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Visión tradicional de la enseñanza y el uso de herramientas informáticas modernas:

¿CÓMO USA UN GRUPO DE PROFESORES DE FÍSICA MBL EN LA ACTIVIDAD EXPERIMENTAL EN SECUNDARIA?

ESTUDIOS DE CASOS

6.5 Visión tradicional de la enseñanza y el uso de herramientas informáticas modernas:

O Centro Dêitico, sob a perspectiva que interessa a esta pesquisa, ainda é pouco explorado, mas tem se mostrado bastante eficiente para explicar alguns fenômenos de construção do discurso quando os interlocutores têm por objetivo evidenciar um determinado fato no ato de fala.

Em pressupostos de Fillmore (2007, p. 244) é possível encontrar afirmações que revelam que o conhecimento de categorias dêiticas requer uma compreensão das formas pelas quais os tempos, marcação de morfemas de pessoa, categorias demonstrativas, entre outros, esquematizam a situação de comunicação; bem como o conhecimento dos pontos relevantes no ato de fala, princípios de cooperação conversacional, e eventos de fala rotineiras, contribuindo para a compreensão total da maioria das trocas conversacionais.

O estudioso argumenta que nós temos a capacidade de deliberar e decidir como vamos agir durante o processo comunicativo e essa capacidade faz parte do domínio do significado, uma vez que cabe a esse domínio restaurar experiências prévias e criar molduras semânticas alternativas na imaginação a fim de antecipar consequências para as ações que ainda nem foram realizadas. Desta forma, é possível anteciparmos o que receberá status relevante num determinado discurso, e como esta relevância aparecerá na construção do discurso.

Para Duque e Costa (2012, p. 166), “a experiência humana é uma construção criada a partir da interação entre a organização de esquemas cognitivos dos indivíduos e o impacto do Umwelt, do Mitwelt e do Eingenwelt3 sobre os dispositivos humanos de percepção”. Complementam afirmando que esta é uma construção integrada, produzida pelo domínio do significado, com o qual juntamos recordações, percepções e expectativas.

Segundo os autores, o processo ocorre a partir de nossas conexões e é ampliado por meio do uso de projeções metafóricas e metonímicas, estas interligam experiências semelhantes e fazem uma avaliação, uma espécie de seleção das possibilidades de construção do discurso de acordo com nossa intenção comunicativa.

Utilizando esta perspectiva teórica para identificar os centros dêiticos em uma situação narrativa, os pesquisadores pressupõem que o ato de contar, de ouvir ou de ler histórias pode ativar o esquema ORIGEM/CAMINHO/META, que se baseia na experiência corpórea de deslocamento espacial.

É por isso que os padrões discursivos que tomam a narração como base formal são apreendidos

3 Duque e Costa (2012, p. 65), citando Binswanger (1958), definem estes termos da língua alemã. Umwelt: é o mundo biológico, dos objetos a nossa volta, dos impulsos, dos instintos, o ambiente; mitwelt: é o mundo do afeto, do amor, das relações interpessoais; eigenwelt: é o mundo próprio de cada um, do relacionamento consigo mesmo e com o mundo, o mundo dentro do indivíduo.

primeiramente. Das primeiras compressões de causa e efeito aos primeiros relatos de experiência, o processo de construção da realidade só se inicia efetivamente no momento em que passamos a ordenar os pequenos episódios constitutivos das nossas primeiras experiências corporais. (DUQUE e COSTA, 2012, p. 167)

Se construímos a realidade como uma sucessão de acontecimentos, partindo do princípio de causa e efeito, o momento em que o falante passa a dominar suas construções linguísticas a ponto de identificar os pontos relevantes do discurso, tem-se concretizado o processo autônomo de construção da realidade. Duque e Costa (2012, p. 167) citaram uma fala de Fauconnier e Turner (2002), que marca este princípio fundamental do domínio cognitivo-linguístico por parte do sujeito da fala: “não há nada mais básico na vida do que causa e efeito”.

Eles defendem que, nos trechos ajustados em uma única moldura semântica espaço-temporal, o leitor precisa construir gradativamente, adotando mecanismos cognitivos, o contexto em torno da informação veiculada em cada construção gramatical. Explicam que, embora cada frase se refira apenas a um fragmento do contexto, a mente é capaz de criar gestalts contextuais ao invés de interpretar cada frase de forma isolada. Afirmam que quando as personagens são incorporadas em uma moldura semântica, os leitores podem simular seus conhecimentos gerais sobre movimentos e sensações físicas, para inferir o efeito de ações da personagem sobre as outras personagens conhecidas. Isso tem implicações para nosso entendimento de como as pessoas compreendem, uma vez que diferentes padrões discursivos parecem exigir diferentes modelos de integração cognitiva.

