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Le silence de l’Histoire :

III. Les manifestations du silence :

III.3- Le silence de l’Histoire :

A estimação da capacidade de carga do ambiente é um elemento essencial para uma gestão sustentável num sistema de produção extensivo. A capacidade de carga do ambiente determina o stock máximo de animais no território antes de ocorrer uma degradação ambiental.

Segundo os autores White and McGinty (1992) um regra básica para o gestor conseguir um stock de animais sustentável é a regra do take half, leave half, ou seja, os animais devem utilizar metade da capacidade produtiva do território durante o período de pasto. A determinação da capacidade produtiva de biomassa é essencial para determinar o stock aplicado pois a eficiência de pasto é apenas de 25%. Imaginando que a produção de biomassa num hectare é de 3000kg segundo a regra do take half, leave half apenas 1500kg seriam utilizados. Dos 1500kg de biomassa utilizada apenas metade seria consumida pelos animais, o resto é perdido devido ao pisotear dos animais ou a intempéries.

A tecnologia de satélite desenvolvida nos anos 70 do século XX começa a ser usada para medir e identificar a quantidade de vegetação acima do solo de forma eficaz (Villa-Herrera et al., 2014). Esta tecnologia funciona através do contraste entre luz vermelha e infravermelha, permitindo identificar a vegetação dos demais objetos terrestres18.

18Experiências realizadas no México usando o indicador IVPN (normalized slopes vegetation índex), em

24 amostras de terreno com 225 ha, demonstraram uma eficácia da tecnologia ao determinar com uma baixa margem de erro a capacidade de carga do ambiente ajudando a determinar o stock de animais a utilizar (Villa-Herrera et al., 2014).

65 Os ecossistemas de pasto são caracterizados pela sua variabilidade climática que afeta diretamente a produção primária de biomassa, portanto o stock de animais deve ser gerido para não ultrapassar a capacidade de carga do ambiente e provocar uma perda de rendimento a longo prazo.

O estudo de Díaz-Solís et al. (2016) comprovou que a adoção de estratégia de gestão adaptativa em relação ao stock de animais promove a melhoria dos indicadores ambientais e a sustentabilidade económica das explorações pecuárias.

Dada a variabilidade do regime de precipitação na região de estudo, no norte do México, a fixação de um stock constante de animais é pouco visado todavia é uma estratégia comum onde é introduzida alimentação suplementar para os animais em períodos de seca (Díaz-Solís et al., 2016). A prática de suplementação alimentar em períodos de crise pode exacerbar o problema ambiental pois é permitida uma densidade animal muito superior à capacidade de carga do ambiente, tornando a vegetação escassa e o solo exposto aos elementos erosivos.

As estratégias fixas têm desvantagem a curto e longo prazo. A curto prazo o aumento pela competição de pasto pelos animais provoca uma menor ingestão de matéria orgânica por cabeça de gado. A longo prazo o risco de exploração excessiva do pasto coloca-o em risco de desertificação pois a produtividade da terra reduz-se significativamente (Díaz-Solís et al., 2016).

No estudo que compreende um período de 44 anos de recolha de dados foi utilizado o modelo SESS (Simple Ecological Sustainability Simulator). Este modelo usa uma equação de recorrência que estipula uma relação entre a ANPP (aboveground net primary

production), ou seja, os quilos de matéria orgânica produzida por hectare ao ano com a

precipitação em mm ao ano. Considera-se que quanto maior ANPP melhor será a condição da terra. O sequestro de carbono é calculado através da quantidade de matéria seca acima e abaixo do solo. Abaixo do solo a matéria orgânica é considerada ser 2,8 vezes o valor da matéria orgânica aérea.

O modelo usou raças de gado como Angus, Charolais, Hereford. A época de reprodução durava três meses (Abril a Junho). A extensão das propriedades usadas no modelo foi de 5 mil hectares. Quanto a estratégias de gestão, a estratégia de controlo representa as práticas locais com um stock de animais mais elevado constante, prática da suplementação alimentar em períodos de stress ambiental e manutenção das fêmeas não gestantes. A estratégia de baixo stock é igual à primeira estratégia mencionada só que com um baixo stock de animais ao longo do ano. A estratégia REPLA-PPT (gestão do

66 número de animais em relação à média anual de precipitação) não pratica suplementação alimentar e elimina as fêmeas que não estão em gestação em períodos de seca (Díaz-Solís et al., 2016).

