1.3 Synthèse et dispersion en solution des particules polymérisées
1.3.5 Études des objets en solution
Apresentaremos nesta parte duas trajetórias de vida ligadas à escravidão, as quais trilharam diferentes caminhos em direção à liberdade. A primeira delas refere-se a Felício, um escravo muito próximo do Conde do Pinhal, fundador do município de São Carlos e um dos principais fazendeiros de café da região. Ele construiu um vínculo forte com seu senhor, tornando-se feitor muito jovem e presenciando toda a história de ascensão da economia cafeeira no oeste paulista. Sua consistente relação com o seu superior, todavia, não o impediu de trilhar um tortuoso caminho durante o pós-abolição. Também analisaremos a trajetória de Maria Leontina, filha de uma escrava e do seu respectivo senhor. Maria, embora não fosse considerada filha legítima de seu pai, conseguiu, não sem determinados custos emocionais, usufruir dessa relação de parentesco para conseguir uma vida de liberdade menos precária. Por fim, também esboçaremos algumas considerações acerca da “economia onomástica” presente na escolha dos sobrenomes de libertos que residiam em São Carlos, mostrando como esses sujeitos buscavam institucionalizar, através de um novo nome, as relações interpessoais que davam sentido à sua liberdade. O objetivo, portanto, é delinear quais eram as formas de controle e as hierarquias sociais que circulavam pelos recursos e benefícios que fluíam por essas relações.
Trajetórias e relações interpessoais
Nas últimas décadas, os estudos que dissertam acerca de trajetórias individuais e familiares obtiveram um lugar de prestígio na produção sociológica e historiográfica. Tal êxito, por sua vez, está diretamente relacionado às mudanças de perspectiva teórica ocorridas dentro do campo das Ciências Humanas. Durante toda a primeira metade do
século XX, houve, nas Ciências Sociais, uma tendência a se explicar a sociedade a partir de “grandes teorias”, quase todas elas propondo uma análise totalizante da realidade social. No caso da História, esse é um período marcado pela hegemonia da Escola dos
Annales, onde se procurava priorizar uma história das estruturas, as quais explicavam as ações humanas segundo determinações normativas. De acordo com essas abordagens, apenas as dimensões estruturais de longa duração, em suas regularidades e permanências, seriam capazes de recuperar os grandes movimentos das sociedades, escapando à superficialidade dos fatos.
Durante a década de 1960, observa-se, todavia, o início de uma descrença em relação a esses modelos totalizadores de explicação histórica e sociológica. Visando recuperar a feição humana dos processos históricos, buscava-se agora demonstrar as tensões existentes entre a ação humana e as estruturas sociais. Houve, nesse sentido, uma retomada das reflexões sobre a ação individual na história, com a volta da narrativa e do acontecimento enquanto aspectos fundamentais.
O objeto da história, portanto, não são, ou não são mais, as estruturas e os mecanismos que regulam, fora de qualquer controle subjetivo, as relações sociais, e sim as racionalidades e as estratégias acionadas pelas comunidades: as parentelas, as famílias e os indivíduos.
[..] o olhar se desviou das regras impostas para as suas aplicações inventivas, das condutas forçadas para as ações permitidas pelos recursos próprios de cada um: seu poder social, seu poder econômico, seu acesso à informação (CHARTIER, 1994, p.98).
A ascensão dos estudos de trajetória faz parte desse movimento de reconfiguração do pensamento sociológico e historiográfico. A partir da década de 1970, não foram raras as pesquisas histórico-sociológicas que se dispuseram a delinear biografias e histórias de vida, sendo o intuito delas, quase sempre, o de se compreender o contexto social através do qual elas foram produzidas. Trazendo uma nova maneira de se abordar o passado, elas desafiaram as narrativas históricas tradicionais.
