4.3 Dégradation et conséquences sur les modes
5.3.2 Variance de phase
O peso dos animais foi estimado pela fórmula de Quetlet e estes foram medidos biometricamente quanto ao perímetro torácico (cm), perímetro de antebraço (cm), comprimento do tronco (cm) e comprimento de garupa (cm), utilizando uma fita métrica; quanto a altura de cernelha (cm), altura de garupa (cm), profundidade (cm) e distância entre ílios (cm), medidas com o auxílio de um hipômetro. Para as medições foram considerados os seguintes critérios:
• Altura de cernelha: distância do solo até o ponto mais alto da cernelha;
• Altura de garupa: distância do solo até o ponto mais alto da garupa;
• Perímetro torácico: medida da caixa torácica do animal realizada entre a parte caudal à escápula, o esterno e os processos espinhais das vértebras torácicas;
• Comprimento do corpo: medida da ponta da paleta até a tuberosidade isquiática;
• Comprimento de garupa: distância entre a tuberosidade coxal do íleo até a tuberosidade isquiática;
• Profundidade: medida da caixa torácica realizada com o auxílio de um hipômetro.
• Distancia entre íleos: distância entre as duas tuberosidades coxais.
Com o auxílio de um aparelho de ultrassonografia em tempo real (Pie medical modelo Aquila, transdutor linear de 18 cm com freqüência de 3,5 MHz), usando um acoplador acústico (standoff) e óleo vegetal, foram coletadas imagens do músculo Longissimus dorsi, entre a 12ª e 13ª costelas, para mensuração da área de olho de lombo (AOL) (cm2). As imagens foram avaliadas no computador utilizando o software Eview (Eview – Echo Image Viewer, Pie Medical Equipment B. V.).
4.3 Análise Estatística
Para relacionar as medidas biométricas com a idade dos animais utilizou-se o modelo de regressão segmentada univariado, atribuindo para a variável resposta distribuição Gamma, já que, todas as variáveis estudas apresentaram assimetria em torno da média. As análises foram desenvolvidas no programa de linguagem estatística R, mais especificamente na biblioteca segmented.
Vinte e oito animais foram divididos em grupos por idade, animais entre 6-8 meses; animais entre17-19 meses; animais entre 30-32 meses de idade; para os animais agrupados as análises foram realizadas pelo programa estatístico SAEG onde os resultados foram submetidos a Análise de Variância (ANOVA) e as médias comparadas pelo teste de Duncan.
Foi realizada medida de correlação de Pearson entre as variáveis também pelo programa SAEG.
5 RESULTADOS
As figuras 3.1 e 3.2 apresentam o scatterplot do relacionamento entre as variáveis morfométricas e a idade dos animais, bem como o modelo de regressão segmentada ajustado para cada caso e a respectiva estimativa do ponto de inflexão. Os animais reduzem a velocidade de crescimento primeiramente da altura da cernelha e de garupa, entre 24 e 25 meses, e depois desaceleram o peso, comprimento do corpo, comprimento da garupa, perímetro torácico, profundidade e íleos entre 27 e 29 meses de idade. Para a medida de AOL, a desaceleração do crescimento ocorreu aos 18 meses, abaixo dos relacionados às medidas morfométrica
. 0 20 40 60 80 100 120 140 100 120 140 160 idade(meses) C o m p ri m e n to d o C o rp o ( c m ) PI = 27,72 ; R2=85,58% 0 20 40 60 80 100 120 140 90 100 110 120 130 idade(meses) A lt u ra d e C e rn e lh a ( c m ) PI = 24,89 ; R2=83,28% 0 20 40 60 80 100 120 140 100 200 300 400 500 idade(meses) P e s o ( K g ) PI = 28,82 ; R2=86,41% 0 20 40 60 80 100 120 140 100 110 120 130 140 idade(meses) A lt u ra d a G a ru p a ( c m ) PI = 24,33 ; R2=81,48% 0 20 40 60 80 100 120 140 25 30 35 40 45 50 idade(meses) C o m p ri m e n to d a G a ru p a (c m ) PI = 26,68 ; R2=72,93% 0 20 40 60 80 100 120 140 120 140 160 180 200 idade(meses) P e rí m e tr o T o rá c ic o (c m ) PI = 27,6 ; R2=87,01%
Figura 3.1 Relação univariada entre medidas biométricas (Y) e idade dos animais (X) de fêmeas bovinas Crioulas Lageanas, segundo o modelo de regressão segmentada atribuindo distribuição Gama para a variável resposta (Y). A linha vertical indica o ponto de inflexão (PI) da curva de desenvolvimento.
