Chapitre I : Synthèse bibliographique
1 Synthèse bibliographique
1.4 Processus de N-glycosylation dans les systèmes eucaryotes
1.4.1 Voie de biosynthèse du réticulum endoplasmique
Passaram onze anos, desde que concluí a minha licenciatura. A visão crítica aguçou-se ao longo do tempo, pelas diversas vivências de carácter profissional, pelo que a frequência deste mestrado me fez todo o sentido. Toda a minha carreira profissional se tem focado na educação e formação de adultos. Mais do que qualquer objectivo a atingir no campo profissional, ou pelo facto de estar consciente da mais-valia de um nível académico mais elevado no mercado de trabalho, a verdade é que decidi fazer justiça a mim própria. Simultaneamente, decidi ―provar o meu próprio veneno‖.
Clarificando: quando falo de fazer justiça a mim própria, refiro-me à possibilidade que este mestrado me dá, de ver reconhecidos os meus adquiridos experienciais (tanto no contexto pessoal/social como profissional) e de poder deixar um registo, de pelo menos parte das minhas reflexões ao longo dos últimos anos, que fique para a posterioridade. Nem sempre temos oportunidade para fazê-lo e não sabemos quando e se teremos uma nova oportunidade. Esta ideia ficou patente na nossa abordagem à metodologia utilizada neste trabalho.
Também é verdade que sempre opinei que um enfermeiro ou um médico nunca saberá o que é a dor física e psicológica, até senti-la na sua própria pele. E aqui explico por que decidi ―provar o meu próprio veneno‖. Quando me propus a reflectir sobre o meu percurso profissional, as minhas práticas, e como estes se cruzam com teorias outrora escritas por investigadores igualmente interessados na temática da educação e formação de adultos, imaginei que não seria uma tarefa fácil. Quando me propus escrever esta narrativa autobiográfica centrada no percurso profissional, senti-me como a esmagadora maioria dos adultos que comigo têm frequentado o processo RVCC, na fase de arranque da sua autobiografia: como começar? O que escrever? Muitas ideias surgem, muitas sinapses cerebrais se efectuam (como tive oportunidade de expressar, em tom de quase desespero, à paciente orientadora do meu mestrado). O verdadeiro desafio foi seleccionar, sistematizar e fundamentar teoricamente e de forma clara, essas ideias que me surgiam na mente, muitas vezes associadas, em qualquer lugar, a qualquer hora. Curiosamente, Marie-Christine Josso ao abordar a
honrarias mais significativas do Brasil. http://www.joseeduardomartins.com/curriculum.html (consultado em 03/04/2010)
formação como um objecto teórico, descreve bem aquilo que tento transmitir (Josso, 2002:28,29):
A situação de construção da narrativa, porque exige a narração de si, sob o ângulo da sua formação, por meio do recurso a recordações-referências que balizam a duração de uma vida, exige uma actividade psicossomática a vários níveis. No plano da interioridade, implica deixar-se levar pelas associações livres para evocar as suas recordações-referências e organizá-las numa coerência narrativa à volta do tema da formação.
Dado o facto de me sentir vocacionada para as artes, e sob pena de não realizar um trabalho rigorosamente de acordo com os padrões académicos, a criatividade na elaboração do mesmo sempre me preocupou. Como refere Josso, ―o trabalho biográfico exige criatividade para evoluir na singularidade da situação de narração‖ (2002:29). A investigadora, ao abordar o processo experiencial de formação da ―identidade e subjectividade‖, explica a importância do ―ser psicossomático‖ e do ―conhecimento das competências instrumentais e relacionais e de saber-fazer com elas, o conhecimento das competências da compreensão e de explicação e do saber- pensar‖, para que um projecto desta índole seja levado a ―bom porto‖ (2002:33). Queria que o presente trabalho reflectisse a minha experiência, aquilo que sou e faço, bem como a lógica das práticas profissionais, sucessivamente reformuladas ao longo do tempo por reflexão constante, sem que esse desejo se confundisse com a mínima pretensão de estipular teorias ou demonstrar um ―único caminho‖. Trata-se de uma partilha e não a demonstração de sapiência e muito menos um mero exercício intelectual, que a meu ver poderia ser insípido, dada a experiência que tenho como operacional no terreno e não tanto como investigadora.
À medida que assisti às aulas do seminário, recordei, aprendi, reflecti e concluí muitas coisas. Por isso, agradeço a todos os professores que intervieram neste processo. As citações no início deste capítulo lembram-me a pessoa que me orientou neste mestrado e o tipo de mestre (se algum dia exercer esse papel, no verdadeiro sentido da palavra) que quero ser. Enquanto mestranda, não me senti cerceada, nem tampouco dependente. Senti-me livre. Livre para expressar o que aprendi no meu percurso de vida, o que aprendi no seminário deste mestrado e o que desaprendi. Concordamos que desaprender também é importante e, por isso, Josso afirmou que o
poder ―esquecer‖ é um dos contributos das Histórias de Vida (Canário e Cabrito, 2005:124), tal como já afirmou Finger, no que se refere às teorias relacionadas com a educação e a aprendizagem: ―Não há nada sobre a não aprendizagem (talvez fosse melhor se não soubéssemos uma série de coisas…)‖ (Canário e Cabrito, 2005:26). Enquanto mestranda, neste trabalho, ―caminho para mim‖ (Josso, 2002:42,43), assumindo o papel de viajante, com um itinerário específico, centrado na experiência profissional enquanto profissional de RVC, fazendo um ―inventário da minha bagagem‖ que, mais do que contribuir para a compreensão da minha formação ao longo do tempo, justifique a formulação da problemática deste trabalho e a pertinência do empirismo das minhas práticas profissionais, para a valorização da Autobiografia Exploratória, como instrumento essencial para o reconhecimento de adquiridos nos Centros Novas Oportunidades.
Enquanto mestre sentir-me-ei sempre ―aprendiz daquilo que me é o mundo‖.