Na segunda metade do século XX, precisamente no ano de 1968, a implementação das Reformas dos Governos Militares para a Educação estabeleceu parâmetros de regulamentação para a pós- graduação no Brasil, até então auto-referenciada e concentrada espacialmente na região sudeste. O país, cabe lembrar, vivia um surto de urbanização capitalista e de industrialização, impulsionando a ampliação dos atos modernizadores de sua estrutura estatal e complexificando, segmentando e especializando suas organização e funções – além do próprio território – exigindo a formação continuada de quadros profissionais egressos das jovens Universidades brasileiras, lhes imprimindo as tarefas de compreender, explicar e gerir as novas demandas da vida social do país (MORAES, 2005; ALMEIDA & GUIMARÃES, 2013).
Imbuído de criar as bases necessárias para execução de um projeto que oferecesse maior especialização aos profissionais formados nas Universidades do Brasil, foi efetivado, três anos antes, ainda em 1965, o Plano Nacional de Pós-graduação – PNPG, criando programas de pós- graduação e cargos de Dedicação Exclusiva. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de
Nível Superior – CAPES, instituída há pouco mais de uma década, em 1951, passou a ampliar suas ações nos poucos centros de pesquisa já consolidados. Em 1965 fora estabelecido um primeiro esforço de normatização através do Ato do Conselho Federal da Educação, mas as mudanças mais acentuadas viriam mesmo a partir de 1968 (MORAES, 2005; ALMEIDA; GUIMARÃES, 2013).
Até a década de 1960, a pós-graduação brasileira seguia, na maioria dos casos, o modelo francês, geralmente apenas com a titulação do doutorado. Vigorava o antigo sistema de cátedras, com os assistentes do professor catedrático fazendo as pesquisas determinadas por ele. Apenas em 1965 é que se estabeleceram os dois níveis de mestrado e doutorado. Em 1968 a reforma universitária seguiu o sistema norte-americano, extinguiu as cátedras e introduziu o sistema de créditos. [...] A institucionalização da pós-graduação no Brasil iniciou-se com o parecer 977 da Câmara de Ensino Superior, do Conselho Federal de Educação, conhecido como ‘Parecer Sucupira’. Flávio Suplicy de Lacerda, ministro da Educação do primeiro governo militar, de Castello Branco, foi quem optou por seguir o modelo norte-americano da pós-graduação, com titulações de mestrado e doutorado. Nesse modelo interpretou-se o mestrado como aperfeiçoamento da formação da graduação e o doutorado como a capacitação para realizar pesquisa (MOTOYAMA et al, 2004, p.49-50).
Paralelamente ao movimento de normatização da pós-graduação no Brasil, datada da década de 1960, foram também estimuladas a criação, a expansão e a padronização de veículos de disseminação do conhecimento acadêmico desenvolvido no território nacional, de modo a organizar um circuito por onde esse conhecimento pudesse ser mais facilmente divulgado e acessado por pesquisadores nacionais e internacionais, inserindo o Brasil de forma mais integrada no fluxo da produção científica global (ALMEIDA; GUIMARÃES, 2013; DANTAS, 2011).
Das revistas científicas editadas ainda no Império de Pedro II, como a Revista do Instituto
Histórico e Geográfico Brasileiro, iniciada em 1839, e a Gazeta Médica da Bahia, publicada a
partir de 1866 (IHGB, 2014; ALMEIDA; GUIMARÃES, 2013), aos novos periódicos divulgados mediante a extensa disseminação da rede mundial de computadores pelos territórios a partir da segunda metade do século XX, há, por trás desse processo, gradual e não uniforme, que envolve instituições e normas, uma adequação da comunidade científica aos novos modos de inserção da produção acadêmica, acumulada no tempo e diversificada por região, no “circuito oficial” (DANTAS, 2011).
Trata-se, em verdade, de um processo que revela a própria legitimação no/do campo disciplinar, se concordarmos que no campo científico moderno “[...] a pesquisa torna-se legítima somente
após sua publicação em meios aceitos pela comunidade de pares, ou seja, o conhecimento científico os consolida como base epistemológica do saber humano quando é finalmente aceito pela comunidade dos cientistas” (ALMEIDA; GUIMARÃES, 2013, p. 17).
