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Calagem e adubação de fruteiras : minicurso.

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CALAGEM E ADUBAÇÃO DE FRUTEIRAS

André Guarçoni M.

Eng. Agr., D.Sc. em Solos e Nutrição de Plantas, Pesquisador do

Incaper

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SUMÁRIO

1 Principais passos de um programa de calagem e adubação para a fruticultura _______________________________________________________ 3 2 Amostragem de solo para fruteiras de grande, médio e pequeno porte __________ 5 3 Amostragem foliar para fruteiras de grande, médio e pequeno porte_____________ 11 4 Calagem ___________________________________________________________ 14 5 Gessagem _________________________________________________________ 22 6 Tabelas de interpretação _____________________________________________ 24 7 Tabelas de recomendação ____________________________________________ 27 8 Adubação orgânica de fruteiras ________________________________________ 34 9 Adubação mineral de fruteiras _________________________________________ 37 9.1 Adubação com micronutrientes _________________________________ 37 9.2 Adubação com macronutrientes _________________________________ 44 10 Detalhes que fazem a diferença na adubação de determinadas fruteiras ________ 51 11 Documentos consultados _____________________________________________ 53

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1 PRINCIPAIS PASSOS DE UM PROGRAMA DE CALAGEM E ADUBAÇÃO PARA A FRUTICULTURA

Corrigir um solo e adubar uma fruteira, de forma eficiente e econômica, requer muito mais do que simples conhecimentos práticos ou uma larga experiência na condução das culturas. Para que seja atingida a máxima eficiência, deve-se utilizar um programa de correção e adubação, o qual visa planejar e controlar todos os passos a serem seguidos. Na verdade, o programa é uma ferramenta para gerenciar o processo de nutrição das fruteiras. Nutrir uma fruteira, de forma adequada, nada mais é do que fornecer nutrientes nas quantidades estritamente necessárias.

Para que as fruteiras se desenvolvam normalmente, alguns fatores são indispensáveis: temperatura, luz, ar, água, nutrientes, etc. Os nutrientes são elementos químicos essenciais ao desenvolvimento das plantas. Carbono (C), hidrogênio (H) e oxigênio (O) são elementos essenciais para as plantas, constituindo 90 a 96 % dos tecidos vegetais. Entretanto, não são considerados no estudo da fertilidade do solo, pois são, prioritariamente, fornecidos pelo ar e pela água. Para a fertilidade do solo os nutrientes são classificados como:

a) Macronutrientes primários: nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K). b) Macronutrientes secundários: cálcio (Ca), Magnésio (Mg) e enxofre (S).

c) Micronutrientes: boro (B), ferro (Fe), zinco (Zn), manganês (Mn), cobre (Cu), molibdênio (Mo), cloro (Cl) e níquel (Ni).

Os nutrientes absorvidos em grandes quantidades pelas culturas são considerados macronutrientes. Aqueles absorvidos em menores quantidades são considerados micronutrientes. No entanto, todos são essenciais e a deficiência de apenas um deles, pode prejudicar o desenvolvimento normal das fruteiras e, consequentemente, sua produção. A subdivisão entre macronutrientes primários e secundários é apenas uma questão de marketing industrial, dado o advento das formulações N-P-K. Mas, não há qualquer relação com a importância dos nutrientes, uma vez que todos são essenciais e absorvidos em grandes quantidades.

Muitos elementos químicos estão presentes no tecido vegetal, mas não podem ser considerados nutrientes. Outros podem até aumentar a produção das lavouras, mas também não podem ser considerados nutrientes de plantas. Para que um elemento químico seja considerado um nutriente, deve atender a alguns requisitos, denominados critérios de essencialidade:

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a) Na ausência do elemento químico a planta não é capaz de completar seu ciclo de vida.

b) O elemento químico é insubstituível, ou seja, na sua ausência a deficiência só pode ser corrigida através do seu fornecimento.

c) O elemento químico faz parte de molécula de um constituinte ou reação bioquímica essencial à planta.

A partir dos critérios de essencialidade pode-se inferir sobre a importância dos nutrientes, sejam eles macronutrientes primários, secundários ou micronutrientes.

Mas quanto aplicar de fertilizantes para que sejam satisfeitas as necessidades nutricionais das fruteiras? Essa resposta pode ser dada na forma de uma fórmula matemática:

Quantidade de adubo = (necessidade da fruteira – quantidade suprida pelo solo) x eficiência de aproveitamento do adubo.

Essa fórmula, ou melhor, esse conceito, revela os passos a serem seguidos no programa de adubação. Em primeiro lugar, fica claro que, não há como recomendar correção e adubação sem saber a quantidade de nutrientes a ser suprida pelo solo. Isso é eficiência. Isso é economia. A necessidade específica da fruteira e a eficiência de aproveitamento do adubo podem variar de uma região para outra e, principalmente, de um solo para outro. Para resolver essa questão, foram elaboradas tabelas de interpretação e de recomendação, baseadas em extensos estudos de calibração de doses em diversos tipos de solo. Assim, sabendo quanto solo pode fornecer de determinado nutriente e de posse das tabelas de interpretação e de recomendação, pode-se promover uma adubação eficiente para qualquer fruteira.

Pelo exposto, podem-se enumerar os passos de um programa de correção e adubação para fruteiras da seguinte forma:

1) Coleta e análise de solo;

2) Interpretação básica da análise de solo; 3) Calagem (se necessária);

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5) Definição das classes de fertilidade do solo e doses recomendáveis; 6) Adubação (micro e macronutrientes);

7) Amostragem e análise foliar (controle da nutrição).

2 AMOSTRAGEM DE SOLO PARA FRUTEIRAS DE GRANDE, MÉDIO E PEQUENO PORTE

O porte da fruteira irá influenciar o trabalho de coleta de amostras de solo. Não devido, diretamente, à extensão do sistema radicular, mas ao local onde é aplicado o fertilizante. A resposta das plantas é diretamente relacionada aos teores de nutrientes contidos nas regiões do solo que receberam a adubação. Portanto, não adianta amostrar regiões do solo que apresentem baixos teores de nutrientes, como a entrelinha de fruteiras perenes.

2.1 LOCAL DE COLETA

A uniformidade da área é de extrema importância para a amostragem do solo. Por isso, a área de cultivo deve ser subdividida em glebas ou talhões homogêneos. Para que esta subdivisão seja bem feita, cada gleba deve apresentar a mesma posição topográfica (topo de morro, meia encosta, baixada, etc.), a mesma vegetação, as mesmas características perceptíveis do solo (cor, textura, condição de drenagem, etc.) e o mesmo histórico de cultivo (cultura atual e anterior, uso de corretivos e fertilizantes, etc.). Um exemplo de subdivisão em glebas é mostrado na Figura 1.

Figura 1 – Subdivisão da área em glebas

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Na amostragem de área com cultura perene já instalada, como no caso da laranja e da uva, cada gleba deve apresentar, além das características já mencionadas, plantas de mesma idade e cultivar e o mesmo sistema de manejo ou de produção. Dessa forma, as glebas receberão manejos diferentes, especialmente em relação à correção e a adubação do solo, visando maior aproveitamento de insumos, ou seja, maior economia.

Para que a amostragem seja eficiente e econômica, deve-se trabalhar com

amostras simples e amostras compostas de solo. As amostras simples são aquelas

coletadas de forma individual, em pontos escolhidos ao acaso dentro da gleba. Já as amostras compostas são aquelas formadas pela mistura das amostras simples coletadas em uma gleba. Portanto, em cada gleba será retirada uma amostra composta, sendo esta a amostra enviada ao laboratório de análises de solo, ou seja, será enviada ao laboratório uma amostra composta referente a cada gleba. Por motivos de ordem prática, cada gleba não deve ultrapassar 10 ha de área.

O local onde será coletada a amostra de solo deve ser limpo, retirando-se a cobertura vegetal. Porém, deve-se evitar que a camada superficial do solo seja removida. Deve-se, ainda, evitar a coleta de amostras em locais próximos a cupinzeiros, queimadas de restos culturais, formigueiros, cochos de animais, etc.

Para implantação da lavoura, coletar, no mínimo, 20 amostras simples em cada uma das glebas, em zig-zag (Figura 1 – 4b), nas profundidades de 0 - 20 e 20 - 40 cm, de forma a cobrir toda a área da gleba. As amostras de 20 - 40 cm devem ser retiradas no mesmo orifício ou trincheira das amostras de 0 – 20 cm de profundidade. Neste caso, serão obtidas apenas duas amostras compostas por gleba, cada uma formada pela mistura das amostras simples correspondentes, como explicado anteriormente.

Para fruteiras perenes já instaladas, coletar as amostras simples ao acaso por gleba, mas sob a copa das plantas, ou seja, no local mais indicado para se aplicar o fertilizante (uma amostra por planta = mínimo de 20 plantas), de forma a cobrir toda a área da gleba. Esta amostragem deve ser anual, na profundidade de 0 – 20 cm. A cada três anos, devem-se coletar, também, amostras simples na profundidade de 20 - 40 cm, no mesmo orifício ou trincheira utilizados para a coleta de amostras de 0 - 20 cm de profundidade. Enviando, uma amostra composta de 0 - 20 e uma de 20 - 40 cm de profundidade para o laboratório.

