III. Les manifestations du silence :
I.1- Voies de l’écriture :
O setor pecuário em Portugal representa uma fatia importante da produção agrícola do país. Estima-se que por volta de 37,3% do valor total do ramo agrícola, ou seja 2627 milhões de euros, é referente à produção animal no ano de 2005 (MADRP, 2007).
O setor pecuário com maior peso económico em 2005 foi a produção de leite que representou cerca de 28% do valor total da produção de produtos animais. Outros setores com peso na pecuária nacional são a produção de carne de bovino com 25%, a carne de suíno representando 20,7% e a carne de aves de capoeira com 12,5%. A carne de ovinos, caprinos, coelho e equídeos representa apenas uma pequena parte da produção pecuária nacional contribuindo apenas com 10% para o total do valor económico (MADRP, 2007).
O panorama de 2005 para os últimos dados sobre a produção animal de 2017 indicam uma mudança na produção pecuária afetando assim o peso económico dos seus subsetores. Em termos globais a produção de carnes aumentou 9,44% de 2005 para 2017(tabela 7). Este crescimento contudo foi assimétrico tendo-se assistido a uma diminuição da produção de carne de bovinos, ovinos e caprinos na ordem dos 15% a 28%(tabela 7). A carne de suíno foi a única das carnes vermelhas a registar um aumento da produção de 7,04%. O subsetor que registou um grande crescimento no período de
73 análise foram as carnes de aves de capoeira que registaram um aumento de 32,07%. A produção de leite também registou uma queda na ordem dos 7,8% (INE, 2018a).
Produção de Produtos Animais em Portugal (toneladas) 2005 2017 % Carnes Total 812687 889402 9,44% Bovinos 119019 91187 -23,38% Ovinos 21990 15803 -28,14% Caprinos 1364 1148 -15,84% Suínos 352998 377866 7,04% Aves de Capoeira 294368 388773 32,07% Leite Total 2195210 2023930 -7,80%
Tabela 7 - Evolução da produção de produtos animais em Portugal (Elaboração Própria, Fontes: MADRP, 2007; INE, 2018a)
Estes aumentos e quedas na produção de produtos animais influenciam a representatividade dos subsetores sendo expetável um aumento significativo do peso económico da produção de aves de capoeira e um aumento moderado da produção de suínos, tendo os restantes subsetores perdido importância. Quanto à distribuição geográfica das diferentes populações animais destaca-se a região do Alentejo pela sua grande concentração de animais. Relativamente aos bovinos, é possível verificar na tabela 8 que em 2017 cerca de 41,5% do efetivo nacional encontra-se no Alentejo, 18,9% no Norte de Portugal, 16,6% na Região Autónoma dos Açores e 12,8% na região de Lisboa e Vale do Tejo (INE, 2018b). A produção pecuária de bovinos encontra-se subdividida em duas formas distintas mas complementares de exploração. A exploração de vitelos e as explorações de engorda de novilhos e sua distribuição geográfica é distinta. A maioria das explorações de vitelos encontra-se maioritariamente concentrada no Alentejo, cerca de 72%, em sistemas extensivos com um número médio de cabeças de gado a rondar os 50 animais. As explorações de engorda de novilhos estão distribuídas pelo Entre Douro e Minho com 33% da produção, Ribatejo e Oeste com 23% e o Alentejo com 25% (MADRP 2007). Os sistemas de exploração são predominantemente intensivos para produção e engorda de novilhos no Entre Douro e Minho e no Ribatejo e Oeste; em contraste, no Alentejo, o sistema de exploração extensivo é o mais expressivo.
74 A exploração pecuária de caprinos em Portugal é maioritariamente voltada para a produção leiteira, estando disseminada um pouco por todo o território nacional. O sistema de produção de caprinos é quase sempre extensivo, devido à capacidade destes animais em retirar nutrientes de uma grande variedade de plantas e arbustos (MADRP, 2007). Os caprinos têm um papel importante na gestão de territórios com terras pobres, zonas arbustivas e florestais. Em Portugal as regiões com maiores efetivos caprinos são o Alentejo, Beira Interior e Trás-os-Montes, áreas do país com baixa densidade populacional e de zonas montanhosas com terras pobres para a agricultura. Apesar dos benefícios ecológicos e económicos desempenhados pelos rebanhos de caprinos, o seu efetivo tem vindo a declinar mas últimas décadas. Uma das explicações para o declínio da exploração pecuária de caprinos prende-se com a exigência de mão-de-obra na gestão tradicional destes animais.
A produção ovina tem várias semelhanças à exploração caprina podendo mesmo existir rebanhos mistos. A produção de ovino ocorre maioritariamente em sistemas extensivos. Os ovinos são explorados tanto pela sua carne como pelo leite (MADRP, 2007). A exploração de carne de ovino ocorre principalmente no Alentejo onde se concentra 59,5% do efetivo nacional. A produção de leite de ovino encontra-se distribuída pelo norte e centro do país tendo como zonas de maior produção a Beira Interior e Trás-os-Montes (MADRP, 2007).
No que diz respeito à produção de suínos é possível verificar que dentro do setor existem diferentes abordagens. A forma tradicional de criação de suínos é considerado um regime de exploração complementar à atividade agrícola estando normalmente associado ao autoconsumo e/ou a uma atividade complementar (MADRP, 2007). Em contraste, temos as explorações industriais de suínos voltadas para o mercado e que representam a maior parte da produção nacional, com uma densidade populacional média por exploração rondando as 100 cabeças. As explorações extensivas de suínos, como o caso da raça autóctone do porco preto alentejano, apesar de registarem um crescimento significativo nas últimas décadas, continuam a representar um contributo ainda pouco significativo para a produção global de suínos .
A distribuição de suínos pelo território nacional é dispersa encontrando-se um pouco por todo o país, porém as grandes indústrias de suinicultura encontram-se concentradas em três polos: a zona de Leiria, Alto Alentejo e o Litoral Alentejano (MADRP, 2007). Os dados sobre o efetivo de suínos de 2017 confirmam esta
75 concentração de animais na região do Alentejo e do Centro que em conjunto representam 84,6% do efetivo nacional (tabela 8).
Efetivo Animal em 2017 por localização Geográfica (NUTS- 2001)
Efetivo Bovino Efetivo Caprino Efetivo Ovino Efetivo Suíno Portugal 1670 340 2225 2165 Continente 1388 326 2218 2131 Norte 315 81 297 61 Centro 157 112 506 886
Lisboa e Vale do Tejo 214 9 45 221
Alentejo 693 108 1324 947
Algarve 10 16 47 17
Região Autónoma da
Madeira 4 7 3 4
Região Autónoma dos
Açores 278 7 3 30
Tabela 8- Efetivo animal nacional em milhares (Fonte: INE, 2018b)
A exploração de aves de capoeira em Portugal é subdividada em duas categorias: as explorações industriais intensivas e a produção doméstica. A produção doméstica encontra-se disseminada por todo o território contudo não apresenta importância no mercado. A avicultura industrial por seu lado é a mais expressiva tanto na produção como no peso económico da atividade. Segundo dados do INE em 2017 o efetivo animal de aves fêmeas em aviculturas industriais ultrapassa os 10 milhões de animais (INE, 2018c). A distribuição dos sistemas intensivos de criação de aves é concentrada em duas zonas do país, a Beira Litoral com 50% e o Ribatejo e Oeste com 36% da produção de aves (MADRP, 2007).