Figura 3.2 Relação univariada entre medidas biométricas (Y) e idade dos animais (X) de fêmeas bovinas Crioulas Lageanas, segundo o modelo de regressão segmentada atribuindo distribuição Gama para a variável resposta (Y). A linha vertical indica o ponto de inflexão (PI) da curva de desenvolvimento.
A Tabela 3.1 mostra a idade em que ocorre o ponto de inflexão para fêmeas bovinas Crioula Lageanas. Observa-se que o ponto de inflexão é aproximado para todas as medidas biométricas, ficando em torno dos 27 meses de idade com um coeficiente de determinação acima de 80%. Apenas a medida ultrassonográfica de AOL apresentou o ponto de inflexão em uma idade mais baixa, 18 meses, com um coeficiente de determinação de 50,19%.
0 20 40 60 80 100 120 140 40 45 50 55 60 65 70 idade(meses) Íl io s ( c m ) PI = 27,16 ; R2=87,43% 0 20 40 60 80 100 120 140 40 45 50 55 60 65 70 idade(meses) P ro fu n d id a d e (c m ) PI = 27,03 ; R2=87,47% 0 20 40 60 80 100 120 140 30 35 40 45 50 55 60 idade(meses) A O L ( c m 2 ) PI = 18.35; R2=50,19%
Tabela 3.1 Ponto de inflexão e coeficiente de determinação obtidos a partir do modelo de regressão segmentada univariada, atribuindo distribuição Gama para a variável resposta para fêmeas bovinas Crioula Lageanas, criadas em regime extensivo em pastagens nativas
Medidas Platô (meses) R2 (%)
Peso 28.62 86.41 Altura de Cernelha 24.89 83.26 Altura de Garupa 24.33 81.48 Comprimento do Corpo 27.72 85.58 Comprimento de Garupa 26.68 72.93 Perímetro Torácico 27.6 87.01 Profundidade 27.03 87.47
Distância entre Ílios 27.16 87.43
AOL 18.35 50.19
A Tabela 3.2 mostra a média e desvio padrão das medidas morfométricas e de ultrassom das fêmeas Crioula Lageanas divididas por idades, onde as fêmeas de 6-8 meses apresentaram medidas menores tanto das fêmeas de 17-19 meses quanto das fêmeas de 30-32 meses. Já as fêmeas de 17-19 meses não foram menores que as fêmeas de 30-32 meses para peso, perímetro torácico, comprimento de garupa e AOL, mas apresentaram menores valores para as demais variáveis.
Tabela 3.2 Médias e desvios padrão de medidas morfométricas e ultrassonográficas de fêmeas Crioulas Lageanas, criadas em regime extensivo em pastagens nativas, divididas por idade
Variáveis 6-8 Meses (n=17) 17-19 Meses (n=6) 30-32 Meses (n=5)
Peso 165,21± 34,95a 265,73± 29,05b 313,16± 104,67b Altura da Cernelha 100,41± 5,73ª 114,50± 2,86b 121,90± 2,88c Altura da Garupa 105,82± 5,02a 122,16± 3,60b 128,40± 2,07c Perimetro Torácico 130,20± 7,96a 151,83± 5,71b 155,10± 30,82b Comprimento do Corpo 110,05± 11,02a 131,33± 5,05b 145,40± 5,67c Comprimento da Garupa 34,29± 3,89a 40,33± 2,73b 43,20± 4,64b Profundidade 44,64± 3,23a 53,66± 2,56b 60,60± 1,82c
Distância entre Ílios 28,26± 3,26a 35,50± 4,15b 40,90± 1,95c
AOL 35,62± 5,78a 41,43± 7,04b 44,48± 2,95b
a, b, c
Na Tabela 3.3 encontram-se os resultados da correlação de Pearson. As variáveis apresentaram correlação positiva acima de 70% (P<0,01) com exceção de AOL x Idade, AOL x AC e AOL x AG que apresentaram correlação positiva entre 59 e 64% (P<0,01).
