Chapitre 4 Discussion générale et conclusions
4.1 Atteinte du but général et réponses aux objectifs de recherche
4.1.3 L’étude exploratoire (article 2)
Atualmente, muitas têm sido as estratégias para que as empresas se reorganizem, re- duzindo custos, diminuindo margem de lucro e investindo em soluções que otimizem e redu- zam o tempo de resposta aos clientes. Muitas dessas estratégias têm se voltado para a gestão de pessoas e do capital intelectual das empresas. Nesse contexto, Scalzo (2006, pp. 60) coloca que as empresas têm procurado formas de manterem-se viáveis e sustentáveis ou buscado o aumento da sua margem de lucro a partir de mudanças organizacionais, tais como a forma de gestão, cuidado no atendimento às necessidades dos clientes e reestruturação das divisões de negócios. Ainda de acordo com o autor, outras estratégias tais como programas de desliga- mento incentivado e redução da força de trabalho têm sido utilizados.
De acordo com Stein (1995, pp. 18) cada vez que a organização passa por mudanças como processos de turnover, há uma perda no componente humano da memória organizacio- nal, pois quando pessoas deixam as organizações elas deixam, também, espaços nas redes de relacionamento e levam consigo importante conhecimento e experiência acumulada ao longo dos anos.
Isso vem ao encontro do que Scalzo (2006, pp. 60) coloca como um dos maiores pro- blemas ao longo dessas mudanças: a perda da memória organizacional. Isso ocorreria porque o grupo de empregados mais antigos ou com maior experiência que deixa as empresas leva consigo uma gama de conhecimentos e informações que podem, por vezes, tornar-se inacessí- vel à organização.
Esse é um problema bastante antigo e que tem se tornado premente em várias empre- sas, principalmente as que consideram seu maior ativo o próprio conhecimento, tais como as empresas de P,D&I. Isso, porque, a gestão do conhecimento se tornou imprescindível para o sucesso das organizações, sendo a memória organizacional tratada como crucial para essa boa gestão. (CHANG, CHOI e LEE, 2004 – pp. 203).
Bhatt e Zaveri (2002, pp. 300) colocam que a memória organizacional garante que uma organização responda rapidamente às situações de crise e faça ajustes eficientes e efeti- vos para atender as demandas do ambiente. Entretanto, quando o ambiente organizacional muda rapidamente, o uso da memória organizacional não pode prover soluções previsíveis e viáveis. Nestes casos, a organização deveria refinar e melhorar esta memória continuamente.
O importante nesse contexto é entender a organização como um sistema que realiza trocas constantes com o ambiente em mudança e que por isso demanda de seus colaboradores a estabelecimento de um saber organizacional construído coletivamente, em função de suas diretrizes e necessidades de resposta ao mercado.
Para Decker e Maurer (1999, pp. 512) o “saber fazer” da organização consiste em ha- bilidade de resolução de problemas, experiências dos recursos humanos, experiências em pro- cessos, modelagem técnica dos problemas e lições aprendidas. A integração coerente desse “saber fazer”, que se encontra disperso na organização, seria chamada de memória organiza- cional.
Nessa perspectiva, entende-se que essa construção do “saber fazer”, do conhecimento organizacional, se dá de maneira coletiva, viabilizada pelo compartilhamento do conhecimen- to das pessoas que trabalham na organização. Ou seja, memória organizacional não seria, tão somente, o armazenamento de conhecimentos e informações para consulta, mas envolveria em princípio o compartilhamento e transferência do conhecimento que não necessariamente deveria estar em banco de dados ou arquivos. Para Lee e Kwok (2000, pp. 385) a memória organizacional é justamente essa capacidade de compartilhar conhecimento, e esse comparti- lhamento deve se dar a partir de meios que possam reter e transmitir informações do passado para os membros do futuro.