implicações teórico-metodológicas advindas da escolha de se estudar a história de indivíduos e grupos familiares específicos. Para o sociólogo Pierre Bourdieu (1996), por exemplo, um dos principais obstáculos para aqueles que se encarregam em esboçar uma história de vida é o viés literário clássico sobre a existência humana, que quase sempre acaba por moldar os relatos biográficos. Segundo ele, a biografia , tal qual ela é apresentada em diversas análises, propõe-se a ser a escrita de uma vida, sendo esta última considerada um conjunto coerente e organizado de fatos. Assim, a trajetória é traçada seguindo uma ordem cronológica de eventos ocorridos de forma lógica, desde um começo (o nascimento ou momento onde se inicia “a parte interessante” da história de um sujeito ou de uma família) até chegar ao seu final. Tudo aquilo que é descrito passa, nesse sentido, a ser enxergado como um caminho unidirecional até o final da história.
Prosseguindo com sua crítica, Bourdieu afirma que, ao produzir uma história de vida, comumente se inclina, portanto, a tratar a vida como um determinado tipo de história. Mais precisamente, aquela versão tradicional de história entendida como o relato coerente de uma sequência de acontecimentos com significado e direção. Isso seria, para ele, a conformação a uma ilusão retórica. Os fatos narrados nas biografias tendem a parecer muito mais raciocinados do que de fato o foram, dando a impressão, ao leitor, de que saíram, desde o começo, de um projeto consciente do protagonista da história. Seria como pensar que toda a trajetória tem um sentido único, que tudo aquilo que foi vivenciado não poderia ser de outra forma. Os relatos das histórias de vida costumam, escreve Bourdieu, descrever a vida como um caminho orientado por um começo, um meio e um fim. Tratam os acontecimentos como etapas de um desenvolvimento necessário, onde o autor, selecionando fatos significativos, estabelece conexões entre eles para dar coerência à trajetória delimitada. Nesse tipo de enfoque, as
incertezas, inseguranças e inércias possivelmente vivenciadas são deixadas em segundo plano.
Seguindo nessa mesma direção, Giovanni Levi (1996), um dos principais historiadores da reconhecida micro história italiana, também realizou ponderações acerca dos estudos biográficos tradicionais. De acordo com ele, o pesquisador não pode conceber os sujeitos históricos como pautados por uma racionalidade limitada, satisfazendo-se com modelos que associam cronologia ordenada, personalidade coerente e estável, ações sem inércia e decisões sem incertezas. Segundo Levi, há que se levar em conta o caráter fragmentado do sujeito e os momentos contraditórios de sua constituição. A vida não seria uma formação linear, sem descontinuidades. Tal afirmação não significa, no entanto, que as histórias individuais sejam incompatíveis com a compreensão da influência de determinado contexto histórico nas ações de cada sujeito.
Diferentemente de Bourdieu, que centra suas observações acerca das biografias nas determinações estruturais, Levi percebe uma relação permanente e recíproca entre biografia e contexto. Para ele, nenhuma realidade normativa é suficientemente estruturada para eliminar todas as possibilidades de escolha, interpretação, manipulação e negociação das regras sociais. Incertezas e desvios predominam em toda relação social, na qual os atores não contam com guias normativos capazes de prever ou limitar, sem ambivalências, os efeitos dos seus atos. A importância da biografia seria exatamente o de mostrar as incoerências das realidades normativas e seu efetivo funcionamento, o qual permite a diversificação das práticas individuais. Na visão de Levi, estudando as trajetórias individuais, pode-se encarar as normas socialmente constituídas enquanto uma jaula flexível e invisível, dentro da qual se exercita a liberdade condicional de cada um.
Especificamente no que tange às relações interpessoais, a Sociologia sempre as tratou a partir dos conceitos intercambiáveis de capital social e redes sociais. A noção de “capital social” ganhou difusão no meio acadêmico a partir da década de 1980, face à sua larga utilização por parte de sociólogos, antropólogos, economistas, cientistas políticos e planejadores. Seu destaque advém tanto de sua vinculação a conceitos derivados da teoria social quanto de sua associação a disciplinas como a economia, que tem como cerne a ideia de capital. Dependendo da filiação teórico-metodológica, ele pode ganhar distintas definições.
