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Le XIX e siècle : les motivations des voyages en Orient, les attentes du public

XIX e siècle

E. Saïd n’a pas manqué de remarquer les morceaux cités :

5. Le XIX e siècle : les motivations des voyages en Orient, les attentes du public

Para a análise e interpretação dos dados produzidos, segui o seguinte itinerário: a) descrição do contexto de produção: observação do espaço físico e social, do

tempo de produção e circulação, assim como dos papéis e objetivos dos interlocutores;

b) análise do conteúdo temático: por meio do levantamento das escolhas lexicais observadas;

c) compreensão das atividades: busca de conteúdo léxico-semântico e paralinguístico para uma primeira compreensão dos dados;

d) análise e interpretação dos dados: realizadas a partir de categorias enunciativo- discursivo-linguísticas, construídas com base no conceito de dialogia de Bakhtin (1929-30/2006), nas pesquisas desenvolvidas pelo Grupo de Pesquisa LACE e nos contextos das atividades estudadas;

e) interpretação dos dados: aproximação e correlação das diferentes categorias, com o objetivo de responder às perguntas de pesquisa.

Nesta seção, apresento as categorias que foram utilizadas nesta pesquisa. Essas categorias estão organizadas com base nos três níveis de análise da Linguagem (enunciativo, discursivo e linguístico).

Nível enunciativo

Segundo Liberali (2013), as características enunciativas têm como foco o contexto de realização do evento. A análise, nesse nível, deve considerar a dialética entre o local, momento, veículo, participantes, objetivos, conteúdos e relações de poder a serem abordados, bem como seus modos concretos de realização e produção. Para a autora,

o lugar-tempo em contextos argumentativos é constituído como uma situação complexa em que conflitos de opiniões e de ideias estão em pauta. Pode, por exemplo, se caracterizar como uma situação expressamente monologal, em que apenas um enunciador assume o turno para a defesa de suas ideias, ou dialogal, em que há o pressuposto de participação de diferentes enunciadores no discurso. Para a constituição dessa situação, é estabelecido, de forma explícita ou implícita, um contrato de participação, a partir do qual os enunciadores realizam suas atuações (LIBERALI, 2013, p. 63).

Bronckart (1999/2007) enfatiza a importância de se compreender o contexto e os aspectos que influenciam a forma como um texto é organizado, agrupando esses fatores em dois conjuntos. O primeiro, referente ao contexto ou mundo físico, considera o lugar físico da interação em que se encontram os indivíduos, o momento de produção, o emissor e o receptor ou os interlocutores; o segundo, referente ao contexto ou mundo sócio-subjetivo, compreende o lugar social, a posição social dos interlocutores e o objetivo da interação.

Registro, no quadro, a seguir, os elementos do contexto de produção que foram considerados na análise dos dados produzidos e coletados nesta pesquisa. (Esse quadro continua na página seguinte.)

Nível enunciativo: Situação argumentativa

Categorias Características

Tempo Momento em que se dá a situação argumentativa

Espaço Local em que se dá a situação argumentativa

Tema Assunto alvo da discussão

Interlocutores Participantes da situação argumentativa

Quadro 8: Nível enunciativo: Situação argumentativa. Elaborado pela autora

Nível discursivo

As características discursivas relacionam-se ao modo como o texto pode ser disposto e sua análise considera os efeitos de sentido ou impressões causadas nos interlocutores a partir da estruturação da enunciação, considerando

a) o plano organizacional: a compreensão das formas como o enunciado se inicia, desenvolve e encerra;

b) a organização temática: a presença de pertinência e desenvolvimento nas sequências de turnos;

c) o foco sequencial: como se realiza a escolha temática e seu entrecruzamento discursivo;

d) a articulação das ideias apresentadas: a maneira como ideias, posições, pontos de vista são apresentados, contrastados, sustentados e acordados (LIBERALI, 2013).

Ao descrever estruturas argumentativas, Liberali (2009) apresenta, como elementos típicos que caracterizam uma estrutura argumentativa, a criação de polêmica ou apresentação de questão controversa, a apresentação de recursos para sustentar suas afirmações, a produção de refutação ou contra-argumentos e a busca de uma conclusão ou acordo. O quadro a seguir representa esses elementos, analisados nos dados apresentados. (Esse quadro continua na página seguinte.)

Nível discursivo 1: Estrutura argumentativa

Categorias Características

Questão controversa Uma proposta sobre o mundo, que provoque um questionamento quanto à sua legitimidade

Argumentos Desenvolvimento de um raciocínio para sustentar o ponto de vista apresentado

Contra-argumentos Oposição aos argumentos favoráveis precedentes

Conclusão Representa o que deve ser aceito em decorrência da questão controversa

Quadro 9: Nível discursivo 1: elementos que constituem a estrutura da argumentação (Liberali,

2009), organizado por GUERRA (2010) (Adaptado).