Por exemplo, no modelo de compartilhamento de conhecimento de Tonet e Paz (2006, pp. 82-83) o ingresso de um novo membro no grupo de trabalho, sugere a necessidade de transferência de conhecimento. Assim, a organização deve estabelecer quais conhecimentos devem ser repassados e quais fontes melhor poderão atender às necessidades desse novo con- tratado. Além disso, a empresa deve avaliar o quanto de conhecimento esse novo empregado já traz para que ele possa compreender bem o que acontece na instituição e o que está sendo repassado, além de evitar que todo o processo de compartilhamento se torne tedioso. Ainda para as autoras é necessário que a organização saiba que existem conhecimentos disponíveis em outras unidades de trabalho ou conhecimentos ocultos e sem aplicação que poderiam ser melhor aproveitados gerando vantagem para a organização.
Ainda assim, Krogh, Ichijo e Nonaka (2001, pp. 29) colocam que o cerne da questão está no estabelecimento de políticas organizacionais no “como fomentar e compartilhar co- nhecimento utilizando-se dos conhecimentos individuais de seus colaboradores”. Cada uma dessas políticas deve também estar ligada intimamente ao tipo de organização e sua cultura. Mas um ponto que deve ser debatido é até que ponto essas políticas podem, de alguma forma,
sensibilizar os empregados para a criação e o compartilhamento de conhecimento, levando em consideração suas características pessoais e aspirações.
Sob esse aspecto cabe a busca por processos e ferramentas que possibilitem essa inte- gração dos conhecimentos disponíveis na organização, bem como sua eficiente disponibiliza- ção. Embora a tendência seja a criação de sistemas de informação que permitam essa integra- ção, o fator humano não pode ser desconsiderado, uma vez que todas as informações e conhe- cimentos, que alimentam esses sistemas, são disponibilizados por pessoas.
Assim, motivar pessoas para compartilhar o conhecimento deve ser um ponto de im- portância, pois como colocado por Conklin (2001, pp. 10), uma memória organizacional que atinge somente o conhecimento formal é vazia e sem vida. Até porque, quando se olha a me- mória organizacional como um produto, ela passa a ser um conjunto de informações e na maior parte das vezes, essas informações são armazenadas de forma não contextualizada.
Conklin (2001, pp. 15) coloca que a falta da história e o contexto por trás de cada do- cumento, torna a memória organizacional um amontoado de documentos sem conexão com a realidade em que foram aplicados. Para utilização da memória o usuário deve re- contextualizar essa informação. Essa informação se não for fornecida pelo mesmo indivíduo que a gerou deve ser reorganizada pelo usuário atual e isso poderia tornar a memória se não inútil, próxima disso. (ACKERMAN e HALVERSON, 1999 – pp. 7)
Tonet e Paz (2006, pp.78), na proposta de modelo de compartilhamento do conheci- mento, colocam que boa parte do problema está justamente no fato das pessoas falarem a mesma linguagem. De acordo com as autoras, “muitas vezes o conhecimento a ser comparti- lhado envolve vocabulário inovador para os receptores, ou envolve termos que acabam sendo decodificados de forma diferente daquela pretendida pelo emissor”. As autoras colocam, ain- da, que o próprio emissor possa ter dificuldades em traduzir em palavras o conhecimento a ser compartilhado.
Assim, é imprescindível trazer para o centro do processo o fator humano, pois é nele que reside o conhecimento informal. Uma das razões para que ocorram falhas na captura, des- se conhecimento informal é uma cultura geralmente voltada para resultados, em detrimento dos processos de trabalho, e que enfatizam coisas ao invés de relacionamentos (CONKLIN, 2001, pp. 8).
Um exemplo disso é o estudo de caso realizado em uma indústria da Alemanha, con- duzido por Kühn e Abecker (1997, pp. 934) para implementação de sistema de suporte para armazenagem de conhecimento, os autores puderam relatar que um dos maiores problemas para os empregados, era o fato de que muitas coisas a serem feitas necessitavam de uma larga
experiência dos empregados na função de trabalho. Uma vez que esse conhecimento se en- contrava “na cabeça” dos empregados qualquer proposta a ser feita pelos autores deveria pas- sar pelo máximo possível de captura do “saber fazer” desses empregados. Embora os autores tenham proposto um sistema que possibilitasse a armazenagem e disponibilização desse co- nhecimento, fica difícil imaginar o quão eficaz possa ter sido uma vez que ainda assim o fator humano não estava totalmente agregado ao processo.
