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What is this thesis? Methodology and sources

Dans le document Orce Man (Page 23-37)

outros autores franceses no início dos anos 80, antes da queda do muro de Berlim, registra, em sua obra, os conceitos da filosofia política clássica e que ainda permanecem consistentes.

Caracteriza o autor a história das ideias políticas a partir de várias teorias do Estado, como os estados teocráticos da antiguidade, o estado dos principados da Renascença, o Estado-nação dos nacionalismos românticos iluministas, o Estado-sociedade dos socialistas utópicos, o Estado-partido dos comunistas etc., até mesmo, o Estado colocado em questão a partir das rebeliões e contraculturas dos anos 60 que será o ponto fundamental a ser analisado neste capítulo.

Destaca-se, inicialmente o estado-nação, que por sua vez, exerce a soberania sobre um território delimitado por fronteiras, guardadas por Forças Armadas e com limites determinados; tem uma burocracia administrativa e é organizado em três esferas de poder. No Brasil, denominam-se essas três esferas de União, Estados e Municípios – ou esfera federal, estadual e municipal.

Embora, vulgarmente, ―país‖ seja usado como sinônimo de ―Estado‖, essas duas palavras não possuem o mesmo significado. O primeiro possui uma conotação física; o segundo, política. O país é uma porção da superfície terrestre e, quando essa, no decorrer da história, passou a ser controlada por um Estado, que exerce a soberania sobre ela, então, transformou-se em território, ou seja, o conjunto formado pelas paisagens naturais e culturais sob o controle do Estado.

A terminologia nação, em sentido antropológico, é sinônimo de povo ou etnia. Em sua acepção política, com a constituição do Estado- nação a partir da independência dos Estados Unidos e da Revolução Francesa, passou a ser usada como sinônimo de ―Estado‖.

O estado-nação que como sua adequada denominação indica, tem o estado como seu elemento constituinte principal. No plano econômico, deu origem ao capital e às demais instituições econômicas fundamentais do sistema – o mercado, o trabalho assalariado, os lucros e o desenvolvimento econômico decorrente da acumulação de capital combinada com o progresso. No plano social, surgem as três novas classes sociais: a burguesia, os trabalhadores assalariados e, em uma segunda fase, a classe profissional. No plano político, além do Estado,

surgem a nação e a sociedade civil e, definem-se, sucessivamente, os grandes objetivos políticos e as respectivas ideologias: a liberdade e o liberalismo, a autonomia nacional e o nacionalismo, o desenvolvimento econômico e a racionalidade instrumental ou eficientismo, a justiça social e o socialismo, e a proteção da natureza e o ambientalismo.

Por sua abrangência, os debates são exaltados, principalmente, quando referem-se à globalização, no ponto da diminuição ou enfraquecimento do papel do Estado-nação. Nesta conjunção preponderada por ideologias neoliberal15, existe uma transformação e reformulação de paradigmas em consideração às questões sociais como soberania, cidadania, hegemonia, entre outras, diante ao novel Estado- nação, denominado também por alguns autores de Estado fraco ou mínimo.

Percebe-se que as relações econômicas do planeta são tanto ajustadas como reguladas pelo mercado comum sem fronteiras, de revoluções tecnológicas, o que afeta direta e indiretamente de tal maneira as formas de produção, gestão e organização, quanto à própria natureza do Estado e a seu papel enquanto instituição reguladora e promotora do bem estar social e econômico.

Diante da implantação desta nova ordem global de liberação econômica, privatizações e revoluções tecnológicas, verifica-se muitos avanços, entretanto, por outro lado, acarretou prejuízos significativos nas áreas sociais, econômicas, trabalhistas e humanas para a maioria da sociedade que não são beneficiadas pelos impactos tecnológicos e não possui meios alternativos para a situação em que se encontram, ou seja, excluídas deste processo de globalização.

Há de se concordar com o pensamento de Edgar Morin (1995, p.65) que a revolução nas concepções do mundo, da Terra, do homem, que se operou no século XV ocidental não foi senão uma pequena crise ministerial em comparação com as formidáveis transformações trazidas pelas conquistas científicas do século XX.

