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4. WATER TREATMENT AND PURIFICATION

4.1. Water treatment and purification: General concepts

4.1.4. Evaluation of resin capacity

Para a caracterização das concepções dos professores acerca da Reserva aplicou-se um questionário com os docentes do município de Macau. Entre 18 (dezoito) de setembro e dia 2 (dois) de outubro de 2018 (dois mil e dezoito), de modo que, todas as escolas públicas da cidade que ofertam os anos finais do ensino fundamental e/ou ensino médio foram visitadas. No total foram contabilizados 22 (vinte e dois) professores que lecionam as disciplinas de Ciências e Biologia em Macau, sendo que, apenas 19 (dezenove) responderam. O questionário aplicado era composto por questões abertas e fechadas após a aplicação dos questionários os resultados foram analisados qualiquantitativamente.

Inicialmente, foi indagado se o professor conhece a RDSEPT. A tabela 3 (três) revela que a maioria deles sabe da existência da RDSEPT e a visita, e apenas um professor marcou a opção “não conheço”. Os outros 18 (dezoito) sabem que há uma reserva, sendo que 4 (quatro) deles marcaram a opção “já ouvi falar, mas nunca fui” e os outros 14 marcaram a opção “conheço, já visitei”.

Tabela 3 – Conhecimento acerca da existência da RDSEPT Opões a serem

marcadas

Pseudônimos dos professores N° total de

professores

Não Conheço Moréia 1

Já ouvi falar, mas nunca fui

Tainha, Cavalo-marinho, Carapicu e Traíra do rio 4

Conheço, já visitei

Xaréu, Voador do rio, Pacamão, Anequim, Sapuruna, Agulhinha, Guaiúba, Sarabunete, Raia pintada,

Muriongo, Cação-viola, Pescada branca, Budião-batata e Bicuda

14

A partir desses dados cria-se uma primeira impressão positiva, com relação ao seu uso, tendo em vista o pensamento de Queiroz et al., (2011) ressaltando ser importante conhecer anteriormente as características dos espaços não formais de ensino, com o intuito de melhorar a forma de relacionar seus recursos aos conteúdos trabalhados em sala de aula, para ter maior possibilidade de construir uma educação científica significativa.

Além de saber se os professores tinham conhecimento sobre a existência da reserva, também foi questionado se eles já haviam realizado alguma atividade pedagógica na RDSEPT. A tabela 4 (quatro), por sua vez, mostra que apenas 5 (cinco) professores afirmaram ter realizado atividades com os alunos, assim se tem pouco mais que 26% (vinte e seis por cento) dos professores participantes a terem usado a reserva para o ensino de Ciências e/ou Biologia no município.

Tabela 4 – km (quatro) Realização de atividade pedagógica na RDSEPT Realização

de atividade de ensino no local

Pseudônimos dos professores N° total de

professores

Não Moréia, Xaréu, Anequim, Sapuruna, Agulhinha, Guaiúba, Sarabunete, Raia pintada, Cação-viola e Pescada branca, Tainha, Cavalo-marinho, Carapicu e Traíra do rio

14

Sim Muriongo, Voador do rio, Bicuda, Anequim e Sapuruna 5 Fonte: autor

Assim, a maior parte dos professores sabe da existência da reserva e mais ainda, visitou o local, dado favorável e importante. Por outro lado, observa-se que a maioria deles não utiliza a reserva para fins didáticos.

Este é um fato preocupante, pois os espaços da RDSEPT se configuram como mais uma oportunidade importante na busca da dinamização do fazer docente no município de Macau, uma vez que, a reserva apresenta grande diversidade biológica e de ambientes, como já mencionado, além disso, está inserida em uma das regiões de maior importância para a economia do Rio Grande do Norte: as zonas salineira e petrolífera do estado. As salinas do estado ocupam cerca de 20.000 hectares de terras nas áreas adjacentes, sendo responsável por cerca de 91% da produção brasileira de sal marinho (MMA, 1998). Peixes, a pesca e os pescadores da reserva.

