• Aucun résultat trouvé

Journal de Jacques Viger. La guerre de 1812

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2022

Partager "Journal de Jacques Viger. La guerre de 1812"

Copied!
4
0
0

Texte intégral

(1)

325

Interfaces Brasil/Canadá. Canoas, v. 13, n. 16, 2013, p. 325-328.

VIGER, Jacques. La guerre de 1812;

Journal de Jacques Viger.

Présenté et commenté par Ber- nard Andrès, avec La collabora- tion de Patricia Wuillemin-Andrès.

Québec: Presses de l´Université Laval, 2012. Coll. Archive littérai- re au Québec (série monuments), dirigée par Bernard Andrès. www.

pulaval.com

Zilá Bernd 1 Submetido em 19 de fevereiro e aprovado em 13 de março de 2013

1 Professora do Mestrado em Memória Social e Bens Culturais do Unilasalle/

Canoas.

Em 2012, o atual governo conser- vador canadense decide conside- rar a Guerra de 1812-1814 como uma guerra fundadora do Canadá moderno. Bernard Andrés reflete sobre tal tomada de decisão. Sen- do um dos principais estudiosos dos arquivos históricos e literários do Quebec, lança-se à transcrição, análise e comentário do diário de Jacques Viger, um dos líderes dessa guerra, responsável pelo comando dos Voltigeurs canadiens, sob as ordens gerais de Charles-Michel d´Irumberry de Salaberry. O diário de campanha e a correspondência de Jacques Viger, oficial de apenas 26 anos e que se tornará o primeiro prefeito de Montreal, é um testemu- nho incontornável para melhor en- tender o ano de 1812 que, segundo B. Andrès, é uma data-fetiche tanto quanto 1534, descoberta do Canadá por Jacques Cartier; 1608, funda- ção de Montreal, ou 1759, invasão inglesa no Canadá, até então, colo- nizado por franceses.

É importante mencionar que Volti- geur é uma unidade de infantaria li-

(2)

326

Interfaces Brasil/Canadá. Canoas, v. 13, n. 16, 2013, p. 325-328.

Zilá Bernd

geira. Os Voltigeurs canadiens “são um corpo de voluntários francófo- nos constituído em 1812 pelo Ma- jor Charles Michel d´Irumberry de Salaberry. Seis Capitães, entre os quais, Jacques Viger estão sob suas ordens” (2012, p. 47, nota explica- tiva n. 3).

A título de justificativa para a es- colha da data de 1812 como funda- dora do Canadá moderno, o site do Patrimoine Canada/Canadian He- ritage revela: “esse conflito contra os Americanos lançou as bases do que iria tornar-se o Canadá, isto é, um país independente e livre, uni- do sob a Coroa e respeitoso de sua diversidade linguística e étnica” (p.

5). Tal releitura da história convo- ca o pesquisador Bernard Andrès a uma contraleitura ou, conforme ele próprio afirma, na longa introdução de 59 páginas, a uma tentativa de decifrar os discursos de 2012 acer- ca de 1812...

O que o apresentador/comentador pretende de fato não é retraçar a história militar do episódio, mas reconstituir, através da leitura das

cartas enviadas por Jacques Viger a sua esposa, uma história das men- talidades e sensibilidades canaden- ses, no momento em que emerge um sentimento nacional tanto entre os anglófonos quanto entre os fran- cófonos. Bernard Andrès, mesmo antes de criar a coleção Archive littéraire au Québec, que já conta com sete publicações, de 2009 a 2012, trabalhava em um importan- te projeto na Université du Québec à Montréal, relativo à arqueologia do literário, procurando elencar as características de literariedade em textos históricos, jornalísticos, au- tobiográficos etc do século XVIII quebequense. O núcleo central de suas pesquisas é a observação do nascimento do literário na provín- cia do Quebec e a migração das memórias históricas às memórias literárias. De onde vem o interesse por esse diário de Jacques Viger, se- guido da correspondência, inclusi- ve endereçada a sua jovem esposa.