De um modo geral, pode-se dizer que o conceito não incorpora qualquer ideia verdadeiramente nova para os sociólogos. A indicação de que o envolvimento e a participação em grupos podem trazer consequências positivas para o indivíduo já está presente na obra dos sociólogos clássicos. Segundo Alejandro Portes (1995), a originalidade e o poder heurístico da noção de capital social provêm, na verdade, de duas fontes: em primeiro lugar, o conceito incide sobre as consequências positivas da sociabilidade, colocando de lado as suas características menos atrativas; em segundo lugar, enquadra essas consequências positivas em uma discussão mais ampla sobre o capital, chamando atenção para o fato de que formas não monetárias possam ser fontes de poder e influência. A primeira análise sistemática empreendida por um sociólogo acerca do conceito de capital social foi realizada por Bourdieu. Foi ele também que cunhou a primeira definição para o termo.
Capital social é o conjunto dos recursos reais ou potenciais que estão ligados à posse de uma rede durável de relações mais ou menos institucionalizadas de interconhecimento e de inter-reconhecimento mútuos, ou, em outros termos, à vinculação a um grupo, como o conjunto de agentes que não somente são dotados de propriedades comuns (passíveis de serem percebidas pelo observador, pelos outros e por eles mesmos), mas também que são unidos por ligações permanentes e úteis.
Como ele próprio enfatiza, essas ligações não se reduzem às relações objetivas de proximidade no espaço geográfico ou mesmo no espaço econômico e social, posto
serem, inseparavelmente, fundadas em trocas materiais e simbólicas e cuja prática supõe o reconhecimento dessa proximidade. As redes sociais não são, portanto, um dado natural, tendo de ser construídas através de estratégias de investimento orientadas para a institucionalização das relações de grupo, utilizáveis como fonte digna de confiança para obter outros recursos.
As redes sociais podem ser consideradas um conjunto de relações que institui vínculos entre dois ou mais indivíduos, ou seja, elas são estruturas de relações, as quais constituem uma das dimensões das relações sociais. “De maneira geral, uma rede é um conjunto de atores ligados por uma relação; uma rede caracteriza, assim, o sistema formado pelos vínculos diretos e indiretos (os contatos dos meus contatos) entre os atores. Por analogia, é uma forma de interação social que põe atores em contato [...] (STEINER, 2006, p. 77)”. Essa estrutura de relações possui um caráter processual: existem diversas trajetórias relacionais viáveis, sendo possível se estabelecer novos vínculos com outros atores no decorrer do tempo. A natureza dos laços sociais tecidos pelos indivíduos, cabe salientar, é orientada pelos contextos sociais em que essas relações se efetuam (SANTOS, 1991, p. 109).
Devido a isso, as combinações de relacionamentos são informadas por diversas lógicas de sociabilidade (relações familiares, de vizinhança, de gênero, étnico-raciais, religiosas etc.). Estas últimas, entretanto, não são compartimentos estanques, previamente determinados, mas formas de inteligibilidade cujas normas e sentidos são constantemente ressignificados, dependendo do contexto relacional em que cada indivíduo ou grupo se insere.
O aspecto mais importante, privilegiado segundo essa perspectiva [a perspectiva de redes sociais], são as relações entre os indivíduos, e não os atributos de cada um deles. O ponto fundamental é buscar, a partir de cada indivíduo, a identificação de sua rede de relações. Assim, o conceito de redes concebe a sociedade como um conjunto de relações e introduz uma dimensão da estrutura social entendida como estrutura de relações, o que é bastante
diferente de imaginá-la como estruturada segundo categorias agregativas (TRUZZI, 2008, p. 214).
O conceito de redes sociais tornou-se muito útil particularmente para as abordagens sociológicas dos mercados, sobretudo dos mercados de trabalho. Segundo tal enfoque, os laços que unem uns indivíduos a outros são fontes importantes na obtenção de recursos - informação, confiança, prestígio e rendimentos monetários, por exemplo – dentro da lógica de produção social de mercados de trabalho. As redes sociais constituem uma forma de mediação social que pode ser instrumentalizada tanto por empregadores como por empregados na constituição de mercados de trabalhos (STEINER, 2006, p. 85).
