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Worldwide uranium resources and production capacity – the future of the industry

Segundo Hogarth (2002), as pessoas podem fazer julgamentos e escolhas de duas maneiras - uma tácita (ou intuitiva) e uma deliberada (ou analítica). Ele examinou as condições em que cada sistema é provavelmente mais eficaz. Dentre as considerações feitas pelo autor merece destaque o fato de que enquanto muita atenção tem sido dispensada para ajudar as pessoas a tomarem decisões de modo deliberado, poucos esforços têm sido dirigidos para melhorar a capacidade de tomar decisões na modalidade tácita. Esta informação é relevante à medida que se considera como a eficácia das decisões depende claramente de ambos os sistemas (tácito e deliberado). Isto representa, portanto, uma fronteira importante para a investigação.

Na área de Marketing, Horide (2003) analisou o processo decisório, mostrando como as emoções são fatores críticos para a tomada de decisões em nível de gestão empresarial. O trabalho aborda os aspectos emocionais e explora a influência da intuição, coragem e

sabedoria na tomada de decisão empresarial em relação à comercialização e ao empreendedorismo.

O artigo produzido por Egidi (2005) fornece uma visão geral do estado da arte na teoria da decisão racional desde a década de 1950, e centra-se especialmente sobre a justificação evolutiva da racionalidade. Culmina a análise feita com a sugestão proposta por Kahneman, em sua palestra quando do recebimento do Prêmio Nobel, segundo a qual é necessária uma distinção entre dois tipos de processos cognitivos - o processo deliberado e o processo automático. Neste estudo ele afirma que, de acordo com Kahneman, pode-se formular um mapa para explicar uma ampla gama de desvios da racionalidade pura. Esta visão requer o restabelecimento e revisão de conexões entre Psicologia e Economia, ou seja, existe um grande desafio em ir contra a metodologia normativa própria da abordagem econômica.

De acordo com Engel (2008), o modelo de escolha racional é rotineiramente acusado de ser irrealista por parte de seus críticos. Uma objeção chave a ele é que, para todos os problemas não triviais, calcular a melhor resposta é cognitivamente muito cansativo, tendo em conta as limitações cognitivas da mente humana. Se alguém se limita a analisar a decisão conscientemente controlada, essa crítica, certamente, se justifica. Mas ignora um segundo aparelho mental que, ao contrário da deliberação consciente, não funciona em série, mas em paralelo. Ele lida com grandes quantidades de informação em quase nenhum tempo. Ela não está acessível conscientemente e apenas o resultado final é impelido de volta à consciência como uma intuição. Nesta perspectiva, o ator propõe uma discussão acerca dos aspectos comportamentais no contexto institucional, discutindo de que forma isto afeta o processo de tomada de decisão.

Frederick (2005) conseguiu mostrar que existe influência do nível de habilidade cognitiva sobre o julgamento e a tomada de decisões, identificando que a diferenciação dos indivíduos segundo sua capacidade cognitiva pode ser visualizado como um importante determinante causal das decisões empreendidas pelos indivíduos. Desta forma, depreende-se que a capacidade cognitiva dos indivíduos pode estar relacionada aos tipos de escolhas destacados em testes de teorias da decisão, como a teoria da utilidade esperada e a teoria dos prospectos. A relação que se trama é tão forte algumas vezes que as preferências por si só funcionam como expressões da capacidade cognitiva.

Pode-se observar, segundo evidências empíricas, que indivíduos submetidos a preferências temporais orientadas pelo sistema tácito ou intuitivo se mostram menos pacientes que os indivíduos que tiveram suas decisões orientadas pelo sistema racional. Como implicação desta constatação sugere-se que: dentro do processo gerencial as escolhas dos decisores, mormente o gestor ou o profissional de Controladoria, referentes à alocação de recursos, podem ser afetadas por aspectos intuitivos, a exemplo de escolhas de investimento com retornos menores no curto prazo em detrimento de retornos maiores no longo prazo.

A diferenciação dos indivíduos entre intuitivos e racionais, embora se apresente como pouco palatável e, em certa medida polêmica, permitiria compreender os pressupostos subjacentes às escolhas dos decisores gerenciais, uma vez que quando orientados por aspectos intuitivos, estes (os decisores) se mostram menos pacientes.

Feitas estas considerações a diferenciação entre indivíduos intuitivos e racionais, considerando o nível de habilidade cognitiva seria sintetizado no Quadro 1:

Quadro 1 - Comportamento de indivíduos intuitivos e racionais Nível de Habilidade

Cognitiva Preferência Intertemporal Escolhas sob Risco Alto Recompensas maiores mesmo que em

um momento futuro

Retornos maiores mesmo sob risco (propenso ao risco)

Baixo Recompensas agora mesmo que inferiores

Risco menor mesmo com retorno menor (averso ao risco)

Fonte: Elaboração própria, 2011

Frederick (2005) afirma, ainda, que, no domínio das preferências sob risco não há uma presunção profundamente formada sobre a influência da capacidade cognitiva e que quase nenhuma pesquisa existe relacionada a este tópico. Donkers; Melenber e van Soest (2001), entretanto, descobriram que respondentes mais educados se apresentaram mais tolerantes ao risco em situações-problema hipotéticas: por exemplo, eles estiveram mais propensos a preferir 80 por cento de chance de obter 45 florins (em torno de 23 dólares) do que a opção de 30 florins (em torno de 15 dólares) em condição de certeza.

No âmbito das decisões gerenciais, a diferenciação dos indivíduos entre intuitivos e racionais proporcionaria predizer qual tipo de decisão o gestor ou o profissional de Controladoria

cognitivamente intuitivo iria adotar frente a uma situação de risco: pela aversão a perda sob risco este tipo de decisor alocaria recursos a investimentos cujo retorno fosse certo, esquivando-se de investimentos cujo risco fosse maior, mesmo sendo a promessa de retorno superior. Outra implicação desta diferenciação é possibilitar compreender que determinados tipos de decisões pressupõem a preponderância de atributos racionais dos decisores enquanto que determinados tipos de decisão pressupõem a preponderância de atributos intuitivos por parte dos decisores.

Configurando estas proposições para o contexto das decisões intra-organizacionais é possível afirmar que, para a teoria racional, o que motivaria uma antecipação de receitas por parte de um gestor seria a perspectiva oportunística do mesmo. Para a abordagem comportamental, este fenômeno estaria relacionado, muito possivelmente, ao fato de o indivíduo apresentar um baixo nível de habilidade cognitiva e, em razão disto, preferir uma recompensa agora, mesmo que em valor inferior, a uma recompensa futura. O mesmo se aplicaria a adoção de uma política de investimento em situação de risco. Para a abordagem positiva da economia ao preferir uma recompensa certa (100% de chance de recebimento) o decisor estaria agindo segundo a perspectiva da eficiência. Este mesmo fenômeno observado sob a ótica comportamental permitiria uma explicação diferente: o decisor, sendo suscetível a influência de aspectos intuitivos e, portanto, avesso a situações prováveis sob risco, preferiria uma opção cujo retorno fosse certo, mesmo resultando em uma recompensa inferior àquela que se obteria em outra alternativa sob risco.

2.6 CONSTRUCTOS DA PESQUISA

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