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Dans le document A Guide to the IBM 4331 Processor (Page 181-200)

Vimos anteriormente que um grupo de topônimos da lista de Sheshonq I em Karnak está localizado numa área restrita das montanhas centrais ao norte de Jerusalém: Gabão, Bet- Horon e Samaraim. O registro de Karnak também menciona sítios específicos na área do rio Jaboque, na Transjordânia: Adamá, Sucot, Penuel e Maanaim (Ver figura 7 acima). Segundo Finkelstein esses territórios coincidem com os territórios da entidade política saulida relatados no Primeiro Livro de Samuel, conhecida como “uma unidade política de Gabão-Betel”. As fontes bíblicas e tal lista de Sheshonq I situam a entidade territorial saulida no mesmo plano

geográfico, na região montanhosa, norte de Jerusalém,34 e ambas ligam-na com a área do rio Jaboque. A história bíblica especificamente conecta a região de Gabão com Jabes de Galaad (1Sm 11, 2Sm 2,4-7) e Maanaim (2Sm 2,12 (Ver figura 8 abaixo). Além disso, a extensão do território saulida descrita pelo texto bíblico citando Isbaal, filho de Saul, que teria reinado sobre Maanaim e Galaad, sobre os assuritas, sobre Jezrael, Efraim e Benjamim (2Sm 2,8-9) (FINKELSTEIN, 2015, p. 68-74). Maanaim e Penuel, mencionamos anteriormente, estão localizados nos montes gêmeos de Tulul adh-Dhahab, no vale do rio Jaboque (Veja figura 8).

Finkelstein (2006) compara o processo de expansão da região de Gabão-Betel no séc. X a. C. às histórias de “homens fortes” que estabeleceram antigos domínios territoriais a partir de assentamentos relativamente modestos nas montanhas. A entidade política de Gabão-Betel pode ter surgido num lento processo de formação a partir dos sec. XII e XI a. C (Ferro I) na rede de aldeias das montanhas centrais (FINKELSTEIN; MAZAR, 2007, p.79-82). Essa rede de aldeias é formada por assentamentos modestos, autossuficientes e não apresenta sinais de estratificação social. Não há evidência de muros, palácios, templos, artigos de luxo, cerâmica ornamentada ou túmulos suntuosos. São casas de igual tamanho, dispostas em forma de círculo, no interior do qual, provavelmente, os animais ficavam protegidos durante a noite. Dentro das casas havia buracos no chão onde eram armazenados grãos, mas não há evidência de grandes depósitos. Também não foram encontrados armamentos. Apenas foices, pedras de moer, jarras e potes para água, vinho e azeite. Não há sinais de comércio entre as aldeias. Não foram encontrados sinais de santuários, altares nem funerais que indicassem local de culto central ou de cerimônias grandiosas (FINKELSTEIN; SILBERMAN, 2003).

O desenvolvimento da tecnologia para a produção de vinho e azeite, a ampliação do mercado e do sistema de trocas, dos meios de transporte e de estradas de comunicação foram indícios do êxito da vida nas montanhas e o aumento da produtividade, sobretudo na região norte. O crescimento dos grupos dessa região e a expansão de sua área de influência, aos poucos, vão adquirir a configuração semelhante a de um estado, capaz de comercializar com as cidades das planícies e com o Egito, almejando os portos da costa fenícia. No séc. X, o norte já dispunha praticamente de toda a estrutura necessária para um estado (FINKELSTEIN; SILBERMAN, 2003, p. 217-219).

No séc. X a. C., a entidade política sediada em Gabão-Betel, formada por assentamentos relativamente densos, se expandiu em direção ao leste do Jordão, na região do rio Jaboque, à margem sul do vale de Jezrael e, provavelmente, até Khirbet Qeiyafa, na

Shefelá. Esse movimento de expansão provavelmente é a causa da destruição dos assentamentos locais no vale de Jezrael. A análise das camadas de destruição no vale de Jezrael sugere que esta destruição não foi resultado de uma única incursão militar (egípcia). Além disso, sua datação é anterior à chegada de Sheshonq I. Portanto, é provável que o núcleo de governo de Gabão-Betel tenha ocupado a região sul do vale de Jezrael, não de uma vez, mas aos poucos, em sucessivos ataques, dentro de um curto período (FINKELSTEIN, 2015, p. 74-82).

Resumindo, a expansão da unidade política de Gabão-Betel às terras baixas aumentou a preocupação do Egito e instigou a campanha de Sheshonq I na segunda metade do séc. X a. C. Sheshonq atacou o platô de Gabão-Betel e a área leste até do rio Jaboque e provocou o declínio da primeira e antiga unidade política israelita-norte. O declínio dessa unidade política pode ter aberto o caminho para a ascensão de Jeroboão I, com seu centro na região de Siquém-Tersa. Citando Kochavi (1989), Finkelstein afirma que, provavelmente, Jeroboão I veio de Sareda, uma pequena fortaleza na acidentada e isolada área, à noroeste da atual Ramallah, e surgiu como um típico “homem forte das terras altas” (FINKELSTEIN, 2015, p. 104). Finkelstein ainda afirma que de acordo com os dados arqueológicos e evidências textuais, no Bronze Tardio, Ferro I e início do Ferro IIA (séc. XV até a primeira metade do séc. IX), o setor norte das terras altas centrais sofreu com a instabilidade e o governo de uma série de “homens fortes” que tentaram estabelecer amplas entidades territoriais, tentando expandir para as terras baixas no norte e oeste (FINKELSTEIN, 2015, p. 106). É bem provável que nesse processo formativo da consolidação da unidade política (coalizão entre as aldeias) e a expansão territorial, as lendas de uma origem comum, unificadas por uma genealogia comum, podem ter tido um papel determinante.

Vale lembrar que, de acordo com 1Rs 12,25, Jeroboão I fortificou Siquém e Panuel e, em 1Rs 14,17, é dito que ele se mudou para Tersa (Tel el-Far’a norte). É difícil comprovar que Penuel tenha sido fortificada por Jeroboão I ou que sua capital tenha sido transferida provisoriamente para Penuel (MAZAR, 2003, p. 386-387; POLA; et al., 2013, p. 85). No entanto, a existência de Penuel, Maanaim, Sucot e outros lugares da região do Jaboque na lista da campanha de Sheshonq I no sec. X., pode ser tratado como prova material extrabíblica que comprova: primeiro, a existência do assentamento de Penuel antes na época de Ferro I; segundo, a composição da unidade política e territorial de Penuel-Galaad com Gabão-Betel da casa de Saul, e com Siquém-Tersa da época de Jeroboão I. Essa memória histórica da unidade Jaboque – Siquém – Betel, desde a fase formativa de Israel, pode ter servido de motivação

para a expansão territorial israelita para norte e sul da Transjordânia na época dos omridas (884-842 a. C.) e de Jeroboão II (788-747 a. C.).

Figura 8: Alguns territórios de Israel Norte citados neste trabalho (FINKELSTEIN, 201535).

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Elaboramos este mapa a partir dos mapas feitos pelo Finkelstein, referindo aos territórios saulida, expanção territorial de Israel em Galaad na época dos omridas e Jeroboão II (FINKELSTEIN, 2015, p. 69, 111 e 149).

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