A disciplina de Química é uma das disciplinas que integram o plano de estudos da componente de Formação Específica do Curso Científico - Humanístico de Ciências e Tecnologias do Ensino Secundário, no 12º ano, e é de carácter opcional.
Trata-se, portanto, de uma disciplina do Ensino Secundário que deve proporcionar uma visão actual de aspectos relevantes do conhecimento químico, estruturantes de uma forma científica de interpretar o mundo e permitir prosseguir para interpretações mais aprofundadas, em estudos de nível superior.
De acordo com os princípios da Reforma do Ensino Secundário, a disciplina de Química sucede à disciplina de Física e Química A, do 10.º e 11.º ano, e orienta-se por princípios comuns, em particular os relativos à componente de Química. O programa, conforme estabelecido na estrutura curricular, permite, no entanto, a opção livre por tarefas, estratégias de exploração e metodologias de ensino conforme os interesses e desenvolvimento dos alunos, aspecto que pode ser encarado como uma forma de flexibilização com vista a uma melhor adequação aos interesses dos alunos e factor espoletador de motivação pelo estudo da Química. Aquilo que se pretende nesta etapa final do Ensino Secundário é que muitos dos alunos que optaram por aceder à disciplina se interessem por continuar estudos nesta área. Esta disciplina desenvolve-se ao longo
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do ano lectivo, com uma carga horária semanal de duas aulas de 90 minutos e uma de 135 minutos. Uma das sessões semanais deve assumir o formato de aula prática - laboratorial e ser conduzida no laboratório equipado para o efeito. Para optimização do acompanhamento do trabalho dos alunos pelo professor, a turma deverá ser desdobrada conforme o estipulado no despacho nº 13 765/2004.
A disciplina procura inserir-se na orientação científico - humanista do ensino das ciências, entendida como aquela que permite aos alunos compreender fenómenos de cariz científico-tecnológico onde a construção do conhecimento é enquadrada num vasto leque de competências, atitudes e valores importantes e, por isso, úteis para o crescimento pessoal, social e profissional de cada aluno.
No programa de Química homologado em 22 de Novembro de 2004, considera-se que a orientação do ensino da Química no 12º ano deverá reger-se por princípios que promovam a literacia científica dos alunos, surgindo dificuldades, de acordo com os seus autores, sobre um conceito único de literacia científica e o carácter opcional da disciplina. Os princípios, do ponto de vista dos autores do programa, justificam as opções programáticas, enquadrados por valores de sociedades democráticas onde o conhecimento será um valor a preservar em favor do desenvolvimento social e da paz. No entanto, apesar das evidências da importância da Ciência e Tecnologia para a Sociedade, é relevante ponderar os objectivos, os conteúdos e as formas de ensino da Ciência e das Tecnologias, neste caso da Química, que são mais adequados para a formação dos alunos (Martins et al., 2004).
O programa está organizado em três unidades, cada uma delas sobre um tema próprio, mas todas subordinadas à temática geral “Materiais, sua estrutura, aplicações e implicações da sua produção e utilização”. Os temas abordados em cada uma das unidades são:
Unidade 1 – Metais e ligas metálicas;
Unidade 2 – Combustíveis, energia e ambiente;
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Esta disciplina tem como finalidade criar condições para que os alunos que a ela acedam, no final do Ensino Secundário, possam alargar o leque de competências que a disciplina de Física e Química A, em particular a componente de Química, terá permitido desenvolver. No programa tomam-se como referência competências que autores contemporâneos e organizações como a OCDE consideram serem fundamentais para a promoção da literacia científica (Martins et al., 2004). São três as dimensões de competências consideradas no programa: os saberes, as acções e os valores.
A dimensão dos saberes inclui:
1) Competências de conteúdo (conhecimento declarativo e conceptual da Química); 2) Competências epistemológicas (visão geral sobre o significado da Ciência, e de Química em particular, como forma de ver o Mundo, distinta de outras interpretações).
A dimensão das acções inclui:
1) Competências de aprendizagem (capacidade para usar diferentes estratégias de aprendizagem e modos de construção de conhecimento científico);
2) Competências sociais (capacidade para usar diferentes estratégias de aprendizagem e modos de construção de conhecimento científico);
3) Competências processuais (capacidade para cooperar em equipa de forma a recolher dados, executar procedimentos ou interpretar informação científica); 4) Competências comunicativas (capacidade para observar, experimentar, avaliar,
interpretar gráficos, mobilizar destrezas matemáticas; usar modelos; analisar criticamente situações particulares, gerar e testar hipóteses);
A dimensão dos valores diz respeito a competências éticas (conhecimento de normas e sua relatividade em contextos locais e ainda do seu carácter temporal) (Martins et al., 2004).
De acordo com as sugestões metodológicas apresentadas nas Orientações Curriculares do programa de Química do 12º ano de escolaridade, para a concretização das competências supramencionadas, a escolha dos temas e as questões colocadas são determinantes para as opções didácticas na sala de aula. E estas devem ser orientadas para a autonomia do aluno na procura de informação, na sua organização, análise e
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sistematização. Nesta perspectiva os autores do programa de Química, (Martins et al., 2004), defendem e propõem que as aprendizagens dos alunos sejam alcançadas através da realização de Actividades Práticas de Sala de Aula ou de Laboratório. Em cada unidade temática são sugeridas Actividades Práticas de Sala de Aula (APSA), algumas das quais envolvem uma pesquisa documental. Os autores do programa referem que as APSA deverão ser consideradas como propostas de actividades e que a opção pelas propostas apresentadas, em cada unidade, deverá ser ponderada pelo professor, tendo em conta uma avaliação prévia da adequação ao nível de desenvolvimento cognitivo dos alunos, e dos seus interesses e a capacidade de gerar novas competências até então pouco exploradas.
As actividades práticas podem ser de diferentes tipos consoante os objectivos que se pretendem alcançar através da sua realização. Aquilo que distingue as actividades práticas não é o fenómeno, mas o procedimento seguido. Tendo em conta o seu grau de elaboração crescente, podem considerar-se quatro tipos de actividades práticas (Martins et al., 2004):
1) Experiências sensoriais baseadas na visão, no olfacto, no tacto, na audição.