É a condição de ser legitimado pelos pares, mediante a “oficialidade científica”, o que está em jogo. No tocante ao campo disciplinar (geográfico) e os cursos de pós-graduação (em Geografia), a lógica acompanha e se configura sobre a referida forma: a publicização do saber produzido por meios de divulgação aceitos pela comunidade científica e seu enquadramento na normatização oficial acompanham a institucionalização, a consolidação e a diversificação (regional) dos centros de pesquisa.
A legitimação social é atribuída, pois, a partir da capacidade de resposta dos centros de pesquisa às diretrizes de produção do conhecimento (BOURDIEU, 2004). Contudo, não esqueçamos, essa capacidade de resposta é dada, também, e, sobretudo, em função de condições objetivas externas ao campo científico, oferecidas por vetores e eventos que incidem e se realizam dialeticamente e de modos diferente e desigual no território (sincronia-diacronia), criando uma diversidade de situações geográficas e de possibilidades para a realização histórica dos centros de pesquisa que nelas se instalam (SANTOS, 2006a).
No final da década de 1980, por exemplo, apenas existiam cursos de doutorado em Geografia nas Universidades estaduais de São Paulo – USP e UNESP (DANTAS, 2011), situação decorrente das transformações socioespaciais observadas neste e no capítulo anterior, responsáveis por uma inversão nas centralidades decisórias em termos político-econômicos no país, inversão conformada em pouco mais de um século e que deu a subespaços do território nacional condições mais favoráveis de inserção na modernização tardia que incidiu sobre o Brasil a partir da década de 1930.
O que houve com as Reformas para a Educação dos Governos Militares, de 1968, foi uma ampliação paulatina, tímida e ainda espacialmente concentrada dos programas de pós-graduação no Brasil nas diversas áreas do conhecimento. Se tomarmos como base o campo disciplinar geográfico após as reformas, teremos em destaque, na dianteira do processo, as seguintes
Universidades: USP (cursos de mestrado e de doutorado em Geografia Física e Geografia Humana, ambos em 1971), UFRJ (curso de mestrado em Geografia em 1972 e de doutorado em Geografia em 1992), UNESP de Rio Claro (curso de mestrado em Geografia em 1977 e de doutorado em Geografia em 1983), UFPE (curso de mestrado em Geografia em 1977 e de doutorado em Geografia em 2003), e UFS (curso de mestrado em Geografia em 1983 e de doutorado em Geografia em 2003) (DANTAS, 2011).
Após o chamado “milagre econômico” dos Governos militares, vivido pelo Brasil ao longo da década de 1970, a transição democrática e os governos seguintes ocorreram em meio a um período de instabilidade e de fragilidade econômicas do país, período que se estendeu, aproximadamente, do final da década de 1970 ao início da primeira década dos anos 2000. A partir de 2003, com a melhora da conjuntura econômica internacional e mudança de governo em âmbito nacional, houve uma breve inflexão no ritmo da economia interna e o Brasil experimentou anos de maior crescimento econômico até o início da década seguinte (2010)47, possibilitando o fomento e a execução de um conjunto de políticas de desenvolvimento (GIAMBIAGI, 2005), nas quais se insere o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais – Reuni.
Em consonância com a expansão dos cursos em nível de graduação, o país assistiu também nas últimas décadas a um aumento significativo dos cursos de pós-graduação, em diversas áreas do conhecimento. Paralelamente, as referidas fases econômicas e de aumento em quantidade dos cursos de pós-graduação coincidem com a continuação do processo de expansão dos sistemas técnicos de comunicação no território nacional, com destaque para o suporte tecnológico da rede mundial de computadores, intensificado no Brasil a partir da segunda metade dos anos 1990, possibilitando maior integração do Brasil ao “circuito oficial” da produção científica no mundo ocidental (SANTOS; SILVEIRA, 2001; ALMEIDA; GUIMARÃES, 2013).
Quanto aos antecedentes históricos do cenário nacional atual, o pioneirismo da Universidade de São Paulo no tocante ao enquadramento das disciplinas parcelares no Brasil, e particularmente da
47 Entre a crise do petróleo de 1979 e o último ano do segundo Governo FHC, o crescimento médio do PIB foi de
Geografia, em uma nova tradição acadêmico-universitária, após 1930, signatária da normatização e da linguagem próprias ao campo científico moderno, também repercutiu na formação e titulação dos primeiros pós-graduados em Geografia no território nacional, ainda que regidos por processos institucionais diferentes dos atuais.