Ademais, segundo Vieira, Bianconi e Dias (2005), apontam, pode-se aprender coisas novas (ou as mesmas coisas de maneira nova) em um lugar diferente da escola, proporcionando

diferentes interações que ocorrem entre público escolar (professores e estudantes), dessa forma, aumentando a curiosidade e estimulando o comportamento investigativo, o que pode vir a ser uma base de ideias e de atividades para a sala de aula).

Como complemento ao questionamento anterior foi pedido aos professores que marcaram a opção “sim” para que descrevessem a atividade realizada de forma breve. Além disso, perguntou-se logo em seguida, ainda como complemento, se houve o envolvimento de outras disciplinas nessa atividade.

Para esse questionamento foram criadas duas categorias: 1. Aulas de ecologia e 2. Aula de classificação de plantas. Com relação a primeira categoria temos as seguintes falas:

Prof. Muriongo relatou um “Projeto sobre mangue com alunos do 9 ano” e envolvimento de outras disciplinas... “Sim, português, geografia e Matemática”;

O Prof. Bicuda relatou: “realizamos a trilha dos olheiros, na qual foi observado o ecossistema dunar, marinho e de manguezal, que anteriormente foi abordado e trabalhado em sala de aula e como conhecimento foi abordado os tipos de solo encontrado na reserva e posteriormente foi realizado com uma atividade em sala”. Não informou se envolveu outras disciplinas;

O Prof. Voador do rio descreveu: “Sou professor de uma de uma das instituições de ensino da RDSEPT. Já foi realizado atividades sobre a ecologia da reserva e os tipos de solo” e a respeito de ter envolvido outras disciplinas... “Sim, Geografia”;

O Prof. Sapuruna disse “Realizamos uma trilha ecológica com os alunos”; e sobre envolver outras disciplinas... “Sim, Educação física”.

Percebe-se que, dos 5 (cinco) professores que descreveram atividades, 4 (quatro) relataram trabalhar o tema de Ecologia, através de trilhas ecológicas, durante as quais abordam os diferentes ambientes presentes na Reserva. Dos docentes 2 (dois) usaram os diferentes tipos de solo trabalhando o tema de Geologia.

É compreensível a utilização da reserva com a predominância do tema de Ecologia, pois naturalmente aquele ambiente proporciona aos alunos uma maior vivência desses conteúdos, tornando-os menos abstratos e possibilitando a observação dos fenômenos no ambiente natural, além do desenvolvimento de conteúdos procedimentais e atitudinais. É fundamental, também, para que os discentes adquiram atitudes de respeito com relação aos recursos naturais em situações do cotidiano, proporcionando a formação de cidadãos críticos e conscientes da importância da preservação da natureza para a presente geração e para as futuras (CARVALHO, 2014). Na categoria que traz aulas para classificação de plantas, diz o prof. Anequim: “Utilizei

em uma aula de botânica. Tentei classificar alguns grupos de plantas” e sobre envolver outras disciplinas disse “não”.

A classificação de plantas é, de fato, outro tema que tem grande potencial de ser abordado dada a riqueza de ambientes e, consequentemente, de espécies de plantas tendo a possibilidade de ser abordado de maneira mais enriquecedora. De toda forma, o local permite o desenvolvimento de temas outros como a própria classificação da fauna da Reserva, evolução, seleção natural e adaptação. Também não foi citada a Educação ambiental ou algum trabalho falando sobre a comunidade que reside no entorno.