Tabela 3.3 Correlação de Pearson entre variáveis morfométricas e medida de ultrassom para fêmeas Crioulas Lageana, criadas em regime extensivo em pastagem nativa
Idade Peso AC AG CC CG PT PF DI Peso 0.84* AC 0.75* 0.88* AG 0.71* 0.88* 0.96* CC 0.79* 0.93* 0.90* 0.90* CG 0.76* 0.90* 0.83* 0.84* 0.90* PT 0.81* 0.98* 0.87* 0.86* 0.89* 0.88* PF 0.84* 0.93* 0.91* 0.91* 0.92* 0.86* 0.91* DI 0.81* 0.91* 0.89* 0.88* 0.89* 0.87* 0.90* 0.91* AOL 0.63* 0.75* 0.59* 0.61* 0.64* 0.61* 0.73* 0.71* 0.67* AC – altura de cernelha; AG – altura de garupa; CC – comprimento de corpo; CG – comprimentode garupa; PT – perímetro torácico; PF –profundidade; DI – distância entre ílios; AOL – área de olho de lombo.
6 DISCUSSÃO
As femêas Crioulas Lageanas apresentaram crescimento inicial mais acelerado, com uma diminuição na taxa de crescimento após o ponto de inflexão que foi aproximadamente aos 27 meses de idade para as medidas morfométricas. Essas medidas continuaram aumentado até os 11 anos (figuras 3.1 e 3.2), com exceção da altura de garupa que estabilizou aos 24 meses. Estes resultados assemelham-se aos encontrados por Pezzini (2010) que encontrou variação para altura de cernelha, comprimento de garupa e comprimento de corpo até os 11 anos de idade. Entretanto, para altura de garupa, naquele estudo o autor encontrou variação até os 5 anos para estes animais, idade mais avançada do que os observado neste estudo para a mesma medida onde os animais foram avaliados no mesmo período e condição de criação. Pezzini (2010) atribui a variação até idades avançadas para a raça, ao fato desta somente ter sofrido seleção natural.
Nesse estudo não houve variação para altura de garupa após os 24 meses o que assemelha-se aos resultados encontrados por Lôbo et al. (2002) para a raça Nelore. Porém Pacheco et al. (2008) trabalhando com a raça Guzerá, verificaram que a altura de cernelha e da garupa variaram até os 36 meses e o perímetro torácico até os 48 meses de idade, diferente dos resultados encontrados neste estudo onde os animais continuaram aumentando essa característica até os 11 anos, idade dos animais mais velhos que foram avaliados. Provavelmente isso tenha ocorrido devido a raça Guzerá estar incluída em programas de melhoramento genético, o que não ocorre com a raça Crioula Lageana.
Segundo Silva et al. (2003) a técnica de ultrassonografia de carcaça permite uma avaliação rápida, não invasiva ou destrutiva e com boa precisão da composição corporal dos
animais. O ponto de inflexão para o aumento da AOL na raça Crioula Lageana foi estimado em 18 meses enquanto que para as outras características foi de 27 meses de idade. Entretanto, o coeficiente de determinação foi baixo, o que sugere que a idade em que os animais desaceleraram o desenvolvimento da AOL pode não estar preciso. Além disso, a AOL continuou aumentando expressivamente após o ponto de inflexão. Yokoo et al. (2008a) demonstraram em seu estudo com Nelore que a idade influencia medidas de ultrassom, e que AOL aumentou quase linearmente com a idade até 18 meses, e após isso ocorreu um crescimento mais rápido do Longissimus dorsi, sugerindo uma maturidade tardia desse músculo. O rendimento de carcaça é uma característica importante, pois no momento da comercialização desejam-se maiores quantidades de músculos e menores de ossos e a AOL é uma característica que pode predizer essa quantidade muscular (Silveira et al., 2009). Porém, como ferramenta para o acompanhamento do desenvolvimento muscular, ainda deve ser usada com cautela.
