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A trilha das falésias possui um percurso de aproximadamente 2,5 km (dois quilômetros e quinhentos metros) de extensão se somado o percurso de ida e volta. Seu ponto inicial é uma paisagem que inspira o próprio nome da trilha, o que se vê são as falésias de Chico Martins (figura 7). De acordo o IBGE (2009 p.61) falésia pode ser definida como “forma costeira abrupta esculpida por processos erosivos marinhos de alta energia. Ocorre no limite entre as formas continentais e a praia atual, em trechos de costas altas”. Inclusive, sendo nessa trilha, o único local da reserva a ter esse tipo de formação rochosa.

Figura 7 – Início da trilha das falésias

As falésias podem ser classificadas em 2 (dois) tipos vivas e mortas. Na reserva são encontradas apenas do tipo morta, ou também chamadas de paleofalésias. Estas possuem rebordo costeiro, íngreme ou suavizado, resultado da erosão marinha pretérita causada pela progradação da linha de costa. Estão no limite entre as formas continentais e as planícies marinha e/ou fluviomarinha que sofreram os efeitos das mudanças do nível do mar e/ou neotectônica (IBGE 2009).

Além disso, as falésias de Chico Martins fazem parte da unidade geomorfológica denominada de Tabuleiros Costeiros, esta, por sua vez, tem sedimentos da Formação Barreiras que apresenta um potencial médio de acumulação de água subterrânea. Os fluxos das águas subterrâneas se encaminham para a Planície de Maré onde encontra a água salgada proveniente do mar (FERREIRA FILHO; FEIJÓ, 2017).

Por sobre as falésias encontra-se vegetação tanto de restinga quanto vegetação de caatinga. No entanto, pode-se observar que quanto mais próximas dos sedimentos da praia, mais rasteira é a vegetação (Figura 9), que por sua vez é denominada de vegetação herbácea (plantas halófitas, comum dos ambientes de influência flúvio-marinha com alto teor de salinidade). Mais para o topo das falésias existe uma predominância da vegetação de caatinga arbórea arbustiva fechada (figura 8).

Figura 8 – vegetação de caatinga nas falésias de Figura 9 – vegetação herbácea sobre o Chico Martins rebordo costeiro

Fonte: autor Fonte: autor

Ainda nesse primeiro ponto da trilha pode se observar a Prosopis juliflora (Figura 10), conhecida popularmente como Algarobeira ou Algaroba. Sabe-se que esta planta foi trazida da região de Piura no Peru para ser introduzida no nordeste Brasileiro para aumentar a disponibilidade de recursos naturais das áreas semiáridas, principalmente para alimentar

animais (ovinos, caprinos, bovinos, equinos e muares) e também para ser uma alternativa de reflorestamento em áreas desmatadas do bioma Caatinga. Além desse tipo de uso, atualmente ainda é aproveitada para fins energéticos como lenha e carvão, e para produção de estacas e mourões e para alimentação humana para dar origem a produtos como farinha, bolos, sorvete, mel etc. (SANTOS; DIODATO, 2017).

No entanto, não são somente vantagens que são discutidas, mas também as desvantagens. Por ser uma espécie exótica tem causado grande impacto ambiental no bioma Caatinga, pois tem alta capacidade competitiva, conseguindo se alastrar, o que por sua vez, vem causando grande perda de biodiversidade nesses ambientes (NASCIMENTO, 2008).

Figura 10 – Algarobeira ponto 1 trilha das falésias

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Após observá-las estando na faixa de areia da praia, pode-se subir nas falésias no local denominado Mirante das falésias de Chico Martins (Figura 11). Nesse local, é possível ter uma visão panorâmica do estuário e, mais ao norte, ou seja, se afastando do continente enxerga-se do lado leste, a parte final da restinga e, do lado oeste encontra-se uma parte da ilha da ponta do tubarão, entre estes dois espaços situa-se um canal chamado de barra do Fernandes que comunica estuário e oceano. Sendo essa passagem utilizada por pescadores da região.

Figura 11 – Mirante das falésias de Chico Martins

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De acordo com a pesquisa de Souto (2004) sobre os elementos geoambientais da região, buscou-se a produção de mapas de vulnerabilidade natural e ambiental e pôde-se caracterizar a área como sendo de grande instabilidade morfológica, pela intensa ação dos processos costeiros. Sendo, portanto, comum o fechamento e a abertura de alguns canais entre estuário e oceano.

Ao longo da trilha a fauna local é caracterizada pela ocorrência constante do caranguejo chama maré (Uca spp.) (Figura 12). Estes invertebrados cavam buracos no solo e ao redor se encontra uma área delimitada por pequena elevação em forma de anel, formada por pequenas bolotas (figura 13) de areia feitas pelos caranguejos residentes. Essa elevação, denominada “cercado”, é constantemente reparada e expandida pelos machos residentes e sua área é protegida ativamente contra a invasão de outros machos (ROCHA, 2008).

Figura 12 – Caranguejo chama maré Figura 13 – bolotas de areia

A ultima parte da trilha das falésias é composta por uma paisagem com vários ambientes (figura 14). Há uma pequena porção de dunas fixadas por vegetação de restinga e caatinga. A presença das dunas, que por sua vez, apresentam uma possibilidade de infiltração máxima das águas pluviais, permitem o aparecimento de um pequeno ambiente de manguezal.

Figura 14 – ponto final da trilha das falésias

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Este ambiente é composto pela espécie de mangue Avicennia schaueriana (figura 15) popularmente conhecido como mangue-preto ou siriuba que apresenta tronco geralmente de cor castanho-clara. Seu sistema de raízes é formado por raízes radiais que crescem horizontalmente abaixo do substrato, formando uma base de sustentação para a árvore. Dessas raízes radiais emergem os pneumatóforos; raízes modificadas que crescem verticalmente, saindo do sedimento e expondo-se ao ar (BRASIL, 2018).

Nessa trilha, há a possibilidade de se trabalhar a diversidade de seres vivos, levando em consideração, principalmente a Zoologia e da Botânica, focando na abordagem evolutivo- ecológico, ou seja, a história geológica da vida. Assim, se contempla a a competência 2 (dois) específica de Ciências da Natureza para o médio.

Figura 15 – mangue-preto (Avicennia schaueriana)