Atuar nas alterações climáticas implica estabelecer uma relação entre o indivíduo e as caraterísticas deste risco. Wolf e Moser (2011) apresentam como os principais fatores promotores desta relação os seguintes:
27 - Compreensão: promover o conhecimento fatual correto das alterações
climáticas;
- Perceção: avaliar visões e interpretações baseadas nas crenças e no conhecimento;
- Compromisso (engagement): estimular um estado de conexão pessoal que inclui as dimensões cognitivas, afetivas e comportamentais.
A comunicação de risco tem como fito promover uma mudança de comportamento que se coadune com a proteção, adaptação, prevenção e/ou mitigação de determinado risco.
Na abordagem ao risco das alterações climáticas, na presente investigação, pretende-se motivar os terceirenses a assumir comportamentos pró-ambientais que se reflitam na minimização das emissões de dióxido de carbono para a atmosfera a partir da introdução ou mudança para comportamentos de prevenção ou minimização das consequências associadas ao risco das alterações climáticas.
Estamos no âmbito daquilo a que Steg e Vlek (2009) designam por estratégias informativas que são definidas como aquelas que têm por objetivo alterar perceções, motivações, conhecimentos e normas, sem realmente alterar o contexto externo onde as decisões são tomadas.
As estratégias informativas podem ser dirigidas para (Steg & Vlek, 2009): - Aumentar o conhecimento sobre o risco;
28 - Fomentar o conhecimento das consequências do comportamento
individual sobre o ambiente;
- Elucidar sobre as alternativas comportamentais, as suas vantagens e desvantagens;
- Influenciar as atitudes dos indivíduos; - Fortalecer os valores ecológicos e altruístas; - Consolidar as normas sociais;
- Promover o compromisso/intenções de mudança para agir pró- ambientalmente.
Assim, importa identificar os fatores facilitadores e inibidores do comportamento deste comportamento de risco, no sentido de potenciar os facilitadores e preterir os inibidores. A literatura identifica como os mais proeminentes a ter em consideração para um risco como o das alterações climáticas, os seguintes:
- Conhecimento (Swim et al., 2011; Wolf & Moser, 2011; Darnton, 2008; Rodrigues, Figueiredo & Lima, 2009; Steg & Vlek, 2009; Kollmuss & Agyeman, 2002; Moloney, Horne & Fien, 2010; Hoffman, 2010): o conhecimento das causas e impactos das alterações climáticas pode conduzir a um reconhecimento de responsabilidade moral, ética, cívica do indivíduo para agir;
- Hábito (Swim et al, 2011; Ferreira, 2007; Darnton, 2008; Kollmuss & Agyeman, 2002; Steg & Vlek, 2009; Moloney, Horne & Fien, 2010; Whitmarsh, 2009): os hábitos são difíceis de alterar como que traduzem num comportamento que se tornou automático e consequentemente ocorre sem autoinstrução ou deliberação;
29 - Valores (Swim et al., 2011; Wolf & Moser, 2011; Crompton, 2010; Moloney, Horne & Fien, 2010; Whitmarsh, 2009; Hoffman, 2010; Kollmuss & Agyeman, 2002): os valores que mais propiciam uma mudança de comportamento no âmbito das alterações climáticas são os da benevolência (preservar e melhorar o bem estar daqueles com quem convivo) e do universalismo (perceber, apreciar, tolerar e proteger o bem-estar de todas as pessoas e da natureza);
- Normas (Swim et al., 2011; Hassell & Cary, 2007; Steg & Vlek, 2009; Kollmuss & Agyeman, 2002): são regras sociais sobre o que deve ou não deve ser feito;
-Afeto/Emoção (Swim et al., 2011; Wolf & Moser, 2011; Nerlich, Koteyko & Brown, 2010; Hassell & Cary, 2007; Darnton, 2008; Crompton, 2010; Steg & Vlek, 2009; Moloney, Horne & Fien, 2010; Kollmuss & Agyeman, 2002): associado ao comportamento refere-se ao conjunto de emoções que são ativadas quando se pensa no comportamento e nas suas consequências;
-Atitudes (Swim et al., 2011; Wolf & Moser, 2011; Darnton et al, sd; Hassell & Cary, 2007; Darnton, 2008; Kollmuss & Agyeman, 2002):disposição pessoal para agir de determinada forma perante o risco.
