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Working with Symbolic Links

Dans le document What You Will Learn (Page 153-157)

Indirect System Calls

5.4. Obtaining Information about Files

5.4.5. Working with Symbolic Links

A partir desse momento, do capítulo 55 ao 100, Helena perdeu todo o seu protagonismo, apesar de fatos relevantes terem ocorrido a ela, como a separação de Marcos e a descoberta da gravidez, ela ainda se sente culpada pelo acidente de Luciana, pondo a culpa no aborto que realizou no início da carreira, em um diálogo com a mãe. A personagem passou a ser rejeitada pelo público e Luciana acabou ganhando um espaço de protagonismo na telenovela, que também passou a ter um outro tipo de temperamento, falando em tom alegre, animado e sorridente, por vezes infantil, como se já tivesse aceitado sua nova condição de vida, compreendendo e querendo conversar com Helena quando estiver mais tranquila.

O processo de recuperação começa a acontecer com Luciana, o que causa grande emoção, que aconteceu no capítulo 70, em que ela senta pela primeira vez, enquanto isso Helena, apesar de ter reatado com Marcos, perdeu seu bebê, vítima de um aborto espontâneo, o que aos olhos do público, pode ter sido uma forma de “castigo”. Entretanto, Luciana, que já havia conquistado a comoção dos telespectadores, cresceu ainda mais quando reviu Helena após o acidente e a perdoou pelo que havia acontecido, o que contribuiu para a sua superação, que era o tema principal de Viver A Vida.

Do capítulo 101 ao 150, enquanto Luciana demonstra pequenos avanços na fisioterapia para tentar reverter sua deficiência, Bruno, que é fotógrafo, retorna ao Brasil e consegue um emprego na agência em que Helena trabalha, o que acaba deixando os dois mais próximos e após alguns capítulos, acabam flertando e se beijam, algo que também pôde não ter sido bem visto aos olhos dos telespectadores, levando em consideração que a protagonista era uma mulher casada, por mais que estivessem em crise e dormindo em quartos separados.

Helena estava tão impopular que muitas vezes era confrontada por Rafaela (Clara Castanho), uma criança de dez anos e não tinha resposta alguma a dar à menina quando as duas conversavam. Algo que se tem de se levar em consideração é o fato de enquanto Edite vai à casa da filha, em um morro do Rio de Janeiro, para fazer uma visita e desconfia dos amigos do companheiro dela, o que enfatiza o fato do próprio negro desconfiar das pessoas pelo próprio tom da pele e de onde eles vivem, Tereza conversa com Luciana, falando que o acidente que ocorrera a filha a fez mudar e se tornar uma pessoa melhor, apresentando o contraste existente no país. Enquanto isso, como uma forma de redenção, Luciana aceita o convite de Helena e

Marcos para morar na casa deles, depois de adaptá-lo às necessidades dela e elas acabaram selando a paz de vez.

Do Capítulo 151 ao 203, a trama entra na fase final e o clima de desavenças pareceu ter dado uma trégua, menos para o elenco negro, que inclui Bené e Sandrinha, pois ele continua no mundo do crime. Situações como essas só acrescentam ao público o fato do negro ser o único problemático e envolvido em crimes numa telenovela. Enquanto isso, Helena e Marcos terminam seu casamento, e como o machismo presente, ele colocou a culpa do término do relacionamento nela, a culpando por não ter colocado o casamento como prioridade, o que não é verdade, pois em toda a trama Helena agiu por amor e dedicação, o que não pareceu suficiente aos olhos dos telespectadores. A protagonista então colocou um ponto final no casamento e resolveu se dedicar a Bruno, com quem inicia um novo relacionamento. Mais uma vez, essa atitude pode ter contribuído para a negatividade da personagem, sem contar que pela segunda vez Helena entra no segundo relacionamento com um homem branco. Um ponto a ser levado em consideração é o capítulo 175, em que Bruno questiona sua mãe que após conhecer Helena foi indiferente, perguntando se era pelo fato de ela ser negra, o que não fica explicitado, pois a mãe dele revela que tem divergências com a profissão de modelo e não pela cor da pele de Helena, no entanto, pairou a dúvida de que realmente ela estava falando do trabalho da protagonista e não pelo fato de ela ser uma mulher negra.

Entre os capítulos 204 e 209, algo que chamou bastante a atenção, mas que não houve repercussão alguma, foi a morte de Bené, que havia abandonado a criminalidade, porém depois de mais uma vez ser perseguido por inimigos no morro onde estava morando com Sandrinha, é alvejado por vários tiros, todos partindo de também pessoas negras, inferiorizando e banalizando a vida do povo preto, o que parte do princípio do racismo estrutural presente entre a população brasileira.

