¿CÓMO USA UN GRUPO DE PROFESORES DE FÍSICA MBL EN LA ACTIVIDAD EXPERIMENTAL EN SECUNDARIA?
ESTUDIOS DE CASOS
6.4 MBL como una herramienta de Auto-Afirmación: Joan
A Teoria dos Espaços Mentais é uma reação ao modelo de verdade condicional de interpretação de sentenças na semântica formal. Segundo Fauconnier, do ponto de vista da semântica formal, uma frase como “nesta pintura da menina com olhos azuis tem os olhos verdes” envolve uma contradição. A Teoria dos Espaços Mentais fornece uma solução através da introdução de espaços mentais. Neste caso, a menina com olhos azuis (partida) designa o espaço real, enquanto a menina de olhos verdes (destino) faz a pintura do espaço. A partida e o destino ocorrem em dois espaços mentais distintos; um espaço que é a realidade do falante, que contém a partida; o outro a pintura, o qual contém o destino. Uma expressão como esta pode, portanto, ser considerada “um construtor de espaço” nos espaços mentais presentes na mente e na linguagem humana e são interpretados no momento de pensar e falar. (FAUCONNIER, 1985)
Fauconnier (1994) afirma que a teoria de espaços mentais originalmente surgiu como uma alternativa para explicar fenômenos semânticos, especialmente aqueles relacionados a questões de referência. Nesse primeiro momento, espaços mentais são definidos como construtos cognitivos distintos das estruturas linguísticas, ativadas a partir de itens linguísticos. São representados como conjuntos estruturados internamente por frames, que compreendem elementos e relações que se
estabelecem entre eles, sendo possível, à medida que o discurso se desenrola, a adição de novos elementos aos conjuntos e o estabelecimento de novas relações entre os elementos.
Fauconnier e Turner (1998, p. 06, tradução nossa) conceituam “espaços mentais” como sendo:
[...] estruturas de entrada, estruturas genéricas, e as estruturas de mesclagem na rede são espaços mentais. Espaços mentais são pequenos pacotes conceituais construídos a partir de como pensamos e falamos, para fins de compreensão e ação local. Espaços mentais são construções muito parciais, contendo elementos e estruturado por quadros e modelos cognitivas. Eles estão interligados e podem ser modificados conforme pensamento e desdobramos o discurso. Espaços mentais podem ser usados geralmente para modelar mapeamentos dinâmicos do pensamento e da linguagem. Esta teoria pode nos ajudar a entender como relações cognitivas de construções linguísticas entre o espaço real de enunciação e seus diferentes construtores podem estar integrados para revelar sentidos a seus interlocutores. Teixeira e Oliveira (2007), em suas pesquisas sobre como a mente humana constrói sentidos ancorados nos espaços mentais, buscaram nas teorias de Fauconnier (1984,1997) e Fauconnier & Sweetser (1996), possíveis respostas para suas inquietações sobre os processos linguísticos e cognitivos. As pesquisadoras pontuam que as teorias dos espaços mentais nada mais são do que a ativação por expressões linguísticas que resultam da interação entre determinadas conexões cognitivas e a riqueza e a variedade de expressões linguísticas das línguas naturais. É importante destacar que nesta teoria os autores postulam que não existe dicotomia entre forma e significado e, sim, um elo indissolúvel. Com base nesse postulado, o processamento discursivo é compreendido como a instanciação de operações mentais que se indiciam na materialidade do texto, seja oral ou escrito, o que nos leva a considerar não somente a importância da palavra, mas o contexto de sua produção e demais informações processadas cognitivamente na construção do discursivo.
Para complementar, Azevedo (2010, p. 88), corrobora com nossas reflexões, afirmando que:
Ao se pensar a linguagem como estando relacionado à nossa percepção cognitiva geral, entende-se que o processamento que ocorre relativamente à produção e à interpretação de
linguagem se dá de forma análoga ao processamento cognitivo referente à nossa percepção. Assim, as categorias discursivas da Teoria dos Espaços Mentais que mencionamos correspondem a noções que vemos mais facilmente atuar relativamente à percepção visual/espacial. Temos, então, as categorias de BASE, PONTO DE VISTA e FOCO, por exemplo, ligadas à estruturação dos espaços mentais.
