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6.4 Résultats de simulation

6.4.2 Vitesses de décodage

As imagens estereotipadas do Oriente criadas pelo orientalismo ocidental são cegamente aceites por algumas pessoas orientais, o que, na verdade, significa a sua aquiescência em relação à superioridade ocidental. Esta ação do Oriente é a participação no Orientalismo (Zhang, 2008, p. 100). O Orientalismo criou imagens estereotipadas sobre o Oriente, e este continua a criar e reforçar essa imagem sobre si mesmo. As pessoas estão sempre conscientes da Orientalização pelo Ocidente, mas não conseguem perceber a “self-Orientalization” dos próprios orientais.

Hoje em dia, para obter lucro comercial, muitos orientais tentam comprazer as expectativas do orientalismo ocidental na literatura, no cinema, nas notícias, fotos, estudos, etc. A escritora sino-americana Yan Geling (严歌苓, yán gēlíng) criou uma imagem feminina que segue o estilo típico do orientalismo no seu romance Fusang

(扶桑, fúsāng) (1996). O romance conta a história de amor entre um jovem ocidental

e uma mulher chinesa vendida a um prostíbulo americano (Yan, 2002). Apesar de se passar quase há um século, Fusang não é essencialmente diferente dos temas de

Madame Butterfly e Miss Saigon. Eles inconscientemente ajudam os ocidentais a

construírem estereótipos orientais. O mesmo acontece com os famosos realizadores de cinema Zhang Yimou (张艺谋, zhāng yìmóu) e Chen Kaige (陈凯歌, Chén Kǎigē), cujos filmes são populares no Ocidente, porque transmitem uma sensação misteriosa e tentadora da China. O filme As Flores da Guerra (金陵十三钗, jīnlíngshísānchāi) (2011), baseado no romance de Yan Geling edirigido por Zhang Yimou, conta a história fictícia de 13 prostitutas durante a Segunda Guerra Mundial. Ao apresentar as prostitutas chinesas de qipao86, o realizador sabe que essa personagem atrai

facilmente a atenção do público ocidental. O filme explora a sexualidade das prostitutas em cenas eróticas, em vez de se concentrar nos factos históricos.

“Self-Orientalization” tem-se tornado mais comum, porque algumas pessoas obtêm grandes benefícios ao aproveitarem a imagem estereotipada de sua própria raça para encontrarem o favor dos ocidentais. Como resultado, imagens estereotipadas do Oriente estão profundamente enraizadas na mente não só dos ocidentais, mas também dos próprios orientais. Apesar da crescente comunicação intercultural, ainda podemos ver esse tipo de "self-Orientalization" em muitos lugares. Nos países estrangeiros, os restaurantes chineses parecem sempre iguais: decorados com uma grande área de vermelho, com lanternas chinesas ou dragões para remeter para o Oriente. E as lojas chinesas também não são exceção, têm vários produtos baratos, de fraca qualidade, a colocação de produtos também é muito confusa, etc. A autoapresentação do Oriente não é melhor do que a interpretação ocidental, tudo isso aprofundou ainda mais os estereótipos sobre o Oriente. Portanto, como afastar- se dos estereótipos inerentes e criar o seu próprio sistema de expressão tornou-se um problema sobre o qual o Oriente devia refletir enquanto critica o orientalismo.

Pelo exposto, podemos ver que, sob a influência de um milenar patriarcado feudal, o desenvolvimento das mulheres chinesas ficou aquém do dos homens em quase todos os setores. O conceito de superioridade masculina e inferioridade feminina condicionou sempre os comportamentos e pensamentos das mulheres, a popularidade dos pés-de-lótus também estreitou o escopo das atividades femininas. No final do século XIX, o capitalismo ocidental e o conceito de direitos naturais entraram gradativamente na China e, com o nascimento das escolas missionárias femininas, as mulheres começaram a sair de casa e a receber educação. Embora o número de mulheres inscritas neste período não fosse grande, o desejo de criar uma escola feminina estava profundamente enraizado nos corações dos reformistas, estimulou os pensadores iluministas no início dos tempos modernos da China.