Ao tratar a organização dos turnos, Orsolini (2005) estabelece categorias que levam em consideração sequências interativas prototípicas de uma estrutura argumentativa. Para a autora, “a sequência interativa projetada por um ato comunicativo influencia a atribuição de significado ao discurso (e até mesmo ao silêncio) que se seguirá” (p. 126). As categorias apresentadas, pela autora, que foram utilizadas na análise dos dados desta pesquisa, estão sintetizadas no quadro que a seguir.

Nível discursivo 2: Sequências interativas

Categorias Características

Expansão

Espelhamento Informação é repetida, reformulada ou continuada.

Pedido de

esclarecimento Pedidos de informações contingentes à contribuição dos interlocutores.

Pedido de explicação

Concordância

Réplica elaborada Fala de um interlocutor é continuada e elaborada com acréscimos de informações.

Réplica mínima Resposta simples, sem elaboração.

Discordância

Réplica mínima Oposição simples – asserção de um interlocutor é negada sem justificações.

Réplica elaborada Oposição justificada – informação de um interlocutor é negada com justificações, Contraposição justificada – oposição precedente é recusada com justificações.

Quadro 10: Nível discursivo 2: Sequências interativas. (ORSOLINI, 2005). Organizado por

Perelman&Olbrechts-Tyteca (1996/2005) retomam a preocupação aristotélica com os tipos de argumentos, desenvolvendo, na Nova Retórica, categorias que são retomadas por Guerra (2010) no quadro apresentado a seguir. Utilizei essas categorias para melhor compreender os significados nos excertos analisados.

Nível discursivo 3: Tipos de argumentos

Categorias Características

De referência A hierarquia - A voz do outro é colocada como algo a ser seguido, ou não, em função de sua posição hierárquica.

A uma fonte - Precisam ser fidedignas pelo grupo.

Pragmático Transferência de valor entre elementos de cadeia enunciativa, da causa ao efeito e vice- versa

De exemplo Menciona um fato ou caso anterior para confirmar ou negar a tese.

De

comparação Objetiva apresentar constatações de fato. Podem ocorrer por oposição (o bom e o mau aluno), por ordenamento (é melhor aluno do que) e por comparação quantitativa (comparação de notas dos alunos).

De analogia Traça relações de semelhanças entre termos de gêneros diferentes.

De causalidade Objetiva, a partir de um acontecimento, aumentar ou diminuir a crença na existência de uma causa que o justificaria ou um efeito que dele resultaria.

De autoridade Utiliza atos ou juízos de uma pessoa ou de um grupo de pessoas como meio de prova a favor de uma tese.

De definição Define-se algo a partir de suas características observáveis.

Quadro 11: Nível discursivo 3: Tipos de Argumentos (PERELMAN&OLBRECHTS-TYTECA,

1996/2005). Organizado por Guerra (2010). (Adaptado). Nível linguístico

Liberali (2009) aponta que, para o alcance dos objetivos discursivos numa situação argumentativa, é necessário considerar os aspectos linguísticos organizadores do discurso. Para essa análise, utilizei os operadores argumentativos propostos por Koch (1992/2004) e os modalizadores classificados por Bronckart (1999), ambos retomados por Guerra (2010).

Nível linguístico 1: Operadores argumentativos

Marcas linguísticas Objetivo

Mesmo, até, até mesmo, inclusive Organizam a hierarquia dos elementos numa escala, assinalando o argumento mais forte para uma conclusão.

Ao menos, pelo menos, no mínimo Introduzem dado argumento deixando subentendida a presença de uma escala com outros argumentos mais fortes.

Portanto, logo, por conseguinte, pois, em decorrência, consequentemente

Introduzem uma conclusão relativa a argumentos apresentados em enunciados anteriores.

Ou, ou então, quer... quer, seja... seja Introduzem argumentos alternativos que conduzem a conclusões diferentes ou opostas.

Mais que, menos que, tão... como Estabelecem relações entre elementos, com vista a uma dada conclusão.

Porque, que, já que, pois Introduzem uma justificativa ou explicação relativa ao enunciado anterior.

Mas, porém, contudo, todavia, no entanto, embora, ainda que, posto que, apesar de

Contrapõem argumentos orientados para conclusões contrárias. Um pouco, pouco, quase, apenas, só,

somente Distribuem-se em escalas opostas, isto é, um deles funciona numa escala orientada para a afirmação total e o outro, numa escala orientada para a negação total.

E, também, ainda, a par de, nem (= e não), tanto...como, não só... mas também, além disso, além de

Somam argumentos a favor de uma mesma conclusão. Aliás Introduz um argumento decisivo, resumindo todos os demais

argumentos.