As tabelas 4 (quatro), 5 (cinco) e 6 (seis) apresentam dados, os quais, podem ter relação com o fato de poucos professores utilizarem a reserva. O primeiro ponto que chama atenção é com relação as zonas de atuação dos professores da cidade de Macau, percebe-se que dos 5 (cinco) professores que realizaram atividades na reserva, 2 (dois) Prof. Voador do Rio e Prof. Anequim atuam em escolas localizadas justamente nos distritos onde o referido ambiente se localiza, assim como, observa-se na tabela 5 (cinco), além do que, o Prof. Muriongo que atua na área urbana é professor da rede municipal. Dessa forma, pode-se cogitar a hipótese de o mesmo já ter trabalhado em escolas da zona rural, sendo que é comum a transferência de professores entre as escolas mediante a necessidade.

Tabela 5 – zonas das escolas onde atuam os professores de Macau Zonas do município

de Macau

Pseudônimos dos professores N° total de

professores Rural (distritos de

Diogo Lopes e Barreiras)

Voador do Rio e Anequim 2

Rural (distrito da Coab)

Budião-batata, Traíra do rio, Raia pintada, Pescada branca, tainha, Guaiúba, Agulhinha, Cação-viola e Cavalo-marinho

9

Urbana Pacamão, Sarabunete, Moréia, Bicuda, Muriongo, Sapuruna, Xarel e Carapicu

8 Fonte: autor

Tabela 6 – Tempo de atuação nas escolas de Macau Tempo de

atuação na cidade

Pseudônimos dos professores N° total de

1 a 5 anos Voador do Rio, Anequim, Budião-batata, Traíra do rio, Raia pintada, Pescada branca, Guaiúba, Agulhinha, Cação-viola, Cavalo-marinho, Pacamão, Moréia, Bicuda, Muriongo, Sapuruna e Xarel 16 6 a 10 anos Tainha 1 11 a 15 anos 0 Acima de 15 anos Carapicu, Sarabunete 2 Fonte: autor

Tabela 7 – Redes de ensino onde os professores atuam Redes de ensino

que atua

Pseudônimos dos professores N° total de

professores

Rede de ensino federal

Budião-batata, Traíra do rio, Raia pintada, Pescada branca, Guaiúba, Agulhinha, Cação-viola e Cavalo- marinho

8

Rede de ensino estadual

Voador do Rio, Anequim, Muriongo, Bicuda, Sapuruna, Carapicu, Sarabunete e Xarel

8

Rede de ensino municipal

Voador do Rio, Anequim, tainha, Pacamão, Moréia, Muriongo, 6 Rede de ensino particular Muriongo 1 Fonte: autor

Outro ponto que chama a atenção é o fato de 16 (dezesseis) professores informarem que o tempo em que trabalham em Macau é de 1 (um) a 5 (cinco) anos, 1 (um) professor informou atuar na opção entre 6 (seis) e 10 (dez) anos e dois deles atuam há mais de 15 anos. O interessante é que desses 2 (dois) mais antigos, 1 (um) deles foi o Prof. Sarabunete, que utilizou a reserva. Dos outros 4 (quatro) professores que a usaram, 3 (três) fazem parte da rede municipal, 2 (dois) dando aulas na reserva e 1 (um) com possibilidades de ter trabalhado em escolas da reserva como comentado anteriormente e, apenas 1 (um) o Prof. Bicuda está “fora da curva”, pois usou o espaço, sendo que também apresenta pouco tempo de atuação na cidade de Macau e não tem possibilidade de atuar nas escolas da Reserva, por não ter vínculo com município.

Mais um fato a ser destacado é que, dentre os professores da rede federal (tabela 7) nenhum informou ter realizado atividades pedagógicas na Reserva, fato que merece ser melhor investigado. De todo modo, a princípio, pode-se atribuir isso ao fato de que todos os docentes estão dentro da faixa de 1 (um) a 5 (cinco) anos atuando no município. Cogita-se também a possibilidade de considerar os frequentes remanejamentos entre os campi do IFRN espalhados pelo estado, o que, por sua vez, dificulta o conhecimento por parte dos professores sobre os ambientes naturais de grande potencial educativo que possam existir nos locais onde irão trabalhar.