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No caso de fruteiras com fertirrigação localizada, o solo deve ser monitorado mais de uma vez por ano, especialmente para controle de uma possível salinização. A amostragem deve ser realizada exatamente no bulbo úmido, coletando-se amostras na profundidade de 0 – 20 cm. A cada dois anos, devem-se coletar, também, amostras simples na profundidade de 20 - 40 cm ou mais, visando monitorar a lixiviação de nutrientes para camadas mais profundas.

2.2 ÉPOCA DE COLETA

Teoricamente, a época mais indicada para a coleta de amostras de solo é após a colheita, em fruteiras perenes. Entretanto, isso pode trazer problemas operacionais, uma vez que a safra das diversas fruteiras perenes se distribui por todo o ano. Nesse caso, seria mais adequado que a amostragem do solo fosse realizada entre os meses de abril e maio, independentemente do estádio fenológico da cultura, o que facilitaria a operacionalização do processo. Com isso, seria possível realizar a recomendação, bem como a aplicação de corretivos e adubos, dentro dos limites de tempo necessários para sua maior eficácia.

2.3 EQUIPAMENTOS

A princípio, todo equipamento é eficiente para se realizar a amostragem de solo. Isso decorre do fato de que todas as amostras simples devem apresentar, obrigatoriamente, o mesmo volume, para que nenhuma região do talhão seja favorecida no momento de se formar a amostra composta.

Se o volume de solo for muito pequeno, mesmo que seja o idêntico entre as amostras simples, a representatividade da fertilidade média do talhão será comprometida, para número reduzido de amostras simples (20 ou menos). Isso se deve à variação nas características químicas a curtas distâncias no solo, especialmente de fósforo e potássio. Para que estas variações sejam incorporadas ao volume de solo amostrado, deve-se preferir equipamentos de coleta que apresentem o diâmetro em torno de 5 cm ou mais.

Existem vários equipamentos utilizados para se realizar a coleta de solo. São utilizados desde enxadões até trados motorizados. Não existe um equipamento que

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possa ser considerado mais adequado. No entanto, alguns equipamentos permitem a coleta de amostras de solo com menor esforço físico e em menor tempo. Podem-se citar os trados como equipamentos que alcançam esse objetivo, além de permitirem a coleta de amostras de mesmo volume, o que é de fundamental importância para uma amostragem de solo bem feita. O trado holandês (Figura 2) é um equipamento adequado para coleta de amostras em solo que apresente textura média a argilosa. No entanto, o solo deve estar úmido, para que as partículas fiquem aderidas. O trado de caneca (Figura 3) presta-se à coleta de amostras em qualquer tipo de solo e em qualquer umidade. Porém, sua utilização é mais adequada para solos de textura leve ou solos argilosos mais secos, uma vez que as partículas de solo não são perdidas nessa situação.

Figura 2 – Trado Holandês, mostrando no detalhe lâmina de corte.

Figura 3 – Trado de caneca, mostrando em detalhe o recipiente de armazenamento.

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As sondas (Figura 4) são equipamentos de fácil manuseio, mas, por apresentarem diâmetro muito reduzido, tendem a formar amostras compostas pouco representativas, se o número de amostras simples for pequeno. Para a coleta de amostras representativas com a sonda, são necessárias em torno de trinta amostras simples. As sondas são indicadas para coletar amostras de solo em fruteiras de pequeno porte já instaladas.

Os enxadões podem ser considerados bons equipamentos de amostragens, especialmente para fruteiras de grande porte. Por amostrar elevado volume de solo, o enxadão é um equipamento que confere elevada representatividade para a amostra composta formada. Entre 15 a 20 amostras simples são suficientes para representar um talhão homogêneo. O maior problema é coletar amostras simples com o mesmo volume, visando maior representatividade da área. Entretanto, isso pode ser conseguido facilmente. Basta utilizar um material cortante para retirar os excessos da lateral e da parte inferior do enxadão (Figura 5). A coleta de amostras simples na profundidade de 20 – 40 cm, com o enxadão, pode ser muito difícil. Devem ser preferidos, nesse caso, os trados e as sondas.

Figura 4 – Sonda, mostrando em detalhe o pequeno diâmetro para entrada de solo.

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2.4 PREPARO DA AMOSTRA

Para que o conjunto de amostras simples, referente a cada talhão homogêneo, seja bem misturado, deve-se reunir todas as amostras simples em um recipiente limpo, de preferência de plástico. Posteriormente, em uma lona plástica, fazer boa mistura de todo o conjunto de amostras simples, destorroando o solo. Deixar secar à sombra. Retirar, aproximadamente, 300 gramas dessa mistura, colocar em um saco plástico limpo, fazer a identificação e enviar para o laboratório.

2.5 DETERMINAÇÕES RELEVANTES

Uma vez preparada a amostra de solo, deve-se saber quais as determinações mais importantes a serem realizadas no laboratório. Podem-se dividir as determinações em três tipos principais: características relacionadas à acidez do solo, macronutrientes e estimadores da capacidade tampão do solo.

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a. Características relacionadas à acidez do solo: estas características indicam direta ou indiretamente o nível de acidez do solo e estão muito relacionadas entre si. São elas: pH; acidez trocável (Al3+) e acidez potencial (H + Al).

b. Macronutrientes: Consideram-se, neste caso, todos os macronutrientes determinados, rotineiramente, em análises de solo. São eles: fósforo (P) e potássio (K) disponíveis,

cálcio (Ca2+) e magnésio (Mg2+) trocáveis. A soma de bases (SB) pode ser calculada

da seguinte forma: SB = K+ + Ca2+ + Mg2+ .

c. Estimadores da capacidade tampão do solo: Estas características estimam a capacidade tampão do solo indiretamente. São elas: teor de argila e fósforo remanescente (P-rem). O teor de argila tem relação direta com a capacidade tampão do solo, mas não informa sobre a qualidade da argila, sendo, além disso, uma análise muito cara; o fósforo remanescente revela indiretamente a capacidade tampão do solo. É um ótimo estimador da capacidade tampão, sendo uma análise de custo reduzido. É importante no cálculo da necessidade de calagem e fundamental na determinação das classes de fósforo do solo.

d. A partir destas análises, podem-se calcular diversas características importantes dos solos: Capacidade de troca de cátions efetiva (t) (t = SB + Al3+); capacidade de troca

de cátions total (T) (T = SB + H + Al); saturação por alumínio (m) (m = (Al3+ x 100)/t);

saturação por bases (V) (V = (SBx 100)/T).

3 AMOSTRAGEM FOLIAR PARA FRUTEIRAS DE GRANDE, MÉDIO E PEQUENO PORTE

Devido às complexas reações que ocorrem no solo, alguns nutrientes podem ser determinados em quantidade suficiente no solo, via análise de solo, mas podem estar, na verdade, indisponíveis para as plantas. Os tecidos das plantas, por sua vez, mostram o status nutricional da planta em dado momento, de modo que a análise dos tecidos, aliada à análise do solo, permite uma avaliação mais eficiente do estado nutricional da fruteira e dos possíveis redirecionamentos do programa de adubação. Isso é possível, pois há uma relação bem definida entre a produção das culturas e o teor de nutrientes em seus tecidos.

A parte da planta geralmente utilizada para o diagnóstico nutricional é a folha, uma vez que reflete bem as mudanças nutricionais, por ser a sede do metabolismo.

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Da mesma forma que para a amostragem de solo, para a amostragem foliar deve-se dividir a área em talhões homogêneos. Mas, nesdeve-se caso, deve-deve-se incluir entre as características do talhão, além das já citadas, a mesma variedade e a mesma idade das plantas.

A época, a folha amostrada e o número de folhas, a ser coletado por talhão homogêneo, muda de uma fruteira para outra. No Quadro 1 são mostradas as relações de coleta para diversas fruteiras.

Quadro 1 – Parte amostrada, época de coleta e número de folhas por talhão homogêneo pra diversas fruteiras

Fruteira Parte amostrada Época Quantidade/talhão

Abacaxi Folha mais longa, com 45o de

inserção (Folha D). Florescimento 50 folhas

Acerola Folhas do terço superior da copa e

do terço mediano e basal dos ramos. Dezembro 50 folhas

Banana 10 cm centrais da 3a folha a partir do

ápice, sem a nervura central e as partes periféricas.

Cacau 3a folha a partir do ápice, do

lançamento recém-amadurecido em plantas a meia sombra.

Verão 18 folhas

Caju Folhas de posições diferentes na

copa Verão 40 folhas

Citrus 3a ou 4a folha de ramos com frutos. Fevereiro a

final de março 100 folhas

Figo Folhas mais novas totalmente

expandidas, ao solo, em ramos sem frutos.