Bernard Andrès alerta para as omis- sões do site Patrimoine Canada/

Canadian Heritage em relação ao

(3)

327

VIGER, Jacques. La guerre de 1812; Journal de Jacques Viger. Présenté et commenté par Bernard Andrès, avec La collaboration de Patricia Wuillemin-Andrès. Québec: Presses de l´Université Laval, 2012. Coll. Archive littéraire au Québec (série monuments), dirigée par Bernard Andrès.

Interfaces Brasil/Canadá. Canoas, v. 13, n. 16, 2013, p. 325-328.

desempenho dos bravos voltigeurs francófonos e sua resistência em Kingston/Cataroqui, ponto estraté- gico às margens do lago Ontário, na fronteira com os Estados Unidos à época. Bernard Andrès constata, no site recém-citado, elementos de exaltação da participação de an- glófonos na guerra e a omissão de nomes de heróis do Quebec francó- fono, como J. Viger, por exemplo.

Na leitura do diário de Jacques Vi- ger, o organizador e comentarista não busca, pois, apenas o factual, mas todos os elementos, como afe- tividade, humor e expressão da sub- jetividade, os quais lhe permitirão ir além dos fatos militares minucio- samente descritos. A transcrição do manuscrito em 2012 tem, portanto, além das razões do pesquisador em dar a conhecer seu objeto de estu- do, muitas vezes limitado ao alcan- ce dos pesquisadores de arquivos, uma razão política e ideológica:

destacar o papel dos quebequenses nessa guerra que o governo federal decide agora incluir no patrimônio histórico canadense.

Jacques Viger, nascido em 1787 e morto em 1858, foi um dos heróis da guerra de 1812 na qual os ca- nadenses, embora numericamen- te inferiores, equipararam-se aos americanos (estadunidenses), cujo objetivo era separar o alto Canadá do baixo Canadá (divisão vigen- te na época), com vistas a anexar uma das partes aos Estados Unidos.

O Canadá, graças ao empenho dos chamados Voltigeurs, sai vitorioso, embora o final dessa guerra tenha um caráter ambíguo, já que os ame- ricanos também se proclamam vito- riosos...

A publicação inclui uma ampla introdução, com preciosos co- mentários acerca da obra de J.

Viger, o Diário de Jacques Viger de 1813, seguido de sua correspon- dência, bem como numerosas notas explicativas elaboradas por B. An- drès e sua colaboradora Patricia W.- Andrès. A obra é ainda constituída por doze ilustrações que incluem mapas e planos de batalha. Para o estabelecimento do manuscrito, os organizadores explicam suas op-

(4)

328 Zilá Bernd

Interfaces Brasil/Canadá. Canoas, v. 13, n. 16, 2013, p. 325-328.

ções metodológicas, que abarcam símbolos para indicar palavras le- gíveis, mas rasuradas; palavras en- tre colchetes remetem a palavras ilegíveis no manuscrito original, respeitando as mudanças de pagi- nação do original. A obra contém três anexos, incluindo a lista dos

Voltigeurs, de Jacques Viger, e uma extensa bibliografia que apresenta outras obras do mesmo autor; de- mais documentos de sua autoria, disponíveis em arquivos, além das principais referências bibliográfi- cas utilizadas na Introdução, cujo título é “A guerra de um Voltigeur”.

Références

Documents relatifs

arthritis: focus on tumour necrosis factor-alpha antagonists. Economic evalua- tions in rheumatoid arthritis: a critical review of measures used to define health states. Cost

Estes podem ser classificados como pertencendo aos três seguintes grupos: (1) as organizações internacionais (OI) diretamente envolvidas com o turismo, aqui representadas

O artigo fundamen- ta-se no estudo de duas experiências de promoção através da origem: a carne bovina produzida nos campos nativos do Pampa gaúcho brasileiro (protegida por

[r]

Para estabelecer essa aproximação conceitual, são elaboradas outras questões que colaboram com a delimitação teórica e perpassam pelo: comportamento laboral, pois

L’on passe ainsi d’un genre qui chante les progrès du genre humain à une apologie de l’âge d’or : « l’épopée est peu à peu aspirée dans cette dynamique

To address these concerns, we propose a hybrid frame- work (depicted in Fig. 1 ) that allows programmers to safely integrate application code written in a strongly typed

Our main product is a robust li- brary of templates which can cope with the very large scatter in observed colors of infrared galaxies over the full UV, optical, NIR, MIR and