Dessa forma, processos que viabilizam interação entre empregados e que priorizem as relações estabelecidas e os resultados por elas gerados têm maior possibilidade de sucesso no compartilhamento do conhecimento tácito. No estudo de Conklin (2001, pp. 11-12) a discus- são sobre as várias possibilidades de se trabalhar a transferência do conhecimento recai em vários exemplos utilizados em organizações, tais como gravação das reuniões de equipe, de- signação de pessoas responsáveis por anotar, arquivar e organizar as informações contidas em reuniões, utilização de ferramentas de groupware. Entretanto, segundo o autor, todos esses arranjos não necessariamente facilitam e alimentam devidamente a memória organizacional, sendo que a maioria acaba por se tornar um grande arquivo de coisas inúteis (como nos
groupware) ou inviáveis por serem procedimentos caros e de pouca utilização (gravações de
reuniões, por exemplo).
A proposta do autor (CONKLIN, 2001, pp. 31) é que o conhecimento informal que vem à tona nas conversas e reuniões, por exemplo, seja tratado como um recurso valioso e crítico e capturado de uma forma que facilite o aprendizado e a criatividade. Assim, em uma equipe de trabalho, o facilitador ou líder deveria trazer a prática da escuta cuidadosa do ponto de vista de cada pessoa. Ou seja, institucionalizar o “escutar” como uma parte vital do traba- lho em grupo. Esse escutar é caracterizado por uma busca de ouvir atentamente e em uma posição de empatia que propicia entrar em contato com o conhecimento real do interlocutor, minimizando quaisquer restrições ao falar do outro.
Embora a literatura não aponte relatos sobre a utilização de mentoring como uma pos- sibilidade de alimentação da memória organizacional, é possível entender que esse processo possa ser utilizado como tal, uma vez que é considerado como parte de um aprendizado orga- nizacional (SCANDURA et al, 1996, pp.3) e vem ao encontro do que foi exposto por Con- klin, anteriormente, que preconiza a escuta e o estabelecimento um contexto adequado para que as informações sejam entendidas na sua totalidade.
Conway (1995) pontuou, também, que programas como os de mentoring podem auxi- liar nesse processo de aprendizado através da escuta e da vivência diária. Para o autor alguns aspectos desse processo de tutoramento são um ganho para organização e seus empregados.
Dentre eles, o autor cita que: o processo auxilia o aprendizado organizacional (pp. 12), melho- ra a transferência de habilidades e conhecimentos (pp. 13) e o fato de que problemas reais de trabalho são efetivamente discutidos nesse tipo de relação (pp. 25).
Dessa forma, Lankau e Scandura (2008, pp. 99) colocam que é importante entender que processos de mentoring têm sido vistos como auxiliares no aprendizado dos empregados e auxiliando-os em situações de mudanças organizacionais que podem conduzir a um aprendi- zado organizacional.
Assim, um estudo sobre como os resultados obtidos em um programa de mentoring podem auxiliar na construção da memória organizacional parece ser uma abertura de discus- são sobre o compartilhamento de conhecimento entre seniores e juniores muito mais amplo do que a acolhida ao novo empregado, envolvendo aí um ponto importante de sobrevivência da organização, a partir da perpetuação do seu conhecimento, transformando um conhecimento individual em organizacional.
Termina-se essa seção ressaltando o que foi colocado por Krogh, Ichijo e Nonaka (2001):
“(...) as habilidades humanas que impulsi- onam a criação de conhecimento têm muito mais a ver com relacionamentos e com construção de comunidades do que com bancos de dados e as empresas precisam investir em treinamento que enfatize o co- nhecimento emocional e a interação social. Sozinhos, os investimentos em tecnologia da informação não fazem acontecer a em- presa que cria conhecimento.” (pp.40)