No entanto, para além dessa visão instrumental acerca do capital social e das redes sociais, também convém salientar os aspectos não tão positivos advindos dessas relações. Os vínculos relacionais, ao criarem certos laços de sociabilidade entre um grupo de pessoas, permitem, além de oportunidades, a circulação, por exemplo, de formas de controle social (POWELL & SMITH-DOERR, 1994). Analisando o desenvolvimento do conceito de capital social – este entendido como a capacidade dos indivíduos em garantir benefícios advindos da sua localização em redes sociais -, Portes (1998, p. 15) destaca o fato de essa noção sugerir não somente as consequências positivas da sociabilidade, mas também o caráter normativo e excludente das redes sociais.
Dependendo da quantidade, do conteúdo e da intensidade dos laços, o indivíduo inserido em determinada teias de relações passa a ter de negociar, muitas vezes de maneira implícita, não somente garantias, mas também obrigações potenciais (PORTES, 1995, p. 9). O mais importante, nesse sentido, não seria nem tanto demarcar uma rede, mas sim demonstrar como as relações estabelecidas dentro dela disponibilizam possíveis vantagens e desvantagens, além de como fluem os recursos
sociais e com quais consequências (POWELL & SMITH-DOERR, 1994, p. 368; MIZRUCHI, 2009, p. 151). Neste trabalho em especial, não ficaremos presos a nenhum desses conceitos. Apenas estaremos atentos às implicações sociais decorrentes desse caráter normativo e excludente apresentado pelas relações interpessoais, enfatizando como a negociação por benefícios faz parte de um complexo jogo de poder.
Ligação nominativa de fontes
Para a realização do estudo proposto, será utilizado o que Slenes denominou de “ligação nominativa das fontes”, ou seja, propõe-se “perseguir” os sujeitos a serem estudados em diversas fontes nominativas compiladas durante um determinado espaço de tempo. Essa forma de abordagem dos documentos permite um olhar longitudinal sobre a situação dos indivíduos pesquisados, disponibilizando uma série de informações acerca da trajetória dos mesmos. Pesquisas recentes foram bem-sucedidas ao utilizar este método na análise da trajetória de ex-escravos do Recôncavo baiano.
Ao cruzar informações dos registros cartoriais, instituídos após a instauração da República, com listas de escravos anexas aos inventários ou registros paroquiais de batismos, foi possível acompanhar indivíduos e grupos familiares ao longo do tempo. As informações sobre localidades em que nasceram e residiram, os nomes das propriedades em que trabalhavam, os nomes e sobrenomes dos pais, avós e padrinhos ofereceram pistas importantes para refazermos os percursos individuais e as redes sociais em que estavam inseridos os indivíduos (FRAGA FILHO, 2006, p. 23).
Em suma, esse método permite a coligação e sistematização de fontes que, quando examinadas de maneira isolada, parecem fazer pouco sentido. Cruzando registros cartoriais de nascimento com fontes documentais produzidas na época da escravidão, Fraga Filho conseguiu reconstituir trajetórias individuais e familiares de ex- escravos e seus descendentes.
Esses procedimentos podem ser multiplicados, e por certo fragmentos ou retalhos de experiências espalhados em diversas fontes documentais ajudariam a recompor outras fascinantes histórias. É esse procedimento metodológico adotado ao longo deste trabalho para refazer os itinerários percorridos por escravos e libertos nos engenhos. Por meio da ‘microanálise’ desses indícios, é possível perceber como laços de solidariedade entre escravos de um mesmo engenho e redes familiares formadas no tempo da
escravidão foram preservados e ampliados no pós-abolição. Além disso, podemos vislumbrar lógicas sociais e simbólicas que nortearam escolhas individuais e grupais (FRAGA FILHO, 2006, p. 25).
Esse tipo de abordagem está focado, portanto, no percurso relacional de ex-escravos, ou seja, possui um caráter dinâmico e processual, enfatizando a construção de relacionamentos ao longo do tempo26.