Florescimento 40 folhas

Goiaba Terceira folha a partir do ápice do

broto terminal. - 30 folhas

Mamão Folha F, com a primeira flor

completamente expandida. Florescimento 18 folhas

Maracujá Folhas em todas as posições 250 – 280

dias 60 folhas

Morango 3a ou 4a folha recém-desenvolvida

(sem pecíolo) florescimento Início do 30 folhas

Melão Folhas completamente

desenvolvidas. 45 dias 40 folhas

Pêssego Folhas recém maduras do

crescimento do ano. Verão 100 folhas

Uva Folha da base do primeiro cacho Final do

florescimento 30 – 60 folhas

Adaptação da 5a aproximação de MG (1999) e do Boletim 100 de SP (1997).

Mais importante do que seguir, exatamente, as recomendações de amostragem foliar apresentadas no Quadro1, é fazer uma amostragem compatível à da tabela de

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interpretação que se pretende utilizar. Isso é necessário, pois, as tabelas de interpretação apresentam algumas variações quanto à época e a parte amostrada.

Os teores foliares variam de acordo com a época do ano e com a parte da planta amostrada. Dessa forma, não adiantaria fazer uma amostragem diferente da utilizada na tabela de interpretação, uma vez que não seria criada uma base real para comparação.

Nos Quadros 2 e 3 são mostradas as faixas de suficiência para algumas fruteiras, em relação aos macro e aos micronutrientes, respectivamente.

Quadro 2 – Faixas de suficiência de macronutrientes para algumas fruteiras

Cultura N P K Ca Mg S --- dag/kg --- Abacaxi 2,00-2,20 0,21-0,23 2,50-2,70 0,30-0,40 0,40-0,50 0,20-0,30 Banana 2,60 0,22 2,80 0,60 0,30 0,20 Cacau 1,90-2,30 0,15-0,18 1,70-2,00 0,90-1,20 0,40-0,70 0,17-0,20 Caju 2,58 0,20 1,29 0,24 0,23 0,11 Citrus 2,30-2,70 0,12-0,16 1,00-1,50 3,50-4,50 0,25-0,40 0,20-0,30 Figo 2,20-2,40 0,12-0,16 1,20-1,70 2,60-3,40 0,60-0,80 - Goiaba 3,11 0,31 3,67 1,36 0,38 0,27 Mamão Limbo 4,5-5,0 0,50-0,70 2,50-3,00 2,00-2,20 1,00 0,40-0,60 Pecíolo 1,00 0,30 2,50-3,00 1,50 0,40 - Maracujá 3,60-4,60 0,20-0,30 2,40-3,20 1,70-2,80 0,21 0,44 Melão 3,51 0,39 4,21 3,74 1,09 0,19 Morango 1,50-2,50 0,20-0,40 2,0-4,0 1,0-2,5 0,6-1,0 0,10-0,50 Pêssego 2,60-3,50 0,20-0,30 2,50-3,00 1,50-2,50 0,30-0,50 0,20-0,30 Uva 2,50 0,20 1,50 0,40 0,40 - Adaptado da 5a aproximação de MG (1999).

Quadro 3 – Faixas de suficiência de micronutrientes para algumas fruteiras

Cultura B Cu Fe Mn Mo Zn --- mg/kg --- Abacaxi 30-40 9-12 100-200 50-200 - 20-50 Banana 15 8 100 88 - 20 Cacau 30-40 10-15 150-200 150-200 0,50-1,00 50-70 Caju - - - - Citrus 36-100 4-10 50-120 35-50 0,10-1,00 35-50 Figo 50-80 4-8 80-160 60-100 - 11-13 Goiaba 131 - 128 242 - - Mamão Limbo 15 11 291 70 - 43 Pecíolo - - - - Maracujá 39-47 15-16 116-233 433-604 - 26-49 Melão 57 17 516 160 - 51 Morango 35-100 5-20 50-300 30-300 0,5-1,0 20-50 Pêssego 40-60 - - 100-150 - 30-40 Uva 100 15 - 40-100 - 25-40 Adaptado da 5a aproximação de MG (1999).

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4 CALAGEM

Grande parte dos solos utilizados para o cultivo de fruteiras no Brasil apresenta, em geral, características químicas inadequadas para o pleno desenvolvimento das plantas e para a obtenção de elevadas produtividades. Dentre essas características, podem-se citar: elevada acidez, altos teores de Al trocável (Al3+) e deficiência dos

nutrientes Ca e Mg, as quais são inadequadas por efeitos diretos ou indiretos sobre as fruteiras. A elevada acidez do solo (baixo pH) se caracteriza por efeito direto dos íons H+

sobre as raízes, além de reduzir a disponibilidade de diversos nutrientes e aumentar o efeito da toxidez de alumínio, como exemplificado na Figura 6; altos teores de Al3+ no

solo são tóxicos para as plantas e a deficiência de Ca e Mg por si só já se explica, uma vez que estes são elementos essenciais para a nutrição adequada das fruteiras.

A calagem, ou seja, a aplicação de calcário, se realizada corretamente, pode corrigir ou atenuar esses efeitos negativos, elevando o potencial agrícola dos solos e, consequentemente, aumentando a produtividade das lavouras.

Figura 6 – Efeito do pH na disponibilidade dos nutrientes e do alumínio em sua forma tóxica (Al3+). (Fonte: Malavolta, 1989)

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4.1 CORRETIVO DA ACIDEZ DO SOLO

Um composto só pode ser denominado como corretivo da acidez se é capaz de fornecer grupamentos OH- para o meio, no caso, o solo. Esses grupamentos ligam-se

aos íons H+ presentes no solo, responsáveis pela acidez, formando água (H

2O), que é

neutra, elevando o pH. Assim, deve-se considerar o calcário como um corretivo da acidez do solo, pois é composto, principalmente, por quantidades variáveis de carbonato de

cálcio e de magnésio. A dissociação dos carbonatos libera OH- para o meio, corrigindo a

acidez, além de neutralizar o Al3+ e fornecer cálcio e magnésio. O Gesso, apesar de ser

fundamental para alcançar elevadas produtividades, especialmente pra fruteiras de

grande porte, não pode ser considerado um corretivo da acidez, pois não fornece OH- e,

consequentemente, não eleva o pH do solo.

4.2 TIPOS DE CALCÁRIO E RELAÇÕES CA:MG PARA DIVERSAS FRUTEIRAS

O tipo de calcário a ser utilizado, dependerá da compatibilidade entre a relação Ca:Mg do solo e a relação Ca:Mg requerida pela fruteira. Os calcários dolomíticos apresentam uma porcentagem de CaO e MgO entre 25-30 e > 12 %, respectivamente. Os magnesianos, entre 31-39 e 6-12 %, respectivamente. Já os calcíticos, apresentam a menor quantidade de magnésio entre os calcários, sendo 40-45 % de CaO e < 6 % de MgO. Assim, de acordo com a exigência da cultura, quanto a relação Ca:Mg, pode-se decidir pela utilização de determinado tipo de calcário, bastando, para isso, determinar a relação Ca:Mg presente no solo. Para a grande maioria das fruteiras a relação Ca:Mg é de 3:1.

Outra forma de definir o calcário a ser utilizado, é saber o mínimo de magnésio no solo exigido pela cultura (nível crítico). O cálculo da necessidade de calagem não leva em consideração o teor exato de magnésio nos solos, mas baseando-se na exigência mínima pela cultura, pode-se fazer uma aproximação relativa ao tipo de calcário.

No Quadro 4, são apresentados os teores mínimos de magnésio requeridos por algumas fruteiras

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Quadro 4 – Exigência mínima de magnésio no solo para algumas fruteiras Cultura Magnésio --- cmolc/dm3 --- Abacaxi 0,5 Banana 0,9 Citrus 0,9 Pêssego 0,9 Goiaba 0,9 Mamão 0,9 Maracujá 0,9 Adaptação: Boletim 100 de SP (1997).

4.3 DETERMINAÇÃO DA NECESSIDADE DE CALAGEM

A necessidade de calagem não está somente relacionada com o pH do solo, mas, também, com sua capacidade tampão e sua capacidade de troca de cátions. A capacidade tampão pode ser definida como a capacidade do solo em manter inalterada a concentração de H+ em solução quando adicionadas doses crescentes de corretivo.

Solos mais tamponados (maior capacidade tampão), necessitam de mais calcário para elevar seu pH do que solos menos tamponados (menor capacidade tampão). A capacidade tampão relaciona-se diretamente com os teores de argila e de matéria orgânica do solo, assim como com o tipo de argila. Quanto maiores os teores de argila e de matéria orgânica do solo, maior quantidade de calcário deve ser utilizada para corrigi-lo. Em nossos solos, a qualidade da argila não é muito relevante, pois a grande maioria destes apresenta argila de baixa atividade.