No início do século XX, o direito à educação das mulheres foi reconhecido e a educação feminina foi incorporada formalmente no sistema educativo nacional. O sistema feudal estava em declínio, a sociedade passava por grandes mudanças e o processo de reivindicação dos direitos das mulheres sofria mudanças e um enriquecimento constantes. Com a ajuda de missionários ocidentais, foram estabelecidas organizações anti-pé-de-lótus por toda a China. Os patriotas defendiam que as mulheres recebessem educação e saíssem de casa para melhorar a força nacional. De facto, os direitos feministas nessa época não partiam do valor das próprias mulheres e a independência de personalidade, mas eram defendidos em nome da nação e do país. Por um lado, os direitos das mulheres estavam ligados ao anti-feudalismo, contra as relações familiares patriarcais feudais, por outro lado, aos anti-imperialistas, para estabelecer um Estado-nação. O movimento de libertação das mulheres constituiu apenas parte de todo o movimento político. De acordo com Li Xiaojiang, da Universidade de Dalian, a questão das mulheres tornou-se, nesse período, uma fronteira entre revolução e não-revolução, progresso e atraso, feudalismo e anti-feudalismo. As mulheres deviam ser revolucionárias, porque a revolução feminina traria inevitavelmente revoluções familiares e sociais (Li, 1994).

Para Marx, a primeira condição essencial para a liberdade é o autoconhecimento, e o autoconhecimento é uma impossibilidade sem autoconfiança (Marx, 1842). Com o aumento do conhecimento das mulheres, a sua autoconsciência despertou gradualmente, o foco das suas preocupações começou a mudar do

desenvolvimento da nação para o desenvolvimento da sua própria condição. Além disso, um grande número de obras feministas ocidentais foi traduzido para o chinês. Na sequência do Movimento da Nova Cultura, surgiram também muitas escritoras chinesas que se concentraram na autoconsciência das mulheres, descrevendo, através das suas obras literárias, o conflito entre a consciência feminina e a cultura patriarcal e o mundo interior de diferentes mulheres.

Durante os séculos XIX e XX, no processo de comunicação entre o Oriente e o Ocidente, os missionários levaram pensamentos ocidentais, ajudaram as mulheres chinesas a obterem educação e a ampliarem os seus horizontes. Por outro lado, também originou estereótipos das mulheres orientais, o que atingiu o desenvolvimento das mulheres, especialmente as mulheres asiáticas, até certo ponto. Na sua obra homónima, Said redefiniu o termo Orientalismo para descrever as interpretações preconceituosas do mundo oriental, moldadas pelas atitudes culturais do imperialismo europeu nos séculos XVIII e XIX. À luz do Orientalismo, o mundo foi dividido em duas partes: o Ocidente e o Oriente, o Oriente era uma invenção quase europeia, representava um lugar romântico e exótico. Segundo uma visão eurocêntrica, a influência de determinados aspetos das culturas orientais foi marginalizada por parte de escritores e artistas ocidentais, que acabaram por convertê-los em estereótipos.

Nesse contexto orientalista, o estereótipo das mulheres asiáticas é óbvio. Ao longo deste trabalho de investigação, constatou-se que as mulheres asiáticas sempre estiveram em posição de obediência nos filmes e obras literárias ocidentais mais populares dos séculos XIX e XX, o que reflete o entendimento unilateral sobre a história das mulheres asiáticas. Sob a influência ideológica provocada por essa "fantasia oriental", e pela tentação de interesses atuais, inconscientemente, os chineses também estão presos a uma "self-Orientalization". Pode dizer-se que as fantasias de há cem anos sobre o Oriente foram causadas pela limitação de informação, o que pode ser perdoado. Mas hoje, em 2019, após décadas de globalização, o pós-colonialismo tem muitos críticos. Mas, no Ocidente, alguns artistas contemporâneos e empresários ainda são viciados na imagem oriental: o “estilo chinês” exibido nos principais desfiles de moda; as edições limitadas de ano novo chinês lançadas por marcas de moda, etc. ainda fazem antever uma compreensão

unilateral sobre os elementos orientais no Ocidente. Quando os ocidentais removerem esta impressão subjetiva, verão claramente que as mulheres orientais não são ilusões misteriosas, mas mulheres verdadeiras que têm a mesma conotação profunda e caráter complexo das ocidentais.

Através da presente dissertação, alcançamos uma compreensão básica sobre o desenvolvimento das mulheres chinesas no final do século XIX e início do século XX. Por um lado, sob a influência dos pensamentos ocidentais, o estatuto das mulheres foi grandemente melhorado neste período de mudança social, por comparação com os tempos feudais. Especialmente no aspeto da educação feminina, que forneceu uma base muito importante para as mulheres adquirirem conhecimento e formarem uma autoconsciência independente. Por outro lado, no processo de intercâmbio cultural, o Oriente e o Ocidente não estão numa situação de igualdade para realizar o diálogo, o que também leva à criação de estereótipos.

