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4.2.4.1 Estatísticas descritivas das medidas de mitigação

As medidas de mitigação foram ordenadas na Tabela 6, onde a primeira chave de classificação é a média da nota em relação ao total, a segunda chave é a moda e a terceira é a frequência da moda. Esta tabela atende ao segundo objetivo específico deste trabalho, que é de elencar as medidas mais eficazes na mitigação do risco fiscal.

Tabela 6: Estatísticas das medidas de mitigação

Item Média Moda

% Freq

moda Descrição

M3.05 5,955 7 50% Formalização da responsabilidade profissional

M1.01 5,878 7 48% Atualização constante

M2.05 5,815 7 44% Capacitação/atualização de colaboradores

M2.06 5,815 7 43% Agenda de obrigações

M2.08 5,707 7 34% Finalização de trabalhos por responsáveis

M2.03 5,649 7 37% Gerenciamento de riscos operacionais

M2.01 5,644 7 39% Governança do departamento fiscal

M2.07 5,554 7 36% Política de antecipação de prazos

M2.11 5,545 6 33% Precisão da informação na origem

M3.07 5,518 7 34% Aprendizagem/experiência

M2.04 5,509 7 35% Auditagem

M2.09 5,477 7 33% Legitimação dos clientes/operações

M3.04 5,459 7 33% Gerenciamento do nível de risco do cliente

M1.05 5,297 7 28% Formalização das atividades dos clientes

M2.10 5,270 6 28% Documentação formalizada de processos

M2.13 5,243 7 30% Cultura de conformidade

M2.12 5,239 7 28% Treinamento de procedimentos fiscais para clientes

M3.03 5,221 6 26% Mapeamento/mensuração dos riscos

M3.02 5,216 7 37% Contratação de seguro

M3.06 5,171 7 30% Participação em associações da classe contábil

M1.02 5,162 5 27% Consulta/composição com especialistas

M1.03 5,158 5 27% Perfil conservador

M3.01 4,716 5 24% Reserva financeira para contingências

M2.02 4,288 5 18% Obtenção de certificações de qualidade para melhoria de processos

As modas das notas de avaliação da eficácia das medidas de mitigação ficaram acima da nota mediana (4) para todas as vinte e quatro medidas elencadas, sendo que a maioria delas teve moda 7, evidenciando a importância de todas elas levantadas na Etapa 1 da pesquisa.

4.2.4.2 Análise Fatorial exploratória

Para realização da análise inferencial aplicou-se a técnica estatística Análise Fatorial para redução dos dados. Segundo Hair et al. (2005, p. 388), a análise fatorial visa a resumir a informação original (variância) em um número mínimo de fatores e, ao mesmo tempo, identificar fatores subjacentes que reflitam o que tais variáveis têm em comum. Nesta pesquisa, utilizou-se a análise dos componentes principais, que considera a variância total dos dados (variância comum, específica e erro) para a extração dos fatores, em contraposição a análise fatorial comum, que considera apenas a variância comum.

A redução no número de variáveis fez-se necessária, pois o número elevado de variáveis poderia revestir de complexidade e mascarar fenômenos relevantes.

Seguindo as orientações de Hair et al. (2006), requereu-se de cada fator que possuísse: • um grau de explicação do teste de Kaiser-Meyer-Olkin (KMO), também

conhecido como Measure of Sampling Adequacy (MSA) maior do que 0,50; • que o valor de Sig. (significância) obtido por meio do teste de esfericidade de

Bartlett não ultrapassasse 0,05;

• que os valores de MSA individuais obtidos na matriz antiimagem (anti-image

correlation) sempre estivessem acima de 0,50;

• que as comunalidades (communalities) das variáveis, também sempre estivessem acima de 0,50; e

• que a variância total explicada, fosse de pelo menos 60% da variância original.

A análise fatorial foi executada na versão 21 do SPSS, nos seguintes passos: 1) escolha das variáveis do bloco das medidas do questionário;

2) aplicação da análise fatorial;

3) análise de adequação do KMO, avaliação da significância obtida por meio do teste de esfericidade de Bartlett, avaliação dos valores de MSA individuais obtidos na matriz antiimagem, avaliação das comunalidades das variáveis e avaliação da variância total explicada;

4) eliminação das variáveis com baixa comunalidade e baixo MSA individual; 5) repetição do passo 2 em diante, até que todas as variáveis atingissem as condições especificadas para comunalidade e MSA.