Assim, a contemporaneidade oferece evoluções superpotencializadas na capacidade das máquinas, inteligência robótica, informações rápidas e eficientes aos detentores do poder econômico,

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O Neoliberalismo é a terminologia empregada pela doutrina econômica com origem nos anos 30 do século XX, anterior a Segunda Guerra Mundial, que tem por finalidade aprimorar a doutrina liberal, para responder aos questionamentos por parte dos socialistas e dos que advogavam pela maior intervenção do Estado

na economia. Entendem que as economias de planejamento centrais socialistas

ampliando demasiadamente uma visão complexa do planeta, a qual se universaliza e padroniza. Consequentemente, o processo supre o trabalho humano, aumenta e transcende informações e culturas de forma paradoxal.

Indiscutivelmente, vive-se um momento de uma revolução tecnológica, por isso a discussão sobre a importância da intervenção do Estado na promoção do interesse público, a forma de conciliar a responsabilidade ou dever de conduzir uma economia de mercado estabilizada perante o sistema financeiro internacional, com os problemas sociais urgentes de uma sociedade necessitada, que ainda precisam ser resolvidos, principalmente nos países periféricos.

O século XX foi marcado pela estratégia de um estado que, desde os anos 70, emanava baixas taxas de crescimento econômico e uma intensa estagnação dos monopólios dos países centrais, o qual sobrevieram a precisar de novos mercados e da internacionalização da produção. Dessa forma, sob o ponto de vista global e econômico, fez-se necessário reduzir as fronteiras de Estados nacionais, aumentar o consumo de produtos industriais e fontes de matéria-prima, além de mão de obra barata, o que aconteceu especialmente nos países menos desenvolvidos.

Com a queda do muro de Berlim em 1989, o processo de globalização ganhou ímpeto, uma vez que não havia mais o perigo da guerra fria e com os Estados sob influência de organismos internacionais como FMI, Banco Mundial e Organização Mundial do Comércio. E para solidificação deste processo, o Consenso de Washington, elaborado em meados da década de oitenta pelos Estados hegemônicos do sistema mundial estabeleceu, desde o futuro da economia mundial, as políticas de desenvolvimento e especificamente o papel do Estado na economia. Neste cenário, Boaventura de Sousa Santos destaca que:

Os principais traços desta nova economia mundial que são: economia dominada pelo sistema financeiro e pelo investimento à escala global, processos de produção flexíveis e multilocais, revolução nas tecnologias de informação e comunicação, desregulação das economias nacionais, preeminências das agências financeiras multilaterais. Ele também resume as implicações destas transformações para as políticas econômicas nacionais que são traduzidas pelas as seguintes exigências: as economias nacionais

devem abrir-se ao mercado mundial e os preços domésticos devem adequar-se aos preços internacionais; deve ser dada prioridade à economia de exportação; as políticas monetárias e fiscais devem ser orientadas para a redução de inflação e da dívida pública; o setor empresarial do Estado deve ser privatizado; a tomada de decisão privada, apoiada por preços estáveis, deve ditar os padrões nacionais de especialização; a mobilidade de recursos, de investimentos e dos lucros; a regulação estatal deve ser mínima; deve reduzir-se o peso das políticas sociais no orçamento do Estado, reduzindo o montante das transferências sociais, eliminando sua universalidade. (2002, p.28)

Deste modo, o sistema econômico mundial impõe exigências e ajustes estruturais, principalmente aos países periféricos, como condição para liberação do capital global. A partir de uma lógica totalizante essa pressão política diretamente sobre os governos do mundo inteiro tem o foco de implantar a unificação de todas as economias sob regras homogêneas, para que o capital, os bens e os serviços pudessem fluir para dentro e para fora, conforme os critérios de mercado.

De qualquer forma, desde início do processo da globalização os Estados nacionais, que apresentavam a promoção do bem estar social e econômico da nação como um dos seus preceitos basilares objetivos, enfraquece-se à medida que avança o processo de globalização ou de transnacionalização. Pode-se afirmar que existe um excesso de interesses privados dentro do Estado, desfigurando suas finalidades de interesse comum. Nesse sentido, Boaventura de Sousa Santos (2002, p.34) reitera que as intensificações de interações que atravessam as fronteiras e as práticas transnacionais corroem a capacidade do Estado- nação para conduzir ou controlar fluxos de pessoas, bens, capital ou ideias, como o fez no passado.