Hoje, no século XXI, as mulheres chinesas ainda enfrentam muitos problemas e obstáculos. Embora a família patriarcal tenha desaparecido, o sistema patriarcal permaneceu, a única mudança foi que o Estado assumiu a posição do pai. “Um grande número de relatórios indica que nos últimos anos tem havido casos repetidos de tráfico e violência doméstica, e o número de suicídios femininos aumentou, a interferência dos pais no casamento de seus filhos, bem como as atitudes sociais que discriminam as mulheres. Estas são provas poderosas da teimosia dos valores patriarcais” (Li, 1994. p. 4). Embora o estatuto das mulheres tenha melhorado, em certa medida, após a fundação da República Popular da China, temos de notar que, em algumas áreas rurais atrasadas, os direitos das mulheres ainda não estão garantidos, a educação feminina não é universal, o tráfico de mulheres também é muito desenfreado nesses locais. Para resolver esses problemas, é preciso desenvolver a economia social, melhorar o sistema legal (especialmente na prática), aumentar a conscientização sobre os direitos das mulheres (especialmente entre as mulheres rurais), e aumentar a inclusão social.

No livro Feminism: A Very Short Introduction, Margaret Walters mencionou que, de acordo com a feminista americana Estelle Freedman, a palavra “feminista” carrega conotações negativas desde as suas origens; que surpreendentemente poucas mulheres politicamente engajadas se intitularam feministas (Walters, 2005, p. 3). Esta

situação também ocorre na China: "Há pouquíssimas escritoras chinesas que se dizem feministas. Pelo contrário, muitas pessoas não admitem que tenham a ver com esse nome com futuro imprevisível" (Li, 1994, p. 298). Todavia, na verdade, as escritoras realmente tentam reverter as perceções das pessoas sobre as mulheres de várias maneiras. De facto, o objetivo das feministas é conseguir a libertação das mulheres.

Do nosso ponto de vista, a libertação das mulheres é semelhante à libertação dos seres humanos, é o respeito e proteção da sociedade pelos valores humanos. O problema encontrado pelo feminismo é a discriminação e a privação do valor das mulheres, elas não são reconhecidas como tendo o mesmo valor que os homens.

O conceito patriarcal tradicional dificulta o despertar da autoconsciência das mulheres. Para se livrarem dos grilhões do pensamento tradicional, é preciso atuar e três grandes setores fundamentais.

1. Em termos de cultura, as mulheres deveriam receber educação escolar em idade apropriada, reconhecendo as suas próprias forças e habilidades, e fornecendo uma base cultural sólida para a sua independência económica. Somente quando as mulheres recebem educação, elas têm a oportunidade de conquistarem o direito igual aos homens de falarem, e podem expressar os seus pensamentos e personalidades. 2. Em termos de economia, as mulheres podem-se desenvolver melhor na sociedade moderna se forem economicamente independentes. Portanto, as mulheres deveriam, em primeiro lugar, sair de casa, conseguir um emprego próprio e não dependerem economicamente dos homens. Em segundo lugar, o trabalho doméstico deve ter o mesmo estatuto que o trabalho social, já que também cria valor. E para conseguir essa mudança, impõe-se o apoio e promoção da sociedade e de todo o país.

3. Em termos de política, o país precisa melhorar o sistema legal, resolver os problemas femininos na sociedade, salvaguardar os direitos e interesses legitimados das mulheres.

Em cada um destas áreas, ainda há um longo caminho pela libertação das mulheres. Diante de um mundo diverso, enfrentando novos problemas humanos, o estudo sobre as mulheres precisa da participação de todos, o estudo sobre o Oriente precisa da participação de orientais e ocidentais. O mundo atual regista muitas mudanças fundamentais mas, nas nossas mentes, ainda persistem muitas ideias antigas e estereotipadas. Entre aqueles que defendem o conceito de "diversidade",

também há algumas pessoas que habitualmente querem representar os outros. Se calhar a verdadeira era das múltiplas vozes não chegou e, nesse percurso, as partes do diálogo — homens e mulheres, orientais e ocidentais - ainda precisam aprender.

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