Tereza e Marcos conversam e fica notório o quanto o machismo impera nessa sociedade ainda, e como se faz muito forte, pois ao passo que Tereza compreende o fato do ex-marido ser um homem mulherengo, ter lhe traído diversas vezes e a machucado bastante, não perdoou Helena por tudo o que aconteceu, concluindo que a havia avisado quem era Marcos e que a maior mágoa da sua vida, ela devia a protagonista de Viver A Vida. Mais a frente, o destaque do último capítulo continuou com Luciana, com o anúncio da gravidez e o parto emocionante, onde dá à luz a gêmeos, enquanto que com Helena, que também engravidou, a emoção ficou por conta dos personagens. Em uma das últimas cenas, Helena e Luciana desfilam juntas, essa estando ainda em cadeira de rodas, o que comoveu o público da trama de Manoel Carlos.

Desse modo, com o fim da telenovela, foi notório o tamanho do espaço que Helena perdeu na trama, e como sua personagem não teve a relevância que poderia ter obtido, e o

grande fator que contribuiu de fato foi o acidente, que o público não percebeu, mas que foi causado pela própria Luciana que se não tivesse tratado Helena mal e feito julgamento da protagonista sem conhecer realmente sua história, teriam viajado juntas no carro e ela não teria enfrentado a tetraplegia. Além disso, o tapa que recebeu de Tereza como forma de vingar a filha, a deixou ainda menor em Viver A Vida, em plena semana da Consciência Negra, como veremos no capítulo a seguir.

3 A REJEIÇÃO: A HELENA DE TAÍS ARAÚJO

O Dia Nacional da Consciência Negra é comemorado em 20 de novembro. Essa data foi escolhida em homenagem a Zumbi dos Palmares, que morreu no dia 20 de novembro de 1695. Nesta semana, diversas atividades, programas televisivos, eventos educativos e projetos culturais enfatizam a importância que o negro exerce em nossa sociedade, entretanto, essa abordagem deveria ocorrer corriqueiramente, rompendo com o racismo que, infelizmente, ainda persiste em diversos pontos do mundo inteiro.

Em Viver A Vida, Helena não previu que um acidente com suas colegas de trabalho a afetaria de tal maneira, que sua participação na telenovela passaria de protagonista a coadjuvante, transformando toda a carreira de Taís Araújo, sua intérprete, após esse fato. Pior do que esse episódio, foi a relevância de saber que a cena do capítulo 55, onde ajoelhada leva um tapa no rosto de uma mulher branca aconteceu ano dia 16 de novembro de 2009, em plena semana do Dia da Consciência Negra no Brasil, o que tornou a público o racismo existente nos tempos contemporâneos e afirmando que ele se faz presente até os dias de hoje. Esse ato afetou muitos telespectadores e o movimento negro, que se sentiu diretamente atingido pela cena de humilhação e subordinação que Helena passou.

O fato é que um acontecimento como esse causa uma discussão e coloca em cheque a luta pelo racismo que constantemente lutamos todos os dias contra para que acabe e que possamos atuar em nossas obras de maneira que não precisemos ter que passar por esse tipo de situação vexatória. Ir ao ar uma cena de humilhação como a que Taís Araújo enfrentou, levanta a questão da necessidade de buscarmos respostas para esse fato, tendo Helena a culpa pelo ocorrido, ou não.

A personagem já estava sofrendo com a culpa de não ter permitido que a colega de trabalho viajasse ao seu lado e, indiretamente, ter deixado Luciana tetraplégica, humilhá-la ainda mais só contribuiu para mostrar o racismo presente nas tramas brasileiras, e pior, exibi-la na única semana em que se pode ouvir o negro nesse país. Por mais avanços que o povo preto tenha adquirido, ainda é fato que as pessoas queiram ver os negros no Brasil em situação de subserviência, como afirma Araújo (2008), “A representação dos atores negros têm sofrido uma lenta mudança desde a década de 60, quando somente atuavam interpretando afro-brasileiros em situações de total subalternidade.” (p. 980), comprova que o racismo existe e que é fato que ainda caminhamos a passos lentos para o fim dele nas obras da teledramaturgia brasileira.

Havia muita expectativa sobre a primeira protagonista negra a estrelar numa telenovela na faixa do horário nobre, e em setembro de 2009, um dia antes de Viver A Vida estrear, Manoel Carlos concedeu uma entrevista ao Estadão para falar sobre o folhetim, e, principalmente sobre

sua protagonista, Helena. Ao ser indagado sobre a personagem de Taís Araújo ser jovem e negra, o autor falou o seguinte a respeito das duas informações:

Só dou importância ao fato de ser jovem. É natural que todos pensem que o principal é que ela é negra, mas não é. Quando comecei a criar a trama, tive vontade de fazer uma Helena menos maternal, porque todas as minhas Helenas viviam em função dos filhos e da família. [...] Cheguei à Taís Araújo porque sempre quis fazer uma novela com ela. Por isso, não importa o fato de ela ser negra. O mais importante é que ela convença como top model, e a Taís, que tem uma beleza internacional, convence (PORTAL ESTADÃO, on-line).

