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X.400 domain and domainpart mapping

3. Address mapping

3.3. RFC 1327 address mapping

3.3.2. Exception mapping

3.3.2.2. X.400 domain and domainpart mapping

Alinhado com a abordagem interpretativista fenomenológica adotada no estudo, o processo de análise dos dados neste trabalho iniciou à medida em que as informações foram sendo coletadas. Os significados, a interpretação, surgem da percepção do fenômeno visto num contexto (TRIVIÑOS, 1987). Logo, essa dinâmica interativa e não linear de coleta e análise orientou o trabalho, que, aos poucos, foi se dando a identificação de categorizações empíricas e teóricas.

Os primeiros dados da pesquisa foram produzidos durante o primeiro contato e nas primeiras entrevistas com os pesquisados, bem como por meio do acompanhamento das postagens na página do Facebook do Rock in Rio e site – aba Experiência. A partir desses registros, foi dado início à análise, embasada no círculo hermenêutico,10 procedimento realizado ao longo de todo esse período. Nesse processo contínuo de compreensão, busca-se transcender a fronteira entre sujeito e objeto e, como refere Arnold e Fischer (1994, p. 59), “como os pesquisadores são seres humanos (e consumidores), estamos simultaneamente tentando entender o outro, bem como ser um outro que está sendo entendido. O estranho se torna familiar e é constituído em nossa compreensão da humanidade (e do consumo) ”.

Para que fosse possível realizar o processo de análise dos dados coletados, seguiu-se algumas etapas, conforme propõe Bardin (2011): inicialmente, foi realizada a pré-análise dos materiais, na sequência, exploração do material e, por fim, o tratamento dos resultados e a interpretação. A pré-análise, conforme Bardin (2011, p. 125), “[...] é a fase de organização propriamente dita. Corresponde a um período de intuições, mas tem por objetivo tornar operacionais e sistematizar as ideias iniciais”. É nesta fase que se faz a escolha dos documentos a serem analisados e os objetivos do trabalho. A partir da definição do que estudar, é necessário proceder à constituição do corpus, sendo esse o conjunto do material que será submetido a uma análise. No caso desta pesquisa, entende-se que o corpus era composto pelas entrevistas em profundidade, diários, publicações e fotografias.

Nesta fase inicialmente, todas as entrevistas foram transcritas utilizando o software Microsoft Word e observando as regras de transcrição para sinalização dos elementos contextuais, além de incluir, antes das transcrições, um perfil do entrevistado com

10 A ideia de um círculo hermenêutico, ou espiral iterativa de compreensão, procura descrever o movimento de

interpretação. Representa a ideia de que o significado de todo um texto “é determinado a partir de elementos individuais de um texto, ao mesmo tempo que um elemento individual é entendido referindo-se ao todo de que é parte. Elementos específicos são examinados uma e outra vez, cada vez com uma concepção ligeiramente diferente do todo global. Gradualmente, surge um relato cada vez mais integrado e abrangente dos elementos específicos, bem como do texto como um todo” (ARNOLD; FISCHER, 1994, p. 63).

características pessoais e materiais coletadas até o momento da entrevista que pudessem ser relevantes para análise posterior (MCLELLAN; MACQUEEN; NEIDIG, 2003). Buscou-se descrever os dados textuais de maneira que capturassem o ambiente ou as pessoas que o produziram, em vez de apresentarem medidas predefinidas e hipóteses. Isso significa que a análise de dados qualitativos tende a ser indutiva, com o pesquisador identificando as categorias importantes nos dados, bem como padrões e relacionamentos, por meio de um processo de descoberta constante (MILES; HUBERMAN; SALDAÑA, 2014).

Cada transcrição ou material coletado por meio das múltiplas técnicas era lido integralmente, com o objetivo de se compreender amplamente os dados. Nesse processo, algumas categorias começaram a emergir e a encontrar eco em outras identificadas na literatura, como foi o caso do caráter social e familiar do festival, o qual se mostrou algo pertinente de ser explorado, em especial para compreender seus significados para os consumidores e como estas dimensões eram trabalhadas pelo provedor.