Os objetivos, as características do solo avaliadas e os próprios conceitos dos critérios utilizados para a recomendação de calagem são variáveis. Basicamente existem dois importantes métodos para o calculo da necessidade de calagem, que visam atingir objetivos distintos e geram recomendações de diferentes quantidades de corretivo. Entretanto, dependendo da situação, um dos dois métodos é mais adequado para se determinar a necessidade de calagem, cabendo aos responsáveis pela nutrição das fruteiras selecionar as informações disponíveis, definir o método a ser utilizado e até que ponto a calagem é adequada à cultura.

Para se estimar a necessidade de calagem (NC) são utilizados, principalmente,

dois métodos amplamente aceitos e difundidos: O “Método da neutralização do Al3+ e da

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4.3.1 Método da neutralização do Al3+ e da elevação dos teores de Ca e Mg

trocáveis

Nesse método, procura-se, ao mesmo tempo, neutralizar o alumínio do solo e suprir a necessidade da cultura em Ca e Mg. Sua fórmula para cálculo é simples e necessita-se de quatro informações fornecidas pela análise de solo: o teor de Al3+ (em

cmolc/dm3), os teores de Ca2+ e Mg2+ trocáveis (em cmolc/dm3) e uma característica do

solo que estime sua capacidade tampão da acidez. Existem duas características que estimam a capacidade tampão da acidez: o teor de argila e o fósforo remanescente (P-rem). O P-rem é um estimador da capacidade tampão mais adequado do que o teor de argila, pois informa, indiretamente, sobre a qualidade dessa argila, ou seja, sobre a capacidade da argila em promover reações químicas no solo.

Por esse método, a necessidade de calagem é assim calculada:

NC = Y x Al3+ + [X – (Ca2+ + Mg2+)], (Eq. 1), em que: NC = Necessidade de calagem, em t/ha.

Al3+ = teor de alumínio trocável do solo, em cmol c/dm3.

Ca2+ = teor de cálcio trocável do solo, em cmol c/dm3.

Mg2+ = teor de magnésio trocável do solo, em cmol

c/dm3.

X = valor variável em função dos requerimentos de Ca e Mg pela fruteira. Valores de X para algumas fruteiras são apresentados no Quadro 5.

Y = valor variável em função da capacidade tampão da acidez do solo e que pode ser definido de acordo com a textura do solo ou com o teor de P-rem do mesmo. O Quadro 6 mostra exemplos dos valores de Y de acordo com a textura do solo ou o P-rem.

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Quadro 5 – Valores de X requeridos por algumas fruteiras Cultura X --- cmolc/dm3 --- Abacaxi 2,0 Banana 3,0 Citrus 3,0 Pêssego 3,0 Goiaba 3,0 Mamão 3,5 Maracujá 3,0 Uva 3,5 Adaptação: 5a Aproximação de MG (1999).

OBS: se na análise de solo não for determinado o teor de argila, nem o valor do P-rem, utilizar os valores de Y correspondentes ao tipo de solo. Qualquer técnico sabe se o solo da lavoura é arenoso, argiloso ou de textura média. Portanto, não há justificativa para não se utilizar esse importante método de determinação da NC.

Quadro 6 – Valores de Y de acordo com a textura do solo ou o P-rem.

Solo Argila Y % Arenoso 0 a 15 0,0 a 1,0 Textura média 15 a 35 1,0 a 2,0 Argiloso 35 a 60 2,0 a 3,0 Muito argiloso 60 a 100 3,0 a 4,0 ou P-rem1/ Y mg/L 0 a 4 4,0 a 3,5 4 a 10 3,5 a 2,9 10 a 19 2,9 a 2,0 19 a 30 2,0 a 1,2 30 a 44 1,2 a 0,5 44 a 60 0,5 a 0,0

1/ Determinado com solução de CaCl

2 10 mmol/L, contendo 60 mg/L de P,

na relação solo:solução de 1:10. Adaptação: 5a Aproximação de MG

(1999).

4.3.2 Método da saturação por bases

Nesse método considera-se a relação existente entre o pH e a saturação por bases do solo (V). Procura-se, por meio da calagem, atingir determinado valor de saturação por bases, o que corrige, indiretamente, a acidez do solo. Quanto maior a saturação por bases, maior o pH do solo e vice-versa. A fórmula para cálculo é ainda mais simples do que a do método anterior, necessitando de apenas duas informações

(20)

fornecidas pela análise de solo: A CTC a pH 7 (T), em cmolc/dm3, e a saturação por

bases (V), em %.

Por esse método, a necessidade de calagem (NC, em t/ha) é assim calculada:

NC = T(Ve – Va)/100, (Eq. 2), em que:

NC = Necessidade de calagem, em t/ha. T = CTC a pH 7, em cmolc/dm3.

Ve = Saturação por bases desejada ou esperada (Valores requeridos por algumas fruteiras são apresentados no Quadro 7).

Va = Saturação atual do solo, em %.

Quadro 7 – Valores da saturação por bases (V) requerida por algumas fruteiras

Cultura V % Abacaxi 50 Banana 70 Citrus 70 Pêssego 70 Goiaba 70 Mamão 80 Maracujá 70 Morango 70 Uva 80

Adaptação: 5a Aproximação de MG (1999) e Boletim 100 de SP (1997).

4.4 QUANTIDADE DE CALCÁRIO A SER APLICADA

A NC calculada por qualquer das fórmulas apresentadas anteriormente indica a quantidade de calcário com PRNT = 100 % a ser incorporado por hectare, na camada de 0 a 20 cm de profundidade. Portanto, é uma dose de calcário teórica. Na realidade, a determinação da quantidade de calcário a ser aplicada deve levar em consideração: a) A porcentagem da superfície do terreno a ser coberta pela calagem (SC, em %). b) Até que profundidade será incorporado o calcário (PF, em cm).

(21)

Assim, a quantidade de calcário a ser aplicada (QC, em t/ha) será:

QC = NC x (SC/100) x (PF/20) x (100/PRNT) (Eq. 3).

• Para aplicação de calcário em faixas, deve-se fazer o cálculo da superfície do terreno

que será coberta pelo calcário, de acordo com o espaçamento e com o volume lateral explorado pelas raízes.

• Para aplicação de calcário em cobertura, sem incorporação, utiliza-se PF = 7 cm.

• Para aplicação de calcário em covas utilizar a seguinte equação:

QC = NC x (volume da cova (dm3)/2) x (100/PRNT) (Eq. 4); nesse caso o resultado será dado em g/cova de calcário.

4.5 DECISÃO SOBRE QUAL MÉTODO UTILIZAR PARA DETERMINAR A NC

A decisão sobre qual método utilizar cabe unicamente ao responsável pela nutrição da fruteira. Este deve considerar todas as informações disponíveis, mas, principalmente, os resultados da análise química do solo. Além disso, o profissional deve estar ciente dos detalhes técnicos que envolvem cada método de determinação.

O método da saturação por bases é um bom método, pois geralmente propicia as menores doses. Entretanto, quando a CTC do solo é baixa, como em solo arenoso, este método tende a gerar uma dose de calcário insuficiente para suprir a necessidade das fruteiras em Ca e Mg. Portanto, não seria adequado para esse tipo de situação.

O método da neutralização do Al3 e elevação dos teores de Ca2+ + Mg2+, por outro

lado, pode, em algumas situações, originar doses que ultrapassem o valor da CTC total do solo (T), o que certamente elevaria o pH do solo a valores muito próximos ou maiores a sete, fato completamente indesejável.

Assim, é necessário considerar todos esses fatores, para que a recomendação de calagem seja a mais correta possível. De posse dessas informações, o profissional calcula a NC pelas duas fórmulas apresentadas (Eq. 1 e Eq. 2) e segue os seguintes passos para decidir sobre qual resultado utilizar:

Passo 1) Utilizar a menor dose (NC, em t/ha) calculada por qualquer um dos métodos,

geralmente a dose calculada pelo método da saturação por bases é a menor (Eq. 2).

(22)

Passo 2) Se a dose definida no Passo 1 é menor do que a necessidade da cultura em cálcio e magnésio (X – Ca2+ + Mg2+), utilizar o método da neutralização do Al3 e

elevação dos teores de Ca2+ + Mg2+ (Eq. 1). Se for maior, é a dose indicada.

Passo 3) Se a dose definida no Passo 2 for maior que o valor da CTC a pH 7 (T), utilizar como NC o próprio valor da CTC a pH 7, em t/ha. Se for menor, é a indicada. Seguindo os passos acima descritos, será determinada a melhor dose da NC para o solo de qualquer fruteira. Com essa informação em mãos (NC, em t/ha), basta calcular a quantidade de calcário a ser aplicada, utilizando-se as Equações 3 ou 4.

4.6 LOCAL E ÉPOCA DE APLICAÇÃO

A calagem aumenta a proliferação e a atividade da microbiota do solo, o que favorece a mineralização da matéria orgânica e a liberação de nutrientes ligados a cadeias carbônicas. Uma vez disponibilizados, estes nutrientes são facilmente absorvidos pelas plantas, desde que estejam próximos das raízes. Entretanto, se estiverem longe da maior concentração de raízes absorventes, podem ser perdidos em grande quantidade, por lixiviação.

