A ilha de Timor, pela sua proximidade da Austrália, tem as estações do ano mais definidas do que a grande ilha do arquipélago índico, sendo caracterizada pelos regimes de monção de nordeste (vinda do mar) e de sudeste (vinda da AustráliaTerra). A nordeste, de Novembro a Maio, verificam-se fortes trovoadas com grande queda de chuva e a Sudeste, de Junho a Outubro surgem ventos moderados vindas da Austrália, o que provoca ar seco, pouca chuva e regime fresco. Baixa um pouco a temperatura, principalmente durante a noite.
A uma altitude de 400 metros já a temperatura é moderada, mantendo-se em verdadeiro estado primaveril até 1.500 metros. Daí para cima, é já o frio que se faz sentir, à medida que se vai subindo nestas altitudes, principalmente de noite. Com um máximo de 26 ºC
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diurnos, à sombra, mais ou menos variáveis, poderemos classificar assim o clima de Timor como sendo tropical para a altitude zero e temperado variável nas montanhas para cima dos 400 metros. Certos fenómenos meteorológicos não poderão deixar de exercer alguma influência na alteração do clima, como sejam as monções, a chuva, a humidade, etc. Mesmo assim, as correntes de vento não chegam a ser tão constantes, nem as chuvas tão contínuas, nem o grau de humidade tão alto que desmintam a descrição feita. Lains e Silva (1956) consideram que a precipitação é o factor determinante para o tipo de clima em Timor, o que oferece grande interesse para o conhecimento das condições culturais, como as operações agrícolas da sementeira à colheita. Timor-Leste tem regime de chuva suficiente para garantir água para quatro meses, de Dezembro a Março, em todo o território. De acordo com a combinação nível altitudinal e regime de precipitação, pode-se definir vários tipos de agro-clima. Assim, segundo Gonçalves (1963) e Lains e Silva (1956), o esboço do clima pelo método de Mohr modificado por Schmidt e Ferguson baseado nos tipos de pluviosidade mostra a existência de 5 tipos climáticos caracterizados por uma estação seca bem definida, embora mais ou menos prolongada (Tabela 5).
Tabela 5. Classificação do clima segundo Schmidt e Ferguson baseando na precipitação Tipo de clima Intervalo pluviométrico (mm)
C 2.000 – 2.500 mm
D 1.500 – 2.000 mm
E 1.000 – 2.000 mm
F 700 – 1.000 mm
G 500 - 700 mm
Tipos C e D são mais predominantes ao longo da costa sul, que tem uma estação chuvosa que vai de Novembro a Junho e uma estação seca variando de Julho a Outubro. A precipitação anual em climas do tipo C deve ser de mais de 2.000 mm. Nos tipos E, D entre 1.000 mm e 2.000 mm, no tipo F cerca de 750 mm, e cerca de 500 mm no tipo G (Lains e Silva, 1956; Gonçalves, 1963; Ferreira, 1965), (Figura 13). Na costa Norte, até aos 600 metros de altitude, predominam os tipos climáticos E e F verificando-se uma pequena área da costa com o tipo G. A costa Sul é caracterizada pelo tipo D. Pertencendo às regiões montanhosas encontra-se o tipo C, com elevada precipitação.
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Figura 13- Classificação climática de Schmidt e Ferguson Fonte: Adaptado de Lains e Silva, 1956, Fereira, 1965
IV.5.2.1- Temperatura
O clima em Timor-Leste compreende quadro zonas diferentes (Figura 14).
Figura 14- Temperatura média anual de Timor-Leste. Fonte: Adaptado de Ferreira 1965.