Tabela 8 – Dificuldades dos professores em relação a utilização da RDSEPT Opões a

serem marcadas

Pseudônimos dos professores N° total de

professores

Não Muriongo, Voador do rio, Bicuda, Anequim, tainha, Sapuruna, Guaiúba

7

Sim Pacamão, Budião-batata, Traíra do rio, Raia pintada, Pescada branca e Sarabunete

6

Fonte: autor

Perguntou-se também, sobre as dificuldades que permeiam o uso da reserva: “Teve dificuldades em usar a RDSEPT? ”. Antes de tudo é preciso destacar que houve abstenções dos professores: Carapicu, Cavalo-marinho, Cação-viola, Xarel, Agulhinha, Moréia. Dito isso, diante das respostas criamos as categorias: categoria 1 (um) “dificuldade no contato com o núcleo gestor”; categoria 2(dois) “desconhecimento de como é o espaço” e categoria 3 (três) “problemas com a logística”. Na categoria 1 (um) trazemos as seguintes respostas: Prof. Raia pintada “Contato com o núcleo gestor”; Prof. Pacamão “Desde o início do 3° bimestre que tento contato com a equipe de lá para agendar e ainda não tive retorno (obs: o contato está sendo feito pela escola)”.

Na categoria 2 (dois): Prof. Traíra do rio “Falta de conhecimento geral acerca da reserva”; Prof. Pescada branca “Não conheço todo o local”; Prof. Budião-batata “Ainda não tive tempo de para conhecê-la mais profundamente e também não conheci o conselho gestor” que se encaixa nas duas categorias anteriores.

Na categoria 3 (três) Prof. Sarabunete “Transporte, número de alunos e indisciplina dos alunos”. Aqui, se percebe que alguns professores da rede federal relatam que ainda não obtiveram contato com o núcleo gestor da reserva para poder saber como proceder para a

realização de uma visita, além disso, assim como comentamos anteriormente, os professores desconhecem como é o ambiente, provavelmente por terem pouco tempo de atuação na cidade, atrelado a hipótese de má divulgação acerca das possibilidades da Reserva estar aberta a receber alunos. Por fim o Prof. Sarabunete relatou problemas inerentes a muitas escolas públicas, quando desejam visitar qualquer ambiente fora o da escola.

Gráfico 1 – número de professores que citaram determinado conteúdo

Fonte: autor

Há uma alta diversidade de conteúdos mencionados pelos professores, sendo que, mesmo os professores que nunca conheceram a reserva conseguiram apontar (no que diz respeito as respostas, é interessante relatar que dois professores que se abstiveram de responder: prof. Carapicu e prof. Peixe-gato) algumas sugestões para a utilização pedagógica. Com relação

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Conteúdos

Biodiversidade Biologia Biomas

Botânica Sustentabilidade historia

sociologia geografia Educação ambiental

conhecimento tradicional zoologia consevação

Ecologia Ecossistemas Recursos naturais

Condições ecológicas Relações ecológicas Mangues

Restinga Faixa de maré Impacto ambiental

Geologia marinha Meio ambiente Água

Solo Poluição ambiental Dunas

Taxonomia Sistemática Evolução

Ambiente aquático Seres vivos Adaptação de espécies Microbiologia

aos conteúdos mais mencionados, que vão desde uma série de conteúdos inerentes a própria Biologia, como os assuntos de Zoologia, Evolução, Botânica, principalmente Ecologia e vários outros conteúdos relacionados mais especificamente com este último, como por exemplo, Relações ecológicas, Biomas, Ecossistemas, conservação, impacto ambiental etc.

Assim como já tinha sido mencionado anteriormente, a partir da tabela 02 (dois), em que a maioria dos conteúdos utilizados pelos 05 (cinco) docentes que afirmaram ter realizado aulas de campo na reserva, foram justamente da área de ecologia, sendo que, dessa vez a mesma foi a segunda mais citada, com 08 (oito) professores ficando atrás somente de Zoologia com 09 (nove).