Deve-se evitar, dessa forma, a aplicação de calcário sobre a superfície total do terreno, para fruteiras de grande porte, e nas entrelinhas de culturas em estádio inicial de desenvolvimento. Assim, visa-se a preservação da matéria orgânica como “banco de nutrientes”, para ser usado à medida que se desenvolve o sistema radicular. Ademais, o efeito do calcário deve ocorrer onde são aplicados os fertilizantes, não em outras regiões do solo.

Para fruteiras de grande porte, o calcário deve ser aplicado em cova, sulco ou faixa, de acordo com o desenvolvimento do sistema radicular. Em fruteiras de pequeno porte, cujo espaçamento é reduzido, uma prática usual é aplicar o calcário sobre toda área de plantio e fazer sua incorporação quando da montagem dos camalhões. Obviamente, em área de elevada declividade, deve-se aplicar o calcário em cova ou sulco de plantio, com posterior aplicação a lanço.

O tempo de reação do calcário no solo irá depender do seu PRNT e da quantidade de chuvas ou irrigação. Geralmente preconizam-se 60 a 90 dias para que ocorra a reação, mas se a quantidade de chuvas ou irrigação for adequada, 30 dias são suficientes para a reação do calcário no solo.

(23)

5 GESSAGEM

A maioria dos solos utilizados para o plantio de fruteiras no Brasil apresenta baixos teores de cálcio trocável e elevados teores de alumínio, especialmente em camadas mais profundas. Dessa forma, as raízes das plantas tendem a ficar concentradas na superfície do solo, o que as torna extremamente suscetíveis a veranicos, além de reduzir a absorção de nutrientes que estão distribuídos em um maior volume de solo. Mas porque as raízes se concentram na superfície?

O efeito do calcário, em geral, não é observado em camadas mais profundas do

solo, uma vez que o ânion acompanhante carbonato (CO32-) imprime reduzida mobilidade

ao cálcio no perfil do solo. É por isso que, ao se recomendar a calagem em cobertura, deve-se fazer a correção para 7 cm de profundidade, para que não ocorra uma super-calagem. Assim, grande parte do cálcio fica restrita às camadas superficiais do solo.

O cálcio, por sua vez, é um elemento essencial para o crescimento vegetal, apresentando mobilidade intermediária no solo e pouquíssima, ou nenhuma, mobilidade nas plantas. Dessa forma, o cálcio enviado das raízes para as folhas não é retranslocado para as raízes novamente, como acontece com o fósforo. Pode-se, então, fazer uma afirmativa de fácil entendimento: “as raízes das plantas crescem em busca de cálcio, e, onde não houver cálcio, praticamente não haverá raízes”.

Além disso, o alumínio (Al3+) presente em camadas inferiores, não corrigidas pelo

calcário, é tóxico para as plantas em concentrações elevadas. Portanto, haverá pouco crescimento radicular nessas camadas, devido aos baixos teores de cálcio e à possível toxidez de alumínio.

Para contornar esse problema, que muitas vezes não fica explicito, mas que reduz a produção das lavouras, deve-se utilizar o gesso. O gesso agrícola é composto

basicamente por sulfato de cálcio (CaSO4.2H2O), contendo aproximadamente 32,6 % de

CaO e 18,7 % de S, sendo fonte, além de cálcio, de enxofre. É um sal neutro e dissocia-se, quando em solução, em Ca2+ e SO

4-2. Logo, não apresenta receptores de prótons

(OH- e HCO

3- ), ou seja, não é capaz, a princípio, de neutralizar a acidez do solo, muito

menos de elevar a CTC. Dessa forma, é considerado como um condicionador do solo, não um corretivo.

O ânion acompanhante sulfato (SO42-) imprime elevada mobilidade ao cálcio,

permitindo que este nutriente chegue a camadas mais profundas do solo. Além disso, o sulfato, oriundo do gesso, se liga ao alumínio do solo, formando o sulfato de alumínio (AlSO4+), que é uma forma menos tóxica para as plantas. O gesso promove, também,

(24)

outras formas de redução da toxidez de alumínio, como a “auto-calagem” ou a formação de AlF2+, mas essas ocorrem com menor intensidade do que a formação de AlSO4+.

Por fornecer enxofre e cálcio, dar mobilidade ao cálcio até camadas mais profundas do solo e reduzir a toxidez de alumínio em sub-superfície, o gesso é um insumo fundamental, especialmente para fruteiras de grande porte, pois favorece o crescimento e o desenvolvimento radicular. Com isso, as plantas ficam menos sensíveis a períodos de veranico e são capazes de absorver nutrientes presentes em um maior volume de solo.

5.1 INDICAÇÕES PARA APLICAÇÃO DE GESSO

O gesso é um importante insumo, mas tem seu emprego limitado a situações particulares bem definidas. O uso indiscriminado de gesso nas lavouras pode gerar problemas em vez de benefícios e prejuízos em vez de lucros.

A utilização do gesso, para a maioria das fruteiras, é prescrita nas três situações de sub-solo (20 – 40 cm de profundidade ou mais) listadas a seguir. Se apenas uma delas for satisfeita, deve-se aplicar o gesso.

• Teor de cálcio menor ou igual a 0,5 cmolc/dm3.

• Teor de alumínio maior que 0,4 cmolc/dm3.

Saturação por alumínio (m) maior que 15 %.

Essas são situações a serem determinadas no sub-solo, por meio de análises químicas. Portanto, a amostragem de solo, para esse caso, deve ser realizada na camada de 20 – 40 cm de profundidade, ou mais profundas, não na de 0 - 20 cm. Para verificar a necessidade de aplicação de gesso, os resultados analíticos da camada de 0 - 20 cm não querem dizer muita coisa. Essa decisão só pode ser tomada a partir dos resultados analíticos da camada de 20 – 40 cm.

5.2 MÉTODO DE CÁLCULO E QUANTIDADE A SER APLICADA

O cálculo para a aplicação de gesso é muito simples e é baseado no cálculo para a necessidade de calagem. Divide-se em necessidade de gessagem (NG) e quantidade de gesso a ser aplicada (QG).

(25)

NG = 0,30 x NC, onde:

NG = Necessidade de gesso, em t/ha.

NC = Necessidade de calcário, em t/ha (calculada para a camada que se deseja corrigir com gesso, não para a camada de 0 – 20 cm. Essa NC é utilizada apenas para o cálculo da NG, não sendo aplicada ao solo).

QG = NG x (SC/100) x (PF/20), onde:

QG = Quantidade de gesso a ser aplicada para corrigir determinada camada de solo, em t/ha.

NG = Necessidade de gesso, em t/ha.

SC = Superfície coberta pelo gesso, em %. (para área total utiliza-se SC = 100 %; para aplicação em faixas, calcula-se o percentual das faixas em relação ao hectare).

PF = Espessura da camada onde o gesso deverá agir, em cm. (para a camada de 20 a 40 cm utiliza-se PF = 20 cm; para a camada de 30 a 60 cm utiliza-se PF = 30 cm).

5.3 LOCAL E ÉPOCA DE APLICAÇÃO

O gesso pode ser aplicado junto com o calcário, mas é preferível que seja após a calagem. Aplica-se a quantidade de calcário calculada para a camada de 0-20 cm e a quantidade de gesso calculada para a camada sub-superficial. O gesso pode ser aplicado em cobertura, sem necessidade de incorporação, pois é muito móvel no solo. Se não houver necessidade de calagem para a camada superficial, pode-se aplicar apenas o gesso, mas esta condição deve ser revista anualmente.

A aplicação de gesso, mal calculada e sem o prévio conhecimento se há necessidade de calagem para a camada superficial, é prejudicial ao equilíbrio químico do solo e à nutrição balanceada das fruteiras. No entanto, quando bem prescrita e calculada, a aplicação de gesso é fundamental para que sejam alcançadas elevadas produtividades na fruticultura.

6 TABELAS DE INTERPRETAÇÃO

A determinação de classes de fertilidade do solo visa dar subsídios para as recomendações de calagem e adubação. As classes de fertilidade são sempre estabelecidas com base nos resultados das análises de solo.

(26)

No Quadro 8 é apresentada a classificação agronômica da acidez ativa (pH) do solo e no Quadro 7 são apresentadas as classes de interpretação de matéria orgânica e do complexo de troca do solo.

Quadro 8 – Classes de interpretação para acidez ativa do solo (pH)

Classificação Agronômica do pH1/

Muito baixa Baixa Boa Alta Muito alta

< 4,5 4,5 – 5,4 5,5 – 6,0 6,1 – 7,0 > 7,0

1/ pH em H

2O, relação 1:2,5, TFSA: H2O. Adaptação: 5a Aproximação de MG (1999).

