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Vers une approche d’exploration de l’espace de conception

Considerado por muitos, dentro e fora do Brasil, como um ícone, Freire foi lido, interpretado e comentado por muitos autores. Há muito escrito por ele, sobre ele e com ele.

Paulo Reglus Neves Freire, mais conhecido como Paulo Freire, nasceu em Recife, no dia 19

de setembro de 1921. Principalmente em sua infância, Freire vivenciou de perto a miséria brasileira, mais precisamente dentro do seu contexto, isto é, a pobreza nordestina. Passou por períodos de fome durante a depressão que assolou o País em 1929. Essa realidade tão sofrida contribuiu para que, mais tarde, Paulo Freire viesse a se preocupar com os oprimidos (ALMEIDA, 2009; INÊS SOUZA, 2010).

Sua trajetória é marcada por suas contribuições como filósofo e educador. Seu trabalho na área da educação popular, envolvendo aspectos escolares e políticos, o fez referência no Brasil e no mundo. Freire elaborou uma concepção de Educação que envolve a criança na mais tenra idade até adultos ainda não alfabetizados, numa relação dialética – valorizando e defendendo o diálogo com todas as pessoas, sejam elas quem forem, e, estando onde estiverem (INÊS SOUZA, 2010).

Paulo Freire é apontado como um dos pensadores mais importantes na história da educação, contribuindo significativamente para o movimento da teoria/pedagogia crítica. Sua forma de ser e ensinar fundamentava-se na perspectiva de que o educando obteria um verdadeiro aprendizado a partir de uma relação com o seu cotidiano, numa prática dialética com a realidade, radicalmente contrário ao que ele denominou de educação bancária, que se

fundamenta em aspectos tecnicistas e contribui para a alienação do indivíduo (BRANDÃO, 2005).

Uma de suas primeiras experiências, em que ele pôde colocar em prática sua proposta educacional, ocorreu no Rio Grande do Norte, em 1962, quando ensinou 300 cortadores de cana a ler e a escrever em quarenta e cinco dias, na cidade de Angicos. Tal experiência, validada por resultados significativos, permitiu que sua metodologia fosse considerada como um processo inovador de alfabetização para a época (OLIVEIRA, 2003; BRANDÃO, 2005).

Sua trajetória acadêmica iniciou quando começou cursar a Faculdade de Direito, sem, porém, deixar de ampliar seu conhecimento, dedicando-se concomitantemente aos estudos de Filosofia da Linguagem. Apesar da formação, sua tentativa de exercer a profissão como advogado foi frustrante. Seu primeiro e único cliente, um dentista endividado, foi alvo de sua compaixão pelo oprimido. Por isso, preferiu trabalhar como professor numa escola de segundo grau, lecionando Língua Portuguesa (FRANCISCO SOUZA, 2002; INÊS SOUZA, 2010).

Na área profissional, Freire trabalhou em alguns departamentos nas esferas governamentais e acadêmicas (universidades), assumindo diversas funções que contribuíram significativamente para que ele obtivesse mais experiências em sua caminhada (INÊS SOUZA, 2010).

Casou-se, em 1944, com Elza Maia Costa de Oliveira, que, como ele, também era professora. Teve com sua esposa cinco filhos. Para sua tristeza, em 1986, Elza faleceu. Dois anos depois, Freire casou-se com uma conterrânea, Ana Maria Araújo (conhecida como Nita), que além de conhecida por Freire desde a infância, filha de um dos proprietários de uma escola em que lecionou, era sua orientanda no Programa de Mestrado da PUC/SP (OLIVEIRA, 2003; INÊS SOUZA, 2010).

Paulo Freire sempre afirmou que não há neutralidade na educação; sempre há uma intenção, um projeto, um ato político (FREIRE, 1996). Dessa forma, para Freire, não há educação sem participação e militância política (não, necessariamente, partidária). É por isso que seu projeto educacional esteve vinculado ao nacionalismo desenvolvimentista do governo João Goulart. Foi justamente na participação deste governo que Paulo Freire foi convidado a coordenar e desenvolver um Plano Nacional de Alfabetização, que objetivava uma grande e significativa formação de educadores para a consequente implantação de 20 mil núcleos (círculos de cultura) nas diversas regiões brasileiras (OLIVEIRA, 2003; ALMEIDA, 2009; INÊS SOUZA, 2010).

Foi por causa desse envolvimento político que, em 1964 – pouco tempo depois de iniciar o projeto –, Freire foi mais uma das vítimas do golpe militar, sendo preso por setenta dias, considerado como traidor. Diante desse cenário, Freire parte para o exílio, por países como Bolívia, Chile, Estados Unidos e Suíça (FRANCISCO SOUZA, 2002).

Na Bolívia, ficou pouco tempo, visto que lá, como aqui, também houve um golpe militar. No Chile Freire realizou significativas experiências, trabalhando com pessoas ligadas à reforma agrária daquele país. Alguns anos depois foi convidado para ser professor visitante na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Tal oportunidade proporcionou a Freire, além de muitas experiências no contexto educacional norte-americano, a possibilidade de trabalhar junto ao Conselho Mundial de Igrejas (CMI). Desde então, atuando como consultor educacional no CMI, contribuiu na reforma educacional em colônias portuguesas na África, em Guiné-Bissau e Moçambique (FRANCISCO SOUZA, 2002; OLIVEIRA, 2003).

Freire retornou ao Brasil em 1980, após a anistia concedida um ano antes aos exilados. Através da sua militância política, foi convidado a exercer o cargo de Secretário da Educação em São Paulo/SP, na gestão da prefeita Luiza Erundina (1989–1993), desempenhando a função entre 1989 e 1991. Durante sua gestão, criou o MOVA – Movimento de Alfabetização –, um modelo de programa público de apoio a salas comunitárias de Educação de Jovens e Adultos, adotado até os dias atuais por vários municípios (BRANDÃO, 2005; INÊS SOUZA, 2010).

Também no período pós-exílio Freire exerceu a docência na PUC/SP, no Programa de Educação (Currículo), entre 1980 e 1997. Diante de significativa contribuição docente, mesmo após a sua morte, a PUC/SP homenageou-lhe, instituindo a Cátedra Paulo Freire, espaço constituído de um ambiente que instiga o desenvolvimento de pesquisas a partir dos referenciais freireanos e suas implicações para a Educação.

Paulo Freire morreu em São Paulo, depois de ter um ataque cardíaco, no dia 2 de maio de 1997, devido a algumas complicações advindas de uma operação de desobstrução de artérias (OLIVEIRA, 2003; INÊS SOUZA, 2010).

Sua trajetória, no entanto, ficou marcada para sempre na história e no imaginário da educação do século 20. Sua vida era e é um exemplo. Seus pensamentos influenciaram diversas pessoas enquanto ele ainda era vivo, e nos dias atuais, sua vida e seus exemplos ainda exercem grande influência. Suas obras contribuem para que Paulo Freire continue atual e significativo para os oprimidos, fortalecendo a construção coletiva de uma educação anti- hegemônica, dialógica e revolucionária.

Ilustração 1 – Paulo Freire: o educador com os oprimidos Fonte: http://onordeste.com