Dessa forma, a Ecologia vai se configurando como a que está mais no pensamento dos professores com relação a preparação de aulas na Reserva. Mencionaram ainda, outros mais distantes, mas também correlacionados como sociologia, história e geografia, desta forma podendo-se notar o destaque que alguns professores deram ao caráter interdisciplinar que pode ser trabalhado em aulas de campo na reserva.

Corroborando com a preferência dos professores pelo conteúdo de Ecologia Marandino, Selles e Ferreira (2009) alerta que alguns processos dentro das Ciências Biológicas além de serem construções teóricas muito complexas não são possíveis de serem observados no espaço e tempo de uma saída a campo para um ambiente natural. Exemplos desses processos são: Filogenia, sequestro de carbono, mitose, crescimento vegetal entre outros. Por outro lado, alguns fenômenos ecológicos e as implicações ambientais que as ações antrópicas podem causar são conteúdos perfeitamente possíveis de serem observados e analisados, sendo assim, uma possibilidade didática para se trabalhar Ciências e Biologia.

Associados a esses conteúdos que acabaram de ser citados alguns conceitos como, os seres vivos e suas características, adaptações, classificação, entre outros, podem ser dinamizados se tratados com base em visita a um ecossistema ou bioma (MARANDINO; SELLES; FERREIRA, 2009).

De fato, é possível não só perceber alguns dos processos ambientais e estudar conceitos a eles relacionados, como também compreender de que maneira os especialistas da área estudam, sendo assim, o ensino de Biologia possui, no estudo do meio, que por sua vez, pode ser um espaço de educação não formal, forte potencial de trabalho, à medida que técnicas de coleta, preservação e demarcação de espaço e tempo, materiais e procedimentos podem ser vivenciados ou modelados durante a realização dessas atividades (MARANDINO; SELLES; FERREIRA, 2009).

Além do que, entende-se que há realmente importância em se pensar sobre o Ensino de Ciências e mais especificamente de Ecologia na Reserva, levando em consideração a diversidade de ambientes e da fauna. Apesar de não haver muitos dados sobre sua diversidade da fauna, ainda existe na literatura a respeito da Reserva, pesquisas que abordam sobre a fauna de peixes do manguezal que é representada por espécies de importância biológica e ecológica, de relevância socioeconômica, de importância conservacionista e, até mesmo, de importância turística (DIAS; ROSA, 2006). Como exemplo, o cavalo-marinho Hippocampus reidi, espécie globalmente ameaçada de extinção, sendo que seus primeiros estudos em habitat natural no Atlântico Sul, foram feitos nos mangues da Reserva e entorno (FELÍCIO et al., 2006).

Contudo, é preciso conscientizar a sociedade sobretudo os jovens acerca da conservação dessas riquezas, nesse sentido, utilizar a Reserva que se configura enquanto espaço não formal de ensino, como estratégia pedagógica essencial para a manutenção das espécies de animais, plantas e seus habitats.

Todavia, além de saber dos docentes quais conteúdos poderiam ser trabalhados na reserva, buscou-se questionar ainda como abordá-los dentro do contexto da RDSEPT, sendo feito o seguinte questionamento: quais sugestões você daria de como poderia ocorrer o uso pedagógico da reserva? de acordo com as respostas, foram criadas 6 (seis) categorias, quais sejam: Explorar os ambientes; Ilustração de conteúdo; Destacar conteúdos a serem trabalhados na reserva; Preservação ambiental, História da reserva; utilização em pesquisas.

