Chapitre 4 : Application aux trajectoires de soins multi-patients
10. Perspectives
com a outra, nunca falei, mas também deve ser do mesmo género de pessoa, absolutamente sozinha! e então com esta ninguém fala! Porque a D. Nelinha, raramente tem visitas, às vezes tem, da filha, e aquela D. Rosa nunca tem…vem aí uma senhora, que de boa vontade, que fala com ela, que fala não sei quê mas que não lhe é nada… Aaa, mas pronto! Isso incomoda-me! E:
A D. Isaltina aqui dentro do lar, sente-se excluída de alguma forma? e: Excluída não!
Excluída, excluída, não! Só me sinto excluída quando não me deixam sair lá para fora! [Risos] É verdade! Ouça, os cuidados são tantos, para não me constipar, para não sei quê…Eu disse à Irmã Florinda, “Oh senhora, olhe que galinha de campo não quer capoeira!”, e nós fomos sempre habituadas, estava chover não estava? A gente tinha aulas, “El-rei manda marchar, não manda chover!” E: A D. Isaltina, sente que existem pessoas aqui dentro do lar, utentes ou
profissionais, com quem a D. Isaltina pode falar ou desabafar? e: Ouça, ouça, eu não sou
muito de desabafar! Isso, não sou muito de desabafar, agora conversar, eu converso com quase toda a gente! Ai isso eu converso com quase toda a gente! Também, como é que lhe digo? É uma conversa que fica assim a um nível, muito parado…porque se eu conhecer bem as pessoas, depois até vou sendo capaz de falar, assim de uma maneira geral… sou capaz de falar absolutamente à vontade, fico… Mas não deixo de falar com as pessoas, de facto depois a uma certa altura, começo a fazer as perguntas, mas as pessoas “Isso não é nada consigo! Não é nada consigo! Quando houver algumas novidades a gente diz!”, ‘tá a perceber? Porque a gente vinha habituada de um hospital em que chegávamos às enfermarias e a gente tinha que saber a vida quase deles e o que é que se passava a nível clínico… E: Mas a D. Isaltina sente isso quando
vai fazer algumas perguntas? e: Agora não vou fazer perguntas, às vezes calha em conversa,
calha em conversa e não sei quê… No outro dia, houve aqui há tempos aí uma senhora, em que diziam assim “tinha um sinalzinho e afinal é um cancro!”, mas diziam “O problema dela não é esse, é muito mais grave que isso!”, e eu perguntei logo “Qual é o problema de saúde que ela tem?”, opah, repare..quer dizer, nós para resolver o problema daquela pessoa, tínhamos que saber qual era, a nível hospitalar, qual era o problema e quais eram as soluções médicas que eles apontavam… Desde falar com a família, e ver quais eram as melhores maneiras e as possibilidades que tinham, não é? Não estava nada habituada a dizerem “Você não tem nada com isso! A gente não diz!”, aqui, eu não tenho que resolver os problemas graves das pessoas, porque há a diretora, a enfermeira cá do lar e depois há todo o resto do pessoal, pessoal técnico que tem obrigações e que… Por exemplo, um dia perguntaram à filha que vem aí, “Então a sua mãe, como é que está?”, “Com uma situação, mas é muito complicada!”, e ninguém sabe que doença é que ela tem! Porque embora ela tenha começado com um cancro, não quer dizer que o problema dela fosse aquele cancro, ‘tá a perceber? Portanto, isso, pode haver outras complicações mais graves que essa e mais não sei quê… Acho muito bem que não digam, a pessoa se quiser que diga! E: ainda em relação a esta pergunta, a D. Isaltina quando sente
174
ou precisa de desabafar, qualquer coisa mais pessoal, sente que tem aqui pessoas que a possam ouvir? e: Oiça, oiça, oiça, a Irmã Marta, para certas coisas é capaz de ouvir e ajudar a
resolver, mas anda sempre… é preciso escolher as alturas e a Irmã Florinda também é pessoa para ajudar a resolver. Há algumas coisas, desde que não sejam assim muito complicadas, a gente vai ouvindo daqui e d’acoli, porque há muito pouca gente de bom senso… não é que não tenham bom senso, mas que resolvam as coisas… há muito pouca gente! Pois, cada um tem a sua vivência e a gente sabe muito pouco umas das outras… a vida que tiveram… lá vão havendo umas ou outras que vão contando coisas e não sei quê, mas por exemplo falam muito pouco, muito pouco, muito pouco das coisas que acontecem…e há pessoas que falam demais e quando falam demais o melhor é… [não percetível] E: Com pessoas à sua volta, sente-se
acompanhada? e: Posso sentir e posso não sentir, quer dizer…também depende das pessoas!
Também depende das pessoas… há pessoas que, enfim, para ter uma conversa e para estar aí bem disposta e não sei quê… Mas as pessoas ou se dão todas umas com as outras, ou não vale a pena ter grandes conversas! Não vale a pena ter grandes conversas, porque as pessoas andam todas à batatada…até à mesa isso se nota!...‘Tá a perceber? As pessoas são todas muito diplomáticas! E é giríssimo…eu, acho giríssimo as pessoas conversarem umas com as outras muito bem, e depois quando as pessoas não estão fazem os comentários! É das pessoas mais esquisitas cá da casa, a nível de comida, fala dos outros e ela é das pessoas mais… os comentários que depois fazem… Não vale a pena ter grandes conversas não é? A gente conversa, ouve, não repete! Porque põe aí as pessoas todas à zaragata! E: Mas sente-se
acompanhada aqui dentro D. Isaltina? e: Oh senhora! De uma maneira geral, também neste
momento, não tenho grandes problemas! Não tenho grandes problemas, só tenho problemas com a saída e tenho um problema que é não me deixarem ir para casa, mas eu também compreendo que a situação seja… que elas tenham medo, não é terem medo de que eu vá fazer alguma asneira ou que me vá atirar da janela abaixo, ou mais não sei quê, o que é, é…. Pois! Que piore a situação! Enquanto puder andar um bocadinho a pé e mexer-me, mas sou capaz de andar…. Por exemplo, a Irmã Marta e a Irmã Florinda, a Irmã Florinda é preciso…”Olhe, hoje não saia porque está muito frio!”, por causa dos problemas de saúde! E a isso nunca fui habituada, nós lá em casa nunca fomos habituados assim a ter muito cuidado com as coisas! Mas, quando foi daquela ulcera, “Vê lá se tens juízo, se ficas em casa! Quem é que te trata? quem é que faz as ligaduras?”, isso o meu pai a esse nível…E depois, está a correr tudo bem, não vale a pena! ‘Tá a perceber? Aaa, cuidados demais, nunca tivemos de ter… A comida enfim…também já estou farta da comida, mas lá fora ainda era pior! Por exemplo, uma das coisas que eu acho graça, é que elas têm muito medo que eu vá a casa, esteja lá dois dias ou três, não faça refeições e não coma! ‘Tá a perceber? E às vezes não faço comida porque não estou para isso! O que é, é que a gente ali tem uma série de casas onde pode ir buscar, pode ir buscar e resolve o problema e fica com comida em casa! Naquela zona só não come quem não quiser,