A primeira defesa de doutorado em Geografia na USP e no Brasil se deu em 1944, intitulada
Santos e a Geografia Humana do Litoral Paulista, conferindo o título de doutora em Geografia a
Maria da Conceição Vicente de Carvalho, orientanda do professor Pierre Monbeig, formada em Química Industrial pelo Mackenzie College e, posteriormente, em Geografia pela USP, passando ao cargo de professora de Geografia do nível secundário no estado de São Paulo. Após ter ingressado como aluna ouvinte no recém criado curso de Geografia e História da USP, em 1936, tornou-se aluna regular do mesmo curso e membro da AGB nos primeiros anos da Associação. Na década de 1940, exerceu por um tempo a função de professora do próprio Departamento de Geografia da USP (SEABRA, 2008; USP, 2015).
Ainda durante a década de 1940, além de Maria da Conceição Vicente de Carvalho, quatro outros geógrafos se doutoraram na USP: Ary França, Nice Lecoq Muller, João Dias da Silveira (primeiro Catedrático de Geografia Física) e Renato Silveira Mendes, todos, igualmente, professores do Departamento de Geografia da USP. Dentre os referidos geógrafos, apenas o último não foi orientando de Pierre Monbeig, mas sim de Pierre Gourou48 (SEABRA, 2008; USP, 2015). Todavia, é importante lembrar que se trata de um período em que não havia ainda o curso de mestrado, criado apenas em 1973, e o curso de doutorado na Universidade paulista se realizava ao longo de dois anos (Depoimento de José Bueno Conti em 03 de outubro de 2013).
No seu percurso histórico, a USP contou desde sua fundação com uma concepção de trabalho e de vida acadêmica que aportou na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras junto com os professores franceses, responsável pela compreensão da necessidade da prática investigativa
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Um pouco menos conhecido dos geógrafos brasileiros, Pierre Gourou foi um geógrafo francês, dedicado à Geografia dos países tropicais, contribuindo com o imperialismo francês. Segundo Antônio Carlos Vitte (2009, p. 01): “As reflexões de Pierre Gourou sobre o mundo tropical, particularmente o sudoeste asiático representa um importante marco nas relações entre a geografia e o imperialismo. A partir de influências da medicina e de uma concepção de que os trópicos representavam a antítese do mundo europeu temperado, o discurso geográfico de Gourou formaliza uma visão míope sobre o mundo tropical e seus habitantes”.
continuada como elemento de afirmação e validação das verdades científicas, isso algumas décadas antes de outros centras Universidades no Brasil, e mesmo antes da implementação de uma política de Estado visando uma maior especialização dos profissionais formados nas jovens Universidades brasileiras.
Na década seguinte (1950), já sob a égide do recém criado Departamento de Geografia da USP (1946), mais três geógrafos se doutoraram na Universidade paulista: Eliana de Oliveira Santos, orientanda de João Dias da Silveira, e Aziz Ab’Saber e José Ribeiro de Araújo Filho, ambos orientados por Aroldo de Azevedo. Chegados os anos 1960, o número de doutores titulados ao longo dessa década também é de três geógrafos: Pasquale Petrone, orientando de Ary França, Antônio Rocha Penteado, sob orientação de Aroldo de Azevedo e, finalmente, Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro, orientado por Aziz Ab’Saber (USP, 2015).
Dessa forma, entre os anos de 1944 e 1970 totalizam onze os geógrafos titulados doutores em Geografia pela Universidade de São Paulo, desenvolvendo seus trabalhos científicos no que poderíamos chamar de antigo sistema, marcado ainda pela presença dos professores catedráticos, pela inexistência do curso de mestrado e condensação do curso de doutorado em dois anos e por um corpo discente formado por estudantes egressos da própria instituição em seu nível de graduação.
Embora os trabalhos de pós-graduação construídos por esses geógrafos sejam emblemáticos e tributários da assimilação, na recém criada Universidade de São Paulo, da compreensão da necessidade de uma formação continuada do professor, entendido a partir de então como professor-pesquisador, bem como bases para trabalhos de maior “fôlego” desenvolvidos nas décadas seguintes por esses mesmos professores-pesquisadores e seus orientandos, impulsionando através de suas publicações a pesquisa geográfica em outras partes do país, há de se observar, apesar de todo os esforços, as limitações em termos quantitativos e quanto à possibilidade de acesso dos estudantes externos à USP em relação ao curso de doutorado em Geografia na USP até o início da década de 1970.