Para a 1ª (primeira) categoria, Explorar os ambientes, coloca-se as falas do prof. Voador do rio: “Aulas de campo (realizando trilhas: terrestre e marinha) aulas interdisciplinares sobre os ecossistemas e os aspectos do meio ambiente local”; do prof. Raia pintada: “Fazer uma caminhada ao longo dos ambientes encontrados na reserva e refletir sobre a conservação e preservação do meio ambiente e da diversidade biológica”

Tanto o prof. Voador do rio quanto a prof. Raia pintada citaram a visitação aos “ambientes” ou “ecossistemas” da reserva sendo que o primeiro ressaltou o aspecto interdisciplinar o qual pode ser trabalhado e o segundo destacou a possibilidade de haver reflexões acerca dos temas de conservação, preservação e da diversidade biológica. Além disso, o prof. Voador do rio assim como foi visto anteriormente atua numa escola localizada no interior da reserva, o mesmo está ciente de que pode ser realizada tanto trilhas aquáticas quanto terrestres.

As trilhas aquáticas/marinhas ocorrem no estuário, que por sua vez, recebe o nome de Rio Tubarão, também chamado de braço de mar. Nesse passeio, seja ele de barco à motor, canoa ou jangada, apenas pelo canal, parando nas ilhas ou na costa, ponto bom para o banho, descansar

e dialogar com as pessoas da comunidade, observar a pesca e as marisqueiras. No que se refere as trilhas terrestres, estas acontecem nos ambientes de dunas, caatinga, mangue, falésias e restinga (CUNHA, 2006).

Vale salientar, que em meio a ideia de explorar os diversos ambientes da reserva, o aspecto interdisciplinar foi citado nessa questão pelo prof. Voador do rio como algo importante e que pode ser trabalhado. Atrelado a essa fala, pode-se levar em consideração, ainda, o grande número de conteúdo que foi citado na questão anterior, como sendo um indicativo para as possibilidades de realizar um trabalho com caráter interdisciplinar na reserva.

No que se refere a interdisciplinaridade, coloca-se aqui o significado criado de forma sintetizada por Carvalho (1998, p. 9) em que se pode definir “interdisciplinaridade como uma maneira de organizar e produzir conhecimento, buscando integrar as diferentes dimensões dos fenômenos estudados”. Desse modo, se almeja superar uma visão especializada e fragmentada do conhecimento na intenção de se compreender a complexidade e interdependência dos fenômenos da natureza e da vida. Sendo assim, é possível se referir à interdisciplinaridade como postura, como nova atitude perante o ato de conhecer (CARVALHO, 1998).

A autora supracitada (1998) ainda tece algumas discussões com relação ao grande potencial interdisciplinar da ecologia (área bastante citada nas questões anteriores), em que, de modo geral, pode-se dizer que sua trajetória se caracteriza por tentativas de conseguir níveis cada vez maiores de complexidade no entendimento da vida e de sua organização no planeta. Então, do estudo de ecossistemas singulares (como é o caso de unidades botânicas simples), a ecologia marchou para o estudo de totalidades mais complexas e inclusivas, por exemplo das noções de biosfera e ecossistemas. A ecologia, dessa forma, prepara o terreno para o nascimento de uma ciência multidisciplinar, isto é, constitui um campo do saber para o qual convergem outros saberes científicos como a física, a química, a botânica, a geologia, a economia.

Porém, se tem aqui de um lado professores que mencionaram o termo interdisciplinaridade no uso da reserva (embora não se saiba qual o significado de interdisciplinaridade que os professores tem em mente), há também alguns docentes que citam termos que não estão de acordo com as recomendações mais atuais para o ensino de Ciências, como se percebe na categoria a seguir.

A 2ª (segunda) categoria é a “ilustração de conteúdo” e, está representada pelas falas do prof. Traíra do rio: “Principalmente como ilustração para as aulas de ecologia; prof. Muriongo: “Ilustrando os assuntos e explorando mais o que foi visto em sala de aula”. Nesses relatos, sobre o uso didático da reserva como mais uma forma para “ilustrar” o conteúdo trabalhado em sala reforçam a tendência tradicional de ensino, a transmissão e o memorismo,

em que, mesmo o docente diversificando o ambiente onde ocorrem as aulas, sua prática pedagógica é voltada para conteúdos conceituais se limitando na transmissão.