Ao mencionar a transnacionalização, Boaventura de Sousa Santos (2002, p.35) observa que este fator na política atual passa por dificuldades em suas assimetrias entre o centro e a periferia do sistema mundial, entre o Norte e o Sul, uma vez que a soberania dos Estados mais fracos está agora diretamente ameaçada, não tanto pelos Estados mais poderosos, como costumava ocorrer, no entanto, sobretudo por agências financeiras internacionais e outros atores transnacionais privados, tais como as empresas multinacionais. Percebe-se uma pressão

apoiada por uma coligação transnacional relativamente coesa, utilizando recursos poderosos e mundiais.

Boaventura de Sousa Santos (2002, p.34) enfatiza que o Estado- nação parece ter perdido a sua centralidade tradicional enquanto unidade privilegiada de iniciativa econômica, social e política.

Ao nível mundial, a economia movimenta com os Estados, e nessa conjuntura, os países periféricos são os mais atingidos, quanto ao seu patrimônio público, suas reservas cambiais, estabilidade e, principalmente, o desemprego que atinge patamares intoleráveis. Com isso, a diferença entre os países pobres e ricos aumenta, é a globalização da pobreza, afirma Boaventura de Sousa Santos (2002, p.33), e ela também resulta do desemprego, da destruição das economias de subsistência e da minimização dos custos salariais à escala mundial.

O processo da globalização de maneira hegemônica traz consigo inúmeras características num processo de reciprocidade. Como designa Boaventura de Sousa Santos:

Aí é possível identificar uma série de características que parecem estar presentes globalmente: a prevalência do princípio do mercado sobre o princípio do Estado; a financeirização da economia mundial; a total subordinação dos interesses do trabalho aos interesses do capital; o protagonismo incondicional das empresas multinacionais; a recomposição territorial das economias e a consequente perda de peso dos espaços nacionais e das instituições que antes os configuravam, nomeadamente, os Estados nacionais; uma nova articulação entre a política e a economia em que os compromissos nacionais (sobretudo os que estabelecem as formas e os níveis de solidariedade) são eliminados e substituídos por compromissos com atores globais e com atores nacionais globalizados. (2002, p.72)

Do velho Estado esta política em conjunto com as características elencadas acima, no entanto, não se aplica de maneira homogênea em todo o planeta, em virtude das diferentes condições da cada nação, de seus conflitos peculiares, de seu desenvolvimento político, econômico e cultural. Nesse sentido, efetivamente Boaventura de Sousa Santos contesta:

Pelo contrário, articulam-se de modo diferenciado com diferentes condições nacionais e locais, sejam elas a trajetória histórica do capitalismo nacional; a estrutura de classes, o nível de desenvolvimento tecnológico; o grau de institucionalização dos conflitos sociais e, so- bretudo, dos conflitos capital/trabalho; os sistemas de formação e qualificação da força de trabalho; as redes de instituições públicas que asseguram um tipo concreto de articulação entre a política e a economia. (2002, p.73)

A partir dessas peculiaridades neoliberais não contempladas de maneira uniforme a todas as nações, a crise é perceptível diante das trincas na globalização econômica e social hegemônica que vem se aprofundando nos últimos anos. Para ilustrar esses rompimentos na hegemonia contemporânea, servem de exemplo as contínuas articulações entre o Banco Mundial e o FMI, ou os países asiáticos e da Rússia, que demonstram estar volúveis ao sistema financeiro e sua fragilidade, o qual forçou a repensar as receitas do ajuste estrutural. Todavia, é na esfera da proteção social que se identifica os piores desgastes como o problema dos imigrantes na Europa atualmente ou rompimento da barragem de Mariana, Brasil. Igualmente, a proteção social é um dos meios fundamentais ao funcionamento dos sistemas so- ciais e econômicos de maneira eficiente, não podendo ser desconsiderado sob pena de colocar a própria sustentabilidade desses mesmos sistemas em risco. Nas trilhas de Boaventura de Sousa Santos observam-se alternativas:

As clivagens entre o capitalismo mercantil e o capitalismo social democrático ou estatal, entre o modelo neoliberal de segurança social e o modelo social europeu ou ainda dentro do modelo neoliberal, como acabei de referir, ao mesmo tempo que revelam as fraturas no interior da globalização hegemônica criam o impulso para a formulação de novas sínteses entre as clivagens e com elas para a reconstituição da hegemonia. É assim que deve ser entendida a "terceira via" teorizada por Giddens. (2002, p.82)

Ressalta-se que no alcance em que os Estados nacionais não se mostram ser unicamente o suporte dos sistemas econômicos, estes se mostram vulneráveis, dominados pelo movimento do mercado global, e, diante disto, é cogente reavaliar a situação. Pois as demandas sociais como a inclusão de pessoas, a saúde, a educação, os empregos e o meio ambiente, que se encontram a serviço da vontade do mercado devem ser defendidas em prol da coletividade.

O momento é de transição mundial, com características oportunas e modernas que assinalam outras realidades, onde se objetiva um novo modelo de desenvolvimento social, e a natureza está no núcleo das discussões contemporâneas sobre o modo das transformações em movimento nas sociedades capitalistas em todo o planeta. Como bem assenta Boaventura de Sousa Santos;

O sistema mundial em transição é muito complexo porque constituído por três grandes constelações de práticas — práticas interestatais, práticas capitalistas globais e práticas sociais e culturais transnacionais — profundamente entrelaçadas segundo dinâmicas indeterminadas. Trata-se, pois, de um período de grande abertura e indefinição, um período de bifurcação cujas trans- formações futuras são imperscrutáveis. A própria natureza do sistema mundial em transição é problemática e a ordem possível é a ordem da desordem. (2002, p.86)

De uma perspectiva diferente embora convergente, Carlos André Sousa Birnfeld (1997, p.98) defende que o fim dos históricos poderes do Estado nação sobre seu território parece significar uma solução intermediária. Segundo ele, oportunamente intermediária, principalmente para os que pretendem usufruir livremente de sua potencialidade tecnológica em qualquer parte do globo, enriquecendo a custa dos recursos comuns da humanidade, inclusive com a inédita possibilidade de fazê-lo sem carregar sobre os ombros o recém- desmascarado ônus da degradação ambiental.

Assim, o Estado-nação e sua real dimensão do enfraquecimento das funções regulatórias é, atualmente, uma das tratativas nucleares da sociologia, da economia, da política e porque não do mundo jurídico. Boaventura de Sousa Santos (2002, p.88) diz ser inquestionável apenas o facto de que tais funções mudaram (ou estão a mudar) dramaticamente

e de uma forma que questiona o dualismo tradicional entre regulação nacional e internacional.

Considerando o cenário e que o Estado dispõe de variáveis políticas, econômicas, culturais, entre outras, vale buscar alternativas que permitam reverter o papel do Estado desempenhado do modo que vem se arrastando ao longo das últimas décadas, para mais a frente construir uma nação sem tolerar a punição dos mercados mundiais.

Neste sentido, é indispensável a defesa do fortalecimento dos blocos periféricos, para solidaria e democraticamente almejar maior igualdade ou se contrapor aos blocos hegemônicos nas esferas econômicas globais. Há de valer-se do desenvolvimento tecnológico, bem como das variações da globalização, conciliando positivamente a margem de decisão que o Estado monta para transformar o papel do Estado-nação, de forma a proporcionar uma sociedade mais livre, constante e cidadã.

Todavia, pode-se determinar o Estado não pelo que ele é, mas pelo que faz. Nessa perspectiva, o Estado é a instituição compreensiva que a nação usa para promover seus objetivos políticos ou, em outras palavras, é o instrumento por excelência de ação coletiva da nação ou da sociedade civil. O Estado-nação ainda é a unidade político-territorial própria do capitalismo.

Antes de aprofundar sobre o Estado Gerente, vale mencionar que o Estado foi concebido pelo contratualismo a partir da criação livre e a consciência consciente da vontade dos indivíduos que o associam. Remontando à Revolução Francesa (1789), contudo considera-se primário Estado jurídico, na salvaguarda das liberdades individuais. Por esse motivo, institui-se o Estado liberal, modelo arrazoado pela burguesia, que através da Revolução ergueu nos textos constitucionais o cunho do liberalismo. Segundo Paulo Bonavides (1972, p.09), tal modelo percebeu na teoria da separação dos poderes a matriz de sua constituição, estruturando a salvaguarda das liberdades na alteração da soberania numa pluralidade de poderes, o que apenas foi possível a partir do contributo de Locke c Montesquieu em contraposição ao apotegma de Maquiavel, que se baseava na concentração do exercício do poder.