Se tais pesquisas, concluídas e divulgadas posteriormente através de artigos em periódicos e livros científicos, foram responsáveis em grande medida pela continuidade de uma tradição e do início da “maioridade” dos estudos geográficos na lógica acadêmico-universitária no Brasil, sua abrangência formativa esteve naquele momento ainda bastante restrita ao estado de São Paulo. Somente na década de 1970, após a Reforma Universitária do Governo Federal, de 1968, ampliaram-se as possibilidades quanto ao ingresso de novos estudantes no curso de doutorado em Geografia da USP.
Não é demasiado lembrar que o desenvolvimento dos programas de pós-graduação resultou do projeto de racionalização e modernização da administração pública dos governos militares, no período de gestão do presidente general Emílio Garrastazu Médici, entre 1969 e 1973, e principalmente do presidente general Ernesto Geisel, entre 1973 e 1978, que deram forte ênfase à ciência e tecnologia e propiciaram um fomento em política científica sem paralelo em outras décadas. A pós-graduação foi defendida como uma necessidade imperativa, por razões que afetavam diretamente não apenas o desenvolvimento da ciência no Brasil, mas o pleno desempenho da própria graduação. Não era mais admissível a manutenção de um quadro docente de ensino superior sem formação continuada e sistemática; A pós-graduação daria uma dinâmica inteiramente nova à própria graduação; Assim, a integração do ensino e da pesquisa na Universidade se desenvolveu com a reforma de 1968, com forte investimento na pós-graduação (MACHADO, 2009, p. 163-164).
Em 1971, no bojo das mudanças promovidas pelo Estado para a Educação e aprofundando a segmentação característica da Ciência moderna, o curso de pós-graduação em Geografia na Universidade de São Paulo foi desmembrado em Programa de Pós-graduação em Geografia Humana e Programa de Pós-graduação em Geografia Física (único caso no Brasil), ampliados também com a abertura dos cursos de mestrado em Geografia Humana e Geografia Física (USP, 2015).
Ao longo da história dos dois Programas foram definidas linhas de pesquisa articuladas e propostas em função dos grandes eixos temáticos investigados por seu corpo docente, calcadas na sua dinâmica e mudança de gerações de pesquisadores e concepções de Geografia. Na atualidade (2015), o Programa de Pós-graduação em Geografia Humana se desenvolve pelas linhas de pesquisa: Espaço: imagens e representações gráficas, Geopolítica, planejamento e gestão do território, Metodologia em Geografia, O ensino da Geografia no Brasil, Sociedade urbana: metrópole e território, e Território, economia e desenvolvimento regional. Já o Programa de Pós- graduação em Geografia Física opera sob as seguintes linhas de pesquisa: Estudos
Interdisciplinares em Pedologia e Geomorfologia, Estudos Teóricos e Aplicados em Climatologia, Informação Geográfica: tratamento, representação e análise.
Desde meados da década de 1970, trabalhos desenvolvidos nesses dois programas de pós- graduação passaram a preencher não só as prateleiras das bibliotecas da Universidade paulista, mas das diversas Universidades nos diferentes estados que ainda não dispunham de cursos para a continuidade da formação de seus licenciados e bacharéis impulsionados, em grande número, a procurarem os centros de pós-graduação já consolidados, dentre os quais, a USP49.
As dimensões e influência nacionais que atingiram os cursos de Pós-graduação em Geografia da USP podem ser verificadas a partir de uma série de gráficos e de mapas apresentados nos Apêndices desta tese. Pode-se perceber, por exemplo, que a Universidade paulista tem funcionado como centro polarizador que atrai para si pesquisadores oriundos das regiões Norte e Nordeste brasileiras, onde a expansão dos programas de pós-graduação, embora em curso, vem se dando de modo mais lento.
No tocante à Universidade Federal da Bahia, as cooperações técnicas dos anos 1960/70/80 funcionaram como embriões do seu Programa de Pós-graduação, que inicialmente contou com o curso de Mestrado em Geografia a partir de 1994 e, posteriormente, foi ampliado para Programa de Pós-graduação em Geografia, quando passou a abrigar, a partir do ano de 2011, um dos poucos cursos de doutorado da região Nordeste, efetivando um velho sonho iniciado na fundação do Laboratório de Geomorfologia e Estudos Regionais, em 1959.
