Tendo como ementa “Análise da prática docente e de situações-problemas do ensino de Química à luz dos referenciais estudados” (UNEB, 2004, p. 64), este componente curricular está proposto como um espaço de discussão de relatos de experiências dos alunos do curso, inclusive daqueles que estão estagiando, além de egressos e de profissionais que atuam no ensino de Química. São realizadas mostras internas de trabalhos produzidos pelos discentes, ou em fase de produção, conforme previsto no Projeto de Reformulação Curricular, onde consta que tais mostras devem ser preparadas como “estímulo às atividades culturais e científicas desenvolvidas a partir da própria organização dos alunos, tais como Clubes de Cultura, Museus, Feiras de Química ou de Ciências, Festivais, Exposições ou Mostras de cultura, dentre outros” (UNEB, 2004, p. 26). Este componente é trabalhado na perspectiva de que mais
importante do que aprender conteúdos específicos é aprender a estabelecer relações entre eles e indagá-los, de forma crítica, quanto à possibilidade da sua aplicação, importância e procedência no desenvolvimento das atividades no ensino da Química; isto é feito discutindo situações e atividades concretas do mundo do trabalho do professor.
Nos componentes curriculares destacados (Tópicos Especiais em Psicologia, Oficina de Leitura e Laboratório de Comunicação e Interação Pedagógica), assim como nos demais componentes que compõem a dimensão prática do currículo em foco, percebemos a busca de um diálogo com a realidade científica contemporânea e com a realidade escolar próxima ao futuro objeto profissional do educando. Desta forma, acreditamos que o currículo está caminhando para uma concepção de ensino em que os envolvidos no processo percebem a necessidade de “significar os conceitos de uma ciência em vários contextos diferentes para que o significado possa evoluir, atingir novos níveis e se consolidar” (MALDANER, 2003, p.213). Isto é importante, pois como diz este autor “Esta forma de proceder permite formar o pensamento sobre uma situação sob o ponto de vista de uma ciência, superando a prática de exigir respostas únicas, diretas e fora de qualquer contexto.” (ibid, loc. Cit.)
4.1.4 – Intensificação no desenvolvimento de pesquisas.
Com relação ao processo de investigação, a proposta do curso é estimular pesquisas relacionadas ao ensino de Ciências/Química, por se entender que não existe autonomia intelectual e profissional se não existir espaço curricular destinado à formação do professor-pesquisador. Tal compreensão apóia-se na análise do Projeto de Reformulação do curso, em que consta “Só a pesquisa é capaz de resgatar a prática docente como uma dimensão investigativa, em direção à elaboração ou, no mínimo, à reelaboração crítica do conhecimento.” (UNEB, 2004, p.27).
Os professores envolvidos no processo de reformulação do curso entendem ser necessário que a pesquisa permeie o currículo em todo o espaço-tempo passível de discussão do objeto a ser investigado, seja ele da Química, da Educação ou do Ensino
de Química. A proposta é que a pesquisa ocorra também em sala de aula, com o educando sendo estimulado a ultrapassar os limites da pura e simples reprodução do conhecimento em sala e passe a atuar como um elemento da práxis investigativa.
O projeto de reformulação curricular do curso aponta para como fazer, a fim de viabilizar que a pesquisa assim ocorra:
Para tanto, ao longo do currículo, na definição dos planos de cursos, serão apontadas as ações disciplinares e interdisciplinares a serem desenvolvidas nos componentes curriculares, além dos conteúdos instrumentalizantes para a manipulação do conhecimento, desde a sua reelaboração até à sua produção propriamente dita, seja na área da Química ou do Ensino de Química. Desta forma, a pesquisa no curso não pode ser vista de forma estática a partir de um ementário, já que é um componente ativo e mutante da vida curricular que pode e deve se deslocar ao longo da trajetória do curso, de acordo com a disponibilidade de capacitação docente, definição de linhas de pesquisa e das condições de trabalho existentes no curso. (UNEB, 2004, p.27)
No processo de investigação identificamos que a pesquisa acontece majoritariamente na área de Química, mas já ocorre também, mesmo que de forma incipiente e pontual, na área de Ensino da Química. Avaliamos que a tendência seja aumentar o número de pesquisas na área de ensino, pois está crescendo o número de professores que pretendem se qualificar nesta área, já havendo uma proposta de se constituir um grupo de pesquisa em Ensino de Química.
Concordamos com Galiazzi e Moraes (2002), ao defenderem a pesquisa, no processo de formação do professor, como modo, tempo e espaço de qualificação da formação de professores de Ciências, implicando em transformar os licenciandos de objetos em sujeitos das relações pedagógicas, assumindo-se autores de sua formação por meio da construção de competências de crítica e de argumentação, o que leva a um processo de aprender com autonomia e criatividade.
Dessa forma, acreditamos que a qualidade da formação inicial do professor pode ser melhorada com a incorporação da pesquisa no processo de formação, mas, para isso, é preciso que os professores formadores estejam atualizados com o estado da arte da pesquisa em sua área, a fim de trabalharem o conhecimento, em sala de aula, no estado em que ele se encontra e no momento em que ele está sendo ensinado. Os formadores precisam ser, também, pesquisadores, para poderem tratar o conteúdo como um momento no processo de construção do conhecimento, isto é, trabalhar o
conhecimento como objeto de indagação e investigação. Precisam ser, finalmente, investigadores de sua própria ação de formadores, dos processos de aprendizagem e de seu próprio processo de ensino. Afinal, como diz Sacristán (1998, p. 165): “(...) o professor é um elemento de primeira ordem na concretização do processo pedagógico”.