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Chapitre 2 : Méthodes de traitement des données dans une perspective de

3. Visualisation de données

sente necessidade de estar sozinho(a)? P9 - Quais são os momentos em que se sente mais só? P10 - Quando se sente sozinho, o que faz para fugir desse sentimento? contrário, fê- lo(a) sentir- se sozinho(a)? - Porquê? 3. Relações pessoais -Perceber como o utente perceciona a sua integração no lar - Compreender o tipo de relação pessoal que o utente mantém, tanto com os profissionais do lar, como com os utentes. P11- Dentro do lar, sente-se excluído de alguma forma? P12 - Sente que existem pessoas (utentes ou

Profissionais) dentro do lar com quem pode falar ou desabafar?

P13 - Com pessoas à sua volta, sente-se

acompanhado(a)?

- De que forma?

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Transcrição da Entrevista nº 2 Duração: 16’ 03’’

E: Como a D. Ângela já sabe, eu sou a Inês, estou a fazer o mestrado em serviço social e a minha investigação tem a ver com a solidão e quero fazer algumas questões à D. Ângela e a primeira é, quais foram os motivos que a trouxeram para o lar? e: Falta de saúde, por não

poder andar e fazer a minha vida normal, porque eu estava só na minha casa, morreu o meu marido e eu fiquei só…os filhos estão cá em Lisboa e eu estava no Alentejo, de maneira que eu fiquei só…Tenho lá uma irmã mas ela está mais doente que eu, porque já cortou um peito, enfim…tem mais problemas que eu, apesar de ser mais nova que eu, tem mais problemas ainda. E queríamos ajudar-nos uma á outra e não podíamos e isso era um sofrimento para ela e para mim e então eu resolvi vir para ao pé dos meus filhos. O que me trouxe para o lar foi eu perder o movimento das minhas pernas, ainda ando mas com muita dificuldade e não poder estar sozinha em casa… e como tinha cá os meus filhos, eram eles que tinham que me dar apoio, eu podia ter uma pessoa de fora em casa…eu tenho que pagar, pagava a uma pessoa que me tratasse mas estava longe dos meus filhos. Eles têm muita dificuldade para ir ter comigo, porque cada um tem a sua vida…Ela é professora, nas férias tem que aproveitar o tempo em casa porque as férias a não ser as grandes, nas férias grandes vai de férias com o marido e a filha, ela tem um marido e uma filha a tratar, tem de ir…quando está de férias precisa de descansar e precisa… e eu ia-lhe dar trabalho porque eu não a podia ajudar em casa, se fosse…não fosse a falta de força nas pernas, eu até lhe servia, porque ela ía trabalhar e eu ficava em casa e fazia aquilo que fosse preciso, mas eu não podia estar só, não resolvíamos o problema e então eu resolvi vir para um lar por falta de saúde! E: Então a decisão foi sua, de vir para um lar? e: Como? E: Então a decisão foi sua, de vir para um lar? e: Foi minha foi, a decisão foi minha! Ninguém me forçou nem ninguém se negou a tratar-me, eu é que decidi que não queria dar trabalho a ninguém e decidi vir para um lar. Eu tinha lá um lar! Mas eu quis vir para ao pé dos meus filhos, para eles me darem apoio… Além de ter cá mais família, porque tenho cá uma irmã, e tenho família, cá! E tenho os meus filhos! E: tinha mais companhia aqui! e: Tenho! E foi essa a razão por que vim para o lar e mudei para este porque a minha reforma não chegava para, para pagar o outro e tinha que sacrificar os meus filhos e aqui com a minha reforma, paga e não os sacrifico, porque o outro era muito bom, o que era, era caro… E: E a D. Ângela não

tinha… e: E eu não chegava, a reforma não chegava para pagar, tudo o que era necessário para

pagar ali e os meus filhos tinham que me ajudar e eu não queria sacrificá-los e então vim para este… E: E então D. Ângela, o que é para si é a solidão? e: É triste! Torna-nos ainda… Não ajuda ninguém! A solidão não ajuda ninguém…e é… É triste! É deprimente! E: E o que é que