Conceituando, brevemente, cada uma destas categorias, temos:
- BASE: é o espaço no qual o discurso está ancorado, o ponto de partida do discurso, correspondendo em geral, mas nem sempre, ao aqui e agora do falante (realidade do falante);
- FOCO: é o espaço para o qual se dirige a atenção;
- PONTO DE VISTA: é o espaço a partir do qual outros espaços são acessados ou estruturados, o ponto de referência para as categorias tempo- aspectuais;
- EVENTO: o espaço no qual a estrutura do evento ou a situação indicada pelo verbo é construída.
Ferrari (2014) explica que a distribuição da BASE, FOCO, EVENTO e PONTO DE VISTA pela configuração de espaços é dinâmica, submetendo-se a restrições variadas: informação gramatical, como tempo-aspecto-modo; informação lexical; informação pragmática e contextual.
Azevedo (2010), em sua obra “Uma breve apresentação da teoria dos Espaços Mentais”, afirma que há vários esquemas imagéticos que foram formados desde nossas primeiras experiências relacionadas a nosso corpo físico e que estão refletidas nas formas linguísticas que utilizamos para expressar nossos significados.
Ela encontrou na perspectiva dos Espaços Mentais subsídio para relacioná-los aos exemplos de oposições marcados na linguagem e já conhecidos por compor este capítulo. São os esquemas imagéticos: - DENTRO/FORA: tem como inspiração o fato de nosso corpo funcionar,
em alguns aspectos, como um recipiente;
- PERTO/LONGE e FONTE-CAMINHO-META: ocorrem devido a realizarmos e percebermos movimentos através do espaço;
- FIGURA/FUNDO, que se apoia em nosso aparato perceptivo, o qual nos leva a perceber elementos salientes sobre um fundo indiferenciado. Estes exemplos de oposição integram, segundo Azevedo (2010) baseando-se em (JOHNSON, 1987; VARELA; THOMPSON; ROSCH, 1991), alguns dos recursos da Teoria dos Espaços Mentais,
representante da Semântica Cognitiva. Esta teoria se propõe a representar estruturas que são construídas no nível cognitivo à medida que a linguagem vai sendo modelada ou interpretada.
Duque e Souza (2012) com base em Fauconnier (1994), apresentam os Construtores de Espaços Mentais, em nível gramatical, em variadas formas: são sintagmas preposicionais, sintagmas adverbiais, conectivos, sentenças, marcas de tempo e modo verbal. Explicam que esses mecanismos linguísticos são responsáveis pela diferenciação entre os Espaços Mentais. Estes espaços podem ser descritos como os que vêm a seguir:
Tabela 4. Espaços Mentais.
Espaço Mental Construtor do EM Exemplo
Crença Achar; acreditar etc. pensar; Eu acho que ele não vem mais.
Imagem
Na foto; na TV; na pintura; no filme; na gravura; na tela, etc.
Na foto, ela é morena.
Contrafactualidade Se---s-sse; caso---x-sse Caso eu fosse, levaria o seu livro. Escala Um tipo de; uma forma de, etc. O meu professor é um tipo de carrasco.
Tempo
Dois dias atrás; há um mês; em 2007; ontem; daqui a meia hora, etc.
O jornalista revelou há um mês problemas táticos no time. Drama No filme; na novela;
na peça teatral, etc.
Na novela, o ator brasileiro é um americano do Texas. Lugar No Brasil; em Natal; no Rio de Janeiro, etc. Em belíssimas praias. Natal, há
Modelo cultural
Na sua religião; no meu time; na cultura dele, etc.
Na religião dele, santos não existem. Fonte: DUQUE e SOUZA, 2012.
Segundo os estudiosos é importante compreender que o Espaço Mental diz respeito ao modo como nos expressamos e não às entidades as quais nos referimos. Esclarecem que em Espaços Mentais distintos as entidades são descritas em termos de dois aspectos: (1) papeis definidos por Modelos Cognitivos Idealizados e Molduras Comunicativas e (2) valores para esses papeis.
