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Encapsulation of bacteria

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Chapter I. Knowledge and literature survey

4. Sol-gel bioencapsulation and applications

4.2. Encapsulation of bacteria

Entrevistadora Certo, e pra tu, tem diferença, assim, até

continuando um pouco talvez o que esteja falando, tem diferença entre colega e amiga? Amiga e colega?

Rayane Sim, porque, assim, isso que eu vejo muito assim na

faculdade, sabe? Eu tenho os colegas que a gente está sempre lá, e naquele momento, e... Tem os amigos que a gente sabe se precisar mesmo são eles, e os colegas, não, é daquele momento e pronto; eu acho que é mais ou menos isso, amizade é longa data, é justamente isso, é você se sentir seguro com aquela pessoa, confiar, e os colegas é mais pra socializar, uma relação mais…, acho que mais… não duradoura.

Vale ressaltar a polissemia dos termos amigo/a e colega. Este é frequentemente referido conforme utilizado por Rayane: os/as colegas da faculdade; ou do estágio; ou da vizinhança. Também pode ser utilizado para se contrapor ao amigo. Mas o que definiria

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esse tipo de relação? Para chamar de amiga ou amigo é preciso mais do que isso, é preciso tempo de relação, por exemplo (REZENDE, 2002). “Amizade é longa data”, é a sensação de segurança. Ao mesmo tempo a jovem disponibiliza-se a experiências recentes com as “amigas” blogueiras, dando ênfase novamente ao fator afinidade. Cláudia Barcellos Rezende (2002) aponta para o desdobramento dos tipos de relação de amizade, onde o critério de diferenciação entre esses níveis encontra-se no grau de profundidade da relação.

Além disso as palavras de Rayane remetem à dissociação sociabilidade-amizade, em que colegas fazem parte de um contexto relacionado ao ambiente da escola e/ou estágio/trabalho e apontam para um caráter de circunstancialidade; e amigas são aquelas com quem se pode contar, em que pese o aspecto definidor da confiança (FRANCH, 2013).

Vimos, portanto, que na narrativa apresentada predominam, então, imagens como segurança, confiança, afinidade, identificação com a/o amigo/a, intimidade, convivência, solidariedade, afeto. Imagens que remetem a uma noção de amizade como ambiente seguro. Amizade como “irmão”, como vemos no trecho a seguir:

Entrevistadora – O que é que é amizade pra tu?

Rayane – Amizade pra mim eu acho que é quase a mesma coisa que um

irmão, amizade mesmo, é... se preocupar com a pessoa, com o amigo, é... defender, ajudar quando precisar, e quando não precisar também, estar sempre querendo saber o que que a pessoa está passando, se tá precisando de alguma coisa, convivência também, querer sempre estar perto, acho que é isso.

Tais “contornos familiares e intimistas” se ancoram em uma perspectiva que prevê o espaço privado como o espaço destinado às vivências de amizade e, assim, as relações familiares seriam o seu principal protótipo (SCHWERTNER, 2010). No caso de Rayane, como foi dito no início, há uma referência positiva de convivência com a família, o que faz pensar que essa experiência influenciaria sua concepção de amizade. Um outro componente da pesquisa que ressalta esse entendimento é a produção narrativa58 de Rayane, um tempo depois dos nossos encontros de entrevista. A seguir sua carta, que me chegou escrita à mão, mas que reproduzimos aqui digitada:

58 Conforme abordado no capítulo epistêmico-metodológico, a segunda etapa da pesquisa se campo

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PRODUÇÃO NARRATIVA RAYANE (carta escrita à mão59)

“As minhas experiências de amizade posso dizer que tive várias e cada uma de uma forma diferente, cada uma com seu jeito especial. Quando mudei da Charneca para a Charnequinha tive as primeiras experiências que eu consigo lembrar. Na verdade na Charneca tive a primeira que foi com Manuela (“Manu”) e os irmãos dela na qual carregamos essa amizade até hoje, essa amizade faz tantos anos que é como se fôssemos da mesma família, nos consideramos irmãos e apesar dos afazeres do dia a dia não esquecemos uns dos outros e sempre arrumamos um tempinho para estarmos juntos.

