Em 1996, o Estado de São Paulo concentrava 50% da produção industrial do país, embora a Região Metropolitana de São Paulo tenha reduzido a sua participação industrial ao longo das décadas de 70 e 80, particularmente, no Município de São Paulo. O Estado paulista concentrava, também, as indústrias com maior valor agregado e conteúdo tecnológico. Segundo os dados divulgados pela Fundação SEADE, o Estado de São Paulo possuía 53% da produção da indústria mecânica, 60% da química, 62% da de materiais de transportes, 70 % da de borracha, 65% da de produtos plásticos, 57% da produção de papel e 46% da metalúrgica. Em particular, a Região Metropolita de São Paulo apresentava, no fim da década de 90, uma forte dinâmica industrial nos complexos metalo-mecânico, eletroelétrico, de comunicações e petroquímico (Araujo 1999, 40).
Ocorre, todavia, um movimento de interiorização do desenvolvimento industrial num espaço concentrado, isto é, num raio de 150 km a partir do centro de RMSP, abrangendo as Regiões Administrativas de Campinas, São José dos Campos, Santos e Sorocaba (Araujo 1999, 41). Os fatores da desconcentração, nos anos 70 e 80, prenderam- se com os custos de aglomeração, a saturação da infraestrutura de transportes, a valorização imobiliária e as restrições na legislação ambiental. Além disso, são de destacar os investimentos em infraestrutura energética e transportes, o crescimento da agroindústria da cana (Proálcool) e da laranja (para exportação). Já nos anos 90, o movimento de desconcentração é favorecido pela proximidade do grande mercado consumidor que as regiões administrativas, no entorno da cidade de São Paulo, representam. Densidade urbana, infraestrutura viária e intensidade de fluxos, bem como a redução do custo dos transportes, favoreceram a expansão da região económica. Nesse último período, grandes grupos estrangeiros canalizavam para a RMSP recursos para a implantação de indústria, comércio e serviços, devido à dimensão do mercado consumidor brasileiro (Araujo 1999, 41).
Ainda, através dos dados de 1996 da PAEP, sabemos que a indústria respondia pela maior parcela do valor adicionado do Estado e do seu pessoal ocupado, seguida pelo comércio, com o maior número de empresas e com boa parte das ocupações (Araujo 1999, 42). A RMSP dominava o panorama da distribuição desses valores, sendo que representava 56,8% do pessoal ocupado, 60,4% do valor adicionado e 57% do número de unidades locais (Araujo 1999, 44).
responsáveis por cerca de 85% do valor adicionado do setor de fabricação e montagens de veículos automotores, reboques e carroceiras, 77, 5% de alimentos e bebidas, 59,1% de produtos químicos e 50,9% de máquinas e equipamentos (Araujo 1999, 45). Das 15013 unidades locais instaladas, após 1990 até 1996, no Estado, cerca de 52% localizaram-se na RMSP, representando 62,2% do valor adicionado total do agrupamento da indústria de transformação. Ainda, as unidades locais que realizaram investimentos na ampliação da capacidade produtiva, entre 1994 e 1996, na RMSP, representavam 53% do total do grupo no Estado; assim como cerca de 53% das unidades locais, que fizeram este tipo de investimento, pertenciam às empresas dos principais géneros da indústria local (Araujo 1999, 46).
Já no que remete para a assimilação de novos métodos e técnicas produtivas, são poucas as empresas, no período 1994-1996, que desenvolveram algum tipo de inovação, sendo que aquelas que assim procederam representavam uma produção significativa de valor adicionado: 26,5% das empresas inovadoras representavam 60% do valor adicionado da região metropolitana (Araujo 1999, 46).
Em contraste com a elevada percentagem de empresas inovadoras na RMSP, é bastante significativo o número daquelas que não ofereciam qualquer tipo de treinamento aos seus trabalhadores, isto é, cerca de 87%. As restantes (aquelas com treinamento) eram constituídas por empresas de grande porte, representando 58,4% do valor adicionado (Araujo 1999, 46).
Em consequência, destacavam-se em ordem de importância, na distribuição intrarregional do valor adicionado da indústria da RMSP em relação ao valor adicionado estadual, que no total correspondia a 60,4%, o Município de São Paulo (33,1%), a região do ABC (13,8%) e os demais municípios (13,5%) (Araujo 1999, 46).
No Estado de São Paulo, ainda segundo os dados de 1996, destacou-se em particular a região de Campinas. Em conjunto com a RMSP, representava cerca de 70% dos estabelecimentos industriais, 74% do pessoal ocupado na indústria e, igualmente, 77% do valor adicionado. Este facto vem corroborar a ideia de que os processos de desconcentração, referidos acima, em especial para o Município de São Paulo, foram acompanhados por processos de concentração industrial na nas regiões de Campinas, Sorocaba, São José dos Campos e Santos, os quais estão vinculados à grande disponibilidade de investimentos e a fatores de produção, como anteriormente referidos, como ao excedente de poder de trabalho e a energia. Essas características da região estão presentes desde os finais dos anos 20, o que nega a mera influência do processo de
desconcentração metropolita dos anos 80 e da diminuição de intensidade industrial na metrópole para o seu surgimento (SEADE 2013c, 4).