Concluída a pré-análise, teve início o processo de categorização com base nos objetivos da pesquisa, também denominada por Bardin (2011) de fase de exploração do material. Segundo Flick (2004), uma das estratégias no modo de lidar com o texto é a codificação do material com o objetivo da categorização e desenvolvimento da teoria. A codificação é uma transformação que ocorre, segundo regras precisas, em relação aos dados brutos do texto analisado. Essa transformação visa construir uma representação do conteúdo por meio de recortes e agrupamentos. Nesta etapa, nesta leitura sistemática do material coletado (transcrição de entrevistas, transcrição de vídeos, imagens, diários e demais dados secundários), iniciou-se a análise dos textos, parágrafos e comentários, objetivando a categorização dos dados, os quais foram inseridos no software MAXQDA 11 (para análise qualitativa), separados por fase (pré- consumo, consumo e pós-consumo) e por empresa, indivíduos e casais pesquisados.

Assim, o processo de análise foi desenvolvido com idas e vindas ao material, de modo que questões importantes que surgiram nas entrevistas, diários ou demais materiais pudessem ser observadas no próximo contato com os pesquisados, permitindo que as categorizações que estavam sendo elaboradas com base nos significados que os consumidores iam atribuindo a cada fase da experiência de consumo ficassem mais claras para o processo de análise. As informações coletadas com base nos diferentes métodos foram incorporadas no processo de representação da experiência de consumo em estudo, tendo a atenção para identificar convergências e incongruências na análise dos diferentes dados obtidos nas múltiplas técnicas de coleta que possibilitaram a interpretação (ARNOLD; FISCHER, 1994; ARNOULD; PRICE,

1993; HELKKULA; KELLEHER; PIHLSTROM, 2012), o que, espera-se, permitiu uma representação detalhada do fenômeno em estudo.

Passados 18 meses e aplicados diferentes recursos metodológicos de coleta e produção de dados, o processo de levantamento de dados foi considerado encerrado e os esforços direcionados, exclusivamente, para a sua análise. O grande volume de informações – mais de 400 páginas de transcrições e mais de 50 fotografias e imagens apresentadas pelos pesquisados e levantadas em redes sociais e site do provedor – possibilitou que o círculo hermenêutico orientasse a interpretação dos dados, tanto nos aspectos individuais de consumo quanto na relação entre os pesquisados e o provedor da experiência.

O processo de categorização dos dados pode ser dividido em dois momentos principais: inicialmente, a pré-análise do material, com identificação de categorias que emergiam claramente dos dados empíricos e, também, aquelas que encontravam amparo teórico, e, na sequência, a leitura com objetivo mais claro de exploração do material. Segundo Flick (2007), essa transformação visa construir uma representação do conteúdo por meio de recortes, agrupamentos e enumerações. No caso deste estudo, trabalhou-se com categorias abertas, emergentes da fala dos pesquisados, a partir dos temas e significados por eles atribuídos em cada fase da experiência de consumo.

Os primeiros códigos ou categorias que emergiram das análises e interpretações são apresentados a seguir no quadro 6. Estes foram separados conforme a fase de consumo na apresentação dos resultados, uma vez que, na sua maioria, se fizeram presentes em mais de uma fase:

Quadro 6- Primeiras categorias que emergiram da análise

Pré-Consumo Consumo Pós Consumo

1.Um sonho 1. Voltar no tempo A emoção: eu fui

2.A importância da música 2. O maior evento do mundo A experiência indescritível 3. A busca de informações 3.Um espaço para família

4. O papel da experiência anterior 4.O maior evento do mundo 5.As expectativas 5. A atenção ao consumidor 6. Diferença entre Rock in Rio e

demais shows ou outros festivais

6. O Símbolo/Imagem 7.Interações sociais 7: Sacrifícios e benefícios

8.O Mega evento 8. A comunicação com o festival 9. A experiência extraordinária 10. A infraestrutura 11.Frustrações 12. As campanhas e a comunicação 13. Segurança e acesso Fonte: A autora

Após a categorização inicial, à medida em que se foi avançando na análise e em novas leituras das partes – e a construção do todo foram sendo realizada –, voltou-se aos textos para buscar ampliar a compreensão das falas dos pesquisados, bem como relacionar os dados coletados em uma representação coerente e que melhor respondesse à questão de pesquisa. Nesta fase, os resultados brutos foram tratados, sendo delimitado um conjunto com as principais categorias temáticas e informações obtidas na análise (BARDIN, 2011; COOPER; SCHINDLER, 2014; MILES; HUBERMAN; SALDAÑA, 2014).