A estratégia REPLA-PPT é a mais bem-sucedida pois é capaz de se adaptar as condições climáticas mesmo em períodos críticos nunca ultrapassando a capacidade de carga do ambiente. Esta estratégia adaptativa apresentou os melhores indicadores em termos de sequestro de carbono, emissões de metano, performance animal e receita líquida (tabela 6). Estes resultados demonstram a necessidade de uma gestão adaptativa em climas variáveis.

Simulação de três estratégias de gestão

Variáveis Unidades Controlo Baixo

Stock

REPLA- PPT

Stock de Animais AUY (animal unit year) 250 150 150

Sequestro de carbono Mg CO2 eq. 389 248 496 052 551 580

Emissões de metano Mg CO2 eq. 9945 6671 5887

Mortalidade %/Ano 45.87 28.88 9.42

Ganho de massa

corporal Kg/há/ano 1.3 1.94 2.68

Lucros USD x 106 -4.79 -0.39 1.97

Tabela 6 - Resultados da exploração bovina no Norte do México 1950-1994 (Fonte: Díaz-Solís et al., 2016)

Outro estudo revelador sobre a necessidade de gerir o stock de animais conforme as limitações ambientais foi realizado por Teague et al., (2009). Este estudo desenvolve um modelo que simula a gestão de uma quinta hipotética19 e quais os stocks de animais a

manter por 100 hectares de forma a obter diferentes objetivos ao longo de 30 anos. Foram criados 3 cenários representantes dos vários objetivos de gestão: a manutenção da condição ambiental, maximização do lucro e o melhoramento da condição ambiental.

19O simulador SESS (Simple Ecological Sustainability Simulator) utilizou dados relativos à produção

primária, clima e de gestão do gado baseados numa experiência conduzida em Rolling Plains no Texas desde 1955 (Teague et al., 2009). Esta simulação em particular utilizou os dados de 1970 a 2000. O perfil climático dos dados recolhidos inserem-se num clima temperado seco com uma média anual de precipitação de 648 mm e temperaturas que variam em média de 3,9 ºC em Janeiro até 36,4 ºC em Julho.

67 A exploração pecuária extensiva no Texas é normalmente considerada marginal e a recomendação mais comum para o aumento dos lucros da atividade é a redução dos custos de produção em vez da melhoria das condições ambientais da exploração (Teague et al., 2009). O principal produto explorado na região é a carne de bovino.

Como é possível visionar no gráfico 7 o modelo informático assume 4 estados de conservação das terras, representando a sua capacidade produtiva, a escala utilizada varia entre 1,25 sendo considerado excelente nível de conservação passando por 1,0 (Bom), 0,75 (razoável) e 0,50 (mau). Este modelo tem em conta presença de plantas lenhosas e não palativas estando programado para decrescer a condição de conservação mediante a sua presença (Teague et al., 2009).

Ao nível da gestão dos animais a simulação tomou em consideração os seguintes dados: os nascimentos de bezerros acontecem em Fevereiro e Março, a mortalidade dos bezerros ocorre a cada mês em função do peso corporal, fêmeas adultas mortas ou que

Gráfico 7 - Mudança das condições ambientais a partir de diferentes pontos iniciais de conservação ao longo de 30 anos

IRC – Inicial Range Condition (estado de conservação ambiental inicial)

a – Objetivo de manutenção da condição ambiental.

b – Objetivo de maximização do lucro.

C – Objetivo de melhoria das condições

68 não tenham dado à luz no ano anterior são substituídas em Novembro e o uso do fogo é prescrito a cada 8 anos para impedir a proliferação de cactos e plantas lenhosas (Teague et al., 2009).

Para cada estado de conservação (excelente, bom, razoável e mau) quando geridas com o objetivo de maximizar o lucro foi registado um declínio da condição de conservação ao longo do período de trinta anos. O declínio mais acentuado verifica-se no grupo de estado de conservação excelente, 1,25, a maior abundância de matéria orgânica comestível dita um maior número de animais por hectare. O maior stock de animais dita uma maior pressão animal levando a uma degradação da condição ambiental mais rápida do que nos outros três casos. Este caso exemplifica a necessidade que existe de monitorizar regularmente e fazer ajustes no stock de animais de modo a não perpetuar práticas que prejudiquem a sustentabilidade do pasto a longo prazo (Teague et al., 2009).