O ano de 1979 representa um marco para o velho anseio de fundar um programa de pós- graduação em Geografia na UFBA. Figurando como uma das Universidades da região nordeste do Brasil escolhidas para compor o convênio interuniversitário CAPES/COFECUB – uma iniciativa do Governo Federal em parceria com Ministérios e Universidades estrangeiras, com vias à capacitação dos quadros docentes e intercâmbio de conhecimento –, a cooperação foi assinada naquele ano tendo como coordenadores a professora Neyde Gonçalves, respondendo
49 Quase cinquenta anos após a Reforma de 1968, porém, apenas a região Norte do Brasil ainda não contava com um
pela Universidade Federal da Bahia, e os professores Guy Lassère e Raymund Pebayle, de Bordeaux, como representantes franceses. Naquele ano de 1979, a maior titulação acadêmica no Departamento de Geografia vinculava-se aos professores Maria Auxiliadora da Silva, Antônia Déa Erdens, Barbara-Christine Silva50 e Sylvio Bandeira de Mello e Silva, todos detentores do título de doutor em Geografia (DEPOIMENTO DE MARIA AUXILIADORA EM 03 DE JULHO DE 2014; SOUSA, 2013).
O ano de 1979 foi o da implantação do acordo CAPES/COFECUB, através do qual foi possível o avanço de pesquisa em Geografia na Bahia. Os coordenadores da primeira etapa e dois primeiros anos do convênio de cooperação interuniversitária foram a Profª. Neyde Maria S. Gonçalves, representando a Universidade Federal da Bahia, e os professores Guy Lassère e Raymond Pebayle, ambos da Universidade de Bordeaux. Em 1982, a Profª. Maria Auxiliadora e o geógrafo Jacques Hubschman foram os coordenadores, continuando em toda segunda etapa, e a cooperação agora era com a Universidade de Toulouse Le Mirail. O projeto, intitulado Geossitemas, Planejamento e Desenvolvimento do Semiárido Baiano, contou com a participação de 12 professores do Instituto de Geociências, além de pesquisadores da Escola de Agronomia e do Centro de Recursos Humanos e teve como parceiros oito geógrafos estrangeiros: Bernard Kayser, George Bertrand e Jean Paul Metalié, da Universidade de Toulouse Le Mirail; Jean Trauttman, da Universidade de Strasbourg; Paul Claval, da Universidade Paris IV; Michel Rochefort, da Universidade de Paris I; e Pierre Berrère, da Universidade de Bordeaux. Além de Michel Poinard, M. B. Pastor, Etienne Dalmasso e Claude Lecarpentier (SOUSA, 2013, p. 225-226).
No âmbito do convênio CAPES/COFECUB, foi fomentado um curso de especialização com duração de dois anos versando sobre análise regional no semi-árido baiano (1980-1981). Em 1982, assumiu a coordenação da cooperação técnica os professores Maria Auxiliadora da Silva, representante da UFBA, e Jacques Hubschman, da Universidade de Toulouse, dando continuidade aos estudos do semi-árido baiano, com ênfase no município de Barreiras e na região sisaleira, notadamente os municípios de Valente e Serrinha, agora contando com um maior número de professores tanto vinculados ao Departamento de Geografia como de outras unidades da UFBA. Externos à Universidade baiana, vieram à Bahia e participaram do projeto os professores Paul Claval, George Bertrand, Michel Rochefort, Etienne Dalmasso, Claude Lecarpentier, Bernard Kayser, dentre outros, vindos de diversas Universidades francesas (DEPOIMENTO DE MARIA AUXILIADORA EM 03 DE JULHO DE 2014; SOUSA, 2013). Inscritas no único projeto renovado entre as Universidades da região do nordeste brasileiro (cada projeto tinha a duração de cinco anos), no âmbito do convênio CAPES/COFECUB, as pesquisas
50 A professora Barbara-Christine Silva é autora do primeiro livro de abordagem quantitativa em Geografia no Brasil,
no semi-árido baiano ainda contribuíram para a ida de professores do Departamento de Geografia da UFBA para Universidades Francesas, a fim de desenvolverem seus estudos de doutoramento de forma integral ou parcialmente. Assim estiveram na França os professores Creuza Lage, Florisvaldo Henrique Falk e Benedita Andrade, retornando com a titulação de doutorado (DEPOIMENTO DE MARIA AUXILIADORA EM 03 DE JULHO DE 2014; SOUSA, 2013).
Paralelo ao CAPES/COFECUB, foram ainda realizados como esboço do futuro curso de Mestrado em Geografia dois cursos lato senso em análise urbana. Mas as raízes da pós-graduação em Geografia são também encontradas na participação de professores do Departamento de