3. ELEMENTS CLES DE L’ETUDE D’IMPACT
3.2. VARIANTES D’IMPLANTATION DU PROJET
O resultado alcançado pela empresa com o desenvolvimento de sua atividade pode ser avaliado de diversas formas, com métricas diferentes. Conforme apresentado pela KPMG (2010), Crawford et al. (2012) e Nichols, Street e Cereola (2012), nos relatórios por segmentos as empresas utilizaram-se de métricas não normativas para avaliar o desempenho operacional. Dados gerais sobre essa divulgação foram discutidos na análise da Tabela 6.
Ao segregar a análise de acordo com o porte das companhias, conforme mostrado na Tabela 26, nota-se que não há grandes diferenças entre os grupos em relação à publicação de métricas normativas. Lucro líquido, lucro bruto e lucro antes de impostos apresentam maior concentração nos grupos intermediários com 71,5% e 68,2%, respectivamente, nos grupos dois e três. Nos grupos um e quatro os números ficaram próximos, sendo 59,5% para o grupo um e 61,9% para o grupo quatro. Estes números mostram que independente do porte da companhia as métricas normativas e, portanto, compulsórias, foram as mais utilizadas para a divulgação do resultado.
Entretanto, é importante destacar que métricas não normativas, com algum ajuste sobre o lucro líquido final foram apresentadas por mais de 30% das companhias, com maior ênfase nas empresas dos grupos um e quatro.
O EBITDA é um valor constantemente utilizado nas análises financeiras no mercado e foi o método alternativo que mais se destacou entre as empresas de porte um e dois, sendo também utilizado nas empresas de maior porte. Nos grupo três e quatro o destaque foi o lucro operacional que foi divulgado por 21,4% das empresas de cada grupo. Tabela 26 – Métricas de resultados divulgadas de acordo com o porte das companhias Porte da empresa Métrica de resultado Lucro líquido Lucro bruto Lucro antes de impostos EBITDA Lucro operacional Outros Grupo 1 38,1% 11,9% 9,5% 14,3% 11,9% 14,3% Grupo 2 42,9% 14,3% 14,3% 14,3% 9,5% 4,7% Grupo 3 50,0% 4,8% 14,3% 4,8% 21,4% 4,7% Grupo 4 54,7% 2,4% 4,8% 9,5% 21,4% 7,2% Fonte: Dados da pesquisa
Em relação aos setores, da mesma forma, as métricas que seguem orientação normativa, lucro líquido do exercício, lucro bruto e lucro antes de impostos foram predominantes, conforme mostra a Tabela 27. Percebe-se nos setores financeiro e outros, petróleo, gás e biocombustíveis, telecomunicações, utilidade pública e tecnologia da informação, que a utilização destas métricas é massiva, com elevados percentuais e pouca ou nenhuma ocorrência de outras formas de resultado.
Nos setores financeiro e outros, petróleo, gás e biocombustíveis, telecomunicações e utilidade pública esta predominância pode ser explicada pelo fato de serem setores com normatizações específicas e também estarem sujeitas a regulamentações por órgãos fiscalizadores e governamentais. Nestes setores a participação societária estatal é significativa em algumas empresas.
Tabela 27 – Métricas de resultados divulgadas por setores
Setor Métrica de resultado
LLE LB LAI EBITDA LOp Outros
Bens industriais 35,0% - 20,0% 20,0% 15,0% 10,0% Construção e transporte 25,0% 18,7% 12,5% 18,7% 6,3% 18,8% Consumo cíclico 33,3% 12,5% 25,0% 12,5% 8,3% 8,4% Consumo não cíclico 37,5% 4,2% 4,2% 20,8% 25,0% 8,3% Financeiro e outros 71,4% 7,2% 7,2% - 10,7% 3,5% Materiais básicos 33,3% 8,3% 8,3% 12,5% 25,0% 12,6% Petróleo, gás e biocombustíveis 50,0% - - - 50,0% - Tecnologia da informação 75,0% - - - 25,0% - Telecomunic. - 80,0% - - 20,0% - Utilidade pública 68,4% 15,8% 5,3% - 10,5% - Fonte: Dados da pesquisa
Legenda:
LLE: Lucro líquido do exercício LB: Lucro bruto
LAI: Lucro antes dos impostos LOp: Lucro operacional
Nos setores onde a situação de regulação e fiscalização governamental é menor, percebe-se, conforme mostra a Tabela 27, que outras formas de representar o resultado são utilizadas por uma
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quantidade significativa de empresas. Nos setores de bens industriais, construção e transporte, consumo cíclico, consumo não cíclico e materiais básicos, mesmo havendo a predominância das técnicas normativas, métricas como o EBITDA aparecem com percentual significativo na distribuição.