Para tanto, parece ser algo fundamental a consulta a uma diversidade de fontes documentais. Levando isso em conta, realizou-se um levantamento nominal dos negros situados nas principais fazendas cafeeiras de São Carlos durante 1907, ano em que foi compilado um recenseamento municipal, a fim de se investigar como se desenrolaram as relações interpessoais desses sujeitos até esse momento. Sendo assim, foi realizado o cruzamento dos dados obtidos através da consulta a esse recenseamento com as informações contidas em outras fontes nominativas, tais como registros paroquiais de casamento e de batismo, inventários post-mortem, registros civis de casamento e de óbito, cartas de alforria, registros de compra e venda de escravos etc. Com as fontes acima citadas, procura-se tornar viável o exame das redes de relações tecidas por alguns dos negros que viviam em São Carlos durante a virada do século XIX para o século XX. Apesar dessas fontes retratem apenas uma parcela das relações interpessoais tecidas ao longo da trajetória dos indivíduos estudados, elas podem fornecer informações relevantes sobre os principais laços formados, bem como acerca da intensidade e dos conteúdos sociais que orientavam esses vínculos.
Supõe-se que o recenseamento de 1907, por exemplo, por se tratar de um registro histórico comprometido com o levantamento do perfil dos habitantes do município, apresenta uma interessante fotografia da população são-carlense do período
26 Outro estudo que consegue, por meio da utilização do mesmo método, realizar uma interessante análise
da trajetória de escravos que se tornaram libertos é o de Regina Xavier Freira (1993). Ricardo Pirola (2011) também utilizou a ligação nominativa de fontes (abordando um conjunto de documentos bem semelhante ao de nossa pesquisa, diga-se de passagem) para compreender as relações interpessoais que conectavam os escravos envolvidos em uma tentativa de levante em Campinas, no ano de 1832.
e, sobretudo, caracteriza-se como uma fonte nominativa muito abrangente. Na Europa, os recenseamentos populacionais se desenvolveram conjuntamente com a consolidação dos Estados-Nação, onde desempenharam o papel de produzir um conhecimento útil, baseado em critérios científicos, sobre as populações. O Brasil importou essa ideia e incorporou a sua própria dinâmica na atribuição daquilo que deveria ser mensurado pelas estatísticas. Sabe-se que os primeiros levantamentos censitários começaram a ser realizados no Brasil a partir do século XVIII, durante a administração do Marquês de Pombal. Esses levantamentos são, de certo modo, uma continuidade das antigas listagens da população masculina apta a servir as necessidades militares da colônia. Eles surgem, portanto, com o intuito de, em um momento crítico das tensões entre a América Portuguesa e a América Espanhola, fornecerem informações sobre as potencialidades militares dos habitantes da primeira.
Tal pretensão, por sua vez, ainda estava em sintonia com as ambições modernizadoras presentes na administração pombalina: era necessário conhecer melhor a população para se melhorar a arrecadação estatal. Além disso, esses recenseamentos, de quebra, serviam para melhor controlar os estratos sociais tidos como perigosos27. O Departamento Geral de Estatística (DGE) assumiu, entre 1870 e 1820, a dúbia função, assim como aconteceu com as agências de outros países, de combinar a autoridade da ciência e do Estado na produção de um conhecimento que seria utilizado pelo próprio Estado, ou seja, combinava uma missão descritiva com a fabricação de informações que seriam utilizadas politicamente (LOVEMAN, 2009, p. 436). Representando a própria racionalização das instituições estatais, esse instituto deveria se encarregar de avaliar o nível de “progresso” alcançado pela nação brasileira, com o intuito de se formular políticas públicas que estivem em sintonia com os anseios modernizantes da época.
27 Para uma melhor discussão sobre as ambições presentes nos primeiros recenseamentos realizados no
Ao analisarem recenseamentos provinciais compilados em São Paulo durante o século XIX, autores destacaram o grande interesse das autoridades governamentais em conhecer a população que governavam. Com o grande enriquecimento da província e