SUMMARY, CONCLUSIONS AND POLICY PERSPECTIVES
1. WORKINGS: MODEL SPECIFICATION NORTHERN PROVINCE
Na tentativa de aprender a funcionar em rede e continuar visitando grupos específicos da criação coletiva latino-americana, surge o Proyecto Quito – Sucre 2012. Este projeto inaugura o começo de uma busca mais séria e comprometida, não só com a formação artística e os processos criativos em conjunto, mas também com a gestão e a produção de projetos internacionais, pois, aquela rede que começou como um sonho, precisava de mãos que tornassem possível cada encontro.
O projeto foi pensado e planejado como um encontro com dois grupos em países diferentes: Grupo Malayerba, em Quito (Equador) e Teatro de Los Andes, em Yotala (Bolívia). Sob a produção de Daniela Chávez, Camila Guilera e Milena Flick (Colectivo
Âmbar) em colaboração com Daysi Sánchez (Malayerba) e Jean Paolo Nalli (Teatro de Los
Andes).
De 28 de janeiro a 9 de março de 2012 o projeto foi desenvolvido com a participação de artistas do Brasil, Costa Rica, Equador, México, Peru, no encontro com o Grupo Malayerba; e Argentina, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Equador, México, Peru, no caso do Teatro de Los Andes.
O encontro com o Grupo Malayerba desenvolveu os tópicos de Dramaturgia, com Arístides Vargas, Interpretação, com Charo Francés, Treinamento do Ator, com Gerson
Guerra e Semiótica, com Santiago Villacís. Já no Teatro de Los Andes, Gonzalo Callejas, Lucas Achirico e Alice Padilha Guimarães guiaram o trabalho em torno do Treinamento Físico e Vocal, Técnica de Improvisação e Pesquisa de Elementos da Encenação.
O projeto propôs uma dinâmica na qual o grupo de participantes teriam que se deslocar, por terra, da Casa Malayerba na cidade de Quito (Equador) até a fazenda do Teatro de Los Andes em Yotala, uma localidade próxima à cidade de Sucre, Bolívia; Dalí, retornar cruzando, novamente, território peruano até chegar ao ponto inicial no Equador para, finalmente, conseguir voltar aos países de origem de cada um. Um labirinto nas rotas andinas que trouxeram grandes aprendizados.
Devido à quantidade de pessoas envolvidas no projeto naquele ano, o Grupo Malayerba
abriu a possibilidade de fazer um encontro específico para o Âmbar16, poucos dias depois do
laboratório internacional que acontece anualmente. A estrutura metodológica seria a mesma, com o diferencial de que aquele coletivo que se formou em 2010 voltaria com novos integrantes - os quais só tinham algumas vagas lembranças dos dias compartilhados no Peru em 2011, apesar de terem permanecido em contato durante o ano todo, graças à internet, às redes sociais e ao e-mail. Essas ferramentas de comunicação permitiram a instauração de uma dinâmica de funcionamento estratégica para os projetos seguintes.
A experimentação dramatúrgica e cênica resultantes do trabalho realizado nessa primeira etapa do projeto, e integrada com as ferramentas de treinamento e interpretação compartilhadas pelo Malayerba, tem fundamentado diversas pesquisas dos integrantes do Âmbar até os dias atuais. No meu caso, trouxe a descoberta da escrita como espaço de pesquisa, experimentação e expressão da minha perspectiva do mundo.
Durante este encontro, o grupo Malayerba colocou mais uma vez um desafio para o Âmbar, baseado na pergunta: quando vão começar a trabalhar, criar juntos? Aquela ideia nos fez sair do eixo e tem reverberado no surgimento de outras linhas de trabalho do Colectivo
Âmbar: o FITLÂ e as Micro Redes17.
Para a segunda seção do projeto, a ser realizada na Bolívia, uma parte do grupo voltou para seus respectivos países e outra começou o trajeto de viagem que durou sete dias, passando pelas cidades de Huaquillas, Tumbes, Lima, Arequipa, Puno, Copacabana, La Paz e
16
Oficialmente o laboratório com eles, para além de fazer parte do Proyecto Quito-Sucre, chamou-se XVI
Encuentro Internacional con el Grupo Malayerba.
Sucre. Dias de frio, calor, adrenalina, novas paisagens e novos amigos, todos a caminho, todos envolvidos em uma nova aventura pela cordilheira dos Andes.