A reestruturação produtiva ao alterar algumas das práticas territoriais da indústria reafirmou a importância produtiva tradicional da área do interior paulista, estendendo o território metropolitano. A metrópole e a região envolvente formam assim uma unidade histórica, a qual através do fortalecimento da integração dos diversos momentos da produção, distribuição e consumo origina um complexo industrial metropolitano expandido, onde a perceção dos limites entre municípios se perde, ou seja, cria-se uma cidade-região (Lencioni 2003, 6).
“Uma cidade-região que não se definiu por um planejamento, mas uma cidade que assim se definiu por um processo, por uma lógica histórica que desafia a compreensão de sua dinâmica e, até mesmo, o planejamento urbano” (Lencioni 2003, 8).
A constituição dessa cidade-região não significou uma dissociação da função industrial da metrópole. Trata-se na verdade de uma desindustrialização relativa, pois São Paulo continua uma cidade industrial. Pode-se afirmar que a indústria saiu de alguns bairros da cidade, como é o caso do Brás (Lencioni 2003, 7).
A cidade-região tornou-se, por conseguinte, uma concentradora de nova riqueza e consolidou-se na integração financeira com o mundo, recebendo plantas industriais internacionais, aumentando a área territorial dos municípios destinada à produção industrial, modernizando a indústria, flexibilizando os contratos e criando novas qualificações do trabalhador e uma outra organização e gestão empresarial (Lencioni 2003, 8).
Assim, se juntarmos as cinco regiões da cidade-região, temos que em 1996 elas representavam 32,4% do PIB nacional e 83,9% do PIB gerado no Estado de São Paulo. E dentro do PIB do Estado a RMSP representava 53,5% do total e a região de Campinas 15%. Essas regiões concentravam as indústrias mais dinâmicas e inovadoras. A cidade- região está relacionada, desse modo, com a dispersão territorial da indústria e a concentração territorial das indústrias inovadoras (Lencioni 2003, 8).
O panorama de desconcentração industrial parece manter o mesmo padrão, apresentado na segunda metade dos anos 90, no período de 2000-2010. O complexo industrial de Sorocaba e Campinas concentravam, nesse período, 64% do investimento industrial e ocorria o fortalecimento da participação industrial no complexo industrial da cana-de-açúcar (RAs de Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Bauru, Maurília, Franca,
Araçutaba, Barretos e Presidente Prudente), no corredor centro-Noroeste do Estado (SEADE 2013c, 3). Todavia, existiam algumas variações nas regiões metropolitanas, visto que a sua participação no valor adicionado, à exceção de Campinas, diminui e a pulverização pelas restantes cidades brasileiras mantinha uma tendência a assinalar. Esta é compreendida através da escassez de terrenos e pela valorização dos mesmos nos grandes centros metropolitanos. Além disso, são referenciados os mesmos argumentos para o aumento da desconcentração no período anterior, como, por exemplo, o surgimento de novas oportunidades de negócios e as melhorias da infraestrutura (transportes, energia e comunicação). A esta lista soma-se ainda o argumento dos incentivos dos governos regionais às empresas e a presença de universidades e centros de investigação, como no caso de Campinas (SEADE 2013c, 4).
Para o caso especifico do Município de São Paulo, as publicações da SEADE, para o período 2000-2010, referem que existia uma continuação do crescimento histórico dos serviços e que este é um processo comum a cidades globais – passagem da indústria para os serviços. Contudo, esta tendência é amenizada por aquilo a que Marques e Haroldo apresentam como uma diminuição insignificativa no que respeita ao Estado onde a cidade se encontra (Marques e Torres 2000, 148). Embora a participação do Estado de São Paulo na indústria nacional tenha-se reduzido ligeiramente de 2001 a 2010 (de 45,1% para 42%), tanto a região de Sorocaba, como a de Campinas, ampliaram a sua participação de 9,4% para 11,2% do produto industrial do país (SEADE 2013c, 5). O valor adicional fiscal da indústria transformadora, na capital do Estado, caiu de 16,3%, em 2000, para 12,3%, em 2010, enquanto as regiões em expansão passaram a responder por quase metade do valor adicionado (SEADE 2013c, 7).
Já na área industrial da cana-de-açúcar, a evolução do valor adicionado fiscal na indústria paulistana (de 9,5% para 14%) deveu-se ao aumento dos ramos de alimentos e combustíveis, impulsionados pela produção sucroalcooleira (SEADE 2013c, 16).