Para avaliar a acidez do solo, são consideradas a acidez ativa (pH) e a trocável

(Al3+), a saturação por alumínio (m) e por bases (V) e a capacidade tampão, estimada por

meio da acidez potencial (H+Al). A acidez também se relaciona com os teores de Ca2+ e

Mg2+. Todas essas características devem ser analisadas em conjunto. A seqüência

abaixo mostra a relação entre a acidez do solo e as demais características da acidez:

> acidez do solo < pH, > Al3+, > m, < V, > H+Al, < Ca2+ e < Mg2+.

Quadro 9 – Classes de interpretação da fertilidade do solo para a matéria orgânica e para o complexo de troca catiônica.

Característica Unidade Classificação

Muito baixo Baixo Médio Bom Muito Bom

Carbono Orgânico (CO) dag/kg < 0,40 0,41 – 1,16 1,17 – 2,32 2,33 – 4,06 > 4,06

Matéria Orgânica (MO) dag/kg < 0,70 0,71 – 2,00 2,01 – 4,00 4,01 – 7,00 > 7,00

Cálcio trocável (Ca2+) cmolc/dm3 < 0,40 0,41 – 1,20 1,21 – 2,40 2,41 – 4,00 > 4,00

Magnésio trocável (Mg2+) cmolc/dm3 < 0,15 0,16 – 0,45 0,46 – 0,90 0,91 – 1,50 > 1,50

Soma de bases (SB) cmolc/dm3 < 0,60 0,61 – 1,80 1,81 – 3,60 3,61 – 6,00 > 6,00

CTC efetiva (t) cmolc/dm3 < 0,80 0,81 – 2,30 2,31 – 4,60 4,61 – 8,00 > 8,00

CTC Total (T) cmolc/dm3 < 1,60 1,61 – 4,30 4,31 – 8,60 8,61 – 15,0 > 15,0

Acidez trocável (Al3+) cmol

c/dm3 < 0,20 0,21 – 0,50 0,51 – 1,00 1,01 – 2,001/ > 2,001/

Acidez potencial (H+Al) cmolc/dm3 < 1,00 1,01 – 2,50 2,51 – 5,00 5,01 – 9,001/ > 9,001/

Saturação por Al3+ (m) % < 15,0 15,1 – 30,0 30,1 – 50,0 50,1 – 75,01/ > 75,01/

Saturação por bases (V) % < 20,0 20,1 – 40,0 40,1 – 60,0 60,1 – 80,0 > 80,0

1/ A interpretação destas características, nessas classes, deve ser alta e muito alta, em lugar de

(27)

As classes de fósforo são baseadas no teor de argila ou no valor de fósforo remanescente (P-rem) do solo, uma vez que o extrator Mehlich-1 é desgastado pelas cargas negativas do solo. Assim, quanto mais argiloso for o solo, maior o desgaste do extrator e menor a quantidade de P extraída do solo, mesmo que este possua teores elevados. Para corrigir essa distorção, são utilizados estimadores da capacidade tampão do solo: o próprio teor de argila ou o P-rem. O P-rem é a quantidade de P que sobra numa solução contendo 60 mg/L de P após agitação desta com o solo.

Dessa forma, pode-se ter clara idéia da capacidade tampão do solo, pois o P contido na solução vai sendo adsorvido pelo solo com o passar do tempo. Quanto menor o valor de P-rem, significa que maior quantidade de P foi adsorvida, o que irá gerar maior desgaste do extrator Mehlich-1 pelo elevado número de cargas do solo, e vice-versa. Deve-se dar preferência ao P-rem em relação à ao teor de argila, pois, além de sua determinação ser mais barata, permite uma recomendação mais detalhada.

Como a recuperação de potássio, pelo extrator Mehlich-1, sofre pouca influência da capacidade tampão do solo, as classes de potássio no solo são únicas, independentemente do teor de argila ou do P-rem do solo.

O Quadro 10 mostra as classes de disponibilidade de fósforo e potássio no solo, determinados com Mehlich – 1, para a maioria das fruteiras.

Quadro 10 – Classes de fertilidade de fósforo (P) e potássio (K) no solo, determinados com Mehlich – 1, para a maioria das fruteiras

Característica Classificação

Muito Baixa Baixa Média Boa Muito Boa --- mg/dm3 ---

Argila (%) Fósforo disponível (P)1/

60 – 100 < 10,0 10,1 – 21,0 21,1 – 32,0 32,1 – 48,0 > 48,0 35 – 59 < 16,0 16,1 – 32,0 32,1 – 48,0 48,1 – 72,0 > 72,0 15 – 34 < 26,0 26,1 – 48,0 48,1 – 80,0 80,1 – 120,0 > 120,0 0 – 14 < 40,0 48,1 – 80,0 80,1 – 120,0 120,1 – 180,0 > 180,0 P-rem2/ (mg/L) --- mg/dm3 --- 0 – 4 < 12,0 12,1 – 17,2 17,3 – 24,0 24,1 – 36,0 > 36,0 5 – 10 < 16,0 16,1 – 24,0 24,1 – 33,2 33,3 – 50,0 > 50,0 11 – 19 < 24,0 24,1 – 33,2 33,3 – 45,6 45,7 – 70,0 > 70,0 20 – 30 < 32,0 32,1 – 45,6 45,7 – 63,2 63,3 – 96,0 > 96,0 31 – 44 < 44,0 44,1 – 63,2 63,3 – 87,2 87,3 – 132,0 > 132,0 45 – 60 < 60,0 60,1 – 87,2 87,3 – 120,0 120,1 – 180,0 > 180,0 Potássio disponível (K)1/ --- mg/dm3 --- < 20,0 21 – 50 51 – 90 91 – 140 > 140

1/ Método Mehlich-1; 2/ Fósforo remanescente, solução de CaCl

2 10 mmol/L, contendo 60 mg/L de P, na

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Quando o extrator é a resina trocadora de ânions, método utilizado no estado de São Paulo, a capacidade tampão do solo passa a ter pouco efeito no resultado, uma vez que a resina sofre pouca influência da capacidade tampão. Deve-se atentar para o fato

dos teores de K serem apresentados em mmolc/dm3 no Quadro 11.

Quadro 11 – Classes de fertilidade para P extraído com resina e para K+, para a maioria

das fruteiras.

Classe de Fertilidade P (resina)1/ K+

mg/dm3 mmol c/dm3 Muito baixa < 5,0 < 0,7 Baixa 6,0 – 12,0 0,8 – 1,5 Média 13,0 – 30,0 1,6 – 3,0 Alta 31,0 – 60,0 3,1 – 6,0 Muito Alta > 60,0 > 6,0

1/ Extraído com resina trocadora de ânions. Adaptação: Boletim 100 de

SP (1997).

Sabendo a classe de fertilidade do solo onde será ou está implantada a fruteira, basta utilizar as tabelas de recomendação para encontrar a dose a ser aplicada.

7 TABELAS DE RECOMENDAÇÃO

Definindo as classes de fertilidade do solo (Baixa, Média ou Alta) para determinado nutriente, basta utilizar as tabelas de recomendação para encontrar as doses adequadas de nutrientes.

As tabelas de recomendação indicam as doses de N, P2O5 e K2O. Para os outros

nutrientes, ou se utiliza o princípio da segurança (dose elevada que garantirá elevada produção), especialmente para micronutrientes, ou se calcula via necessidade de calagem (NC), caso do cálcio (Ca) e do Magnésio (Mg). O nitrogênio (N), por apresentar dinâmica muito variável nos solos, não é determinado em laboratórios de rotina. Assim, nas tabelas de recomendação, a dose de nitrogênio é fixa, dependendo apenas da produtividade esperada e, em alguns casos, da análise foliar.

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7.1 ABACAXI

Quadro 12 – Doses de N, P2O5 e K2O para a primeira produção da cultura do abacaxi

Produção

Esperada N P K

Baixo Médio Alto Baixo Médio Alto t/ha g/planta de N --- g/planta de P2O5 --- --- g/planta de K2O ---

< 30 10 3 2 1 10 6 3 30-40 13 3 3 2 13 10 6 40-50 16 4 3 3 16 13 10 > 50 19 4 4 3 19 16 13 Adaptação: Boletim 100 de SP (1997) e 5a Aproximação do ES (2007).

O fósforo deve ser aplicado todo no sulco de plantio. As doses de N e K2O devem

ser parceladas no 1º, 3º, 6º e 9º mês, após o plantio, sendo que começam com um percentual de 10 % e terminam com até 40 % da dose, sempre de forma crescente. A última dose de nitrogênio deve ser aplicada, no máximo, 60 dias ates da indução floral.

7.2 MORANGO

Aplicar de 20 a 30 t/ha de esterco bovino ou composto orgânico. Se aplicar esterco de aves, aplicar 1/3 da dose indicada. Em todos os casos, a aplicação deve ser feita 30 dias antes do transplantio das mudas. O esterco deve ser aplicado em mistura com os adubos minerais de plantio (Quadro 13), antes do transplante das mudas nos canteiros.