À medida em que novas leituras entre o todo e as partes foram sendo feitas, algumas categorias foram se mostrando muito amplos (o sonho) e outros demasiadamente específicos (a busca de informações). Outros tantos, contudo, foram mostrando-se relacionados e relacionáveis entre si e parte integrante de uma categoria maior. Nesse momento, alguns constructos teóricos passaram a instruir de forma mais decisiva o processo de análise. A noção valor na experiência, de Helkkula, Kelleher e Pihlström (2012), por exemplo, auxiliou a pensar o modo como os elementos/dimensões de valor são formados no decorrer da experiência. Analogamente, o conceito de jornada de consumo (LEMON; VERHOEF, 2016) ajudou a compreender a maneira como os consumidores vivenciam a experiência de consumo no decorrer da jornada de consumo de modo a compreender e considerar a longitudinalidade na formação da experiência para os consumidores. Essas e outras relações contribuíram para que se buscasse uma harmonia no agrupamento dos códigos de modo a refletir a experiência de consumo e a formação de valor. O agrupamento dos códigos amparados nesse processo resultou em novas categorias, agora mais concentradas separadas nas três fases analisada da experiência dos pesquisados com o festival:

Quadro 7- Categorias finais para análise da experiência dos consumidores

Categorias Pré-Consumo Categorias Consumo Categoria Pós-Consumo 1. As lembranças e a vontade de

reviver as experiências

1. A experiência começa antes da Cidade do Rock

1.A experiência Rock in Rio 2.Relação com a música 2. A (re) descoberta da Cidade do

Rock

3.Convivência, aspecto social 3. Envolto no mundo da música 4.O Mega Evento 4. Fazendo parte da comunidade

Rock in Rio 5. A comunicação do festival com

o público

5. Como os parceiros afetam a experiência

6.Eu vou Fonte: A autora

A partir dessas categorias, voltou-se aos textos para se buscar nova compreensão das práticas e dos discursos dos pesquisados, bem como relacionar os dados coletados em uma

representação que fosse coerente e que melhor respondesse às questões de pesquisa. Esse último processo confirmou a importância de se iniciar a discussão dos dados a partir da apresentação do provedor da experiência para contextualizar o lócus onde a pesquisa foi desenvolvida, bem como o modo como este planeja a experiência dos consumidores. Na sequência iniciou-se a descrição da construção de valor na fase pré, de consumo e pós-consumo, de maneira que as categorias demonstrassem o caminho percorrido pelo consumidor e as dimensões de valor presentes em cada etapa.

Assim, após o agrupamento em categorias, os dados foram analisados dentro de cada categoria temática de modo a identificar quais dimensões de valor, entre as especificadas na literatura e outras emergentes no trabalho, se fizeram presentes em cada fase de consumo na experiência dos pesquisados com o festival. As dimensões de valor foram assim denominadas por representarem os aspectos que preponderam na formação de valor para o consumidor, sendo a sua maioria são nominadas com a característica geradora de valor e representam um conjunto de elementos que, quando presentes, ‘formam’ uma dimensão de valor já conceituada em estudos anteriores (Anexo A).

A seguir foi realizada a discussão dos resultados, integrando os achados a partir da análise dos consumidores com aqueles coletados com o provedor da experiência, bem como com os casais que ilustraram o case “eu vou casar” no Rock in Rio 2015.

A partir desta estrutura foi realizada a análise e discussão dos dados deste trabalho, que foi construído a partir de uma abordagem interpretativa de pesquisa inspirada em características da fenomenologia, especialmente na condução de determinadas entrevistas, na combinação de diferentes técnicas de coleta e no relativamente prolongado acompanhamento de cada consumidor. Entende-se que esta abordagem possibilitou ir além da identificação de certas evidências e compreender a formação de valor no decorrer da experiência de consumo.

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