é para si esse sentimento? e: ãh? E: O que é que é para si esse sentimento? A solidão? e: a

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como…Deixe-me ver…A falta de convívio….Prejudica as pessoas, a memória, a saúde, tudo! A falta, a Solidão torna-nos ainda mais doentes, nós não estamos bem e ainda ficamos pior… E: A

D. Ângela alguma vez se sentiu isolada? e: Não! Eu sou uma pessoa que tinha amizades e que

tinha…nunca senti isolamento, não queria era senti-lo! Se ficasse só…Porque eu ainda estive só muitos anos, o meu marido já morreu há onze anos! E Eu, há agora quê? Três anos?! Que estou fora de casa, que saí da minha casa, eu só saí da minha casa porque estava muito só e queria estar mais próxima dos meus filhos... E: E a D. Ângela, sente-se mais só agora do que se

sentia há uns anos atrás? e: Não, porque eu nunca me senti só porque eu tinha um marido

muito bom, enquanto tive marido sempre, fui feliz! E: E depois de o perder? e: Depois de o perder, sofri muito, a falta dele, ficou fazendo muita falta! Mas…fui suportando enquanto tive saúde…quando vi que já não podia trabalhar e que não podia fazer nada em casa, porque eu fazia tudo na minha casa e isso ajudava-me a vencer o meu desgosto e a minha solidão, ia trabalhar, fazia tudo na minha casa, ia lá uma senhora…Eu estava só em casa, fiquei só em casa, mas ia lá uma senhora trabalhar à minha casa quase todos os dias e tinha lá uma irmã que de vez em quando dava, ia à minha casa, a minha irmã ou eu ia à casa dela e amizades! Tinha pessoas amigas, com quem convivia, porque no Alentejo convive-se muito. Uma casa de rés-do-chão, convive-se com as pessoas amigas, as pessoas amigas iam ter comigo, eu saía pouco, mas as pessoas amigas iam ter comigo e eu estava sempre acompanhada, nunca senti…só senti depois quando deixei de poder trabalhar, e então nessa altura resolvi vir para ao pé dos meus filhos! Para não me sentir tão isolada e não sentir a solidão… E: E a D. Ângela? Sabe lidar com esse

sentimento? e: Sei! Até agora tenho conseguido… E: Como é que faz para lidar com esse sentimento? e: Convivo com as pessoas que tenho próximo de mim, arranjo amizades… E: Aqui dentro do lar? e: Aqui dentro lar, convivo com todas as pessoas, não tenho ninguém com

quem não consiga conviver… eu dou-me bem com todas as pessoas, consigo conviver com qualquer pessoa…E: A sua vinda para o lar, fez com que se sentisse mais acompanhada? e: Sim! Sinto! E: sente-se mais acompanhada? e: sinto-me acompanhada! E: A D. Ângela, acha

que a sua vinda para aqui não fez sentir de nenhuma forma isolada? e: Não! Não estou

isolada! Porque eu não me isolo! Tanto que veja, que eu não me meto no quarto, raramente estou no quarto, para conviver com as pessoas! Já tenho pessoas amigas aqui no lar com quem convivo, as que estão melhores, não é? Com quem se pode conviver, porque há pessoas, coitadas, que já não têm condições, não é? Você sabe tão bem ou melhor que eu! Porque conhece as pessoas e conhece o lar…Mas tenho pessoas com quem convivo, de quem já sou amiga, que me ajudam bastante! Olhe! Mesmo agora cheguei , ia sentar-me no meu lugar para lanchar, mas o lugar já estava ocupado e houve uma senhora que se ia sentar e me deu o lugar, logo ao pé do meu lugar porque eu já estava ali e ela tinha ido buscar uma cadeira, porque não havia ali cadeiras por causa das cadeiras de rodas, tiram as cadeiras, e então ela foi buscar uma cadeira para se sentar e deu-me a cadeira para eu me sentar na minha mesa, já é uma amiga! E:

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A D. Ângela aqui dentro do lar, sente necessidade de estar sozinha? Ás vezes quando está aqui dentro do lar, se sente necessidade de sozinha? e: Sim! Quando sinto necessidade,

venho para o meu quarto um bocado, e estou no meu quarto, faço as minhas orações, tenho muita fé em Deus, e isso ajuda-me muito! E: E quais são os momentos em que a D. Ângela se

sente mais só aqui dentro do lar? e: É à noite! Tenho que vir cedo para a cama, e a pessoa que

tenho ao pé de mim, não é normal, de maneira que não posso conviver com ela, ainda tenho muitas vezes que me aborrecer, o que é muito chato não é? Mas ela não se pode, nem a posso tratar como eu queria trata-la porque ela chora por tudo e por nada! Ela não sabe porque chora, não sossega nem me deixa sossegar e enerva-me! Aquele choro é enervante, ela não chora, ela guincha! E parte das vezes sem lágrimas! É só para fazer barulho, e para meter pena! Ela quer que tenham pena dela! Ela até tem razão, porque ela não tem ninguém! Até tem razão, coitada para se sentir…e como se sente só…é assim a maneira de ela se expressar, porque ela não é uma pessoa normal… E: a D. Ângela aqui dentro do lar, quando se sente sozinha, o que é que

faz para fugir desse sentimento? Quando de sente só, o que é que faz? e: Eu poucas vezes

me sinto só, eu pouco venho para o quarto para estar só, estou nos momentos em que venho, para rezar, enfim! Tenho momentos em que me meto aqui no quarto, ou para fazer qualquer coisa que precise de fazer aqui no quarto, mas não me sinto só, rezo, faço as minhas orações, e leio, faço um trabalhinho, estou a fazer uma toalha…em crochet! Enfim! Entretenho-me assim… Mas eu pouco me meto no quarto, tenho poucos momentos de…isolada! Estou pouco, não gosto me isolar! Gosto de conviver! E: Aqui dentro do lar, a D. Ângela sente-se excluída

ou isolada de alguma forma? e: Não! Não! Nunca fui mal tratada aqui nem me sinto excluída,

não! E: Sente que existem pessoas aqui dentro do lar, utentes ou profissionais com quem a

D. Ângela pode falar ou desabafar? e: Não! Para desabafar não é fácil, e eu gosto pouco de

desabafar, assim, de falar da minha vida com pessoas desconhecidas, não…o tempo que aqui estou não dá, não é para estar a falar, mas eu falo normalmente mesmo na minha vida, gosto pouco de falar da vida dos outros! Falo da minha, com as pessoas com quem convivo! E: mas

quando a D. Ângela sente necessidade de desabafar, falar de assuntos mais pessoais, sente que existem alguém com quem a D. Ângela pode falar? e: Tenho! Aqui dentro, às vezes falo!

Com as pessoas amigas que aqui tenho! E: utentes? e: sim, utentes! E: E tem profissionais,

aqui dentro… e: com os profissionais, há pouco convívio, andam ocupadas e há pouco

convívio. Não tenho nada…não tenho queixas a fazer de ninguém, as pessoas tratam-se bem, mesmo os profissionais, não tenho queixas a fazer, só que…não, não há tempo para convívio com as pessoas que trabalham aqui… falo com todas da mesma maneira, e todas me têm tratado bem desde que aqui estou, não tenho que me queixar de ninguém… E: E a D. Ângela aqui,

sente que mesmo com pessoas à volta, sente-se acompanhada? e: Sinto! Sinto-me

acompanhada… E: Aqui dentro do lar sente-se acompanhada? e: Sinto, não vim forçada! E como não vim forçada, sinto que é um lugar onde estou acompanhada, porque se estivesse em

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