Chamam a atenção para o fato de que cumpre considerar que o processamento no cérebro é muito mais complexo do que propõe um sistema conexionista. Vale ressaltar que, em relação aos espaços mentais, precisaríamos de conexões múltiplas entre espaços mentais e de estruturas emergentes surgindo dessas múltiplas ligações. Os sistemas de processamento precisariam ser enriquecidos consideravelmente para lidar com o fenômeno dos espaços mentais. A língua em uso, o cotidiano comunicativo estimula nossas habilidades cognitivas, significando e ressignificando esta língua.
2.3.7.1 Mesclagem Conceptual
De acordo com Medrado (2008), nos estudos de Duque e Souza (2012), domínios locais surgem da capacidade humana de “atuar criativamente sobre conhecimentos e experiências anteriores, construindo, transformando e transferindo esses saberes para situações novas”. Segundo Fauconnier (1994), nas palavras dos referidos pesquisadores, há um processo cognitivo que viabiliza essa atuação criativa: a mesclagem (blending).
Nas palavras de Fauconnier e Turner (1998, p. 06, tradução nossa), blending ou mesclagem
é uma operação que tem lugar através de redes de integrações conceptuais. Redes de integração conceptuais muitas vezes envolvem muitos espaços mentais. Mesclagem pode ocorrer em muitos locais diferentes na rede. Um espaço
blended pode ter vários espaços de entrada. A
mesclagem é um processo dinâmico que pode acontecer repetidamente na mesma rede. O trabalho conceptual poder ser feito a qualquer momento, em qualquer local na rede.
Os autores defendem que existem redes de integração que não são constituídas de entidades de dois espaços, nos moldes da Metáfora Conceptual de Lakoff e Johnson (1980), porque representam uma tentativa de explicar os aspectos dinâmicos da construção de sentido. São redes complexas construídas ligando-se os espaços de input a um espaço genérico. As ações atribuídas a este espaço dinâmico geram a complexidade que não se restringe a composição de dois domínios, de duas entradas e sim de uma série de fusões factuais.
Segundo Duque e Souza (2012), as unidades conceptuais que preenchem uma rede de combinações pertencem aos domínios locais, chamados Espaços Mentais, diferente dos domínios estáveis, como
acontece com as projeções metafóricas ou metonímicas, como veremos na Mesclagem ou Integração Conceptual. Nosso dicionário mental, nosso conhecimento adquirido em nossas experiências, constroem os domínios estáveis. Durante a narrativa construímos espaços que receberão ações, estes chamamos de domínios locais. As estruturas temporárias não permanecem em nossas estruturas imagéticas de forma fixa, surgem com base no contexto e na necessidade, são criadas durante o processo de construção de sentido.
Em se tratando dos domínios locais, pontuam ainda que cada vez que o falante acessa os domínios cognitivos estáveis, a fim de decodificar as informações obtidas e projetá-las na linguagem (garantindo a interação comunicativa), faz uso de estruturas provisórias, denominadas Espaços Mentais (EM - abreviatura adotada pelos referidos pesquisadores). Concluem afirmando que esses domínios são dinâmicos e podem ser descritos como pacotes conceptuais envolvendo um ou mais domínios construídos quando se pensa.
Os Espaços Mentais e a Integração Conceptual ou Mesclagem Conceptual, devem ser compreendidos como operadores do processamento cognitivo que atuam na mente enquanto pensamos e falamos. Destacam que os Espaços Mentais, sendo diferentes e novos a cada semiose, são produzidos em função da expressão linguística que os evoca e do contexto que os configura. Esses domínios locais estão ligados uns aos outros por conectores, isto é, marcas linguísticas e contextuais (Construtores de Espaços Mentais). No seu interior, são estruturados pelos domínios estáveis (Modelos Cognitivos Idealizados, Molduras Comunicativas e Esquemas Genéricos).
Entendemos que o espaço genérico fornece informações abstratas que podem ser comuns a todos os inputs, o que gera a possibilidade de novos constructos de significado. Esta teoria de Fauconnier e Turner (2002), a qual, de acordo com Duque e Souza (2012) sugere que a existência dessas redes de integração sejam, em parte, permitida pelos interlocutores, que identificam a estrutura comum dos
inputs. A partir desta identificação, elementos do espaço genérico são
projetados pelos elementos homólogos (características comuns) existentes em cada um dos espaços de entrada. Até chegar no que vem sendo chamado de Espaço Mescla, onde habita o sentido.