Das contribuições de John Locke, este propunha um tipo de governo limitado, que seria exercido mediante um contrato entre a sociedade e o governante, desviando-se o caos e permitindo a emergência do governo constitucional. Assim, a preocupação deste era manter o poder, mas interligando a organização dos poderes e povo. A teoria tripartida dos poderes erigiria a casa onde se protegeriam os

direitos de liberdade individual, formando base a um Estado Constitucional que se organizaria nos poderes executivo, legislativo e judiciário, que, apesar de cindidos, interligar-se-iam no controle do poder. Paulo Bonavides (1972, p. 94) expressa a preocupação central de Locke, na centralidade do poder que se encontrava no estado de natureza, estava em cada indivíduo. A partir do consenso dos homens, passaria ao governo civil, organizadamente estruturado a partir da divisão dos poderes. Acreditava John Locke que o poder legislativo seria superior em qualquer comunidade, distinguindo esta, como aquela que conservaria o poder de salvaguardar dos desígnios e atentados de quem quer que fosse, continuamente que se ordenassem planos maldosos contra as liberdades dos indivíduos que compunham a sociedade, enquanto o executivo se submeteria a este.

Diferentemente, não somente no plano teórico como John Locke, Charles de Montesquieu colaborou com a formulação da teoria da separação dos poderes em 1748, tal qual é admitida presentemente. Charles de Montesquieu (1987, p.165) considerou que todo aquele que se encontra no poder tende a dele abusar. Neste sentido doutrina que estaria tudo perdido se um mesmo homem, ou um mesmo corpo de principais ou de nobres, ou do Povo, exercesse estes três poderes: o de fazer as leis; o de executar as resoluções públicas; e o de julgar os crimes ou as demandas dos particulares.

Da breve passagem histórica, concebe-se que o Estado liberal foi campo de uma subordinação do poder de controle do Estado ao direito, ordenando que a atuação estatal conservasse rigidamente sua restrição à lei, o que propiciou o positivismo, que desempenhou o papel de limitador da vontade do governante e ao mesmo tempo garantidor do conjunto de direitos e garantias individuais, os quais não poderiam ser excedidos por nenhum dos poderes e nem mesmo pelo Estado.

Disso se depreende a expressão designada por François Châtelet (1983, p.16) do Estado Gerente que destaca a figura estatal como a concepção da potência soberana como gerente da coletividade territorial da qual é potência, O Estado-Gerente, segundo ele é o avatar do Estado clássico, vale-se do humanismo e apoia de bom grado os ―direitos do homem‖.

Essa ocorrência pode ser explicada quando o Estado necessita ter uma administração mais eficiente e racionalizar de forma favorável seus recursos públicos para fomentar os programas sociais em que se envolve, surge como instrumento promovedor forma eficiente e equilibrada entre a normatividade e a realidade financeira, o Estado Gerente. Segundo François Châtelet (1983, p.112), a gerência remete a

uma dupla ideia: o governo da sociedade é tão necessário quanto é necessariamente separado.

A concepção sobre o governo de a sociedade ser necessário pauta-se na tradição, pois, essa segundo o autor (1983, p.113), fundamenta-se em autores de reflexão política como de Georg W.F.Hegel, no início do XIX (partidário de uma monarquia constitucional estritamente centralizada, organizada e hierarquizada) e John Locke, no final do século XVIII que definiu em 1690 um poder difuso, agrupado em torno do que se pode chamar, simplificando, de classe burguesa (cuja composição social é bastante complexa). Nesses textos, encontram-se numerosas legitimações que, a partir de então, o liberalismo recebeu. Por isso, é indispensável insistir sobre os princípios que eles desenvolvem. A afirmação de François Châtelet pode ser percebida quando ele traça considerações sobre as duas teorias, enfatizando que nenhuma se opõe, mas se sobrepõe:

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