De forma a melhorar a condição ambiental do pasto é necessário uma redução do

stock animal. Esta decisão tem impactos económicos a curto prazo negativos, contudo a

redução do stock deve ser encarada como um investimento no capital natural do sistema de produção de forma a aumentar a capacidade de produção primária. Os dividendos deste aumento na capacidade produtiva do ambiente poderão ser convertidos em lucro num ponto mais distante no tempo através do aumento do stock de animais. O ponto principal para manter e alcançar uma condição ambiental excelente do pasto é usar apenas os dividendos do sistema de produção sem consumir o seu capital natural (Teague et al., 2009). Apesar destas evidências, muita da prática continua a ter uma visão de maximização dos lucros a curto prazo enquanto se externaliza os custos da degradação ambiental.

Os níveis de produtividade e por conseguinte os lucros associados variam consideravelmente dependendo da condição ambiental da terra. Na simulação em questão a média anual de peso por hectare de bezerros num pasto em pobre condição ambiental é de 45 kg contrastando com os 150 kg de um pasto em excelente condição ambiental. (Teague et al., 2009). Estas diferenças na produtividade determinam um maior lucro das explorações que conseguem manter ou melhorar as suas condições ambientais.

Os lucros totais para uma gestão de manutenção da condição ambiental durante os 30 anos de simulação variam entre os 238.000 USD e os 990,000 USD para terras consideradas pobres e excelentes respetivamente (Teague et al., 2009).

Para manter a condição ambiental do pasto em condições de “excelente” o stock máximo de animais não deve ultrapassar os 32 por 100 hectares ao ano. De forma a

69 recuperar a condição ambiental do pasto para excelente a densidade animal deve ser de 15 animais por 100 hectares ao ano para terras consideradas em bom estado de conservação, 8 animais por 100 hectares ao ano para terras consideradas razoáveis e 1 animal por 100 hectares ao ano para terras consideradas pobres (Teague et al., 2009). Quanto pior for a condição de conservação do pasto, menor deve ser a densidade animal aplicada de forma a evitar a sua deterioração.

Um ponto fundamental na produção pecuária extensiva é a obtenção de lucro, contudo são poucos os produtores que prestam devida atenção à monitorização da sua produção primária ou a mudança na gestão do pasto que influenciem a condição ambiental do território. Exemplo disto é a manutenção de stock de animais ao longo do ano em climas variáveis e suscetíveis a secas. Quando estes períodos de stress ambiental acontecem é normalmente usado alimento suplementar de forma a manter o elevado stock de animais. Esta prática causa problemas de degradação do solo, pois a capacidade de carga do ambiente em períodos de stress é menor (Díaz-Solís et al., 2016; Teague et al., 2009).

Outra prática comum que pode descompensar o equilíbrio do ecossistema é a procura de animais de maiores dimensões de forma a obter maiores lucros, contudo está comprovado que raças de animais de menores dimensões mais adaptadas às condições climáticas locais são capazes de produzir mais massa corporal por ano comparadas com raças de maiores dimensões (Tisdell, 2015; Teague et al., 2009).

Neste estudo fica patente a importância de um estudo de longo para perceber quais as melhores práticas de gestão em explorações extensivas. Caso este estudo fosse realizado para apenas alguns anos, como a maioria dos estudos publicados, não existiria evidência de redução da condição ambiental em resposta aos diferentes níveis de densidade animal e a maximização do lucro seria a estratégia mais lógica a seguir que causaria no futuro problemas de degradação do solo. Assim como no caso do estudo de Alemu et al. (2017) o sistema pasto contínuo intensivo a curto prazo é o mais eficiente quanto às emissões de gases de efeito de estufa contudo o cenário a longo prazo poderá ser diferente devido à maior tendência a fenómenos de degradação ambiental associados a este sistema de pasto.

4-PRODUÇÃO PECUÁRIA EXTENSIVA EM PORTUGAL