Desta forma, quando termos dêiticos do tipo: ir e vir, agora e depois, e eu e você, são usados em diálogos face a face, seus significados dependem das coordenadas espaço-temporais do ato de enunciação. Essas coordenadas se originam de um ponto chamado de Centro Dêitico (CD), que procede de um lugar (ir e vir), de um tempo (agora e depois) e de uma pessoa (eu e você). Duque e Costa (2012) então denominam ONDE à procedência de lugar, QUANDO, à procedência do tempo e QUEM, à procedência da pessoa.

Enfatizam que a construção e a modificação do CD ao longo da narrativa são importantes para o processo de compreensão, pois considera-se que o Centro Dêitico é um constructo cognitivo, logo deve ser entendido como contribuição do leitor para o processo de

compreensão do texto, fazendo saltar aos seus olhos as relações de sentido que busca durante esta interação comunicativa.

Ao tratar sobre Padrão Discursivo, os autores classificam como perfeitamente natural que a base narrativa se desenrole linguisticamente numa palavra ou numa sentença, num só tempo. Eles acreditam que, cognitivamente o CD se movimente na narrativa, tornando-se o aqui e o agora dos “olhos da mente” do leitor no mundo da história, ao citar (FAUCONNIER e TURNER, 2002, p. 7). Complementam explicando que o CD move-se temporalmente e espacialmente à medida que a atividade avança e muda.

Este trecho do texto de Duque e Costa (2012), sintetiza os princípios discutidos até aqui. Para eles a informação transmitida por sentenças está relacionada com a ideia geral da narrativa, pela construção e modificação dinâmica de sucessivos CD que identificam e localizam as personagens no tempo e no espaço narrativo. Explicam que para descrever o papel do CD na compreensão da narrativa, é importante considerar que o conhecimento é representado mentalmente pelo leitor, como ele lê uma história e como esse conhecimento é extraído por meio das construções linguísticas.

Croft e Cruse (2008, p. 88-89) também apresentam na publicação de 2008, seus olhares sobre diversos aspectos da Linguística Cognitiva, dentre eles, o aspecto dêitico. Segundo seus apanhados, a dêixis é o fenômeno pelo qual usam elementos próprios da situação do sujeito (mais especificamente, o sujeito como orador em um discurso feito) para designar algo na cena. Ele apresenta a dêixis neste livro como conceptualização. O uso de dêixis de pessoa (você, ele, ela, ele, nós, você e eles) são definidos apenas em relação ao orador e sua variação é um exemplo de conceituações alternativas definidas de acordo com a situação do ato de fala. Da mesma forma, dêiticos como: este, isso e aquilo, e referência dêitica ao tempo, como no caso dos tempos de presente e passado, demonstrativos são definidos exclusivamente em relação ao local e momento do ato de fala.

Além da relatividade de referência espaço-tempo para a perspectiva da situação ou ato de fala, defendem que é possível conceptualizar outro momento ou outro lugar como o centro dêitico. O centro dêitico pode ser conceituado por um ponto de vista dêitico que está localizado em um lugar e em um momento situados dentro da narrativa.

Os estudiosos apontam que alguns linguistas têm argumentado que a distinção entre relações gramaticais de sujeito e complemento têm um caráter dêitico ou empático. Apresentaram exemplos de análise sobre o desdobramento da relatividade e "subjetividade", justificando que a

categoria de sujeito não marcado, implica uma conceptualização da orientação do falante para o início temporal e causal do evento. Citam também uma contribuição de Langacker (1991, p. 305-317) onde define a "subjetividade" como a figura mais notável, que combina duas operações de diferentes conceptualizações: a de cuidado (que seria o mais proeminente) e julgamento. Qualquer que seja a análise correta (e é plausível que línguas diferentes usem diferentes conceituações de "subjetividade"), o ponto é que categorias gramaticais fundamentais (como o sujeito), que são tratados como "sem sentido" em algumas teorias sintáticas, na verdade, eles representam uma conceptualização do referente, na situação descrita pelo enunciado, de modo que a análise em termos de conceptualização pode prever os padrões em (in) aceitabilidade.

Em face das estreitas relações existentes entre a perspectiva da Linguística Cognitiva e as Teorias Interacionistas, fora adotado neste estudo como ponte entre o desenvolvimento humano linguístico e cognitivo e as influências sociais e culturais, os postulados do psicólogo russo Lev Vygotsky. O fato de nosso estudo envolver narrativas infantis como elemento de construção de sentido e ampliação do jogo linguístico, elegemos o referido pesquisador por contemplar em suas obras grande envolvimento com as questões da infância, da linguagem e do pensamento, como estudado no capítulo a seguir.

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