Destaca-se ainda que a coluna outros, da Tabela 27, registra métricas de resultados diferentes dos preceitos normativos e formas de apuração com algum foco na gestão interna, tal como margem bruta e lucro operacional ajustado pelo resultado financeiro.
Com base na classificação das empresas nos níveis de governança corporativa, como mostra a Tabela 28, é possível atribuir às empresas do Novo Mercado a maior diversificação das métricas de apresentação do resultado. O EBITDA é divulgado por 14,3% das empresas e o lucro operacional 20%, em contrapartida, o lucro líquido do exercício é indicado em 40%, o menor percentual entre os quatro grupos de empresas.
Nas empresas do Nível 2 e não classificadas, o percentual de empresas que divulgam métricas não normativas é inferior a 30%, a maioria das companhias apresenta o lucro líquido do exercício e o lucro antes dos impostos como principal forma de mensuração do resultado. No Nível 1, também há a predominância de métricas normativas, no entanto, o lucro operacional é divulgado como forma de apuração do resultado por 27% das empresas.
Tabela 28 – Métricas de resultados divulgadas nos níveis de governança corporativa
Nível de governança
Métrica de resultado
LLE LB LAI EBITDA LOp Outros
Novo Mercado 40,0% 8,6% 10,0% 14,3% 20,0% 7,1%
Nível 2 50,0% - 28,6% 7,1% 7,1% 7,1%
Nível 1 54,5% 9,1% - 4,5% 27,3% 4,5%
Não
classificadas 53,2% 8,1% 11,3% 8,1% 11,3% 8,1% Fonte: Dados da pesquisa
As empresas com melhores práticas de governança corporativa demonstram maior disposição à utilização de diferentes formas de apresentação de resultados, o que pode melhorar a informação ao agente externo, porém estas diferentes formas podem dificultar a comparação entre empresas, inclusive no mesmo ramo de atuação.
Corroborando o estudo da KPMG (2010) e Nichols, Street e Cereola (2012), os resultados mostram que formas diferentes de apresentação do resultado foram permitidas pelo CPC 22, o que possibilita às empresas utilizarem métricas diferentes do prescrito nas normas. Assim como mostrou o relatório da KPMG (2010), em alguns setores há incidência de métrica que não é utilizada em outro setor.
Mesmo com a flexibilidade permitida pela norma as métricas com orientação normativa predominam, resultados que se coadunam ao estudo de Crawford et al. (2012) e reforçam a ideia de que as empresas divulgam o que é requisitado, de forma normativa, demonstrando pouca disposição a expor informações além do que lhes é imposto.
4.3.6. Centros de responsabilidade
O nível de descentralização adotado pela companhia se reflete no seu relatório por segmentos e isto pode ser notado na estrutura dos centros de responsabilidade. Os centros de investimentos podem ser identificados como o maior nível de descentralização, pois neste caso o gestor do centro tem sob sua responsabilidade todos os elementos envolvidos na atividade da companhia, receita, custos e investimentos.
Do ponto de vista de disclosure, o centro de investimentos permite ao agente externo o acesso a informações detalhadas sobre a operação da companhia, pois o relatório publicado nesta condição mostra qual o investimento realizado no segmento e assim há melhores condições de avaliar o risco e o retorno da operação.
Assumindo que a descentralização é resultado do crescimento da empresa e de sua complexidade operacional, como argumentado por Frezatti et al. (2009) e Jiambalvo (2009), e com base nos relatórios publicados, os dados apresentados pela Tabela 29 demonstram que as grandes empresas adotam com maior frequência a estrutura de centros de investimentos, com 76,2% das companhias estudadas publicando em seus relatórios dados de investimentos. Nas companhias de porte menor também os centros de investimentos foram predominantes, porém o número de empresas que apresentou relatório estruturado como centros de lucros também foi relevante, acima de 35%. Empresas em que o relatório divulgado apresentou informações de acordo com a estrutura de centro de receitas situaram-se nos três primeiros grupos, somente no grupo 4 é que não houve nenhuma companhia com esta característica.