A estância com o Teatro de Los Andes trouxe uma outra percepção sobre o modo de viver e criar, pois, pela primeira vez, o Âmbar tinha contato com um grupo, cujos integrantes moravam juntos, no mesmo lugar, há mais de 20 anos e que encontravam na organização comunitária uma forma de resolver a vida criativa e cotidiana em conjunto - enfrentando os desafios que implica uma decisão assim. Sem dúvida, essa experiência marcou e ajudou o coletivo a pensar na possibilidade de tentar fazer uma residência artística que permitisse um mergulho desse tipo (projeto que aconteceria anos depois).
As ferramentas práticas aprendidas sobre o trabalho de imagem, musicalidade, treinamento, improvisação e encenação no campo da criação coletiva, permitiram também o encontro com novos criadores, entre eles Gonzalo Alfonsín (Argentina), para além de outras pessoas que com o tempo se somaram às atividades do Âmbar.
É também, pela primeira vez, que a coordenação do coletivo propõe duas atividades novas antes de fechar cada uma das experiências com os grupos mestres. Por um lado, uma Assembleia Geral para avaliar o projeto e começar a desenhar, em conjunto, o que seria o encontro no ano seguinte; e por outro, a realização de uma Performance no espaço público que pudesse dar conta das ferramentas acolhidas durante os dias prévios (uma tentativa de começar a criar em conjunto antes de voltar aos nossos países).
A viagem inteira durou 42 dias, sendo completamente desafiadora e rica como experiência de vida, no aprendizado sobre as manifestações teatrais específicas de cada grupo e de cada lugar, assim como nos laços criativos e de afeto que começaram a se estabelecer a partir daquele projeto. O Colectivo Âmbar começou a se tornar um objetivo importante na vida artística de vários integrantes que ainda jovens, e sem saber muito bem a longitude dos nossos passos, acreditamos que o caminho da criação coletiva traria luz a muitos dos processos que cada um desenvolvia nos seus países. Para alguns de nós, no ano 2012, nasceu
aquilo que chamamos de País Âmbar18.
A Figura 4 é a lembrança do começo de uma parceria que continua até os tempos atuais (ano de 2018), pois, ainda que o Colectivo Âmbar já tivesse uma relação de trabalho e carinho com o Grupo Malayerba, foi neste encontro que os laços se concretaram. De igual
forma, a chegada na Bolívia com o Teatro de Los Andes (Figura 5) foi o início de um trabalho que tem tido reverberações ao se desdobrar em novos encontros nos anos seguintes.
Figura 04 – XVI Encuentro con el Grupo Malayerba 2012
Fonte: acervo do Colectivo Âmbar
Figura 05 – Collage das atividades desenvolvidas no Teatro de Los Andes
Fotógrafo: Sandro La Torre. Fonte: Acervo do Colectivo Âmbar
Sobre o Grupo
O Teatro de Los Andes19 foi fundado na Bolívia no ano de 1991. Sua sede está na
localidade de Yotala, em uma pequena fazenda próxima à cidade de Sucre; neste espaço se criam e apresentam espetáculos, realizam-se encontros e oficinas de teatro, além de acolher outros artistas e grupos teatrais.
A característica mais forte do trabalho do grupo é a criação coletiva. Todos, diretor e atores, participam da construção dos elementos da encenação e da proposta musical, cenográfica e dramatúrgica. Seus espetáculos buscam refletir sobre o espaço cênico, a arte do ator e a necessidade de contar histórias, de lembrar, de retomar a própria essência, construindo uma ponte entre a técnica teatral e as fontes culturais andinas, utilizando o encontro, o contato e o diálogo como elementos imprescindíveis para o trabalho cultural. A relação com o público determina o perfil de seu trabalho: levar o teatro aos lugares onde as pessoas estão, procurar novos públicos e fazer teatro para eles.
Ao longo dos seus 26 anos de existência, o Teatro de Los Andes20 tem produzido obras
teatrais que tem percorrido quase toda a Bolívia e diferentes países dos cinco continentes; tem ministrado oficinas sobre a formação do ator e a encenação, e tem realizado projetos sociais em espaços e comunidades nas quais o teatro não é um meio para a discussão ou a inclusão social.
Depois de 20 anos trabalhando com César Brie como diretor, e a partir de seu afastamento em 2010, o grupo entra em uma nova fase de pesquisa estética, criando seus dois mais recentes espetáculos, tendo Diego Aramburo e Arístides Vargas como diretores convidados. (Disponível em: <http://www.teatrolosandes.com/sp/default.asp>. Acesso em: 20 nov. 2017.Tradução nossa).
19 Integrantes: Gonzalo Callejas, Lucas Achirico e Alice Padilha Guimarães. 20