Os resultados foram rotacionados a fim de se obter maior facilidade de interpretação dos fatores utilizando-se o método de rotação ortogonal VARIMAX com normalização de Kaiser. As saídas do SPSS se encontram no Apêndice C e os resultados são apresentados a seguir:

1) No primeiro processamento identificou-se que a variável M3.06, não atendeu o grau mínimo de comunalidade desejado, demonstrado na Tabela C4, sendo, portanto, excluída. Depois disso foi feito um novo processamento.

2) No segundo processamento foram excluídas as variáveis M1.03, M3.01 e M3.02 por não terem atingido o grau mínimo de comunalidade, demonstrado na Tabela C5. Depois disso foi feito um novo processamento.

3) No terceiro processamento verificou-se que os dados possuíam os requisitos mínimos esperados para proceder-se com a aplicação e desenvolvimento da técnica de análise fatorial de forma confiável. O teste de KMO e de Bartlett, que constam na Tabela C6, se mostraram favoráveis à análise, apresentando, respectivamente, adequação de 0,948 e significância de 0,000. Os valores de MSA individuais obtidos na matriz antiimagem ficaram sempre acima de 0,50, como destacado na Tabela C7. O teste de comunalidade, apresentado na tabela C8, mostra que todas as variáveis atenderam ao grau mínimo. O teste da variância total explicada das variáveis, apresentado na Tabela C9, mostra que a redução das variáveis é aceitável, pois explica 63,735% do modelo original, e identifica três fatores.

4) A Tabela C10 apresenta a matriz rotacionada dos componentes na qual as variáveis se agrupam em fatores.

O SPSS reduziu as variáveis, que representam as notas de eficácia das medidas de mitigação, em fatores estatísticos, denominados na última coluna por aproximação de conceitos, revelando relacionamento entre elas, os quais são apresentados na Tabela 7.

Tabela 7: Resultado da Análise Fatorial das medidas de mitigação Fator % Variância total explicada Medidas Denominação dos Fatores

1 23,905% M2.09. Legitimação dos clientes/operações

Política de mitigação de riscos M2.10. Documentação formalizada de processos

M2.12. Treinamento de procedimentos fiscais para clientes M2.13. Cultura de conformidade

M3.03. Mapeamento/mensuração dos riscos

M3.04. Gerenciamento do nível de risco do cliente na precificação M3.05. Formalização da responsabilidade profissional M3.07. Aprendizagem/experiência

2 23,660% M1.01. Atualização constante

Gestão de processos M1.05. Formalização das atividades dos clientes

M2.01. Governança do departamento fiscal M2.03. Gerenciamento de riscos operacionais M2.05. Capacitação/atualização de colaboradores

M2.07. Política de antecipação de prazos

M2.08. Finalização de trabalhos por responsáveis 3 16,170% M1.02. Consulta/composição com especialistas

Qualidade da informação fiscal M2.02. Certificações de qualidade

M2.04. Auditagem

M2.11. Precisão da informação na origem

O fator 1 reuniu todas as medidas de caráter geral, aquelas que são tomadas em relação à organização contábil, e também as medidas que são associadas ao risco da informação externa. Entre essas medidas não se encontram aquelas relacionadas aos riscos que os especialistas consideram gerenciáveis. O risco de clientes pode ser gerenciado no sentido de se intervir para obtenção de melhoria da qualidade da informação externa, mas ainda depende da cooperação dos clientes. As medidas gerais de mitigação somadas à atitude a ser adotada perante os clientes formam a política de mitigação de riscos.

O fator 2 reuniu medidas que são relacionadas a riscos intrínsecos à atividade de assessoria tributária. À exceção, aparecem as medidas de “formalização das atividades de clientes” e “atualização constante”, que, embora seja relacionada com a atividade de definição de escopo tributário, possui sua equivalente na assessoria, que é a “capacitação e atualização de colaboradores”. As medidas do fator são associadas à governança do departamento, como gerenciamento de riscos operacionais, política de prazos e hierarquia. A formalização das atividades dos clientes é o ponto de partida para o desenho dos processos. A capacitação dos colaboradores é fundamental no escritório contábil.

O fator 3 abrange medidas que garantem qualidade na informação fiscal desde a sua origem, quando engloba busca de precisão e auditagem, além das certificações de qualidade.

A medida de composição com especialistas incluída no fator, que é relacionada com a atividade de definição de escopo tributário, não se enquadra nesse conceito.

A formação dos fatores pode orientar a implantação das medidas de mitigação em função das maiores necessidades da organização contábil.