismo sénior, turismo de eventos, turismo de neve, turismo de montanha, turismo juvenil, turismo subaquático e turismo arqueológico. Atendendo às orientações do PENT, verificamos que grande parte destes produtos constituem segmentos dos produtos turísticos estratégicos. O turismo cinegético e o turismo equestre, por exemplo, são considerados vertentes do produto “turismo de natureza”, enquanto o turismo científico e o turismo industrial estão integrados no produto “circuitos turísticos religiosos e culturais”. Além disso, alguns produtos mencionados são tão específicos de um conjunto muito restrito de municípios que não é de todo viável considerá-los como produtos estratégicos.
Figura 8.3