Esta etapa pretende elaborar um protótipo que será utilizado no estudo de caso II, conforme apresentado mais adiante no capítulo 8. O estudo consistiu em simular o uso do produto ainda nas primeiras etapas de seu desenvolvimento, devendo este ser o mais simples e com menor custo possível. No entanto, dois importantes aspectos devem ser considerados na criação deste modelo virtual. Primeiro, o modelo deve mostrar claramente suas características físicas para ser identificado como um rádio relógio pelo usuário. Segundo, o modelo deve ser facilmente modificável, tendo em vista as constantes mudanças que serão necessárias nesta fase do design.
Após a análise destes fatores, o modelo foi construído em parceria com dois pesquisadores do Institute for Advanced System Engineering9 da University Central Florida, nos Estados
Unidos. A fase de desenvolvimento do mesmo foi no período de abril e maio de 2013, durante o período de estágio da autora.
Conforme descrito no item 4.1, o protótipo foi construído a partir das seguintes dimensões:
Precisão
O objetivo do estudo com o protótipo desenvolvido consistia em avaliar a funcionalidade e operacionalidade do rádio relógio e para tal foi construído um protótipo funcional, permitindo a realização de três tarefas: ajuste da hora, ajuste do alarme e ligar/desligar alarme. De acordo com a sua funcionalidade, o protótipo pode ser classificado como de média fidelidade e de cenário, visto que, os recursos e a funcionalidade foram reduzidos, permitindo simular uma interface com o usuário para avaliação preliminar das tarefas sugeridas.
O protótipo foi desenvolvido com base no modelo do rádio relógio da marca Sony ICF-C218, que foi descrito no item 3.6 do capítulo 3. Foi utilizado o padrão web HTML (Hyper Text Markup Language) e o JavaScript, que corresponde a uma linguagem de programação da Web e que vem sendo utilizado pelas modernas páginas HTML. O desenvolvimento da parte funcional do protótipo foi realizado nas três partes a seguir e foi programado utilizando o software Adobe Dreamweaver:
Parte I: Extensão para o relógio digital composta por números digitais sincronizados com o computador em tempo real.
Parte II: Instalação do alarme para o tempo em horas e minutos.
Parte III: Extensão do botão para acionamento e desligamento do alarme e programação do som.
Os códigos utilizados para programação de cada parte encontram-se no Apêndice B. A seguir as partes do protótipo serão ilustradas.
Parte I - O sistema possui um display que apresenta o tempo sincronizado com o computador ou de acordo com o ajuste realizado pelo usuário (ver Figura 4.12).
Figura 4.12 – Display do modelo virtual do rádio relógio
Fonte: A autora
Parte II - O sistema possui um menu com botões para o ajuste do relógio e alarme em horas e minutos, conforme ilustra a Figura 4.13.
Figura 4.13 – Menu do modelo digital para ajuste do relógio e alarme.
Fonte: A autora
Figura 4.14 – Botão para desligamento do alarme
Fonte: A autora
Representação
O modelo deste protótipo foi totalmente desenvolvido e testado no computador, no que o caracteriza como um protótipo virtual. A Figura 4.15 ilustra o modelo do radio relógio como foi apresentado durante o estudo de caso.
Figura 4.15 – Apresentação do modelo digital na tela
Interatividade
A interação com o modelo consiste em um usuário real utilizando um protótipo virtual, utilizando os seguintes sentidos: visual, a partir da visualização do protótipo projetado na tela, e o auditivo, para identificação do alarme. Na elaboração do menu foi utilizada a língua inglesa em razão do protótipo ter sido avaliado por estudantes da University Central Florida nos Estados Unidos.
O menu de ajuste do tempo e alarme é operado pelo usuário utilizando o mouse. Este deve pressionar os botões '+/-' tanto para a hora como para o minuto e concluir pressionando o botão 'Set' (Figura 4.13).
Evolução
O protótipo desenvolvido tem uma característica interativa e o código para HTML elaborado pode ser facilmente modificado como também adaptado a outros modelos.
4.5 Considerações finais do capítulo
A princípio os protótipos virtuais consistiam apenas em uma visualização realística do produto, no entanto, os recentes estudos apontados neste capítulo demonstraram diversas possibilidades de interação com os mesmos. Desta forma, protótipos virtuais são construídos para permitir a interação com o usuário desde o início do processo de desenvolvimento do produto, no que significa que os usuários são capazes de tocar, mover, manipular e operar os produtos virtuais através dos vários sentidos.
Em consequência desta nova prática, o número de protótipos físicos construídos durante todas as fases do processo de desenvolvimento do produto pode reduzir consideravelmente, se comparado ao uso dos protótipos virtuais, pois estes possibilitam um número maior de variações e interações, assim como a comparação entre as mesmas (BORDEGONI; FERRISE, 2013). No entanto, conforme visto ao longo do capítulo, no processo de desenvolvimento do produto, tanto o protótipo físico como o virtual possuem benefícios e limitações. Para um melhor aproveitamento destes dois sistemas, a integração ou combinação entre eles pode ser uma opção mais eficiente. Para tal, as tecnologias relacionadas com a integração e conversão entre protótipos físicos e virtuais foram apresentadas no item 4.3.2.
Por outro lado, conforme também apontado neste capítulo, a interação somente com protótipos virtuais também é possível em consequência do desenvolvimento de tecnologias
emergentes, tais como a tecnologia da Realidade Virtual e as tecnologias avançadas de visualização estereoscópica que permitem uma visão mais realista e de alta fidelidade, com representação em tempo real do modelo virtual do produto dentro de um espaço apropriado (CRAIG; SHERMAN; WILL, 2009). Outro exemplo corresponde a tecnologia de equipamentos hápticos, que vem demonstrando um bom desempenho para ser utilizada na implementação da interação física com os objetos digitais (HAYWARD et al, 2004). Estas tecnologias serão abordadas no capítulo a seguir, assim como os protótipos desenvolvidos neste capítulo serão avaliados quanto a sua funcionalidade e aplicação na avaliação da usabilidade nos dois estudos de caso propostos nesta tese.