estimativa da parcela de resistência por atrito e por ponta na interpretação de oito provas de carga em EHC com 60cm e 70cm, comprimentos entre 11,46m e 23,80m, executadas em solos sedimentares e residuais. Silva et al. (2002), ao apresentarem os resultados de prova de carga realizada na primeira EHC instrumentada de Brasília, utilizaram o Método de Van der Veen para extrapolar a curva carga-recalque e obter a carga última de ruptura da estaca igual a 1200kN. Os autores afirmam que, para o último estágio de carga (1100 kN), foi obtido um recalque elevado de cerca de 23mm.
Além do método de extrapolação de Van der Veen (1953), Almeida Neto e Kochen (2004) utilizaram, também, os Métodos das Duas Retas e de Décourt para separação das parcelas de ponta e atrito lateral de três EHCs de 40cm de diâmetro e comprimentos variados de 10,8 a 17,5m.
Magalhães, Sales e Cunha (2006) aplicaram o Método de Van der Veen (1953) pra determinação da carga última nas EHCs do Banco de Dados organizado por Alonso (2000, 2002, 2004). Camapum de Carvalho
et al. (2006) utilizaram o mesmo método para determinar a carga de ruptura
de quatro EHCs com diâmetros de 35cm a 50cm e comprimentos de16,0 a 20m, no Distrito Federal. Concluíram que o valor obtido por esse método é aproximado do valor resultado do traçado do gráfico carga(kN) versus taxa de deformação(mm/min.).
Os pesquisadores Sales, Cunha e Magalhães (2007) analisaram três EHCs executadas na cidade de Goiânia com diâmetros de 30cm, 40cm, 40cm e respectivos comprimentos de 16,5m, 15,0m e 17,1m. As estacas estavam com ponta engastada de 50cm a 100cm num solo de elevada resistência. Os autores utilizaram o Método de Van der Veen em apenas duas estacas para extrapolação da curva carga-recalque, a fim de determinar a carga de ruptura pelo método da NBR 6122. Na terceira estaca, não foi possível aplicar o método em função da baixo nível de deslocamento obtido na prova de carga.
Soares et.al. (2008) utilizaram o Método de Van der Veen (1953) para extrapolar a curva carga-recalque de uma EHC, executada em Brasília, para, posteriormente, realizar uma análise numérico-experimental. Hachich, Falconi e Santos (2008) também usaram o mesmo método numa prova de carga estática em EHC de 70cm de diâmetro que não foi levada à ruptura.
Por sua vez, De Cock (2009) aponta que o Método de Chin permite um ajuste bastante satisfatório da curva.
Para Silva (2011), os valores obtidos pela metodologia Camapum de Carvalho et al. (2008, 2010) são próximos aos da instrumentação em profundidade, identificando o domínio do atrito, ponta e plastificação.
Ao aplicar o Método de Rigidez em EHC com 0,40m de diâmetro e 12,0m de comprimento, executadas em solo de diabásio, Melo et al. (2012) concluíram que os limites de atrito lateral são indicativos aproximados, que podem ser aplicados tanto para verificar resultados de instrumentação como para fornecer informações em projetos por meio de provas de carga comuns. Os domínios de atrito lateral, calculados pelo método, quando comparados com ensaios instrumentados, apresentaram boa concordância. Os autores afirmam que o método demonstrou ser adequado às propostas de determinação da carga-limite e à separação aproximada entre a carga de ponta e o atrito lateral. É importante, para a eficácia da ferramenta, que as provas de carga sejam feitas com o máximo de estágios de carregamento possíveis.
Santini et al. (2012), ao interpretarem os resultados de cinco provas de carga em estacas hélice contínua pelos Métodos da ABNT NBR 6122:1996, Método de Rigidez de Décourt e Método de Van der Veen, concluíram que os três métodos apresentaram carga de ruptura semelhante. O método da NBR mostrou-se o mais conservador e o Método de Rigidez apresentou o maior resultado.
Por fim, Cunha et al. (2012) analisaram os resultados de nove provas de carga executadas em EHC, com 30cm e 40cm de diâmetro, na região de Vila Velha-ES. Cinco estacas estavam apoiadas diretamente sobre rocha. Os autores registraram que os recalques, nesse caso, resultaram praticamente apenas da compressão elástica da estaca e consideram uma maior capacidade de carga de ponta. No trabalho, foram aplicados dois métodos para a extrapolação da curva carga-recalque. Concluíram os estudiosos que a carga de ruptura estimada pelo Método de Décourt (1996, 1998) foi maior que a estimada pelo Método de Van der Veen (1953).
Com base na Revisão Bibliográfica, verifica-se para as EHCs:
a) É uma tecnologia nova em evolução tanto dos equipamentos e controle de execução quanto da aplicabilidade de métodos de estimativa de carga de ruptura.
b) Utilizadas, com frequência, em projetos de fundações em nível internacional. Seu uso é crescente a cada novo ano, principalmente, nas obras brasileiras.
c) Para estimativa da carga de ruptura dessas estacas, são utilizadas as metodologias propostas por autores brasileiros, com base no ensaio SPT, e consagradas na prática nacional, não existindo estudos conclusivos sobre a acurácia de cada método. Em algumas situações, subestimam e em outras superestimam a carga dessas estacas, quando comparadas às provas de carga.
d) A carga de ruptura é de difícil definição ou identificação e esses conceitos não são únicos ou universais. Quando diferentes propostas são aplicadas à mesma curva carga-recalque, diferentes valores de ruptura são obtidos, sendo necessário especificar a referência ao conceito utilizado.
e) Para as provas de carga estáticas que não tiveram ruptura física, são utilizados, com maior frequência, o Método de Van der Veen para extrapolação da curva carga-recalque e o Método da Norma Brasileira para determinação da carga de ruptura.
f) Existem poucas provas de carga instrumentadas, principalmente em nível nacional.
g) O Método de Rigidez de Décourt (2008) tem sido recomendado, internacionalmente, para separação das parcelas de carga por atrito e por ponta e sua utilização tem aumentado, ano a ano, na prática brasileira.
h) Na prática de Engenharia Geotécnica, o percentual da carga admissível a ser adotado para a parcela de ponta não está consolidado.