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- Sept étapes pour des activités en toute sécurité

Sou professora de Educação Física desde 2001. Desde então, tento compreender como esse campo de conhecimento se estabelece no diálogo com as Ciências Humanas. Fui professora na educação básica e no ensino superior. Minha atuação neste foi de suma importância para que continuasse meus estudos e me colocasse na relação de pesquisa ao lado da professora cuja prática docente, após a formação inicial, busquei explicitar. Para dar conta desse objetivo, foi preciso que eu me colocasse num lugar, ao mesmo tempo, de aproximação e distanciamento.

A aproximação se dáno sentido de ouvir Thaís, em sua singularidade, evitando reduzi-la a um exemplo, a uma amostra representativa de uma tese a ser defendida. Busco aprender com a docente. Michele Petit (2008, p. 55), ao tratar de circunstâncias como essa,

destaca que: “[...] se desde o início enuncia-se o tema de uma pesquisa, os [participantes] compreendem, e o que expõem tem, mais ou menos, relação com o assunto. Possuem um saber sobre si mesmos, sobre suas experiências, e é deles que o pesquisador obtém o seu saber.” Também procuro acolher as digressões que, como analisa a autora, “nem sempre têm uma ligação aparente com o assunto, [mas que] são, na realidade, associações livres que fazem sentido” (PETIT, 2008, p. 55) e permitem formular novas suposições/indagações. Não me atenho, estritamente, a todos os temas listados no roteiro inicial de coisas que eu desejava saber, aceitando os imprevistos.

O distanciamento, por sua vez, ocorreno sentido de não perder de vista o que define a nova relação que eu estabeleci com Thaís. Somos ex-professora e ex-aluna em interlocução, mas estamos em uma interlocução que objetiva explicitar o fazer docente da jovem professora iniciante, que busca, em seu trabalho, indícios da formação inicial por ela vivida. Nós duas olhamos para seu trabalho, mas nele focalizamos coisas distintas.

Não carrego comigo a ilusão de neutralidade nem a de transparência. O acontecimento da aula produz em mim uma atitude responsiva (BAKHTIN, 2003). Como professora e pesquisadora, posiciono-me diante das palavras-ações da professora materializadas na aula, aceito-as (total ou parcialmente), questiono-as, completo-as, em silêncio, controlando deliberadamente minhas reações expressivas, mas sabendo que o controle é sempre falível e que a professora tem de mim um excedente de visão (BAKHTIN, 2003) que eu mesma não posso ter. Sei também que eu interfiro em seu fazer, que eu a incomodo em sua rotina de trabalho. Negociamos dia a dia nossa convivência.

Coloco-me como mediadora explícita da prática da professora. Ela partilha comigo dúvidas sobre como proceder, pede-me orientações, pede-me ajuda para organizar as atividades com as crianças, para planejar. Não me eximo das respostas e das dúvidas: “Não era pra eles já

saberem pular, Ju?”; “Também não sei, vamos experimentar.” A professora mais experiente

(pesquisadora) também partilhaseu não saber. Os diálogos que estabelecemos antes, durante e depois da aula indicam caminhos: “Queria trabalhar com esportes, você acha que é possível?”; “Acho que é plenamente possível!” Reconhecemos possibilidades de trabalho, pensamos em alternativas para o trabalho na educação infantil. Muitas vezes fui professora junto com ela. No caminho que fazemos para a escola, Thaís partilha comigo sua dúvida sobre como as crianças apreendem os conhecimentos que ela objetiva desenvolver com eles.

Ao elaborar uma aula sobre o tema “esporte”, ela reúne algumas bolas, de diferentes modalidades esportivas, para que as crianças tenham contato real com o material. Nesse acervo, há bolas de futebol, futsal, vôlei, basquete, handebol, beisebol e futebol americano. Na aula anterior, ela mostrou para as crianças imagens, impressas em papel sulfite, de cada uma dessas bolas e as provocou para ver se conheciam as bolas específicas de diferentes modalidades. Sobre isso, ela questiona:

Thaís: Tenho dúvida sobre o que as crianças estão de fato aprendendo

durante as aulas. A aula de ontem, por exemplo, será que preciso mostrar as bolas para as crianças? Será que isso é importante? Será que eles precisam conhecer tantos tipos de bolas? O que farão com isso? O que isso importa para eles?

Juliana: Olha, Thaís, eu também não sei o que eles farão com isso, mas

não tenho dúvida de que você tem feito seu papel como professora. Acho muito legal que eles possam ter contato com isso. Você tem possibilitado a eles que conheçam isso, e esse é seu papel. Lá pra frente, o que eles vão fazer com isso, se eles vão de fato internalizar esse conhecimento, a gente não tem controle. O que importa é que você está dando essa oportunidade. Lá pra frente ninguém sabe, pode ser que um deles, algum dia, veja uma bola dessas e fale: “Ah! Eu vi essa bola na aula de Educação Física.” Mas a gente não sabe, não temos controle sobre isso.

Acompanhando Thaís, aprendo sobre seu processo singular de produção da aula. Estar a seu lado possibilita-me perceber como ela utiliza diferentes estratégias de trabalho com seus alunos, buscando redimensionar a compreensão que eles têm das aulas de Educação Física, das práticas da cultura corporal, dos materiais de que essas práticas se utilizam, dos gestos que as caracterizam. Noto como a significação do gesto se produz em meio a palavras, ações, imagens, correções, afirmações, no coletivo, no diálogo com o outro, em um processo contínuo de elaborações entre o saber fazer e o saber sobre o fazer, entre sujeitos históricos, com experiências diversas, desejos diversos, ocupando papéis sociais distintos. Percebo também como seu trabalho

docente contém com referências teóricas distintas, com as quais ela dialoga, e como é referendado pelos profissionais da escola e pelas crianças.

O olhar intencionado da pesquisadora medeia essas compreensões, mas os gestos e ações de Thaís e sua generosidade em expor-se fazemde mim sua aprendiz. Como as crianças, eu também saio alegre de suas aulas.

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