Uma vez que os comportamentos são complexos, não lineares e afetados por numerosos fatores, muitos dos quais precisam de ser abordados simultaneamente para facilitar a mudança de comportamento (Darnton, et al. sd).
Deste modo, uma vez que reúnem o maior número de fatores potenciadores ou inibidores do comportamento em relação ao risco das alterações climáticas,
30 poderão apontar-se como modelos de mudança de comportamento adequados ao risco das alterações climáticas os dois seguintes:
1) Teoria do Comportamento Interpessoal de Triandis
Figura 2.1: Triandis Theory of Interpersonal Behaviour (TIB) adaptado de Darnton, 2008, p.22.
Segundo este modelo, as condições de facilitação, a intenção e o hábito determinam a probabilidade de ação e as suas variáveis são apresentadas da seguinte forma (Robinson, 2010):
- Condições de facilitação: capacidade e motivação da pessoa para assumir o comportamento e o conhecimento individual de como executar o comportamento pretendido;
- Intenção: plano individual ou autoinstrução para assumir determinado comportamento, representa o grau de interesse e de esforço do individuo em realizar uma determinada ação;
31 - Hábito: comportamento que se tornou automático e consequentemente ocorre sem autoinstrução ou deliberação;
- Consequências percecionadas: referem-se à probabilidade subjetiva de que determinadas consequências resultam de um comportamento particular e que o resultado terá um valor positivo ou negativo para o indivíduo. Os indivíduos associam o valor às consequências, que se referem sobre a forma como o indivíduo se sentiria (bem ou mal) se as consequências antecipadas acontecessem. Os valores estão aqui implícitos.
-Normas: crenças de que determinados comportamentos são corretos, apropriados ou desejáveis, enquanto que outros são incorretos, inapropriados ou indesejáveis;
- Papéis: conjunto de comportamentos que são considerados apropriados para a pessoa assumir dentro de determinado grupo;
- Autoconceito: refere-se às ideias individuais sobre quem a pessoa pensa ser e está ligado aos objetivos que as pessoas consideram apropriados seguir;
- Afeto: associado ao comportamento refere-se ao conjunto de emoções que são ativadas quando se pensa no comportamento e nas suas consequências.
32 2) Modelo de Comportamento Pró-ambiental de Kollmuss e Agyeman
Figura 2.2 Kollmuss and Agyeman’s Model of pro-environmental behavior in Gabriel, et al. 2013.
Kollmuss e Agyeman, 2002, apresentam um modelo que enfatiza 4 enquadramentos:
1º Os fatores internos como os traços de personalidade e o sistema de valores em que se detalha o nível de consciência ambiental do indivíduo, incluindo o conhecimento sobre o assunto, sentimentos, envolvimento emocional, valores e atitudes;
2º Os fatores externos tais como: infraestruturas, fatores sociais e culturais, situação económica, leis, regulamentos, etc. Esses fatores influenciam a consciência ambiental do indivíduo, bem como o seu comportamento;
33 4º As barreiras que impedem o indivíduo de agir pró-ambientalmente. Essas barreiras podem-se traduzir na falta de incentivos internos, falta de consciência ambiental, falta de incentivos e possibilidades externas, dificuldade em alterar padrões antigos de comportamento, fatores ou valores pessoais existentes que funcionam como bloqueio à atitude ou ação ambiental.
Para além da importância de conhecer os fatores facilitadores e inibidores da mudança de comportamento em relação à comunicação de risco em alterações