Chapter I. Knowledge and literature survey
3. Electrochemically assisted bacteria encapsulation in two steps
3.2. Viability of bacteria immobilized by EABE(2S)
Quanto à questão do lazer e entretenimento, a jovem afirma aproveitar as praias locais – as piscinas naturais e o Shopping local, como as outras entrevistadas. Além disso, conta que grande parte do seu tempo é dedicada à vivência na igreja, onde exerce a sociabilidade e onde tem amigos e amigas. Tal engajamento iniciou-se há algum tempo e ela conta que começou a frequentar a primeira igreja a partir das relações com amigas vizinhas.
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Entrevistadora – Então, final de semana tu vai sempre para a igreja? E esta
coisa da igreja, surgiu como? Foi uma coisa da família? Foi uma coisa tua?
Vanessa – Não, foi minha mesmo, eu sempre frequentei igreja, assim... logo
que eu comecei a me entender por gente, quando eu tinha 11 anos, minha tia ia muito para a igreja, católica, e sempre me levava, só que eu não gostava tanto, pelo fato, e tal, porque eu sempre achei que não era uma adoração 100%, mas eu não tenho nada contra a religiosidade, nem nada, e... eu comecei a ir para uma igreja próxima de casa, e tem o meu vizinho que ele é presbítero de lá, do, da Pentecostal, e ele tem duas filhas que é a Carla e Nelinha, aí sempre que elas iam, elas me levavam; aí eu fui crescendo na igreja e tal, aí depois uma viajou, a outra casou, aí eu me separei um pouco, aí arrumei um namorado, aí fui pra uma igreja com ele, e quando a gente acabou eu decidi sair de lá, e aí fui pra Pentecostal, eu fazia Casa da Benção, eu fazia parte da Casa da Benção com ele... e aí quando a gente acabou... O percurso do pertencimento a diferentes igrejas parece acontecer na medida em que vai construindo as suas relações – sejam na família, de amizade ou até mesmo de namoro, indicando certa flexibilidade nessas escolhas. Ou seja, a depender do curso dessas relações pode-se transitar entre uma ou outra instituição. E nestas é possível encontrar novos amigos e novas amigas. Vanessa participa de dois grupos na igreja em que frequenta atualmente (Assembleia de Deus Pentecostal): um de “união de adolescentes” e o outro um “grupo de exaltação” – grupo de coreografia, o qual requer horas de ensaio por semana. Além disso, participa da “escola bíblica” e dos cultos de rotina. Percebemos assim que o tempo de Vanessa é bastante tomado por essas atividades, as quais parecem ser um misto de religião e lazer/entretenimento. O que chama atenção é exatamente essa fronteira entre a pertença a uma instituição religiosa e as possibilidades de sociabilidade das jovens. Significa dizer que fazer parte de uma igreja seria uma circulação autorizada pela família (e socialmente), uma vez que seriam espaços mais protegidos? O que nos interessa é pensar esse espaço também como lugar onde as experiências de amizade (e namoro, etc.) acontecem.
Em meio ao contexto onde vive, a jovem nos provoca a pensar sobre as possibilidades de amizade na adolescência:
Entrevistadora – E na adolescência, essa questão da amizade, como é
que...?
Vanessa – Olha, é bom e não é porque ser adolescente no mundo de hoje,
que a gente vevi, vive, é muito difícil, porque... faltam muitas coisas para a juventude, muitos jovens se perdem em drogas, em... coisas assim que elevam... amizade, ‘ah, vamos experimentar’, essas coisas, entendesse? Não têm escolas integrais, são muito poucas, porque a única que tem aqui é o Epitácio, a única que tem aqui é o Epitácio, e eu acho que com escolas integrais seria mais fáceis de segurar jovens, de ter um certo controle da vida deles por conta que lá na cidade que eu moro são muitos meninos assim envolvidos com coisas, com... coisas erradas, mas... nunca mexeram comigo,
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inclusive alguns estudaram comigo, estudaram e estudam ainda, tem um colega que ele tem 17 anos, Vicente, a menina, a namorada dele está grávida, ela tem 15 anos, ele estuda comigo. Ela não, ela faz sétima série ainda, e eu acho que isso vai... privar ela de muitas coisas, porque um filho na adolescência tem que ter, no mínimo, muita mente para suportar tudo, porque... é o começo de tudo, ela está deixando tudo para trás, tudo! de amizade a estudo, tudo ela está deixando para trás...
As palavras de Vanessa misturam ideias que vão desde a “falta de controle” do Estado sobre as vidas de jovens pobres, num entendimento de que é preciso ocupar o tempo (ocioso) dessas pessoas, prevenindo assim o envolvimento com drogas; até a ideia de que há comportamentos de risco ou “errados” como o evento de uma gravidez na adolescência. A questão que se coloca aqui é como pensar o encontro com o outro (a possibilidade de amizade) em um território em que o espaço público é tido como ameaçador e o risco da “má influência” se faz constantemente. Restaria a religião como alternativa?
A expansão do movimento pentecostal trouxe novas práticas religiosas e, mais do que isso, uma nova teologia. Para compreender a relação juventude x religião x território, concordamos com as ideias de Lanza & Silva quando afirmam que:
Ainda segundo essa perspectiva teológica, não combater o mal, isto é, o demônio, representa a vitória do caos e da desordem na vida pessoal, trazendo doenças, desemprego, brigas e separações, bem como caos e desordem no grupo social. Portanto, converter-se e receber o batismo do Espírito Santo significa a possibilidade de resistir e fortalecer-se perante as agruras da vida cotidiana, por meio dos princípios morais e religiosos. “Deus é fiel” e se torna acessível, garantindo um novo sentido às atividades rotineiras do dia-a-dia, além da satisfação religiosa que as igrejas tradicionais até então não traziam. O toque de Deus revela que mesmo os mais desprezados pela sociedade são dignos de se tornarem a morada divina (LANZA & SILVA, 2012, p. 5).
Essa possibilidade de resistência no território onde Vanessa vive, atrelada à sociabilidade que o espaço institucional da igreja oferece, devem ser levadas em consideração.