Partindo deste ponto, ficou claro que na opinião do autor, infelizmente, levantar a questão do combate ao racismo estaria fora de cogitação, o que é frustrante, pois a personagem teria sido levada muito mais a sério, abordando as dificuldades da sua vida até atingir o êxito profissional, incluindo o racismo como ponto inicial, atingindo telespectadores que poderiam ter o mesmo sonho que ela, e não ser julgada pelo fato de ter realizado um aborto (que não colaborou no seu desempenho na obra) para conseguir um contrato de trabalho.

Ao ser questionado pelo fato de não levantar a bandeira das questões raciais, Manoel Carlos concluiu: “Não, nada. Até pode surgir, porque tenho outros personagens negros. Mas definitivamente não é uma bandeira. [...] Poderia ser japonesa, para mim não faria diferença.”. O autor relativiza uma realidade existente no Brasil, o racismo que ele renegou na trama, poderia ter sido levantado em diversos momentos, como quando Bruno (Thiago Lacerda) questionou a mãe por ter estranhado ver seu filho namorando Helena, que ele pensou que seria por ela ser negra, mas que na verdade era porque ele é filho do ex marido dela. Ignorar esse fato fez com que as pessoas se sentissem cada vez mais menos interessadas em abordar o racismo no país.

Indo de encontro ao que falou na entrevista, Manoel Carlos não só abordou, como cometeu racismo em Viver A Vida. Logo no segundo capítulo da telenovela, numa conversa com Tereza (Lília Cabral), Luciana (Alinne Moraes), conversa com a mãe sobre o fato de ter flagrado sua rival, Helena e seu pai, Marcos (José Mayer), aos beijos. Durante o diálogo, Tereza diz aos risos: “Você esperava o que do seu pai? Sempre trocou o vinho pela cerveja, o almoço requintado pelo sanduíche do botequim da esquina, os amigos pelos bajuladores, e evidente, é claro, que ele ia trocar uma branca por uma negra (...) é verdade, as garçonetes.”.

Luciana repreende a mãe, mas acaba concordando, quando diz: “as arrumadeiras do hotel, a vizinha bunduda de Petrópolis.”. Tereza continua: “a bunduda de Petrópolis, que eu não me conformo, que foi lavadeira um dia, que eu sei muito bem, aí o marido dela ganha um dinheiro, não sei de onde ele ganhou esse dinheiro, aí se tornou minha vizinha.”. A conversa reflete o racismo estrutural presente na esposa que condena e desconfia da mulher negra, apesar

de não ter ficado claro a cor da pessoa falada em questão, e ameniza o fato de ter sido traída pelo marido com seus comportamentos machistas, sendo tudo naturalizado pela fala da mãe e da filha.

Infelizmente esse tipo de discurso perpetua em outras obras mesmo depois de dez anos do fim da trama e ainda temos poucos atores e atrizes negros em papel de destaque, principalmente no horário nobre, que além de não se sentir representado, é obrigado a ouvir falas desse tipo, citadas pela personagem de Lília Cabral. O fato de ter sido enfatizado que a obra seria estrelada por uma atriz negra, era justamente porque antes disso não houve outra. Em um país onde seus habitantes são em sua maioria negra, alimentar essa fala em pleno século 21 só fortalece o fato da segregação que existe nesse país.

Em novembro de 2009, com dois meses da trama já no ar, Manoel Carlos concedeu uma outra entrevista, dessa vez ao Portal R7, onde negou que a rejeição do público por parte da sua Helena, em relação a Taís Araújo era o fato de ela ser negra, afirmando que somos um país de negros e que eles sempre foram reconhecidos no ramo artístico. Para ele, o problema está no preconceito à moda, que ele afirma haver uma resistência contra a Helena de Taís Araújo, pois durante as dez novelas anteriores, a mesma personagem foi interpretada por mulheres mais maduras, exceto Maytê Proença, que também interpretou uma Helena mais jovial, e o fato da protagonista de Taís Araújo ser uma mulher mais nova, o mundo da moda pode ter provocado uma maior rejeição ao público.

Se o autor tivesse enfatizado o fato da realidade dos negros no Brasil, o público certamente a veria de outra maneira, inclusive se em empatizando com sua história de vida, levando em consideração os mais variados episódios de racismo já presentes na televisão desde a sua existência. Devemos levar em consideração que Manoel Carlos insiste em afirmar que a questão de o fato de Helena ter sido rejeitada é apenas por ser jovem e não pelo fato de vivermos em um país racista, mesmo depois da cena em que Helena é agredida por Tereza, o público se manteve contra a protagonista, levando isso até os capítulos finais da trama, mesmo depois de ter conseguido o perdão da própria Lucina. O racismo estrutural de anos fez as pessoas não enxergarem a importância de uma atriz negra na faixa de horário mais importante no país e o quanto isso poderia ter combatido o preconceito dessa sociedade racista e elitista, tal como foi relatado neste capítulo.

3.1 A INTERNET EM 2009: O QUE OS VEÍCULOS DE INFORMAÇÃO, O MOVIMENTO

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