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Tabela 29 – Característica do centro de responsabilidade de acordo com o porte das empresas
Porte da empresa Centro de responsabilidade
Investimento Lucro Receita Custos Indefinido
Grupo 1 59,5% 35,7% 2,4% - 2,4%
Grupo 2 57,1% 38,1% 2,4% - 2,4%
Grupo 3 76,2% 19,0% 2,4% - 2,4%
Grupo 4 76,2% 23,8% - - -
Fonte: Dados da pesquisa
De acordo com a Tabela 30, a segregação das empresas pelos setores de atuação também prevalece, em todos os setores, o centro de investimento como prática principal na forma de descentralização. Os setores que se destacam por terem apresentado menor número de relatórios caracterizados como centros de investimentos são os de tecnologia de informação e construção e transporte, neste grupo, muitas empresas são do ramo imobiliário e de concessões e, argumentam que não é possível atribuir aos segmentos com razoável eficiência o valor dos ativos envolvidos.
Destaca-se ainda, os setores de telecomunicações e petróleo, gás e biocombustíveis que apresentaram, respectivamente, 80% e 100% das empresas com informações características de centro de investimentos. Tabela 30 – Característica dos centros de responsabilidade por setores
Setor Centro de responsabilidade
Investimento Lucro Receita Custos Indefinido Bens industriais 70,0% 15,0% 10,0% - 5,0% Construção e transporte 56,2% 43,8% - - - Consumo cíclico 75,0% 25,0% - - - Consumo não cíclico 66,7% 29,2% 4,1% - - Financeiro e outros 57,1% 32,1% 3,6% - 7,2% Materiais básicos 70,8% 29,2% - - - Petróleo, gás e biocombustíveis 100,0% - - - - Tecnologia da informação 50,0% 50,0% - - - Telecomunicações 80,0% 20,0% - - - Utilidade pública 63,2% 31,6% 5,2% - - Fonte: Dados da pesquisa
As empresas classificadas nos níveis intermediários de governança corporativa foram as que apresentaram o maior percentual de relatórios estruturados em centros de investimentos, como mostra a Tabela 31. Nos níveis mais elevados todas as companhias publicaram informações por segmentos com características de centros de investimentos ou centros de lucro, já nos grupos Nível 1 e não classificadas, houve empresas com relatórios caracterizados como centros de receitas, o que, diante da definição de segmento adotada pelo CPC 22, não caracteriza-se como um segmento operacional.
Os dados apresentados na Tabela 31 mostram que a estrutura dos relatórios publicados pelas empresas no nível de governança mais elevado não é diferente da forma apresentada pelas empresas não classificadas, considerando-se a qualidade informativa que se origina nos centros de responsabilidade. O centro de investimento que tende a ser mais informativo, destacou-se nas empresas do Nível 1 e Nível 2. Entretanto, cabe destacar que em todos os níveis de governança, mais de 60% das empresas divulgou relatório com informações por segmentos estruturadas como centros de investimento, o que possibilita ao agente externo avaliar o investimento realizado pela companhia para desenvolver sua atividade.
Tabela 31 – Característica do centro de responsabilidade nos níveis de governança corporativa
Nível de governança
Centro de responsabilidade
Investimento Lucro Receita Custos Indefinido
Novo Mercado 67,1% 32,9% - - -
Nível 2 78,6% 21,4% - - -
Nível 1 72,7% 22,7% 4,6% - -
Não classificadas 61,3% 30,6% 3,3% - 4,8% Fonte: Dados da pesquisa
Como destacado por Jiambalvo (2009), a maioria das empresas demonstrou estar segmentada com centros de lucro ou de investimentos. Esta estrutura permite ao gestor avaliar a contribuição de cada segmento na operação da entidade do ponto de vista do resultado alcançado pela atividade. Do mesmo modo ao agente externo esta forma de segmentação é importante pois possibilita conhecer os riscos e oportunidades envolvidos nas operações.
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4.4. INFORMAÇÕES PUBLICADAS NO RELATÓRIO POR