No presente estudo, a vazão de referência Q98 foi regionalizada através de quatro
diferentes métodos: o método tradicional, de conservação de massas, de interpolação linear e de Chaves. Assim, foi possível estimar o potencial de geração de energia hidrelétrica pelas vazões estimadas por cada método. Embora a regionalização de vazões seja uma ótima ferramenta para a rapidez na obtenção de resultados, ela não é capaz de substituir as informações hidrológicas obtidas por estações fluviométricas.
No método tradicional, verificou-se que, para todas as variáveis explicativas utilizadas, foram encontrados valores de R²a e σF considerados satisfatórios (R²a maior que 0,90 e σF menor que 1,5). Portanto, foi possível estabelecer que todas as estações pertencem a uma região hidrologicamente homogênea. No entanto, o modelo potencial, combinando as três variáveis (A, L e S), foi o que satisfez todos os critérios estabelecidos, com o ER% médio inferior a 9%. Apesar de todos os modelos terem apresentado valores de R²a e σF satisfatórios, apenas este atendeu ao critério de ER% inferior à 30% para todas as vazões observadas.
O método de conservação de massas não se mostrou satisfatório, conforme os critérios adotados neste trabalho, tendo ER% médio superior a 30% e R2a inferior a 0,90 no
trecho que compreende toda a extensão do rio Braço do Norte.
O método de Chaves apresentou resultados semelhantes ao método de interpolação, com um ER% médio inferior a 9%, assim como no método tradicional. No entanto, salienta-se que, em ambos os métodos, a diferença entre áreas de drenagem tem grande influência na estimativa da vazão, sendo necessário avaliar o melhor dos quatro casos para cada local de interesse. Devido a grande diferença entre áreas de drenagem encontrada entre estações, os casos 1 e 3, onde se utiliza somente a estação mais próxima, foram os que resultaram nas melhores estimativas, tanto no método de Chaves, quanto no de interpolação linear.
Como a potência é diretamente proporcional à vazão, o método de regionalização utilizado influencia no seu cálculo. Portanto, a estimativa do potencial pode ser subestimada ou superestimada, dependendo do método utilizado e das características hidrogeomorfológicas da bacia. Por fim, o método de conservação de massas foi o que apresentou maiores erros (ER% médio = 30,416), não sendo recomendado para a regionalização da vazão para bacia de estudo.
Para trabalhos futuros, recomenda-se a análise dos efeitos da inserção de outras variáveis nos métodos, como a precipitação média anual das sub-bacias.
Sugere-se, também, a regionalização em uma área que contenha um número maior de estações fluviométricas, e que os dados destas sejam de um mesmo período, evitando, desta forma, possíveis influências de variações interanuais de vazão.
Além disso, a análise da influência de reservatórios na regionalização de vazão poderá auxiliar nos estudos futuros, visto que a presença dos mesmos na bacia pode alterar o comportamento das vazões devido à sua regularização, comprometendo os resultados dos estudos de regionalização.
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