Observou-se neste estudo que a AOL apresentou correlações positivas mais altas com as medidas de peso (Tabela 3.3), profundidade e perímetro torácico (acima de 70%), o que pode ser explicado pelo fato dessas medidas estarem diretamente ligadas a capacidade do animal em depositar músculo. Yokoo et al. (2008b) trabalhando com raças de diferentes grupos genéticos verificaram que o peso afeta as características de carcaça, sendo uma importante fonte de variação para as medidas de ultrassom. Nesse mesmo experimento, estes autores encontraram correlação positiva e moderada entre peso e altura de garupa, alta entre peso e perímetro torácico, baixa para peso e AOL e baixa para perímetro torácico e AOL, diferente das estimativas de correlações encontradas neste trabalho onde foram positivas e altas.
Rodriguez et al. (2001) trabalhando com animais da raça Crioula do Uruguai em diferentes idades encontrou para altura de cernelha, profundidade, perímetro torácico, comprimento de corpo e largura de garupa resultados semelhantes aos encontrados neste estudo com fêmeas Crioulas Lageanas entre 30-32 meses (Tabela 3.2). Esta semelhança pode estar associada ao fato de ambas as raças terem sido originadas de animais vindos da península ibérica no momento da colonização, e por serem criados em regiões de clima semelhante.
Mourão et al. (2010), avaliando morfometricamente animais Nelore e F1 Limousin x Nelore com idade inferior a 24 meses, relataram peso, altura de cernelha, altura de garupa,
profundidade, perímetro torácico, comprimento de corpo, comprimento de garupa e largura de garupa maiores do que os encontrados neste experimento com fêmeas Crioulas Lageanas aos 30 meses de idade. Isso pode ter ocorrido pelo fato das condições de criação dos animais serem diferentes e o fato da seleção artificial dos bovinos da raça Crioula Lageana ser um fato recente, diferentemente do que ocorreu com as raças estudas no trabalho de Mourão et al. (2010) que vem sendo selecionada ao longo de várias décadas.
Apesar de serem animais menores do que os animais de raças comerciais, deve-se considerar que os animais Crioulos Lageanos são criados extensivamente em pastagens nativas, estando sujeitos a menor disponibilidade forrageira em algumas épocas do ano, o que possivelmente leva a esse menor tamanho dos animais. Por outro lado, Bocquier & Gonzalez- Garcia (2010) indicam que a sociedade procura hoje por sistemas sustentáveis de produção, levando em conta a criação extensiva em grandes quantidades de terra com pastagens nativas, e afirmam que a biodiversidade natural dos trópicos e subtrópicos, vão ao encontro para que ocorra essa mudança na forma de criação.
Os animais apresentaram crescimento evidente dos 6-8 meses até os 17-19 meses de idade. Dos 17-19 até os 30-32 meses apresentaram aumento da altura de cernelha e de garupa, comprimento de corpo, profundidade e distância entre ílios, o que não foi verificado nas demais variáveis estudadas. O aumento de todas as medidas morfométricas durante o primeiro ano após a desmama dos animais, o que não foi confirmado no segundo ano, sugere uma maior velocidade de crescimento das fêmeas Crioulas Lageanas até os dois anos de idade.
Piedrafita et al. (2003) alega que o mercado atual tem determinado a criação de raças locais em áreas restritas, sob sistemas tradicionais e denominação de origem ou marcas de qualidade, o que torna a raça Crioula Lageana uma boa opção para a pecuária regional por ser uma raça completamente adaptada ao clima do planalto catarinense. Segundo Martins et al. (2009) no inverno, esses animais entram nas matas e se alimentam de folhas, arbustos e musgos, característica interessante para sistemas de produção sustentáveis que visam a utilização dos recursos naturais.
Segundo Toral et al. (2004) há evidências de interação genótipo x ambiente para os pesos indicadores de desenvolvimento ponderal de bovinos. Sendo assim, animais selecionados para mérito genético superior em uma determinada região não necessariamente será superior em outra. Considerando que o Crioulo Lageano é uma raça localmente adaptada ao planalto catarinense e apresentou bom desempenho produtivo em condições naturais,
torna-se boa opção para a pecuária regional que vise a sustentabilidade e agregação de valor ao produto final por meio de certificação de origem.
7 CONCLUSÃO
Fêmeas Crioulas Lageanas apresentam maior velocidade de crescimento até aos 27 meses, demonstrando bom desempenho produtivo considerando que sua criação é realizada extensivamente e em condições naturais.
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CAPÍTULO 4