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Estas zonas são:
Costa Norte: máx. 30-33 ºC, mín. 20-25 ºC;
Costa Sul: máx. 25-33 ºC, mín. 18-24 ºC;
Zona Central Montanhosa: máx. 23-30 C, mín. 14-21 C;
Zona Superior, Central, Montanhosa: máx. 16-24 ºC, mín. 4-13 ºC
Segundo Lains e Silva (1965), os valores médios da temperatura apresentam diferenças sistemáticas de local para local, diminuindo com a altitude e, para a mesma altitude, são geralmente mais baixos na encosta sul do que na norte. O mesmo autor refere também que os meses mais quentes são também os mais húmidos. Em Novembro ou Dezembro, as temperaturas caem, durante época de transição da monção, de leste para oeste. O tempo seco e fresco é normalmente nos meses de Junho, Agosto ou Setembro durante monção de Leste.
No entanto, nas zonas de baixa altitude, as temperaturas são altas de dia e as noites são frias e húmidas. Nas zonas de alta montanhosa, a temperatura desce com grande amplitude térmica durante o dia, em algumas zonas.
Silva (1956) e Sousa (1972), ao apontarem a isotérmica do clima de Timor-Leste com diferenças entre as temperaturas médias dos meses mais quente e as mais frias inferiores a 5º C, afirmam ser a precipitação o factor climático mais, notável e determinante dos tipos de clima.
IV.5.2.1- Precipitação
Uma justificação da precipitação caracterizada por Lains e Silva (1956) segundo a influência da monção:
―A longitude de Timor é perpendicular à monção sueste, durante estes os ventos
secos vindos da Austrália, ao atravessarem o mar de Timor, enchem-se de humidade, a qual vem perder através de fortes precipitações ao entrarem na ilha e, sobretudo, ao galgarem a cordilheira central, chegando à vertente norte já secos. Durante a monção noroeste, as massas de ar húmido trazidas pelos ventos marítimas, depois da sua grande travessia sobre as ilhas do arquipélago,
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altitude. De modo, ao contrário do que à primeira vista seria de esperar, a Costa Norte, embora sujeita a monção marítima, é muito mais árida do que Costa Sul.
Do exame isoetas anuais, sobre a influencia da altitude na precipitação, notando-se um aumento da precipitação do litoral para interior. Os máximos pluviométricos encontram-se na zona montanhosa e os mínimos no litoral, principalmente no litoral norte.”
Os padrões de precipitação de Timor-Leste são variáveis. De acordo com Phillips et al. (2000), o país pode ser dividido em três zonas com base na altitude e precipitação. A costa norte, entre 0 e 600 m acima do nível do mar, é caracterizada por uma precipitação anual variando entre os 500 mm e os 1.500mm e uma estação seca de cinco meses. A zona montanhosa é caracterizada por chuvas superiores a 1.500 mm e uma estação seca de quatro meses. A costa sul, entre 0 e 600m acima do nível do mar, tem maior pluviosidade, que vai até 2.000 mm e uma estação seca de três meses (Figura 15). A duração da precipitação na costa sul é longa, com uma estação chuva entre 7 e 9 meses, com dois intervalos de estação, inicio no mês de Dezembro e recomeço novamente no mês de Maio.
Concretamente, as regiões de Ermera-Fatu-Bessi-Serra de Maubara e Lete-foho-Atsabe- Ainaro, o triângulo Laclubar-Turiscai-Soibada, o planalto de Baucau, os montes Laritame, Mundo-Perdido e Matabian e a região de Luro, são zonas cujo valor médio de precipitação anual varia entre os 2.000 e os 2.500 mm, com excepção da linha Baucau- Venilale-Ossú-Viqueque e da serra de Maubara onde se recolhem valores de 2.000 mm (Alves, 1973).
No entanto, Maliana – Lolotoi, Same – Hato Builico e Lospalos são pontos onde os elevados valores médios têm a função de amortecer a grande dispersão dos valores anuais observados.
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Figura 15- Distribuição de precipitação média anual de Timor-Leste.
Por outro lado, é fácil correlacionar baixos valores da precipitação média anual com os valores mais elevados. Toda a costa norte (Subão, Manatuto, Laga-Laivai-Lautém) e certos prolongamentos para sul (Remexio-Ailau, Maubisse-Same) e a costa sul: especialmente as zonas Lospalos, sueste de Barique, Zumalai-Foho-sm-Suai estão neste caso.