Já, ainda, agora São responsáveis por introduzir no enunciado conteúdos pressupostos.

Quadro 12: Nível linguístico 1: Tipos de operadores argumentativos (KOCH, 1992/2004).

Organizado por Guerra ( 2010, p. 111). (Adaptado).

(O quadro abaixo continua na página seguinte.)

Nível linguístico 2: Modalizações

Categorias Características

Lógicas O enunciador faz uma avaliação do enunciado com base no conhecimento do mundo objetivo, apresentando o seu ponto de vista sobre esse conteúdo (necessário, possível). Tempos verbais do modo condicional, auxiliares,advérbios, orações impessoais.

Deônticas O enunciador faz uma avaliação do conteúdo com base nas regras do mundo social. O conteúdo é apresentado como uma obrigação, um direito (é obrigatório). Tempos verbais do modo condicional, auxiliares, advérbios, orações impessoais.

Apreciativas

O enunciador faz uma avaliação do assunto tratado, apresentando-o como bom, ruim, feliz, infeliz (É estranho).

Verbos auxiliares de modo:querer, dever, ser necessário e poder. Advérbios e locuções adverbiais: talvez, felizmente.

Pragmáticas O enunciador dá a um outro agente determinadas capacidades de ação ou razões e causas para a sua ação. Quadro 13: Nível linguístico 2: Modalizações (BRONCKART,1999), organizado por Guerra (

2010, p. 113).(Adaptado).

Utilizei ainda as categorias apresentadas por Liberali (2013), de verificação do funcionamento dos mecanismos conversacionais e de valoração. Os mecanismos conversacionais “apontam os modos de participação dos sujeitos na interação e a interpenetração de suas vozes na apresentação de pontos de vista, sustentação, oposição” (p.75). Apresento, no quadro abaixo, os mecanismos conversacionais utilizados para a análise dos dados.

Nível linguístico 3: Mecanismos conversacionais

Tipo de Mecanismo Descrição

Interrogação Abre espaço para conhecer a ideia do outro sobre determinada temática.

Pausa Pode abrir espaço tanto para a apresentação de complementação do ponto de vista apresentado, como para sustentação ou ainda para a apresentação de ponto de vista contrário.

Permeabilidade Mostra a combinação de diferentes falas em um discurso, como se refletissem um único falante em um pensamento coletivizado.

Exclamação Permite visualizar a relação do enunciador com o tema tratado e com os demais interlocutores.

Quadro 14: Nível linguístico 3: Mecanismos conversacionais (LIBERALI, 2013). Elaborado pela

autora.

Os mecanismos de valoração refletem a posição do enunciador em relação aos temas, ao interlocutores, ao momento de enunciação e podem ser expressos por adjetivação, expressões depreciativas ou apreciativas, expressões descritivas ou atributivas e expressões identificatórias.

Por fim, fiz a análise dos dêiticos presentes nos excertos estudados. Segundo Santos (2010, p.127), “os dêiticos têm, no movimento textual, a função de “apontar” para o contexto situacional”. Consituindo-se como marcas linguísticas que permitem inscrever no

enunciado as marcas da interação, assinalam o sujeito que enuncia e o seu interlocutor (dêixis pessoal), o tempo (dêixis temporal) e o espaço (dêixis espacial) da enunciação. No quadro baixo, registro os elementos gramaticais que se caracterizam como dêiticos.

Nível linguístico 4: Dêiticos

Dêitico Elementos gramaticais

Pessoal Pronomes pessoais, pronomes possessivos, sufixos flexionais de pessoa-número, vocativos.

Temporal Advérbios, locuções adverbiais ou expressões de tempo. Espacial Advérbios ou locuções adverbiais de lugar.

Quadro 15: Nível linguístico 4: Dêiticos (SANTOS, 2010). Elaborado pela autora.

De acordo com as possibilidades de aplicação, algumas categorias foram utilizadas na análise dos documentos escritos e das interações; outras, apenas na análise das interações. Resumo, no quadro a seguir, as categorias utilizadas e sua esfera de aplicação. (O quadro continua na página seguinte.)

Categorias de análise

Nível enunciativo

Documentos escritos Interações

Situação argumentativa Situação argumentativa

Nível discursivo

Documentos Escritos Interações

Estrutura argumentativa

Tipos de argumentos Estrutura argumentativa Sequências Interativas Tipos de argumentos

Nível linguístico

Operadores argumentativos Modalizações Mecanismos de valoração Dêiticos Operadores argumentativos Modalizações Mecanismos conversacionais Mecanismos de valoração Dêiticos

Quadro 16: Categorias de análise. Elaborado pela autora.