Quadro 13 – Doses de N, P2O5 e K2O para o plantio da cultura do morango

Produção

Esperada N P K

Baixo Médio Alto Baixo Médio Alto t/ha kg/ha de N --- kg/ha de P2O5 --- --- kg/ha de K2O ---

> 20 40 900 600 300 500 300 150 Adaptação: Boletim 100 de SP (1997)

Adubação de cobertura: Aplicar 150 a 180 kg/ha de N e 90 kg/ha de K2O,

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7.3 BANANA

Adubação de plantio: Aplicar por cova 10 litros de esterco de curral ou 2 litros de esterco de aves e a metade das doses de fósforo apresentadas no Quadro 13 (produção < 20 t/ha). Se a análise química indicar teores de Zn menores que 1,3 mg/dm3, aplicar, no

plantio, 5 kg/ha de Zn.

Adubação de formação: Aplicar em cada muda 6 a 8 g de N e 15 a 20 g de K2O, trinta

dias após o plantio; 30 g de N e 30 de K2O, a intervalos de 60 dias. Aplicar 50 g de P2O5

no terceiro parcelamento.

Adubação de produção: Aplicar as doses em função da análise de solo e da produtividade esperada (Quadro 14).

Quadro 14 – Doses de N, P2O5 e K2O para a primeira produção da cultura do abacaxi

Produção

Esperada N P K

Muito

Baixo Médio Alto Muito Alto Baixo Muito Médio Alto Muito Alto t/ha g/planta de N --- g/planta de P2O5 --- --- g/planta de K2O --- < 20 120 80 60 40 20 330 330 130 0 20-30 190 100 80 50 30 410 310 210 150 31-40 270 140 110 70 40 490 390 290 210 41-50 350 180 140 90 50 570 470 370 270 51-60 430 220 170 110 60 650 550 450 330 > 60 500 260 200 130 70 730 630 530 390 Adaptação: Boletim 100 de SP (1997) e 5a Aproximação do ES (2007).

- Os adubos devem ser aplicados no sentido dos seguidores (filho/neto), em semicírculo nos terrenos inclinados ou em círculo, naqueles mais planos.

- Utilizar fontes de N ou P capazes de fornecer anualmente 30 kg/ha de S.

- Em áreas sujeitas a períodos secos sazonais, parcelar a adubação em três aplicações, durante o período chuvoso. Em áreas irrigadas, parcelar a adubação em seis vezes. Micronutrientes: Aplicar, anualmente, 25 g de sulfato de zinco e 10 g de ácido bórico, quando for constatada a deficiência nas folhas. Parcelar em duas aplicações, uma na primavera e outra no verão.

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7.4 TANGERINA

Plantio:

Quadro 15 – Doses de P2O5 e K2O para o plantio de tangerina

Fósforo Potássio

Baixo Médio Alto

--- g/cova de P2O5 – K2O ---

Baixo 70 – 20 70 – 0 70 – 0

Médio 40 – 20 40 – 0 40 – 0

Alto 20 – 20 20 – 0 20 – 0

Adaptação: 5a Aproximação do ES (2007).

- Zinco e boro são os micronutrientes mais importantes para a produção de citros.

Quando a análise de solo indicar abaixo de 0,20 mg/dm3 de boro (água quente), aplicar 1

g/cova de boro. Quando a análise de solo indicar abaixo de 0,10 mg/dm3 de Zn (Mehlich -

1), aplicar 2 g/cova de Zn. Adubação de formação:

Quadro 16 – Doses de N, P2O5 e K2O para tangerina, de acordo com a idade das plantas

Idade N P K

Muito

Baixo Médio Alto Muito Alto Muito Baixo Médio Alto Muito Alto g/planta de N --- g/planta de P2O5 --- --- g/planta de K2O --- 0-1 80 0 0 0 0 20 0 0 0 1-2 160 160 100 50 0 80 60 0 0 2-3 200 200 140 70 0 150 100 50 0 3-4 300 300 210 100 0 200 140 70 0 4-5 400 400 280 140 0 300 210 100 0 Adaptação: Boletim 100 de SP (1997) .

- Aplicar o adubo fosfatado no início do período chuvoso e parcelar N e K em quatro vezes, durante o período chuvoso.

- Aplicar os fertilizantes sob a copa das plantas, e aumentar o raio de aplicação de acordo com o crescimento.

(32)

Adubação de produção (tangerina):

Quadro 17 - Doses de N, P2O5 e K2O para tangerina, de acordo com a produtividade

esperada

Nutriente Produtividade Esperada (t/ha)

< 16 16 a 20 21 a 30 31 a 40 41 a 50 > 50 Nitrogênio1/ Kg/ha/ano de N <23 70 80 110 160 200 230 23-27 60 70 90 130 170 190 28-30 50 60 70 100 140 150 >30 40 50 60 90 110 130 Fósforo2/ Kg/ha/ano de P 2O5 Baixo 50 70 90 130 160 180 Médio 40 50 70 100 120 140 Alto 20 30 40 50 60 70 Muito Alto 0 0 0 0 0 0 Potássio2/ Kg/ha/ano de K 2O Baixo 70 80 110 160 200 220 Médio 50 60 80 110 140 150 Alto 20 40 50 70 100 120 Muito Alto 0 0 10 20 30 40

1/ Teor determinado na análise foliar; 2/ Classes de fertilidade determinadas pela análise de solo. Adaptação: Boletim 100 de SP (1997) e 5a Aproximação do ES (2007).

- Aplicar os fertilizantes em três parcelamentos durante o período chuvoso: 1o (40 %),

2o (30 %) e 3o (30 % da dose recomendada).

- Aplicar os fertilizantes sob a copa das plantas.

- Se a análise foliar apresentar teores baixos de micronutrientes para citros, aplicar por cova: 8 g de Zn; 5 g de B; 5 g de Mn; 3 g de Fe e 3 g de Cu, uma vez por ano.

7.5 UVA

Adubação de plantio:

Aplicar, por cova, 10 L de esterco de curral ou 3 L de esterco de galinha. Calcular a calagem de acordo com a análise de solo e o volume da cova. Aplicar P e K, no solo da cova, de acordo com as doses apresentadas no Quadro 18.

Quadro 18 – Doses de P2O5 e K2O para o plantio da cultura da uva.

P K

Baixo Médio Alto Baixo Médio Alto --- g/cova de P2O5 --- --- g/cova de K2O ---

80 60 40 40 30 20 Adaptação: Boletim 100 de SP (1997) .

(33)

- Aplicar em cobertura, aos 60 e 120 dias após o plantio dos porta-enxertos, 20 g/planta de N.

Adubação de formação:

Quadro 19 – Doses de N, P2O5 e K2O para a formação da cultura da uva

N P K

Baixo Médio Alto Baixo Médio Alto g/planta de N --- g/planta de P2O5 --- --- g/planta de K2O ---

20 30 20 10 30 20 10 Adaptação: Boletim 100 de SP (1997).

- Iniciar a adubação de formação após a enxertia, parcelando as doses indicadas acima em três aplicações, sendo a primeira 30 dias após a brotação e as demais até dezembro. Adubação de produção:

Adubação de produção com N-P-K (Niágara)

Quadro 20 - Doses de N, P2O5 e K2O para as uvas Niágara

Produção

Esperada N P K

Baixo Médio Alto Baixo Médio Alto t/ha kg/ha de N --- kg/ha de P2O5 --- --- kg/ha de K2O ---

< 13 135 320 180 80 225 110 60 14-22 180 400 250 100 300 150 75 > 22 230 500 310 120 380 190 90

Adaptação: Boletim 100 de SP (1997).

• Adubo fosfatado aplicado em sulco lateral (antes da poda).

• Aplicação de esterco bovino (antes da poda).

• Adubação com N e K deve seguir os seguintes parcelamentos:

Estádio de desenvolvimento N1 K1

% %

10 dias antes da poda 0 0

10 dias após a poda 60 0

30 dias após a poda 30 0

45 dias após a poda 10 31

60 dias após a poda 0 31

80 dias após a poda 0 38

1/ Relativo às doses recomendadas no Quadro 20. Fonte: Embrapa. Adubação de produção com N-P-K (BRS Clara, BRS Linda)

(34)

Quadro 21 – Doses de N, P2O5 e K2O para as uvas sem sementes

Produção

Esperada N P K

Baixo Médio Alto Baixo Médio Alto t/ha kg/ha de N --- kg/ha de P2O5 --- --- kg/ha de K2O ---

< 23 200 400 240 120 320 200 120 24-35 250 500 300 150 400 250 150 > 35 300 600 360 180 480 300 180

Adaptação: Boletim 100 de SP (1997).

• Adubo fosfatado aplicado em sulco lateral (antes da poda).

• Aplicação de esterco bovino (antes da poda).

• Adubação com N e K deve seguir os seguintes parcelamentos:

Estádio de desenvolvimento N K

% %

10 dias antes da poda 0 0

10 dias após a poda 40 0

30 dias após a poda 40 0

45 dias após a poda 20 42

60 dias após a poda 0 42

80 dias após a poda 0 16

1/ Relativo às doses recomendadas no Quadro 21. Fonte: Embrapa.

