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Os princípios da animação foram formulados na década de 30 pelo estúdio Walt Disney Productions, com base nos estudos e avanços das técnicas de capturar o movimento e sua relação com espaço/tempo. Tais princípios se tornariam fundamentos para a linguagem da animação e também métodos de criação de animações (THOMAZ; JOHNSTON, 1995). Estes aspectos específicos da animação influenciaram o cinema em particular e a linguagem animada como um todo.
Os 12 princípios criados por Disney auxiliam na construção da animação são considerados conceitos essenciais de criação. Duran (2010), Thomas e Johnston (1995) e Williams (2009) os definem como:
1. Tempo (timing): característica ligada ao ritmo em que as coisas acontecem, à velocidade, peso, tamanho, espaço e expressões. Também está relacionada à velocidade da ação, considerando fatores físicos e gravitacionais. Por exemplo, quando um personagem levanta um objeto, para que ele passe a sensação de ser algo pesado, o personagem o levanta devagar e com expressões faciais de esforço, se a sensação é de leveza, ele o levanta rapidamente;
2. Aceleração e desaceleração (slow in slow out): conceito relacionado à lei da inércia e física. Diz respeito aos
movimentos naturais, que não ocorrem abruptamente. Conceito aplicado à parada abrupta e desaceleração progressiva e também da aceleração repentina ou progressiva, gerando ênfases em determinados eventos. São ações representadas por meio da quantidade de frames: quanto maior a quantidade de frames, mais lento será o movimento, e assim o seu contrário, quanto menos frames, mais acelerado o movimento será;
3. Arcos e linhas de ação: representação do movimento e direção, caracterizando o caminho que o personagem percorre do início ao fim de uma ação. São baseados nos movimentos naturais e humanos, que tendem a formar arcos, conferindo ao objeto uma aparência mais fluída e suave. Tende a imitar a realidade em que raramente os movimentos humanos são retos e secos. A linha de ação ajuda a ditar ritmo à produção, relacionando força e movimento;
4. Ações e reações (follow trough and overlapping action): diz respeito às Leis de Newton, em que “um corpo em repouso tende a permanecer em repouso e um corpo em movimento tende a permanecer em movimento” (DURAN, 2010, p. 51). Representa o movimento e a sensação de velocidade e peso da ação. O follow trough é relacionado à frenagem, que impulsiona demais partes do corpo para frente, como tronco e cabeça e diferencia-se de acordo com o peso de cada um. O overlapping direciona-se ao impacto representado nas partes flácidas (não rígidas) do objeto. Estes fatores são influenciados pelo peso, quanto mais pesada for a aparência do objeto, maior será seu deslocamento para frente e maior será a vibração de seus pontos flácidos. Estas ações também se estendem para as roupas e cabelos do personagem; 5. Ação secundária: tem foco nos movimentos, ações e
personagens em segundo plano. Esse princípio abrange a questão da interligação das coisas em um cenário. Ao representar uma caminhada, além dos movimentos das pernas e braços, existem movimentos secundários como mexer nos cabelos, colocar os óculos escuros, etc.;
6. Achatar, comprimir e esticar (squash and steach): enfatiza o movimento e sua intensidade. Lida com as com as distorções do personagem ou objeto durante as ações. Uma bola um pouco vazia ao quicar no chão, irá se deformar em formato oval, por exemplo, e isto também denuncia a intensidade da
ação. Este princípio utilizado em exagero proporciona à animação uma representação fantasiosa e irreal;
7. Valorização e exagero: responsável pela expressividade da animação, em que acentua uma ação, ideia ou sentimento, transformando-a em uma caricatura da realidade. Tristeza, alegria, tensão e demais sensações agregam maior dramaticidade à animação;
8. Animação alinhada e Animação pose-a-pose: animação alinhada é aquela que possui um formato cronológico linear e sequencial. As atuais técnicas de captura de movimentos (motion capture) e rotoscopia9 possibilitam a captura de movimentos contínuos e as imagens gravadas sequencialmente. Animação pose-a-pose é planejada de forma diferente. Primeiro são definidos os quadros-chave (keyframes) e os tempos de duração e transição, como se fosse o início, meio e fim. Depois eles são complementados com os quadros auxiliares e o movimento completo é gerado;
9. Antecipação: ação que dará início ao movimento. É uma representação importante para preparar o espectador para os movimentos que seguirão. Por exemplo, ao representar um salto, o personagem antes toma impulso e contrai o corpo, para depois realizar o movimento e seu encerramento; 10. Enquadramento e encenação: momento que o personagem
toma a atenção do espectador com movimentos claros e inteligíveis, incluindo enquadramentos e closes de câmera. A silhueta do personagem deve representar a ação com o máximo de clareza e fluidez na encenação dos movimentos, dentro de um espaço e tempo determinados;
11. Desenho sólido: diz respeito às características físicas dos personagens e as atribuições que os distinguem, como peso, forma, volume e textura;
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Em 1915, os irmãos Max e Dave Fleischer desenvolveram uma técnica para gerar animações chamada rotoscopia. Este procedimento consiste em projetar imagens reais pré-filmadas (como um projetor de slides) em uma chapa de vidro para que o artista pudesse desenhar (em papel ou acetato) a parte da imagem que desejasse, representando a performance de movimentos reais (LUZ, 2009).
12. Apelo: relaciona-se às características intrínsecas do personagem como carisma, qualidades, aparência, juntamente com atributos de personalidade que irão cativar o espectador. Thomaz e Johnston (1995) colocam que é a empatia sugerida pelo personagem ao espectador, para que o objeto animado seja algo agradável e fascinante.
Estes parâmetros da Walt Disney foram responsáveis por tornar a linguagem animada mais peculiar. A produção de uma boa animação deve seguir tais conceitos para que se obtenha uma sintaxe dos movimentos o mais próximo da realidade, fornecendo um padrão visual às produções. O filme “Branca de neve e os sete anões” (1937) da Walt Disney foi o primeiro longa metragem que empregou estas “regras”.
Além dos 12 conceitos da Disney, Duran (2010, p. 55) ressalta os seis princípios técnicos que formam a base da produção animada. São eles:
1. Metamorfose: é a transformação das formas da imagem. Pode ser metamorfose mórfica ou anamórfica. A primeira é a transformação com fluidez e suavidade do objeto ou personagem. A segunda é o contrário, quando a transformação é bastante perceptível e o espectador consegue notar as distorções;
2. Condensação: é o efeito de montagem que consiste em sobrepor uma imagem a outra, para interromper ou cortar a ação (fade out and fade in);
3. Sinédoque: é como um enquadramento de primeiro ou primeiríssimo plano que mostra detalhes da ação que está acontecendo na história. Tem valor para que ocorra a percepção imediata de algum detalhe especial da cena animada;
4. Fabricação: é a produção em si do ato de animar objetos inanimados, conferindo-lhes vida;
5. Representação da fala: são as características faciais que representam a fala dos personagens, podendo ter alto grau de realismo ou ser simplificada, de acordo com as características estilísticas da animação;
6. Penetrabilidade: relacionado às significâncias dos objetos quando devem atingir o imaginário, as atividades mentais e as fantasias. É a representação dos fenômenos impossíveis ou a criação deles.
Estes princípios aparecem constantemente nas produções animadas, mesmo que o animador não os tenha projetado propositalmente. Alguns conceitos nasceram com a fotografia e, ao ponto que os dispositivos foram surgindo e a arte da animação foi se tornando mais profissional, estes padrões de criação e produção tornaram-se ainda mais relevantes, principalmente com os novos dispositivos digitais de criação e exibição.