Na Charnequinha tive as amizades da igreja, da rua que morava e algumas da escola. As da igreja eram as que estavam comigo na maior parte do tempo, morávamos perto e sempre uns estavam na casa do outro, ou saíamos as vezes para uma lanchonete próximo da igreja (apesar de meu pai não deixar muito eu sair com eles), depois que saí da Charnequinha e mudei de igreja os amigos de lá se afastaram um pouco também. Daí vinheram os amigos da igreja da Cohab, os quais estão mais presentes até hoje, deles como já falei, considero muito Roberta, ela foi um dos primeiros amigos que fiz na nova igreja. Considero ela como irmã também, ela sempre se preocupa, faz de tudo para me ver bem.

Na Cohab conheci as meninas do blog, Eliene, Karina e veronika, moram em bairros diferentes e nos conhecemos através do bazar que fomos convidadas para participar como blogueiras. Tínhamos um projeto juntas, que acabou se desfazendo por conta do nosso tempo. Éramos muito ligadas, sempre nos encontrávamos para conversar em algum lugar (pizzaria, shopping) hoje na maioria das vezes só nos encontramos em eventos.

Hoje minhas relações de amizades são mais com Roberta e com as meninas do curso do SENAI, estamos juntas todos os dias eu, a Hercília e Lara, sempre quando temos um tempinho vamos a uma lanchonete na Cohab para conversar e comer alguma coisa.

Onde moro hoje não tenho amigos, conheço poucas pessoas aqui, minhas relações são mais com Camila (minha prima)”. [sic]

Aqui gostaria de ressaltar, além dos “contornos familiares e intimistas” já expostos, um eixo de análise que me parece refletir o modo como a jovem Rayane tece as suas ideias e imagens sobre amizade. A forma como toma as mudanças de bairro60 pelas quais passou como fio condutor de suas experiências de amizade remete a uma fluidez na construção desses vínculos na juventude: à medida que ocorriam as mudanças físicas novas

59 A digitação manteve integralmente a escrita da jovem, somente modificando os nomes das amigas citadas,

buscando resguardar eticamente a sua rede de relações.

60 Pensamos que a circulação/mudanças de bairro ajuda a compreender um fenômeno de “perfireização”

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possibilidades de experimentação de amizades iam acontecendo. A mesma fluidez nos informa sobre a relação estabelecida com o tempo e o que podemos chamar de eleição ou escolha das amigas. Significa dizer que com o passar do tempo, os novos interesses e espaços por onde a jovem circula vão favorecer essas novas relações. Isso pode ser percebido quando lemos os últimos parágrafos da carta em que ela narra que aquele grupo de amigas blogueiras (bastante falado no período das entrevistas) já não pertence tanto ao tempo presente, enquanto novas amigas (do curso que fazia na época da entrega da produção, um tempo depois do ciclo de entrevistas) são eleitas e com as quais pode desfrutar da convivência.

Assim algumas amigas parecem ser mais permanentes em sua rede de relações, particularmente Manu e Roberta, enquanto outras são acionadas a partir dos espaços por onde circula e dos seus projetos atuais (ora as amigas blogueiras, ora as amigas do curso, por exemplo).

Quadro 2 - Síntese 1 – Rayane

JOVEM RAYANE

IDADE 19 anos

LOCAL ONDE MORA

Cabo de Santo Agostinho

RELIGIÃO Evangélica

RAÇA Negra

BREVE SÍNTESE DA NARRATIVA

– Estudante do curso de Arquitetura;

– “Jovem aprendiz” em uma empresa de rádio/internet; – Blogueira/youtuber de moda, beleza e decoração; – Bastante “empreendedora”;

– Frequenta a igreja regularmente e tem nesse lugar um ambiente de construção de relações, embora nem todas sejam para “levar para fora”;

– Amiga é quem cuida, que se preocupa com a outra; amizade é convivência, proximidade; com quem se tem interesses comuns; – Imagens de AMIZADE: segurança, confiança,

afinidade/identificação, afeto, intimidade, solidariedade, proximidade, presença e convivência;

– Noção de “amizade herdada” – aquela que passa de geração em geração, de mãe para filha;

– Diversos círculos de amizade: igreja; faculdade; estágio; amigas blogueiras.;

– As várias mudanças de bairro provocam fluidez das relações de amizade.

Fonte: Elaboração própria.

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