7.6 MAMÃO

Na adubação de plantio de mamão, aplica-se a matéria orgânica e o adubo fosfatado. Já na adubação de crescimento, aplicam-se os adubos minerais contendo N, P

e K. O B deve ser aplicado quando o teor no solo for menor que 0,6 mg/dm3 (Quadro 22).

Quadro 22 – Adubação de plantio e crescimento para o mamoeiro

Fase N

Orgânico P K água quente, mg/dmB 3

Baixo Médio Alto Baixo Médio Alto 0-0,2 0,2-0,6 > 0,6 kg/ha --- P2O5; kg/ha --- --- K2O; kg/ha --- --- B; kg/ha ---

Plantio 60 60 40 20 - - - - Pós

plantio Mineral N P K água quente, mg/dmB 3 Baixo Médio Alto Baixo Médio Alto 0-0,2 0,2-0,6 > 0,6 Dias kg/ha --- P2O5; kg/ha --- --- K2O; kg/ha --- --- B; kg/ha ---

30 10 - - - 20 15 10 1,0 0,5 0,0 60 10 20 15 10 20 15 10 - - - 90 20 - - - 20 15 10 - - - 120 20 20 15 10 20 15 10

(35)

Quadro 23 – Adubação de floração e frutificação para o mamoeiro do 5o mês em diante

Produção

Esperada Mineral N P K água quente, mg/dmB 3 Baixo Médio Alto Baixo Médio Alto 0-0,2 0,2-0,6 > 0,6 t/ha kg/ha --- P2O5; kg/ha --- --- K2O; kg/ha --- --- B; kg/ha ---

30-50 180 60 40 20 220 140 60 1 0,5 0 50-70 230 70 50 30 270 180 80 1 0,5 0 > 70 280 80 60 40 320 210 100 1 0,5 0

Adaptação: Boletim 100 de SP (1997).

Quadro 24 – Adubação de produção do mamoeiro no segundo ano

Produção

Esperada Mineral N P K água quente, mg/dmB 3

Baixo Médio Alto Baixo Médio Alto 0-0,2 0,2-0,6 > 0,6 t/ha kg/ha --- P2O5; kg/ha --- --- K2O; kg/ha --- --- B; kg/ha ---

30-50 200 130 80 40 240 160 80 2 1 0 50-70 240 150 100 50 280 190 95 2 1 0 > 70 280 170 120 60 320 220 110 2 1 0

Adaptação: Boletim 100 de SP (1997).

8 ADUBAÇÃO ORGÂNICA DE FRUTEIRAS

Muitos séculos antes de Cristo o homem já sabia da importância de nutrir as plantas, visando aumentar a produção das lavouras. Textos Egípcios, Gregos, Romanos e Árabes recomendavam a aplicação de diversos materiais fertilizantes para aumentar as colheitas. Incluíam-se nesses materiais toda a gama de estercos existentes, restos culturais e de vegetação espontânea, cinzas, sangue e até cadáveres.

Na América Pré-Colombiana, a capacidade fertilizante de diversos materiais era também utilizada e a agricultura dos povos mais avançados, muito desenvolvida. Exemplo disso são os terraços Incas e as ilhas artificiais flutuantes dos Astecas, que utilizavam o lodo do fundo dos lagos como adubo. Dessa forma, é correto afirmar que o homem sempre utilizou adubos orgânicos em suas lavouras, desde os primórdios da agricultura.

O Índio Americano sabia que, enterrando um peixe sob a planta de milho, a produção aumentava. Porém, o número de plantas era bem maior que o número de peixes, revelando o maior problema da adubação orgânica até os dias de hoje: baixa concentração de nutrientes nesses materiais, acarretando a necessidade de grande volume de adubos orgânicos para a nutrição adequada das lavouras.

(36)

No Quadro 25 são mostradas as concentrações de nutrientes em alguns adubos minerais e orgânicos, bem como o número de kg de adubos orgânicos equivalentes a uma saca (50 kg) de determinado adubo mineral.

Os resultados do Quadro 25 muitas vezes chegam a impressionar, pois as quantidades de adubos orgânicos, equivalentes a uma saca de adubo mineral, são muito elevadas. Nesse sentido, fica evidente o maior gasto com transporte e mão de obra, necessário à aplicação de adubos orgânicos, nas quantidades adequadas, para fruteiras, uma vez que estas são plantas muito exigentes em nutrientes.

Quadro 25 - Concentrações de nutrientes em alguns adubos minerais e orgânicos e número de kg de adubos orgânicos equivalentes a uma saca (50 kg) de determinado adubo mineral

Adubo Orgânico Adubos Orgânicos Adubos Minerais Teores Médios de

Nutrientes Uréia Superfosfato Triplo Cloreto de Potássio 45 % de N 40 % de P2O5 60 % de K2O N % P2O5 % K2O %

Equivalência em Kg de Adubo Orgânico para cada saca de Adubo Mineral Bagaço/cana 1,07 0,25 0,94 2.103 8.000 3.191 Palha/café 1,37 0,26 1,96 1.642 7.692 1.531 Esterco Bovino 1,27 1,04 1,37 1.772 1.923 2.190 Esterco Eqüino 1,44 0,50 1,75 1.563 4.000 1.714 Esterco Ovino 2,13 1,28 3,67 1.056 1.563 817 Feijão-de-porco 2,55 0,50 2,41 882 4.000 1.245 Composto 1,37 2,86 2,50 1.642 699 1.200 Vermicomposto 1,87 2,19 1,66 1.203 913 1.807

É importante ressaltar que as concentrações de N, P e K são diferentes em um mesmo adubo orgânico. Uma aplicação de 700 kg de composto orgânico pode ser equivalente a uma saca de 50 kg de superfosfato triplo, mas esse mesmo adubo orgânico apresenta baixa concentração de N. Assim, mesmo com aplicações maciças, alguns macronutrientes podem ficar abaixo do nível de exigência da maioria das fruteiras.

É também necessário distinguir entre adubo orgânico produzido no local, onde a única adição para o reservatório solo é o nitrogênio fixado por leguminosas, caso do feijão-de-porco, e adubo orgânico produzido em outro lugar, que traz um ganho líquido de nutrientes.

Os adubos orgânicos aplicados em menores quantidades, por outro lado,

(37)

vez que as fruteiras necessitam desses elementos em pequenas quantidades. Portanto, quem aplica adubos orgânicos em sua lavoura, raramente terá problemas relacionados à deficiência desses nutrientes.

Os adubos orgânicos são, ainda, extremamente necessários para melhorar a estrutura do solo, tornando-o mais poroso, com maior capacidade de reter nutrientes e água, reduzindo os problemas causados por manejos inadequados. A melhoria nessas características do solo certamente irá se refletir em aumento de produção.

Devido ao preço reduzido dos adubos orgânicos, estes se tornam uma alternativa interessante visando o fornecimento de nutrientes para as fruteiras. Entretanto, ao se comparar o custo final da adubação orgânica com a adubação mineral, não se deve levar em consideração apenas o preço do kg de nutrientes em cada tipo de adubo, mas, também, custo de transporte e mão-de-obra.

A utilização conjunta, mas não na mesma formulação, dos dois tipos de adubo, visando-se aproveitar ao máximo os benefícios que cada um deles pode fornecer, parece ser a forma mais racional de adubação para fruteiras.

8.1 EFICIÊNCIA RELATIVA AO TEMPO DE PRODUÇÃO DE FRUTEIRAS

O tempo requerido para a mineralização dos adubos orgânicos depende dos fatores temperatura, umidade, aeração do solo e, principalmente, a relação C/N do próprio material. No processo de mineralização, os nutrientes passam da forma orgânica para a forma mineral, na qual são absorvidos pelas plantas.

O processo de mineralização é realizado por microorganismos do solo que incorporam o C-orgânico, utilizando, especialmente, nitrogênio como fonte de nutriente. Quanto maior a temperatura e a umidade do solo, combinadas com a aeração, maior a proliferação e a atividade dos microorganismos. Se essas características forem constantes, o que diferencia a velocidade de mineralização de um adubo orgânico é a relação C/N do material.

Adubos orgânicos com alta concentração de carbono, mas pouco nitrogênio (alta relação C/N) são, geralmente, lentamente mineralizados e induzem deficiência de nitrogênio nas plantas, uma vez que os microorganismos absorvem grande parte do N disponível.

Assim, para fruteiras de ciclo mais rápido, devem ser preferidos adubos orgânicos de menor relação C/N, como a torta de mamona, ou já parcialmente mineralizados, como o composto orgânico, devendo-se esperar em torno de 30 dias para o plantio. Entretanto,

Figure

Figura 1 – Subdivisão da área em glebas
Figura 3 – Trado de caneca, mostrando em detalhe o recipiente de  armazenamento.
Figura 4 – Sonda, mostrando em detalhe o pequeno diâmetro para entrada de  solo.
Figura 5 – Coleta de amostras de solo com enxadão.
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